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A-24

Alemanha e Ghana empatam, Argentina vence por margem mínima, Bósnia fora do Mundial

por A-24, em 21.06.14


Alemanha 2-2 Gana (Gotze 51´ e Klose 71´; A. Ayew 54´ e Gyan 63´)

Partida histórica e bem disputada no Estádio Castelão, com duas equipas preocupadas em marcar golos, em especial no segundo tempo. Os ganeses voltaram a mostrar grande qualidade no grupo G, apesar de ainda não terem vencido no Brasil (para chegarem aos oitavos-de-final, precisam de uma vitória sobre Portugal e de deslizes do EUA). O Gana não respeitou o favorito do grupo e criou bastantes embaraços para Neuer e companhia, mas acabou por pecar, novamente, na finalização. A Alemanha esteve irreconhecível, marcou um primeiro golo do nada (e com sorte) e contou com o instinto matador de Klose para chegar o empate. O avançado da "Mannschaft" fez história a triplicar, ao tornar-se o jogador alemão mais velho a marcar em Mundiais, ao igualar Ronaldo no topo dos goleadores da competição (15 golos) e ao tornar-se, depois de Pelé e Uwe Seeler, no 3º jogador a marcar em 4 Campeonatos do Mundo.
Os africanos não tardaram em ameaçar a baliza da Alemanha, com Gyan (por cima) e Atsu (defesa de Neuer) em boa posição para marcar. Os germânicos responderam através dos remates de Kroos e Khedira, mas foi novamente o Gana a aproximar-se com perigo de Neuer (remates de Muntari e Gyan). O segundo tempo começou da melhor maneira, com um golo de Gotze (Muller cruzou para o cabeceamento e joelhada do jogador do Bayern). O golo podia ter afectado os ganeses, contudo, não foi isso que aconteceu. Andre Ayew, após cruzamento de Afful, cabeceou com classe para o 1-1. Pouco tempo depois, foi Asamoah Gyan a dar a volta ao marcador, num excelente remate, após recuperação de bola e assistência de Muntari. O Gana ainda ameaçou com o 1-3, mas falhou no contra-ataque (Jordan Ayew teve soberana oportunidade), enquanto a Alemanha valeu-se de Klose e Schweinsteiger, lançados por Low depois do 1-2. Os alemães chegaram ao empate através de um pontapé de canto, com Howedes a desviar na direcção de Klose, que não perdoou perto da linha de golo. O jogo teve um final frenético, com ambos os conjuntos a ficarem perto da vitória. Muller e Klose desperdiçaram para a Alemanha, enquanto os ganeses voltaram a pecar em situações de superioridade numérica.
Portugal - Se os EUA não fizerem uma gracinha perante a Alemanha, a Portugal basta uma vitória sobre os norte-americanos e um empate perante os ganeses na última jornada. Contudo, este último jogo não se aparenta fácil para Portugal, pois os ganeses apresentam uma frescura física impressionante e elevados níveis de agressividade e intensidade.
Ghana - Mais uma boa exibição dos ganeses que não foi premiada com uma vitória. No geral, foi uma excelente prestação do conjunto ganês, intenso, forte tacticamente (soube condicionar bem o jogo alemão) e principalmente com muita frescura física. Faltou foi outro poder de decisão, pois os ganeses tiveram alguns lances em que podiam ter feito manifestamente melhor (por exemplo, perto do final, desperdiçaram de maneira infantil um ataque de 5 para 2). No 1º jogo já tinham demonstrado esta dinâmica, capacidade técnica e capacidade de criar desequilíbrios, perdendo o jogo apenas por manifesta infelicidade (o resultado frente aos EUA não traduziu nada o que se passou em campo). Os destaques individuais vão principalmente para Andre Ayew e Asamoah Gyan que criaram muitos problemas à defensiva alemã (marcaram os golos e ainda desperdiçaram), enquanto no centro da defesa, Boye e Mensah estiveram em bom nível (realizaram alguns cortes importantes). Os dois laterais ofereceram grande profundidade aos flancos (Afful estreou-se a titular no Mundial e fez uma assistência), Atsu começou bem a partida, com a sua velocidade e técnica, enquanto Muntari, que não vai defrontar Portugal (viu o 2º amarelo na competição mesmo em cima do final da partida), foi importante na luta do meio campo (a sua capacidade física é impressionante). 
Alemanha - Os germânicos tinham impressionado frente a Portugal, contudo, parece que esse resultado foi construído, em grande parte, devido à inoperância portuguesa. A "Mannschaft" teve grandes dificuldades para ultrapassar a defensiva africana e sofreu muito no seu meio campo e na defesa. Um sector defensivo com quatro centrais condiciona a equipa, o que poderá ser um factor a explorar pelos adversários (o Gana soube aproveitar esse facto). Em termos individuais, destaque positivo para Klose, que entrou, marcou e chegou aos 15 golos em Campeonatos do Mundo. Schweisteiger, também lançado por Low, caso melhore fisicamente, poderá ser um reforço "bomba" (no pouco tempo que esteve em campo, deu logo uma dimensão diferente à Alemanha). Gotze e Ozil, a espaços, tiveram boas acções, mas faltou que Kroos e Khedira oferecessem outro contributo ao meio campo alemão. A defesa sofreu bastante com a velocidade e intensidade ganesa.


Nigéria 1-0 Bósnia (Odemwingie 28')

Dzeko e a enorme qualidade técnica de Pjanic mereciam mais, mas este não vai ser o Mundial dos bósnios. A Nigéria bateu a Bósnia por 1-0 e deu um passo importante rumo aos oitavos-de-final. Por sua vez a selecção dos Balcãs, com a 2ª derrota, ficou fora da competição (o jogo com o Irão é apenas para cumprir calendário).
Num dos jogos mais atípicos deste mundial, teve várias oportunidades de golo apesar de ter sido pouco intenso, o conjunto nigeriano acabou por ser mais astuto (aproveitou bem a passividade da Bósnia, uma equipa que não pressiona e algo débil defensivamente) e conseguiu 3 importantes pontos. Odemwingie depois de uma excelente jogada de Emenike fez o único golo da partida.
Bósnia - Soube a pouco, a equipa tinha qualidade técnica para ser uma das sensações do Mundial, nesta que foi a 1ª grande competição internacional dos bósnios. É certo que a selecção dos Balcãs pode "chorar" o golo mal anulado a Dzeko (ainda com 0-0) e até a falta de sorte (o avançado do City fartou-se de rematar, inclusive acertou no poste já nos descontos, mas a bola teimou em não entrar), no entanto foram demasiados "macios" (as opções do seleccionador também não ajudaram, hoje abdicou de Kolasinac e no 2º tempo tirou Hajrovic, que estava a ser um dos melhores). Conjunto muito "partido", sem pressionar no meio campo contrário e depois com graves problemas na defesa. Com bola, apesar dos desequilíbrios também houve alguns erros. Parecia até ser demasiado fácil ultrapassar a defesa nigeriana mas faltou sempre uma melhor capacidade de decisão. É pena, até porque além de Dzeko, também Pjanic (voltou a espalhar classe e foi o elemento da Bósnia mais esclarecido) merecia estar mais tempo numa competição como esta. Mas o futebol é feito de vitórias.
Nigéria - Três importantes pontos que colocam os campeões africanos quase nos oitavos-de-final. Os nigerianos se empatarem no último jogo passam (devem jogar com a França), até se perderem podem passar (caso o Irão não derrote a Bósnia) e se ganharem à Argentina até passam em 1º. Quanto ao jogo, acabou por ser uma vitória justa. A Nigéria foi a equipa mais forte tacticamente, e até criou as melhores oportunidades de golo (Begovic foi colocando a Bósnia no encontro). Em termos individuais, Enyeama voltou a dizer presente (várias defesas de bom nível), Mikel no meio campo, apesar da sua lentidão, num jogo tão partido e sem a pressão dos bósnios, quase parecia o Zidane, jogou e fez jogar, os centrais Yobo e Omeruo também foram competentes, e na frente a velocidade de Musa na 1ª parte (causou muitos "estragos") e a irreverência de Babatunde no 2º tempo também fizeram mossa na débil defesa Bósnia, no entanto, o jogador chave da partida foi Emenike. O avançado do Fenerbahçe com a sua potência criou desequilíbrios em praticamente todas as acções em que participou. Numa delas ofereceu o golo a Odemwingie, e não fosse Begovic e também podia ter juntado o seu nome aos marcadores. Impressionou mesmo a facilidade com que ultrapassava Spahic e até a sua visão de jogo (ao contrário dos restantes companheiros de ataque, demonstrou sempre um bom poder de decisão e até pouco egoísmo nas suas acções).


Argentina 1-0 Irão (Messi 90'+1)

Só Messi podia dar a vitória à Argentina depois de uma exibição tão fraca. A equipa albiceleste fez uma partida muito pobre - muito por culpa da incompetência de Sabella - e viu o Irão criar as melhores oportunidades de golo, mas a sua principal estrela voltou a resolver com um golaço que valeu o apuramento para os oitavos de final. O resultado foi pobre e a exibição ainda mais fraca, mas apesar disso a Argentina continua a ser forte candidata ao título, até porque está na metade do quadro mais acessível. 
A primeira parte foi toda da Argentina, embora a albiceleste não tenha criado muitas ocasiões para marcar (para além de um remate de Agüero, só em lances de bola parada incomodaram Haghighi). O Irão fez o que se esperava, apostando num bloco baixo e tentando aproveitar os lances de bola parada. Na segunda parte, tudo foi diferente. O conjunto de Queiroz saiu mais para o ataque e foi por pouco que não surpreendeu a Argentina (Reza e Dejagah obrigaram Romero a grandes defesas). No entanto, numa altura em que nem sequer estava ser perigosa a turma de Sabella consegue chegar ao triunfo, com um remate em arco de Messi. Um resultado muito injusto para o Irão.
Argentina - Uma exibição ainda pior do que na primeira jornada, tendo em conta que o Irão tem menos qualidade do que a Bósnia. Sabella voltou a demonstrar a sua incompetência e falta de ambição. Apesar de ter regressado ao 433, jogou com Gago e Mascherano, dois médios recuados, o que acabou por prejudicar o futebol da equipa. A passividade que mostrou a partir do banco também foi impressionante: só mexeu aos 75 minutos e fez apenas uma troca de avançados. Individualmente, Messi voltou a decidir, fazendo uma exibição semelhante à da primeira jornada (o golo e pouco mais). De resto, há poucos destaques positivos. Romero, que salvou a equipa da derrota, Rojo, que foi talvez o melhor da equipa (deu profundidade e mostrou qualidade nos cruzamentos) e Di Maria, a espaços, foram os que se salvaram. Higuain esteve desastrado, Aguëro foi uma nulidade e Gago fez uma exibição medíocre.
Irão - Grande exibição dos iranianos, que não mereciam a derrota (ainda podem seguir em frente). Apesar das limitações - são claramente uma das equipas mais fracas em prova -, mostraram competência defensiva - Montazeri fez uma super exibição - e na segunda parte conseguiram aventurar-se no ataque, com Dejagah e Reza, os dois melhores jogadores da equipa, a desequilibrarem a defesa argentina. Haghighi, que joga no Sp.Covilhã, também fez uma série de grandes defesas e esteve seguro nas saídas aos cruzamentos.