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A-24

Comemorar o quê?

por A-24, em 25.04.10
Eu sei que ninguém se lembra que hoje é feriado, simplesmente porque caíu a um domingo, que já é por si o dia por excelência para ficar em casa e não fazer nenhum, mas cá venho eu aqui recordá-lo ainda que não pelas melhores razões.
Considero o 25 de Abril um dia importante para a história de Portugal mas também como o início da decadência de uma cultura e nação, que durante o século XX só levou porrada de toda a gente.
Há tempos um amigo meu dizia-me "um País que viveu uma revolução em que quase não houve derramamento de sangue, não passa de um país de mansos e há-de se subjugar a tudo e todos!" Na altura não lhe dei razão, mas hoje, passados dois anos subscrevo a afirmação. Esta coisa de ser um país de brandos costumes e de mansos, só significou perdas ao longo destes 36 anos. Uma descolonização péssima, que só trouxe fragmentação social para Portugal, a rápida perda da identidade cultural, o difícil posicionamento numa Europa comunitária a roda a várias velocidades, a rápida passagem de uma sociedade agrícola para uma sociedade de serviços e o velho problema das mentalidades que não conseguirem acompanhar estas mudanças sociais em tão pouco tempo, tornou este país assim, dificil de se definir e difícil de encontrar um rumo. Juntando isso a uma dívida e défice astronómico ao estrangeiro, um desemprego galopante que já anda nos dois dígitos, um crecimento zero nos últimos anos (na década de 60 por incrível que pareça Portugal crescia com ritmos de 7 e 8 por cento ao ano!) iso aliado à nossa posição periférica na Europa e a fraca competitividade para com os tubarões europeus, de um país que a exemplo da Inglaterra tem dificuldades em se adaptar a uma Europa diversificada, porque durante vários séculos as ambições de ambos foram sempre fora e não aqui. Hoje temos isto.
Vale a pena ir à rua e se juntar aqueles comunistas e sindicalistas vociferar por direitos e para comemorar alguma coisa? Não! Por favor sejam inteligentes e fiquem em casa a ver os filmes da tarde ou na internet a ver gajas nuas.
De entre todas as personagens que marcaram este período histórico, apenas o capitão Salgueiro Maia merece-me admiração, foi o verdadeiro símbolo até porque afrontou as sizudas e patéticas patentes superiores do exército e comandou as operações no epicentro do vulcão. Mas se ele soubesse no que o país se tornou passados 36 anos, teria mas era continuado quietinho no seu quartel a receber ordens.

in "Ecos de Saturno"

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