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A-24

A indignação como doença infantil no século XXI

por A-24, em 02.01.12
"Julgava que a esquerda não se "indignava" com as agruras sociais do sistema capitalista. Se bem me lembro, era por saberem melhor do que todos no que dá o capitalismo que os agentes da vanguarda o queriam destruir. Por isso é que este entusiasmo dos nossos partidos radicais com o movimento dos "indignados" é tão surpreendente. Por que raio há-de a esquerda querer abandonar a via organizada de superação ou regeneração do capitalismo - com manifestos escritos, doutrina sedimentada, sindicatos, partidos infiltrados nas instituições da "democracia burguesa" - e encostar-se a estes assomos infantis e inconsequentes de "cidadania"? O que é que ganha com a promoção destes aglomerados de sensibilidades incongruentes e tantas vezes apenas diletantes, que não levarão a lado nenhum?
Sinceramente, parece-me que esta opção vai é exaurir o protagonismo e utilidade de partidos como o PCP, os Verdes ou o Bloco. Não tenho grandes dúvidas de que a recente diminuição de representatividade dos ditos tem a ver com estes movimentos anti-partidários de crítica difusa ao regime. Se a simpatia por aqueles partidos depende de uma predisposição para aderir a modas e ao politicamente correcto (mais no caso do Bloco, admito), então não há como vencer a concorrência desta alternativa de militância bissexta, onde aliás a irresponsabilidade é ainda mais acarinhada. Ao pé disto, até o Bloco é uma chatice. A abstenção indignada é o novo Bloco.Por este caminho, o futuro da esquerda é um beco sem saída: muito poder onde ele não serve para nada (a rua) e nenhum onde ele pode servir para alguma coisa (as instituições democráticas)."

Francisco Mendes da Silva

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