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A-24

Chávez: um adeus lusitano

por A-24, em 20.03.13
A passada semana foi uma daquelas em que me senti envergonhado por ser de Direita, envergonhado até por ser “nacionalista” (hoje em dia um termo pejorativo, graça a certa tribo urbana), blogosfera e redes sociais fora foi um fartote de regozijos e insultos por parte da direitinha portuguesa, da mais ultra-liberal à mais conservadora e patrioteira, passando inclusive pela extrema-direita. Assim de repente são todos mestres em Ciência Política e aplaudem a morte de “um comuna”.

Não fosse mau gosto suficiente, e falta de carácter, satisfazer-se com a morte de seja quem for após a longa agonia de um cancro, este une-se à cobardia do regozijo pela morte de um suposto inimigo. Conhecendo bem de perto o ideário social patriota venezuelano (tive a honra de ser orador convidado em vários eventos organizados pela embaixada bolivariana em Lisboa e pude privar bastas vezes com o seu embaixador e ainda com dignitários e deputados do PSUV de visita ao nosso país) só posso afirmar que Hugo Chávez, a ser algo, era um de nós. Um patriota, um nacionalista, um defensor e um protector do seu povo.

A imprensa do sistema, pejada de jornalistas sectários comunistas e de milhentas extremas-esquerdas bem o pode reclamar como seu, eu recordo o Chávez pupilo de Norberto Ceresole, o Chávez que admirava Mussolini e Perón, o Chávez que reduziu em 70% a pobreza extrema (a de quem passa fome e vive em barracas), em 50% a pobreza funcional (muito portuguesa, a de quem, embora trabalhando, não ganhe para as contas), o Chávez que reduziu o emprego a 6% em 2012 e, dados do insuspeito Observatório Económico dos EUA, se esperaria baixar para 3% este ano. O Chávez leitor de Alain de Benoist e curioso da Nova Direita francesa, o Chávez que se consultava com Alberto Buela, o filósofo peronista. O meu Chávez é imortal, será esse que o povo recordará, pese embora a falsificação histórica constante da esquerda jornaleira, o ódio da direitinha burguesa sedenta de dinheiro e criados ou o mau gosto de quem achou por bem igualá-lo a Mao e Lenine, conspurcando-lhe a santa carne com químicos e expondo-o numa urna de cristal. Tal não é culpa dele! Sentirei falta do Chávez que era, não do que dirão que foi.

Flávio Gonçalves in O DIABO de 12 de Março de 2013