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A-24

Cinema: The hunger Games (2012)

por A-24, em 30.08.12

The Hunger Games constitui a primeira parte de uma saga que promete tomar de assalto o mundo cinematográfico. Contudo, se há coisa que odeio, é que comparem The Hunger Games com Twilight. É certo que esta última franchise já está no fim, mas não é por isso que agora uma nova saga tem de obrigatoriamente substituir uma outra. É que não tem mesmo nada a ver. Quer dizer - ambos são protagonizados por uma rapariga adolescente e são baseados em best sellers; mas as semelhanças param mesmo por aqui. Apesar de não odiar Crepúsculo, digo com pura certeza que The Hunger Games é melhor, pela mais sólida e madura narrativa.

Sinopse (PUBLICO): Num futuro pós-apocalíptico não muito distante, no território outrora conhecido como América do Norte, existe Panen, uma nação administrada por um governo totalitário que domina os seus 12 distritos. Uma anterior insurreição fracassada dos distritos contra o Capitólio resultou no extermínio de um 13º e num acordo tácito de rendição entre os restantes. Assim, a viver no limiar de pobreza, numa existência de quase escravatura, os seus habitantes são constantemente relembrados da sua posição de obediência perante o governo. Todos os anos, cada distrito envia dois adolescentes entre os 12 e os 18 anos para participar nos Jogos da Fome, competições de vida e morte em que apenas um sairá vencedor. Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) é uma jovem de 16 anos que, após a morte do pai, se tornou no único sustento da família. Quando Primrose (Willow Shields), a sua irmã de 12 anos, é seleccionada para os jogos, Katniss voluntaria-se para a substituir. Agora, sabendo como a sua vida é crucial para a sobrevivência da família, ela está disposta a lutar com todas as suas forças e tornar-se na única sobrevivente daqueles divertimentos bárbaros...

The Hunger Games é baseado no livro com o mesmo título escrito por Suzane Collins. Não o li,portanto não poderei fazer quaisquer comparações (para quem é fã convicto dos livros, pode não impressionar). Porém, é importante referir que Suzanne Collins é produtora e co-argumentista do filme, pelo que o seu envolvimento directo no filme deve ter contribuído para uma adaptação cinematográfica minimamente fidedigna. Relativamente ao argumento adaptado,creio que o enredo do filme é credível e ambicioso, deixando o expectador sempre a querer mais. Intrigou-me bastante este mundo excêntrico, incrível e futurista, como também as personagens inquietantes e multidimensionais. A película foi realizada por Gary Ross, e este ganha ao não conferir ao filme uma atmosfera ultra-romântica e cliché, mas aposta num ambiente duro e real: consegue pegar num romance destinado a adolescentes e conferir-lhe uma visão perturbante de uma sociedade em decadência. Este mundo retrata uma dicotomia entre a pobreza e a riqueza, entre os oprimidos e os agentes de poder. O sofrimento dos pobres oferece um entretenimento para os ricos, e mesmo a tecnologia envolvida faz lembrar uns tão familiares reality shows.

Um aspecto negativo que devo realçar em The Hunger Games é que este está subdividido em dois pequenos filmes: o primeiro, coerente e interessante, em que as personagens são devidamente desenvolvidas ao ritmo ideal e a crítica à sociedade está bem intríseca - apesar de pensarmos que a excentricidade das personagens poderosas e a transposição de jogos de fome no mundo real são irrisórias, se pensarmos um pouco existem essas “personagens” por aí, nomeadamente em Hollywood ou mesmo no jet set português. Aliás, digo com certeza que é na forte crítica à sociedade que o filme ganha, e que confere à narrativa um carácter maduro e ambicioso.
O segundo pequeno filme começa precisamente na segunda metade, em que este perde substância. Esperava que, à medida que os jogos desenrolavam, a narrativa se fosse tornando mais forte e entusiasmante, mas ao invés disso torna-se apenas uma corrida de cenas banais e previsíveis. Creio que existem cenas cruciais que deveriam ter sido mais trabalhadas, pois só assim funcionariam. O filme é muito longo, e talvez isso corte a força da narrativa. Esperava um final mais completo e explosivo, o que não acontece.
O foco de The Hunger Games é mesmo Katniss, a rapariga em chamas, e o seu instinto de sobrevivência. Jennifer Lawrence desempenha Katniss de forma brilhante e carismática, levando o filme às costas, principalmente na segunda metade do filme. Ela insere-se na personagem de forma natural e sem qualquer esforço.

Em suma, apesar The Hunger Games ter falhas inegáveis,constitui de facto uma boa revelação, sendo um filme muito interessante e que vale a pena esperar pelos capítulos que vêm. (Depois do Cinema)

EXAME

Realização: 8/10
Actores: 8/10
Argumento/Enredo: 7/10
Duração/Conteúdo: 5/10
Efeitos/Fotografia: 8/10
Transmissão da ideia principal do filme para o espectador: 8/10

Média Global: 7.3/10

Crítica feita por Joana Queiroz