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A-24

A fé dos fundamentalistas

por A-24, em 01.11.14
Vitor Rainho


É uma verdade indesmentível: nunca tantos tiveram acesso a cuidados de saúde, água e educação como agora. O mundo evoluiu muito, criando, no entanto, grandes desigualdades sociais. E são essas que estão na origem de alguns conflitos, embora os ‘confrontos’ mais radicais se fiquem a dever a questões religiosas. 
Na Arábia Saudita, por exemplo, as mulheres são apedrejadas se forem apanhadas a conduzir. Estará o Ocidente interessado em permitir o mesmo?
A cada dia que passa aumenta a distância entre o mundo ocidental e o oriental, havendo como que uma espécie de pré-aviso de guerra santa. Não que a maioria dos muçulmanos se reveja nos fundamentalistas que estão a ganhar espaço em países como o Iraque e Síria. Mas parece que os novos ‘bin ladens’ não vão querer parar nos seus califados e tudo farão para vergar a forma de vida ocidental. 
Nessa cruzada não são só os católicos que estão em perigo, bem pelo contrário. É a forma de vida mais libertina que está debaixo de fogo de homens que matam sem dó nem piedade.
Como se enfrenta alguém que tem tanto ódio? É permitindo que as suas ‘reivindicações’ se alastrem à Europa? Deixando que mulheres se vistam de burcas e não tenham direitos fundamentais aos olhos da nossa cultura? 
França e Bélgica deram o pontapé de saída na discussão que se adivinha bem mais acalorada nos próximos tempos. Os dois governos proibiram o usos de burcas e outras vestimentas que cubram o rosto das mulheres. O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem já veio dar razão às medidas adoptadas pelos dois países, utilizando argumentos pouco consentâneos com os princípios democratas. Mas é uma medida necessária no combate ao terrorismo – nunca se sabe quem se esconde por baixo de um pano?
Será a segurança uma das razões por detrás desta medida? Parece-me que não, apesar de concordar com ela. Parece-me óbvio que estamos perante uma tentativa de dizer que nas nossas sociedades as mulheres têm os mesmo direitos que os homens, ninguém é dono de ninguém e a liberdade é um bem muito precioso. Só que ninguém o poderá assumir. Há coisas que se fazem, mas não precisam de ser ditas. Repare-se, por exemplo, na medida preparada pelo Governo norueguês no combate aos mendigos profissionais do Leste: proibir a mendicidade... Quantos noruegueses estão nessa situação? Sete...