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A-24

Ainda sobre as últimas eleições em Itália

por A-24, em 01.03.13
O resultado das eleições italianas recordam-nos que não devemos confundir a realidade com os nossos desejos. Particularmente quando se é jornalista. Temos pois de volta Berlusconi e a (previsível) instabilidade governativa. É mau? É péssimo. Como dizia há dias um amigo meu, enquanto tiver um tipo daqueles como seu líder (e nem estou a pensar na sua atribulada vida privada) a direita italiana terá um sério problema de credibilidade. Da esquerda e do seus Grillos pouco ou nada se espera.

Miguel Noronha

Nas próximas eleições italianas os jornalistas portugueses faziam uma declaração de voto ou melhor dizendo de não voto na qual explicariam porque acham que os italianos devem erradicar Berlusconi da cena política etc etc… e depois assim desobrigados faziam notícias. Porque não é possível continuarmos a ter alegadas reportagens sobre as eleições italianas em que só se entrevistam, vêem e avistam pessoas que pensam como os jornalistas. Digamos que isto é tão bizarro quanto nas últimas presidenciais da Venezuela só se terem feito notícias sobre o candidato Capriles ignorando o Chavez ou vicer-versa.
Helena Matos

Deve ser extremamente doloroso para a Comunicação Social Portuguesa que Berlusconi, um empresário corrupto com ares de chulo, ofereça melhores soluções para a crise que a esquerda italiana, o fantoche Monti e a classe política portuguesa somada. Como sugeriu o outro: “meta manteiga”.
Ricardo Lima

Apesar dos sentimentos da comunicação social portuguesa, a política italiana vai continuar a depender de Berlusconi, de quem os italianos – essa gente ignara e analfabeta – parece não querer ainda prescindir. A divisão de votos entre a esquerda de Bersani e a direita de Berlusconi irá, por sua vez, lançar a Itália na “ingovernabilidade”, condição quase natural do país, à qual todos já se habituaram sem grande prejuízo. Quanto a Monti, o asséptico Monti, o desejado Monti, o virtuoso Monti, o Monti com que a basbaquice nacional sonhou durante meses, irá esfumar-se no ar com uns míseros 7% a 9%. Uma interessante lição a reter.
Rui A.