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A-24

Combatentes islamistas estão a destruir os mausoléus de Tombuctu

por A-24, em 02.07.12
A destruição de vários mausoléus de santos muçulmanos sufistas em Tombuctu, no Norte do Mali, por um dos grupos de islamistas que controlam a região não foi senão o princípio. “O Ansar Dine vai destruir todos os mausoléus da cidade. Todos os mausoléus, sem excepção”, avisou à AFP o porta-voz do grupo com ligações à Al-Qaeda, Sanda Ould Boumama.
Os ataques começaram precisamente dois dias depois de Tombuctu, cidade Património Mundial desde 1988, ter sido incluída na lista dos bens em risco pelo comité do património mundial da UNESCO. A intenção de destruir por completo os 16 cemitérios e mausoléus de Tombuctu, conhecida como a cidade dos 333 santos, está em parte a ser interpretada como uma retaliação a essa decisão.
Os islamistas do Ansar Dine, que querem impor a sharia (lei islâmica) em todo o território, não aceitam que a população local, sufista, venere mausoléus de santos. Por isso destroem-nos “em nome de Deus”. “Só há um Deus. Tudo isto é haram [proibido pelo islão]”, afirmou Sanda Ould Boumama na mesma conversa com a AFP. “E nós, nós somos muçulmanos. UNESCO, isso é o quê?”
Este sábado pelo menos três mausoléus tinham já sido destruídos. Entre eles está o de Sidi Mahmoud, do século XV, que já no início de Maio tinha sido profanado. “O mausoléu deixou de existir e o cemitério parece um campo de futebol”, disse um professor local à Reuters.Também os mausoléus de Sidi Moctar e Alpha Moya foram atacados pelos combatentes do Ansar Dine.
Yeya Tandina, um jornalista local, contou à Al-Jazira que os grupos de islamistas estão armados e que cercaram os monumentos com carrinhas e camiões. “A população fica a olhar, impotente”, descreveu.
O caos que se instalou no país depois do golpe de Estado de 22 de Março abriu caminho aos combatentes islamistas, que controlam agora as três regiões do Norte do país, Tombuctu, Gao e Kidal.
Já em Abril, a UNESCO alertara para o facto de os monumentos de Tombuctu estarem ameaçados e pediu às autoridades e aos combatentes que respeitassem o património. Dois meses depois resolveu incluí-los na lista do património em risco, mas o efeito da decisão foi exactamente o contrário do que a UNESCO pretendia, com uma campanha de destruição que recorda o que aconteceu em 2001, no Afeganistão, com a destruição dos budas de Bamiyan pelos taliban.
Depois de ter tido conhecimento da destruição do túmulo de Sidi Mahmoud a presidente da UNESCO, Alissandra Cummins, pediu às partes envolvidas no conflito que “exerçam as suas responsabilidades”.