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A-24

Daniela Mercury casa-se com namorada em Lisboa

por A-24, em 04.04.13
A cantora brasileira Daniela Mercury assumiu publicamente a sua homossexualidade, esta quarta-feira, ao revelar que casou com a namorada, a jornalista Malu Verçosa.
Mercury está em Portugal para dois espetáculos - um deles no Porto - tendo celebrado o seu casamento em Lisboa e publicado as fotos das duas no Instagram.
Nas imagens, além de uma em que estão no Castelo de São Jorge, em Lisboa, as duas mostram ainda as mãos com as duas alianças.
"Malu agora é minha esposa, minha família, minha inspiração pra cantar", é a declaração que ilustra as fotos e que já conta com muitas reações de fãs da cantora.
Mercury, mãe de cinco filhos e que já foi casada duas vezes mas com homens, tem cidadania portuguesa, porque o pai, Antônio Fernando Abreu Ferreira de Almeida, é um português que emigrou para o Brasil.
Aliás, o ex-mecânico já reagiu à revelação da filha admitindo que já conhecia a nova nora, que é editora-chefe da TV Bahia.
JN

A moral católica

por A-24, em 06.03.13
Fico perplexo quando ouço afirmar que a Igreja Católica é demasiado puritana ou que castra a actividade sexual. Pelo contrário, eu penso que nos países de cultura católica o sexo é mais relevante do que nos países protestantes. Atribui-se-lhe mais importância, os relacionamentos são mais “calientes” e, salvo melhor opinião, os respectivos acessórios são mais e melhor utilizados.
Claro que a Igreja considera pecado muita desta actividade, o pecado da luxúria, mas a Igreja é mãe e perdoa. Nem poderia ser de outro modo porque perante Deus ‹‹todos somos pecadores››. Daí que, nas congregações de fiéis, se rogue a Deus por perdão: ‹‹perdoai-nos Senhor os nossos pecados››. Pecados que, na maior parte dos casos, correspondem aos excessos da besta humana: a luxúria, a gula, a preguiça, a inveja, etc.
Ora a posição da Igreja é condenar estes excessos, como não poderia deixar de ser, mas aceitando sempre alguma transgressão, como fruto das nossas imperfeições. A Igreja sabe que não somos todos pessoas exemplares aos olhos de Cristo e não pretende impor uma ditadura moral, apenas pretende que aceitemos um ideal de perfeição e que lutemos por ele, embora reconhecendo que ficamos sempre aquém.
Há um célebre dito que antigamente se aplicava aos abades e que reza assim: ‹‹olhai para o que eu digo, não olheis para o que eu faço››. Esta dualidade, na minha opinião, está no cerne da moralidade católica e corresponde ao que descrevi.

in Portugal Contemporêneo

Celibato e sexualidade do clero católico

por A-24, em 03.03.13
A temática sexual começa a apossar-se, injusta, mas perigosamente, da imagem pública da Igreja Católica. Naturalmente que a instituição está imensamente longe de merecer ser avaliada pelo comportamento indevido de alguns dos seus membros, mas a verdade é que a sua imagem começa a sofrer danos de difícil reparação por causa desses comportamentos.
O problema coloca-se, sobretudo, porque a Igreja Católica mantém sobre a sexualidade, desde sempre e principalmente nestas últimas décadas, quando, coincidentemente, a sexualidade tomou de assalto a vida das pessoas comuns, uma dogmática que é necessariamente conservadora e moralizante, enquanto os escândalos sexuais com o seu clero se desmultiplicam, tornando-se, também por isto, notícia fácil. Ele é o problema – gravíssimo – da pedofilia, ao qual apenas Bento XVI deu uma resposta clara e satisfatória, o da homossexualidade entre o clero, dos rumores sobre práticas sexuais moralmente duvidosas ao mais alto nível da hierarquia, etc.. A especulação chegou a um ponto tal que se discorre sobre a possibilidade de Bento XVI ter resignado ao tomar conhecimento de alguns destes escândalos, havendo até quem avance a possibilidade dele ter vindo a ser atacado por um lóbi gay supostamente existente nas esferas mais elevadas da hierarquia do seu clero. Seja isto verdade seja isto mentira, havendo ou não exagero da comunicação social, intencional ou com intuitos meramente comercial, o facto é que as pessoas comuns cada vez mais olham para a Igreja Católica e aceitam que ela tem um problema grave e sério com a sexualidade do seu clero, que se repercute na sua missão evangélica e social. E se essa é a impressão comum do homem comum – e não duvido que o é cada vez mais – então, qualquer que seja a natureza e a dimensão do problema, a Igreja Católica tem, efectivamente, um problema seriíssimo para resolver.
E esse problema reside essencialmente, embora não se esgote, na questão do celibato dos padres. O verdadeiro fundamento que a Igreja tem (que sempre teve) para a exigência do celibato e da abstinência sexual do seu clero, não é nenhum dos que, às vezes, são comentados, tais como a necessidade dos padres não terem vida própria, mas apenas vida para o outro e para a sua missão, como Bento XVI argumentou na sua homília proferida na Basílica de Mariazell, na Áustria, em 2007. Tão pouco a associação da sexualidade ao pecado compõe, nos dias de hoje, a mentalidade e a dogmática da Igreja. O fundamento é mais sério e profundo do que tudo isto. É que a Igreja entende a abstinência sexual como uma via de ascese ao sagrado e a Deus, de elevação espiritual pela recusa do instinto primeiro do nosso corpo. Sendo um padre um interlocutor entre Deus e os homens, quanto mais alto estiver o seu espírito, melhor ele cumprirá o seu desígnio. Esta a verdadeira razão teológica para a manutenção da proibição do celibato e da sexualidade dos sacerdotes católicos.
A grande dificuldade é que o instinto sexual, tal como a fé, move montanhas. E num tempo em que a sexualidade está generosamente exposta por todo o lado, e a moral sexual reviu muitos dos seus princípios e das suas regras, a tentação, que sempre foi altíssima e nunca deixou de seduzir e de pôr à prova (nem sempre com os melhores resultados…) os homens da Igreja, será agora uma tormenta permanente para os sacerdotes. Para muitos deles, intransponível. Para outros, uma fonte de temor que os leva a esconder as suas tentações. Para alguns, ainda, causa de comportamentos desviantes por terem prolongadamente reprimido a sua natureza.
Ora, perante esta situação que abrange cada vez mais membros do clero e se torna pública e, assim, transmite uma péssima imagem da instituição e constitui um mau exemplo para os que têm e os que não têm os olhos postos nela, e que, mesmo até, constituirá motivo para a quebra de convicções e da redução do número de crentes, a Igreja Católica terá que fazer alguma coisa. Um Papa forte tomará, inevitavelmente, a si a solução do problema. Um Papa frágil deixará a solução para quem lhe suceda. A verdade, todavia, é que todas as tentativas de remediar o problema falharam, desde logo, a de aumentar as funções dos diáconos, fazendo deles uns quase-padres, em muitos aspectos. Não chega, porque eles verdadeiramente não integram o clero e, portanto, não representam a organização nem a hierarquia da instituição, nem são sentidos como tal pelos fiéis. 
É certo que o celibato é prática muito antiga da Igreja Católica. Apesar de somente o Concílio de Trento (1545-1563) o ter imposto como obrigação universal para todo o clero católico, as recomendações nesse sentido eram já muito anteriores, tendo marcas importantes como as dos Concílios de Latrão, dos séculos XII e XIII. Todavia, outras Igrejas seguiram procedimentos distintos, desde logo a Igreja Católica Ortodoxa, que permite que homens casados possam ser padres, ou a Igreja Anglicana (da qual têm vindo a ingressar, na Igreja Católica, alguns padres casados, insatisfeitos com certas inovações, como a ordenação demulheres, a aceitação do aborto e as bênçãos a homossexuais), que aceita o casamento dos seus sacerdotes. Admitindo que a Igreja Católica Romana não tenha muito a aprender com as outras Igrejas, o certo é que alguma coisa terá de fazer rapidamente por si própria.

Swing: Uma casa de família

por A-24, em 03.03.13
As cenas desta reportagem foram todas feitas em uma noite de sexta-feira, na Nefertitti

Bem sabemos muitos de nós que vocação e ofício constituem uma relação que nem sempre chega aos finalmentes. A vantagem é que esse coito interrompido não impede o sujeito de gozar o sucesso profissional. Exemplo disso vem de uma trinca de sócios improváveis – um ex-líder religioso mórmon entusiasta do então revolucionário conceito dos hipermercados; a filha jovem, bonita e bem-criada de um professor da USP; e seu tio torto, proprietário de linhas telefônicas vitimado pela privatização. São donos de um negócio igualmente improvável: uma bem-sucedida casa de swing para quem não faz exatamente swing, localizada na Rua Augusta, em São Paulo, e chamada Nefertitti. Com o “t” dobrado porque a numeróloga do tio torto mandou e o religioso mórmon preferiu não objetar.
Diante do esforço que os três fazem para que não se chame a Nefertitti de casa de swing, é até uma sacanagem chama-la assim. E, embora em seu interior role uma trepantina danada, trata-se de fato de uma balada excêntrica muito mais do que um espaço para o escambo de maridos e esposas. Em sua singularidade kitsch e depravada, a Nefertitti é como se fosse o famoso Love Story paulistano de uma década atrás, quando playboys e prostitutas – já despidas de suas pessoas jurídicas – celebravam a libido, a putaria e o uísque paraguaio na “casa de todas as casas”. Com a diferença de que na Nefertitti não há prostitutas – a não ser aquelas apenas vocacionadas para a mesozoica profissão. A despeito disso, o que se desbunda lá dentro é uma enormidade. Despeito, desbunda, despênis e desvagina.
A moderna pista de dança da Nefertitti nada deve às melhores da cidade. Pelo contrário: os dois grandes bares que ladeiam a pista têm balcões suficientemente largos para que neles se pratique um pole dance versão nóis lá em casa, e que talvez devesse ser executado de capacete. As clientes podem ali mostrar suas poupanças e aplicações de silicone. O sujeito no balcão está autorizado a passar a mão em tais ativos (e até nos passivos), desde que respeitosamente, sem assaltar o cofrinho.
Por volta de 1h da manhã, um competente e divertidíssimo show erótico terminará em striptease. Para o freguês que já alcançou o terceiro drinque, também. Porque, se ele estiver acompanhado, penetrará então no labirinto onde o sexo é liberado, a partir de uma porta lateral onde todo mundo entra assim que o show se encerra. É providencial a camisinha na carteira e a amnésia alcoólica no dia seguinte. A iluminação a meia-bomba emagrece os gordos e enrijece as flácidas – um milagre.
A Nefertitti é algo que saiu da cabeça – não se sabe ao certo se da de cima ou da debaixo – do carioca Paulo Machado, de 51 anos, o religioso mórmon. Nunca lhe ocorrera abrir uma casa de swing. O que lhe provocava a ereção empreendedora era “aquela coisa do hipermercado, em que cada metro quadrado de loja precisa ser vendável”. Há dez anos, o Paulo assistiu em Paris ao show erótico do cabaré Crazy Horse. Estava com a mulher, Luciana Godoi, a filha bonita do professor da USP que hoje é sua sócia e também sua ex. Degustava um vinho na Champs Élysées quando veio aquele clique: “Não existe no Brasil nada como esse Crazy Horse”.
Administrador de empresas com passagens pelo Carrefour e pela rede grega Candia, tão crente nas virtudes do hipermercado como no Livro de Mórmon, perguntou-se: “E se eu trouxer para um único espaço várias atrações que permitam à pessoa fazer tudo o que deseja ali dentro?”. Lembrando que no hipermercado havia “pneu, farmácia, geladeira, ração de cachorro”, bolou seu negócio na mesma linha. A prioridade era o “show sensual” – mas também ia ter jantar, happy hour e o c… a quatro. Sim, o c… a quatro, porque depois do show, calculou o Paulo, “o cara quer pegar um motelzinho”. Prevendo uma frequência maior de pessoas casadas, conjecturou: “Há quanto tempo esse sujeito não faz uma brincadeira divertida? O casamento acaba com isso, é só papai-e-mamãe, no máximo uma lingerie nova”. Pensou então num lounge onde as pessoas “pudessem fazer uma preliminar, resgatar essa questão do beijo, cê tá me entendendo?”. Sei, sei…
Lembrou-se de um outro Love Story, que funcionava na Rua Maracatins, em Moema, nos anos 1970. Lá se podia fechar a mesa com uma cortininha e ficar à vontade. Cogitava alguma coisa do tipo quando um amigo sugeriu que fossem, ele e a Luciana, a uma casa de swing. “Casa de swing??? Como é que é, meu amigo? Troca de casais??? Tá pensando que eu quero um negócio desse pra minha vida? Eu e a minha mulher???”. O Paulo nunca tinha ouvido falar em casa de swing. “Eu juro.”
A Luciana, bem, a Luciana não jura nada. Mas faz sentido que o Paulo não conhecesse as casas de swing, porque se trata afinal de um religioso que chegou a líder da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, a casa de todos os mórmons. Mórmons não bebem café, assim como não fazem sexo antes do casamento. Aos 21 anos, Paulo casou virgem com uma moça da igreja, com quem teve duas filhas (hoje é avô de um casal). Antes, entre os 18 e os 20, interrompeu os estudos para empreender uma missão de catequese no Nordeste. Todo mórmon passa por tal missão, executada em dupla com outro companheiro de fé. Com os hormônios saindo pela orelha, manteve-se casto até a volta, quando então se casou.
Mórmons são menos radicais do que se imagina, defende Paulo. Ao contrário de algumas religiões neopentecostais, não demonizam a televisão, incentivam o teatro e o cinema. Seus grupos de jovens promovem torneios esportivos e festas animadas, nas quais o Paulo atuava como DJ. Com relação ao sexo, a igreja não fica fornicando o casal com questões por demais particulares. “E não tem isso de que o mórmon só transa no escuro”, esclarece. Fundamentalmente é o seguinte: “Ensinamos os princípios. Agora, querido, boa sorte”.
Fato é que a trepantina não alcançava o prefácio do Kama Sutra durante o primeiro casamento do Paulo. Separado depois de 14 anos, a sorte veio bater à sua porta sete meses mais tarde, quando uma amiga pediu que fizesse a gentileza de buscar no Aeroporto de Guarulhos a sobrinha de 24 anos que acabara de desembarcar. “Com espírito cristão”, o Paulo foi fazer o carreto. Então chegou a Luciana, “saradinha”, ela diz, “bundinha, peitinho, tudo certinho”. Tinha um estilo “hippie chique”, com a calça de cintura baixa e a barriguinha, “zero de barriga”, displicentemente à mostra. O Paulo viu aquilo e disse: “Pôôô…”.

Aos 39 anos, Luciana Godoi ainda é a filha bonita do professor da USP, agora aposentado. É uma mulher de estatura mediana, o cabelo liso e castanho, a pele muito branca. Passa com louvor pelo conceito segundo o qual a beleza advém de metades de rosto as mais semelhantes possíveis. Entre os 24 e 39 anos, teve um filho e engordou 6 quilos, uma bênção para quem tinha complexo de magra. Tudo isso, agregado que está naturalmente à temática do sexo, faz da Luciana uma pessoa interessante e desejável. Luciana é de Piracicaba, interior de São Paulo. Começou a trabalhar aos 15 anos. Escolada nos livros de “saiba como”, aprendeu com eles desde estampar camisetas até como nascem os bebês. Com relação a este último ensinamento, pôde finalmente colocá-lo em prática aos 16. “Gozei junto com ele. Difícil acontecer isso na primeira transa… Hoje entendo melhor o que se passou: tenho uma facilidade incrível pra isso, sabe?” Sei, sei… “Vai rapidinho, é um absurdo. Se doeu? Uma dorzinha gostosa… Durou uns 20 minutos”, cronometra, reafirmando em seguida seu gosto pelo esporte. “Daí pra frente não parei mais.”
Luciana fala de sexo de uma forma que seria constrangedora, não fosse sincera e divertida. É capaz de citar suas posições preferidas mencionando a retaguarda com a mesma naturalidade com que cita a vanguarda – e nem assim soar deselegante. Certa vez, nem bem tinha completado 20 anos, apresentou ao pai, rígido e circunspecto, uma conta: “Eu tenho emprego e cartão de crédito, mas dá só uma olhada aqui na quantidade de dinheiro que eu gasto com motel. Veja que absurdo! Será que você não poderia ser o meu fiador numa quitinetezinha que eu estou pensando em alugar com o Fernando?”. A quitinete rolou, e o Fernando, podendo treinar bastante, “até hoje ganha de todos disparado”.

Já formada em publicidade, com especialização em artes gráficas pela PUC-RJ e vocação para fotógrafa, Luciana pretendia morar em São Paulo quando desembarcou na cidade e o Paulo foi pegá-la no aeroporto. Ela se sentiu observada pelo espelho retrovisor. Depois, a convite dele, saíram outras vezes. Na terceira, beijou Paulo dentro do carro na hora de se despedir. Ela tinha 24, e ele, 35. Engataram então uma história que duraria 12 anos.
A Luciana não gostava muito do estilo do Paulo. Com o passar do tempo, foi dando aquela remodelada: “Pô, mas essas calças semibags não dão mais, tenta uma mais retinha”. Ele foi experimentando e tomando gosto. “Os sapatos, consegui que trocasse por uns All Stars.” Alcançados esses objetivos macros, partiu então para intervenções mais cirúrgicas. Corrigiu a miopia, fazendo-o abandonar os óculos. Depois mandou uma plástica no nariz. O que não são as mulheres quando resolvem dar um tapa na gente, né não?
Sexualmente, Luciana considerava Paulo “meio basiquinho, papai-e-mamãe”. Por ela tudo bem, mas foi logo avisando que, “por uma questão de útero invertido”, teria de ser o inverso: “Olha, o meu normalzinho é de quatro e, para cavalgar, só se eu estiver de costas”. Vendo o mundo dessa perspectiva, ela diz, o Paulo começou a gostar da brincadeira. A Luciana foi em frente – de frente, de costas, de cabeça para baixo, pendurada. Passaram a ver uns filmes pornôs. Na recém-demolida Kilt, boate colada ao Cultura Artística e que na época pegava mais fogo do que o teatro, assistiram juntos a uma perfomance de sexo.

Uma noite foram parar no Marrakesh, a mais antiga das casas de swing do bairro de Moema. Estavam por ali esperando o início do show de striptease, que julgavam ser a única atração, quando o Paulo foi ao banheiro. Voltou escandalizado: “Lu, você não sabe o que tem depois daquela portinha”. Foram lá conferir. “Eu não acreditei naquilo”, conta Luciana. “Aquele pessoal todo lá, um casal transando, o outro olhando, um cara passando a mão na mulher do outro.” Não ficaram excitados mas “extasiados”. A Luciana achou “engraçadíssimo”.

Depois dessa experiência, passaram a frequentar o Inner, uma outra casa de swing em Moema. Divertiam-se, enquanto o Paulo já “fazia laboratório” para o seu Carrefour particular. A essa altura, segundo a Luciana, estavam certos de que “a balada sensual, com essa pegada dos shows e do swing, tem um aspecto viciante – quem vai uma vez volta, e quem nunca foi tem curiosidade de ir”. O conceito deveria ser esse, mas o nível, superior. Também não deveriam chamar o empreendimento de “casa de swing”, sob pena de limitar o público aos praticantes da modalidade. Acabaram por cunhar um slogan: “Uma balada liberal, onde tudo é permitido e nada é obrigatório”. No Inner, começaram a fazer as contas da Nefertitti. Faturamento, receita, gastos com a instalação – chegaram enfim a um número: precisavam de R$ 100 mil.
A Luciana tinha um tio torto, Gabriel Gonzalez Fuentez, que necessitava se endireitar. Ganhara muito dinheiro comprando, vendendo e alugando linhas telefônicas. Mas as privatizações do governo FHC tinham acabado com esse mercado, onde “cada US$ 1 mil que você colocava viravam US$ 6 mil em dois anos”. Filho de refugiados da Guerra Civil Espanhola, seus pais chegaram pobres a São Paulo na década de 1950. Gabriel, que hoje tem 53 anos, começou a trabalhar aos 10. Adulto, vendeu carros e cabines reformadas de caminhões. Mas fez dinheiro mesmo “no ramo das telecomunicações”. Estava procurando “oportunidades de negócios” quando a Luciana telefonou convidando ele e a mulher, Ivete, para conhecer o Inner.

A impressão que teve sobre o público da casa é a mesma que tem até hoje a respeito das pessoas que se aventuram no labirinto da Nefertitti: “Uns desajustados… Ou o que posso dizer mais sobre quem traz a namorada para transar na frente dos outros, e fica com a bunda à mostra para todo o resto?”. Fala da experiência do Inner com a expressão de quem viu algo de fato lamentável: “É um negócio que choca, né?… Você ver essas surubas, essas orgias… É meio esquisito, vai… A Ivete nem dormiu aquela noite”. Duas semanas depois, o Gabriel entrou no negócio, liberando “o dinheiro da aposentadoria”.

A pretexto de “montar um bufê”, saíram à caça do imóvel ideal. Alugaram um em Moema, que foi inteiramente reformado pelos parentes da empregada da Luciana. Foram eles que construíram o labirinto, incluindo pequenos orifícios que aparecem em algumas paredes, “para que as pessoas enfiem as mãos” – bondade do Paulo, porque pela altura e circunferência é outra coisa o que se põe ali. Depois que a Nefertitti começou a funcionar, a Luciana trouxe os parentes do interior para conhecer seu novo investimento – veio a mãe, o pai, a irmã, o irmão, uma avó. Ninguém foi ao labirinto.
A Nefertitti tem 10 anos. Passou por três endereços – Moema, Brooklin e Rua Augusta. No endereço de Moema ainda funciona o Casablanca, de propriedade dos três sócios e assumidamente uma casa de swing. A Luciana considera que as incursões do Paulo ao labirinto e a sua disposição em transformar a fantasia em realidade acabaram com o seu casamento. Hoje ela vive de novo em sua cidade natal, com o Fernando – aquele que “ganha de todos disparado”. Voltou a se relacionar com a fotografia: dá workshops de “nu artístico” e fotografa para uma revista de moda. O Paulo acha que o casamento com a Luciana terminou porque falta a ela a noção do compromisso eterno. “Para o mórmon, e eu ainda me considero um, não existe isso de ‘até que a morte nos separe’.” Como o Paulo não está morto, namora a bela Dirlene, a Dih.
Embora a Nefertitti dê lucro e seu investimento já tenha retornado há muito tempo, Gabriel está triste. A falta de vocação para o trabalho na noite, “repugnante”, tem tirado o seu sono. “O dinheiro que eu ganho aqui parece amaldiçoado. Na noite, você conhece pessoas boas no varejo, mas a maldade opera no atacado.” Gabriel é do tipo que, quanto mais conhece o homem, mais admira o cachorro. No seu sítio em Mairiporã, na Grande São Paulo, tem 80 cães, além de um pássaro preto que fala (a Ivete jura). Uma das cadelas se chama Nefertitti. Tem a ver.
Vip Abril


Lei anti propaganda gay aprovada na Rússia

por A-24, em 15.02.13

Matéria reproduzida da Euronews

A Duma aprovou em primeira leitura a lei anti propaganda gay.


Em nome da tradição e da defesa dos jovens russos foi a igreja ortodoxa russa que propôs o texto  para repressão da homossexualidade em todo o país.
A legislação visa impedir qualquer informação que possa ser definida como propaganda,  inclui a proibição de eventos públicos que promovam os direitos dos homossexuais. São Petersburgo e uma série de outras cidades russas já têm leis semelhantes. 

O Ministério da Defesa russo recomenda ao  Exército de examinarem as tatuagens de novos recrutas para verificarem “vestígios de homossexualidade“ e determinar a sua saúde mental. 

O investigador independente Denis Volkov, sociólogo do Centro Levada, considrera que o projeto de lei se encaixa na lógica do governo de limitar diferentes direitos civis e humanos.
“Ao aceitar essas leis e outras semelhantes, as leis restritivas e proibitivas, o estado tem como alvo limitar a maioria das leis progressistas da sociedade”.
Pela oposição a legislação anti-homossexual, faz parte de uma ofensiva do Kremlin contra as minorias de qualquer espécie – política, religiosa e sexual – e projetado para desviar a atenção pública do crescente descontentamento com o governo de Putin.

Vinni Corrêa em A Funda São

Lésbica, casada e a celebrar a missa

por A-24, em 08.02.13

Enquanto a França se divide em relação ao casamento para todos e o Parlamento polaco acaba de rejeitar a união civil, um país parece estar acima destes debates: a Suécia. Lá, é possível ser lésbica, casada e… bispo sem causar escândalo.
Nesse dia, os sinos da igreja da aldeia de Dalby, no sul da Suécia, tocaram só para elas. Anna e Cristina Roeser conheceram-se em 2005. Poucos meses depois começaram a viver juntas e, mais tarde, anunciaram o seu noivado. Anna é auxiliar de infância numa creche. Christina estuda teologia. Ambos sempre sonharam construir uma família. Para ter o direito à procriação medicamente assistida, tinham de oficializar a sua “união”. Queriam um grande casamento pela igreja, mas acabaram por abandonar a ideia.
A cerimónia foi organizada no tribunal em 2007. “O juiz recebeu-nos durante a sua pausa, no meio de um processo por corrupção”, conta Anna. Na altura, a Igreja Evangélica Luterana à qual pertencem como 70% dos suecos, considera a possibilidade de abrir o casamento aos casais homossexuais.“Sabíamos que estava para acontecer, mas não sabíamos quando”, explica Christina. Em vez de tentar obter a bênção religiosa pela sua união, decidiram esperar até poderem realmente casar. A 1 de abril de 2009, os deputados aprovaram uma lei que autoriza o casamento “sexualmente neutro”. Seis meses mais tarde, a Igreja da Suécia, separada do Estado desde 2000, faz o mesmo, tornando-se a primeira Igreja maioritária no mundo a casar pessoas do mesmo sexo.

Uma minoria de refratários

Para os cristãos homossexuais, que lutam há mais de trinta anos na Suécia, é uma grande vitória. Para as duas mulheres, é uma decisão lógica. Nunca precisaram de defender a sua orientação sexual junto dos seus próximos ou colegas. Em outubro, tornaram-se mães de duas pequenas raparigas, Théia e Esther, que batizaram recentemente. Anna, 37 anos, é a
mãe biológica. “Na Suécia ninguém acha isso estranho”, garantem. O mesmo se aplica ao casamento pela igreja, celebrado em agosto de 2010. “Queria muito que o nosso amor fosse abençoado por Deus”, confia Christina, 28 anos, que foi ordenada padre há um ano.
Mas a decisão de casar os casais homossexuais não deixou toda a gente contente no país. Muitos bispos teriam preferido que a Igreja luterana renunciasse ao seu direito de celebrar os casamentos, em vez de se pronunciarem sobre o texto de lei adotado pelo Parlamento. Os membros do sínodo, composto por 250 representantes eleitos nas paróquias, recusaram esta solução. E 70% deles aprovou o casamento para todos, a 22 de outubro de 2009.
Desde então, os ânimos voltaram a acalmar, garante o arcebispo Anders Wejryd que exerce em Uppsala (perto de Estocolmo), o centro da Igreja luterana sueca. Não tem nada que ver, afirma ele, com os conflitos que resultaram da decisão de ordenar as mulheres padres em 1958. Houve alguns refratários que se demitiram, mas não passaram de uma minoria. Não houve nenhuma “corrida à igreja”: entre 2010 e 2011, apenas 350 casais homossexuais casaram pela igreja, contra cerca de 40 mil casamentos heterossexuais.
Em julho de 2009, dois bispos anglicanos enviaram uma carta ao arcebispo da Suécia para o alertar: a decisão da Igreja sueca “corre o risco de comprometer a nossa comunidade”, escreveram. A Igreja ortodoxa russa já cortou relações em 2005, em reação à bênção das uniões civis. Na altura, na Suécia, mais de 800 padres assinaram uma petição que denuncia uma decisão que consideram “entrar em conflito com a ordem da vida de casal e do casamento que Deus, através da sua palavra, nos revelou e que se define como uma relação entre um homem e uma mulher”.

O milagre do amor

Em 1985 os bispos da Suécia recomendavam a abstinência aos cristãos homossexuais. Foram necessárias três investigações adicionais e dezenas de relatórios para começar a mudar as coisas. Há quem continue a opor-se. Em Estocolmo, no verão de 1980, o padre Ludvig Jönsson organizou uma missa na sua igreja para celebrar o fim da parada do orgulho gay“Sempre que um amor nasce, é acompanhado de um milagre”, declarou. Estas palavras continuam a fazer-se ouvir.
Eva Brunne, 58 anos, homenageia-o a ele e aos seus predecessores. Em 2009 foi eleita bispo de Estocolmo. A informação deu a volta ao mundo. Esta garante que a sua orientação sexual, ou o facto de estar a criar uma criança com uma mulher, nunca foram alvos de debates na sua nomeação. Estará a Igreja da Suécia à frente do seu tempo? “Penso sobretudo que, por sermos uma igreja reformada, estamos habituados a evoluir à medida que a sociedade se transforma”, considera.
Em Uppsala outra mulher padre e lésbica concorda. Para a Igreja Luterana Evangélica, explica Anna-Karin Hammar, 61 anos, “a experiência é tão importante quanto a tradição”. Está convencida de que, “se São Paulo vivesse nos dias de hoje e soubesse o que nós sabemos, seria a favor do casamento dos casais do mesmo sexo”. Proveniente de quatro gerações de padres, Anna-Karin Hammar surpreendeu todos e todas em 2006, quando apresentou a sua candidatura à sucessão do seu irmão, o arcebispo K. G. Hammar. Teve de ser:"Nenhuma outra mulher o quis fazer". Uma pioneira? Em 2001, com a sua companheira, Ninna Edgardh, 57 anos, teóloga e mãe de duas crianças, convidaram 70 pessoas próximas para a catedral de Uppsala para abençoar a sua união, celebrada por uma amiga bispo, quatro anos antes de este tipo de cerimónia ser oficialmente autorizado pela igreja.
O presidente da Ekho (Associação Ecuménica de Cristãos Homossexuais), Gunnar Beckström, que já enfrentou todo o tipo de lóbi, tem um conselho para os homossexuais católicos franceses: “Levantem-se e digam que não querem ser mais oprimidos”. Porque o papa está errado: “Tem de começar a ler os textos corretamente e a interessar-se pelo recente estudo da Bíblia”. E insiste: “A homossexualidade não é uma doença. Oprimir os homossexuais nunca foi a vontade de Deus”.

Vaticano promete combater o casamento gay após vitória nos EUA

por A-24, em 20.11.12

VATICANO — A aprovação do casamento gay nos estados americanos de Maryland, Maine e Washington, na última terça-feira, não foi unanimemente comemorada ao redor do planeta. O Vaticano prometeu, no sábado, não parar de lutar contra as tentativas de “apagar” o papel privilegiado do casamento heterossexual, que descreveu como uma “conquista da civilização”. O jornal “L'Osservatore Romano”, mídia principal da sede da Igreja Católica Romana tem publicado diariamente editoriais que respaldam a posição da religião.

- Está claro que nos países ocidentais há uma tendência disseminada de modificar a visão clássica do casamento entre um homem e uma mulher, ou então de renunciar a ela, apagando seu reconhecimento legal específico e privilegiado em comparação a outras formas de união - afirmou o padre Federico Lombardi, porta-voz do Estado, em um editorial na Rádio Vaticano.
O sermão, transmitido para o mundo todo em cerca de 30 línguas, descreveu os votos como míopes. Para Lombardi, “a lógica deles não pode ter uma percepção de longo alcance pelo bem comum”.
- Por que não, então, (legalizar) a poligamia e a poliandria (quando a mulher tem mais de um marido)? - chegou a questionar o porta-voz.
A Igreja Católica defende que a homossexualidade não é um pecado, mas atos homossexuais, sim. Declara também, oficialmente, que os direitos dos gays devem ser reconhecidos, mas as uniões não devem ter o mesmo valor das heterossexuais e nem permitir que adotem crianças. O L'Osservatore Romano desejou, em editorial, uma “discussão mais aprofundada” que possa ir contra a “evolução antropológica” que anuncia a legalização do casamento homossexual, associado a uma possibilidade de adoção.

Espanha e França

É a primeira vez, nos Estados Unidos, que os direitos matrimoniais são estendidos a casais do mesmo sexo por voto popular, embora alguns estados já permitissem anteriormente a prática. A expectativa é que o debate sobre a constitucionalidade da restrição de casamentos a uniões entre homens e mulheres chegue à Suprema Corte dos Estados Unidos em breve. A Conferência de Bispos Católicos dos EUA promete liderar os esforços para influenciar a decisão da Justiça.
As vitórias da causa gay em estados americanos, porém, não são a única preocupação da Igreja Católica. O governo francês enviou, na semana passada, um projeto de lei que legaliza a união entre homossexuais para ser debatido entre o Conselho de Ministros do país, uma antiga promessa de campanha do presidente François Hollande. Dias antes, a Corte Constitucional da Espanha, tribunal máximo do país, rechaçou um apelo contra a legislação que permite o casamento de pessoas do mesmo sexo.
 O Globo 

Moldávia legaliza castração química para pedófilos

por A-24, em 14.11.12

CHISINAU – O Parlamento da Moldávia aprovou nesta terça-feira uma lei que institui que condenados por pedofilia, ou em determinados casos de estupro, devem ser submetidos à castração química, técnica que acaba com o desejo sexual e a fertilidade masculina.
A lei entrará em vigor no dia 1° de Julho deste ano e valerá também para estrangeiros. Em casos de estupro, a pena pode também ser aplicada, mas o aval será decidido caso a caso pela Justiça do país, segundo o texto da norma.
Valeriu Munteanu, parlamentar membro do Partido Liberal, defende a medida, afirmando que a decisão foi necessária após a indignação pública com diversos casos de pedofilia envolvendo criminosos dos EUA e do leste europeu, que aproveitam o país empobrecido para explorar o turismo sexual ou para praticar abusos.
A castração química é um procedimento que submete o paciente a altas doses de substâncias supressoras do hormona masculino testosterona, dosadas de três em três meses. Ao fim do tratamento, a libido do indivíduo e sua fertilidade são praticamente destruídas. (*)

Comentário do Roberto Cavalcanti (autor do texto):

(*) Uma tal lei aplicada em nosso contexto certamente suscitaria protestos veementes por parte da turma da "dignidade humana", dos "direitos humanos", da OAB, da Amnistia Internacional e de outros sectores alinhados com a mística do mínimo sofrimento do bandido e máximo sofrimento do cidadão de bem. Entendo que a pena é até benigna considerando a gravidade do crime cometido. Esta pena cairia bem para os potenciais molestadores infantis, ou seja, aqueles que coleccionam e transmitem pornografia infantil. A pena iria "cortar o barato" desses tarados infelizes. No caso de abuso infantil, entendo que a pena de morte aplicada dignamente é um remédio mais justo para a reparação à extensão do dano cometido 

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Sem surpresa alguma, os mesmos grupos esquerdistas que se alinham contra a Igreja Católica no seu todo quando uns poucos homossexuais pedófilos (mascarados de Católicos) são apanhados em casos de pedofilia, alinham-se agora contra esta medida do governo Moldavo (equivalendo-a com a "tortura").
Nada revela de modo mais óbvio a estrutura moral duma pessoa que a sua reacção à perspectiva do Mal ser justamente condenado.

Fonte

Orgulho gay proibido em Moscovo nos próximos 100 anos

por A-24, em 19.08.12
O Tribunal Supremo de Moscovo não volta atrás. A celebração do orgulho gay na capital russa está proibida nos próximos 100 anos, repetiu o tribunal municipal nesta sexta-feira, após o recurso interposto pelo defensor dos direitos dos homossexuais, Nikolai Alexeyev.
Apesar de “ilegal e injusta”, a decisão “não é uma surpresa, os tribunais russos raramente falam dos direito dos gays e lésbicas”, reagiu Alexeyev numa entrevista ao El País, garantindo que vai recorrer da decisão.
O activista tinha solicitado autorização para a realização de 102 manifestações para celebrar o orgulho gay, até 2112. O tribunal respondeu proibindo-as pelos mesmos 100 anos.
Entre 2006 e 2008, as petições do jornalista e advogado já tinham chegado à justiça europeia, depois de a Câmara de Moscovo ter proibido as manifestações, alegando perigo de desordem pública. Em Estrasburgo, Nikolai Alexeyev falou de uma violação ao direito da liberdade de reunião, consagrado no artigo 11 da Convenção Europeia dos Direitos do Homem.
A história terminou com as autoridades russas a indemnizar o activista com 12 mil euros (mais 17.510 de despesas). Mas agora o objectivo é outro, garante Nikolai Alexeyev: “Queremos que se garanta que podemos celebrar o orgulho gay no futuro.”

Comentário: "Correndo o risco de todo o mundo politicamente correcto me renegar, confesso que as marchas do orgulho gay sempre me pareceram uma paneleirice. Os homossexuais meus amigos nunca precisaram de se exibir a sua sexualidade de maneira festiva. São gays e ponto final. Faz tanto sentido uma marcha do orgulho gay, como as dos hetero ou bissexuais. Cada um vive como lhe apetece e ninguém tem nada a ver com isso. O contexto histórico em que a homossexualidade era perseguida e estigmatizada desapareceu, hoje os Harvey Milk dos anos sessenta deixaram de fazer sentido. Permanecem no entanto alguma democracias musculadas como a russa que insistem em fazer desta condição alvo de discriminação (...)

"Filhos de um deus menor"

por A-24, em 11.01.11
2010-01-11
Chamam-lhe casamento. Mas não é. É a prova legislada de que Portugal é um país onde práticas discriminatórias se tornam lei. O que a Esquerda parlamentar aprovou é o absurdo. De facto e de jure diz aos homossexuais que podem fazer tudo como "os outros". Menos cuidar de crianças. Porque aí o partido de Sócrates "ainda" tem reservas. Pelo menos nesta legislatura. E por isso as cautelas com o bem-estar das crianças foram vertidas em forma de diploma. Porque o Partido Socialista tem reservas quanto aos homossexuais como educadores de infância. Porque "os superiores interesses das crianças" têm de ser salvaguardados. Logo, não estão salvaguardados com estes casamentos. Se tivesse confiança nos homossexuais para cuidar de crianças, Sócrates não fazia uma lei a dizer que não tinha.
E foi o que fez. E por força dessa lei de Sócrates, os homossexuais ficarão obrigados a usar nesta República centenária uma braçadeira branca com um triângulo cor-de-rosa a clamar pederastia. E ainda outra. No outro braço. A advertir que por isso, logo por causa disso, a República não lhes confiará crianças. Porque a república de Sócrates não confia que pais 
homossexuais possam cuidar devidamente de crianças.
A lei de Sócrates coloca braçadeiras nos homossexuais que caiam no logro de se incriminarem. Depois, esteriliza-os. Impedindo-os de constituir família pelo único meio que podem. Porque se o mundo dos afectos é complexo, o da biologia é impiedoso. Por isso, o partido de Sócrates vai ter de legislar mais para manifestar as suas "reservas" sobre a procriação medicamente assistida em casais homossexuais. Senão a sua "lei" ainda é mais absurda. Ou então vai ter de legislar e dizer que se enganou. Que é o que vai acontecer. E que afinal os homossexuais podem ser bons pais e boas mães. Mas só para a próxima legislatura. Quando o seu aparelho estiver a esgravatar outra vez votos. E então o slogan será: trouxemos aos homossexuais a felicidade do casamento. E agora vamos trazer-vos a da paternidade. Ou da maternidade. Porque, dirá o slogan, os homossexuais portugueses, afinal, são gente de bem que passaram a prova de idoneidade que Sócrates lhes impôs. Venceram o período probatório e podem tirar as braçadeiras.
Deu muito trabalho a trazer isto para Portugal, dirá Sócrates em campanha. Mas o trabalho liberta. Mais uma legislatura e deixam de ser assimilados a cônjuges. Passam a ser de jure cônjuges. Até lá, a República não pode entregar as suas crianças aos cuidados de homossexuais.
O estranho é que a Esquerda (quase) toda se deixou levar por (mais) esta manifestação do insuportável tacticismo a que consegue chegar o aparelho partidário que Sócrates capturou.
O país devia ter-se pronunciado sobre tudo isto. Sobre o que fizeram aos homossexuais e ao casamento. De facto, vai ter de se pronunciar. Isto foi longe de mais.