Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A-24

a crowd vs the mob

por A-24, em 01.05.12
“(…) No interior da loja era agora difícil circular. As centenas de pessoas com os carros das compras cheios até cima não davam espaço para se passar. Quem não conseguia carros de compras, optava por soluções imaginativas. Alguns arrastavam pelo chão enormes pedaços de cartão com dezenas de produtos em cima. Outros carregavam dezenas de sacos dos mais variados tamanhos igualmente cheios de produtos. Pelo chão da enorme superfície comercial havia centenas de produtos abandonados. Pacotes de esparguete, arroz, latas de salsichas, garrafas de vinho partidas, entre outros, dificultavam ainda mais a circulação. O ambiente era, porém, festivo. As pessoas riam, gritavam. Estavam visivelmente satisfeitas.”, no Público.

Há um ditado popular do qual sempre gostei, segundo o qual, a melhor defesa é o ataque! E hoje assim foi: a promoção da Jerónimo Martins, em resposta às críticas dos sindicalistas no 1º de Maio, colocou os sindicatos em cheque. Reduziu-os à insignificância. E demonstrou à saciedade que as pessoas, antes de lutarem pelos seus direitos, lutam sim pela sua sobrevivência.
A crise económica que afecta Portugal, nomeadamente o crescente desemprego e o (relativo) alto custo de vida, está a conduzir uma vasta secção da população para uma situação-limite. Ora, o que nas últimas horas se passou um pouco por todo o País, para além de sintomático do fracasso da retórica sindical, foi também um alerta muito sério ao Governo. E se as condições de vida continuarem em progressiva degradação, como tudo indica, sooner rather than later a multidão, que como se vê começa a estar inquieta, revelar-se-á violenta. E aquela que hoje foi “a crowd” poderá muito bem transformar-se em “the mob”

Ricardo Arroja in O Insurgente