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A-24

Catolicismo e modernidade

por A-24, em 02.09.13
In A Corte na Aldeia

Ao catolicismo, se não for pela fé, chega-se pela razão. Uma análise racional das coisas mostra-nos, claramente, que esta é a única religião aceitável, que esta é a única via para a Verdade, aquela que nos afasta dos relativismos e das subjectividades. É por saberem que nele se encontra essa Verdade que os seus opositores se manifestaram tão interessados na sua dissolução. Não o tendo conseguido com o comunismo, viraram-se para outras vias, os "valores modernos", o culto do relativismo, do esoterismo new age, do neo-paganismo, do consumo desenfreado e de outros cultos substitutos. Mas o pior inimigo do catolicismo talvez seja ele mesmo, na sua versão light, na sua pequena adesão á modernidade, protagonizada por alguns dos seus. O catolicismo não pode ser um clube ansioso por recrutar membros. Se o mundo estiver errado eu não tenho de estar com o mundo, e a casa de Deus não tem de ter, necessariamente, muitas portas. Essa ideia moderna de que existe um pouco de verdade em cada uma das religiões tem de ser posta de parte - a Verdade não vem aos bocados e não se pode partir como se fosse um jogo de peças de encaixar. A Verdade ou é completa ou não é. E essa completude só se encontra no catolicismo. Por isso não pode ele ser envergonhado, por isso os que o aceitam não podem querer passar pelo mundo em silêncio, com medo de incomodar alguém. Há que fazer barulho para acordar quem dorme, quem está preso de falsos ídolos. Os mártires cristãos não morreram em defesa de Buda, de Ódin, de Maomé. Morreram por Jesus Cristo, Aquele que disse ser a Verdade. Não disse que era uma parte da Verdade. Não disse que em Buda também estava a Verdade. Por isso a mensagem de ontem é a de hoje, a da eternidade, a do tempo sem tempo. Por isso o catolicismo não pode adaptar-se ao tempo porque não é do tempo. Não pode ceder ás pressões do mundo porque ele não é do mundo. Deste, pelo menos. Esses padres tíbios, esses teólogos envergonhados, esses que pedem desculpa por tudo e por nada não compreendem que uma pequena cedência é o princípio da corrupção. O catolicismo não pode ceder à opinião pública ou a entidades mais ou menos abstractas como o progresso ou a modernidade. Destes, conhecemos demasiado bem os seus frutos. Não podemos pactuar com eles.