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A-24

Emigrar para os Emirados Arabes Unidos

por A-24, em 09.02.13

Carlos Guimarães Pinto
Face aos inúmeros pedidos que tenho recebido nos últimos tempos. Fica aqui uma perspectiva sobre os Emiratos Árabes Unidos e as perspectivas de emprego nesse país. Para aqueles que procuram emprego, também se podem juntar ao grupo no Facebook “Go Galt: empregos no Dubai e Médio Oriente”.
Ambiente político e económico: Os EAU não cobram impostos sobre o rendimento, nem contribuições para a segurança social. O único imposto sobre residentes é uma espécie de IMI, com uma fórmula de cálculo complexa mas que custa a quem habita a casa cerca de 3% do valor da renda. As empresas públicas que sustentam o Emirato do Dubai entraram em falência técnica em 2009, mas mesmo aí não foi introduzido qualquer imposto directo que teria resolvido rapidamente o problema de tesouraria do Emirato. Por beneficiar de grandes reservas de petróleo, o Emirato de Abu Dhabi tem uma situação financeira muito estável e nem a crise parou o seu crescimento. O valor da moeda está indexado ao dólar, pelo que qualquer variação no dólar fará alterar o valor em euros.

Ambiente cultural: O Dubai tem um ambiente pluricultural, constituido maioritariamente por estrangeiros um pouco por todo o mundo. Existe uma natural tendência de pessoas com backgrounds culturais semelhantes residirem nas mesmas áreas. A zona da Dubai Marina, incluindo Media City, Internet City e Knowledge Village tende a concentrar os ocidentais. É difícil distinguir esta área de uma qualquer cidade europeia.

Questões legais: todos os emigrantes necessitam de visto que é garantido pela empresa que os contrata. Os portugueses, como cidadãos da União Europeia, têm a vantagem específica de poderem ficar no país durante um mês com visto de turista se desejarem procurar emprego. Alguns aproveitam este benefício para ficarem por mais tempo, bastando para isso conduzir 3 horas até Omã, sair do país e regressar.

Como encontrar emprego:o melhor é sempre contactar empresas da área em que trabalham. Headhunters especializados também podem ser uma excelente ajuda. Anúncios em sites genéricos normalmente procuram pessoas já a residir nos Emiratos Árabes Unidos, mas também podem oferecer oportunidades a pessoas com vontade de sair. Finalmente, a Emirates Airlines é uma das maiores empregadoras de portugueses no Dubai. Entre pilotos e hospedeiras já contam com mais de uma centena de portugueses na empresa. Para além de um salário competitivo, sem impostos, garantem casa em localização central com piscina e ginásio, seguro de saúde e vários dias de folga. Empregam maioritariamente licenciados de qualquer área desde que tenham bom conhecimento de inglês.

PORTUGAL:O futuro escreve-se em mandarim

por A-24, em 01.02.13
29 janeiro 2013 VISÃO LISBOA
Um em cada quatro jovens portugueses está desempregado. Para conseguirem trabalho, não hesitam em emigrar. Alemão, russo, chinês ou árabe são as línguas que aprendem antes de partir: eis o mapa das novas terras prometidas.


Num momento como este, nenhuma empresa portuguesa contrata um especialista em programação robótica. O receio de Gonçalo Gomes, 30 anos, logo se transformou numa dolorosa certeza, a cada novo currículo enviado e invariavelmente ignorado. Para piorar a situação, também a sua mulher, Marta, enfermeira, de 25 anos, não conseguia mais do que uns trabalhos precários e a meio tempo, numa clínica ou noutra.
“Decidimos abrir os nossos horizontes e enviar currículos para o estrangeiro. E, em junho, tivemos excelente feedback de empresas alemãs. O único problema é que exigiam que soubéssemos falar a língua.” Em setembro, Gonçalo e Marta entraram para um curso intensivo na DUAL, o departamento de qualificação profissional da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemão, em Lisboa.
“Temos tido muitas solicitações de empresas germânicas para profissionais de diferentes áreas”, diz Elísio Silva, gestor da DUAL. “Na maior parte das profissões, é indispensável conhecer a língua, pelo que será sempre uma boa aposta aprender alemão.” Nada disto significa que o inglês está a perder importância. Ser fluente na língua universal, no entanto, não diferencia um candidato dos outros. Além disso, na maior parte das profissões é obrigatório dominar o idioma do país.
Uma língua muito procurada

Com o país em crise profunda e a apresentar taxas de desemprego recorde (sobretudo entre os jovens, quase 40% entre os que têm menos de 25 anos), muitos portugueses já se aperceberam da importância crescente de alguns países, na economia internacional. Uns no centro da Europa, como a Alemanha, que continua a crescer em contracorrente, e outros bem mais longe. Nos últimos anos, o aumento da procura de cursos de russo, árabe e mandarim mostram bem de onde vem o poderio económico.
Sem surpresas, atendendo ao crescimento imparável da China, o mandarim é o que tem atraído mais atenções.
Nos últimos anos, surgiram em Portugal vários cursos de mandarim. Entre os mais populares, destacam-se as aulas para crianças, procuradas por pais especialmente preocupados com o futuro dos filhos.
A China não é só futuro – a sua pujança em todos os setores da economia é já uma realidade. E, apesar de o inglês ser ensinado nas escolas daquele país, a falta de prática dos chineses e, acima de tudo, as diferenças culturais obrigam os forasteiros a aprenderem algumas noções básicas de mandarim.
“Quando sabem que falamos mandarim, os chineses ficam agradavelmente surpreendidos”, assegura Sara Veiga Silva, 21 anos e com um diploma em Estudos Asiáticos, além de um curso de mandarim do Instituto Confúcio. A China é a potência económica do momento, mas não está sozinha. Nos últimos anos, com a economia nacional congelada, as empresas lusas têm seguido o rasto do dinheiro dos países árabes que, por sua vez, acolhem de braços abertos o nosso know how nas mais diversas áreas.

“Já há uma centena de empresas nacionais e seis ou sete mil trabalhadores portugueses espalhados pelos países árabes, que são dos mercados mais vivos, atualmente”, adianta Allaoua Karim Bouabdellah, secretário-geral da Câmara de Comércio e Indústria Árabe-Portuguesa. “Mas saber inglês ou francês não é suficiente. Muitos empresários árabes dominam apenas a sua própria língua, e é muito mais fácil fazer negócios quando nos exprimimos na língua do cliente.” No meio da letargia empresarial do País, os portugueses parecem despertos para este cenário, indica António Dias Farinha, professor catedrático e diretor do Instituto de Estudos Árabes e Islâmicos da Faculdade de Letras de Lisboa. “Só na minha Universidade, temos mais de cem alunos a aprender árabe, e existem muitos mais cursos, aqui e noutras cidades.”
Na mira está a emigração
Após vários anos a ser ignorada, também a língua de Tolstoi e Dostoievski ganha cada vez mais adeptos – a Rússia encontra-se em ascensão económica, sustentada pelas suas reservas energéticas, de que a Europa do Norte e Centro dependem.
“Há três anos, começou a notar-se um maior interesse pela língua. Temos, atualmente, mais de duzentas inscrições nos dois semestres de russo”, sublinha Rita Marnoto, diretora do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Os objetivos dos alunos passam, aqui e ali, pela perspetiva de conseguir emprego na área da tradução e em empresas russas a trabalhar em Portugal. Mas a emigração é outra das finalidades de muitos estudantes.
Portugal está na moda, entre a classe russa mais rica. Muitos moscovitas de carteiras recheadas fazem férias no nosso país, em detrimento de outros destinos de praia (Grécia, Egito, Espanha), precisamente por ser mais caro – dessa forma, mostram aos amigos a sua saúde financeira. Por outro lado, a comunidade de Leste, russófona, que vive em Portugal, ainda é um mercado para algumas profissões, mesmo que a maioria desses imigrantes fale português.
Nem sempre a solução está do outro lado do planeta ou da Europa. Logo a seguir a Espanha, numa crise quase tão profunda como a nossa, existe um país de finanças aparentemente saudáveis. Assim pensou Joana Rodrigues, 23 anos, licenciada em engenharia biomédica. “Como quero ir trabalhar para fora e o inglês não é suficiente, decidi melhorar o meu francês”, explica.
A quantidade de países europeus em que o francês é o idioma oficial influenciou a sua decisão. “Além de França, temos a Bélgica, o Luxemburgo e a Suíça”, enumera Joana. A França pode não ter o elã económico da Rússia, do Golfo Pérsico ou da China, mas sempre fica mais perto de casa.

Emigração aumentou 85% em 2011

por A-24, em 18.01.13
Quase 44 mil pessoas residentes em Portugal emigraram em 2011 para outro país, um aumento de 85% face às 23.760 pessoas que partiram para o estrangeiro em 2010, revelam os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre estimativas anuais de emigração.
A faixa etária com maior número de saídas em 2011 foi entre os 25 e 29 anos, quando, no ano anterior, tinham sido sobretudo as pessoas com idades entre os 20 e os 24 anos a abandonar o país. No total, em 2011, emigraram 43.998 pessoas, a esmagadora maioria das quais (41.444) é de cidadãos nacionais.
Estes dados estão longe de reflectir a situação actual em matéria de emigração, cujos números terão disparado no último ano, em consequência da crise económica e do forte aumento do desemprego. Em 2012, segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado das Comunidades, terão emigrado perto de 100 mil residentes em Portugal, um número que se aproxima das grandes vagas migratórias da década de 1960.
Países como a Suíça, a França ou o Luxemburgo mantêm-se entre os principais destinos da emigração portuguesa, a que se juntam agora outros países como Angola, o Reino Unido ou o Brasil.

Dados naturalmente falaciosos, pois a maior parte dos que emigram não se registam em consulado algum, especialmente aqueles que nem vão com trabalho garantido e que são, talvez metade do total e isto eu sei-o por experiência minha e de amigos meus.

Mais de 50 mil emigrantes portugueses trabalham na Alemanha

por A-24, em 09.01.13
Mais de 50 mil portugueses encontraram um novo emprego, mas na Alemanha. A Agência Federal do Emprego (AFE) daquele país revela que, em 2012, havia mais concretamente 56.958 emigrantes a trabalhar no mercado germânico, o que representa um crescimento de 7,7% em relação a 2011.
Os patrões alemães têm dado preferência a emigrantes provenientes do sul da Europa: Portugal, Espanha, Itália e Grécia. E têm procurado nos últimos anos profissionais qualificados para trabalharem, sobretudo, no poderoso mercado industrial.
Segundo a agência, tem-se multiplicado o número de engenheiros formados nestes países meridionais, empregados nas indústrias e empresas alemãs. No entanto, são também recorrentes os casos de emigrantes que acabam a trabalhar nos cerca de sete milhões de empregos considerados mal remunerados.
Além dos 56 mil portugueses, há ainda 253 mil italianos, 123 mil gregos e 49 mil espanhóis registados por este instituto estatal a trabalhar em 2012 na maior potência europeia. Oriundos da Península Ibérica, são pelo menos 100 mil. 
No início da semana, a AFE revelou que a taxa de desemprego na Alemanha tinha subido 0,2% em dezembro, para os 6,7%. As estimativas do gabinete apontam agora para um total 2,84 milhões de desempregados naquele país.
O crescimento de 88 mil desempregados em dezembro supera em 28 mil desempregados o crescimento que fora registado no mesmo mês em 2011. 

De como as constituições liquidam os regimes

por A-24, em 07.12.12
A emigração em  massa foi um dos muitos sinais da falência do Estado Novo. Centenas de milhares de pessoas saiam do país à procura de trabalho, comida e, poupando dinheiro, uma casa. Para todos, um futuro diferente. Algo que uma ditadura, um país preso aos pressupostos de uma revolução com cerca de 40 anos, não permitia. A emigração em massa foi o maior sinal do falhanço de uma geração e de um regime; de um modo de governar o país. Foi o resultado de anos a fio sem que tivesse sido permitida a adaptação necessária aos novos tempos. O país em 1926 era muito diferente do de 1966, mas a ideologia dominante, a mesma. O resultado foi uma revolução que destruiu o crescimento económico conseguido na década de 70 e trocou um texto constitucional retrógrado por outro reaccionário e, por isso, cedo ultrapassado.

40 anos após o 25 de Abril, repete-se o drama. É certo que os emigrantes de hoje não saem do país a pé, mas de avião. Não recebem comida como forma de pagamento, mas bons salários. Independentemente disso tudo, a questão em cima da mesa é a mesma: para várias centenas de milhares de pessoas, é preferível ir embora. Não porque o clima aqui seja mau ou a segurança deplorável, mas porque não há trabalho.

Não é difícil perceber que o regime saído e ainda marcado pela revolução de 74 não tem futuro. A forte carga ideológica da constituição impede a adaptação aos novos tempos, tal qual aconteceu com a de 1933. Durante 41 anos o país andou literalmente pendurado por um texto constitucional que não o deixava evoluir; preso a um texto que acabou por destruir aquilo que visava defender. Da mesma forma, continuamos agora amarrados a normas que não permitem preservar o que a cada dia que passa, e porque nada foi permitido fazer, se torna mais difícil assegurar.

André Abrantes Amaral, in O Insurgente

Emigrantes portugueses estão a "desistir" do país

por A-24, em 19.11.12
Muitos emigrantes portugueses estão a “desistir do país” e a pedir a naturalização nos países de destino. Em 2010, quase cinco mil portugueses pediram nacionalidade francesa. Na Suíça, foram 2200 os portugueses a tornaram-se naturais daquele país.

No mesmo ano, no Luxemburgo houve 1345 emigrantes portugueses que adquiriram dupla nacionalidade. “São dados novos que traduzem uma desistência de Portugal, isto é, estes portugueses estão a tornar permanente a sua emigração e a desistir do regresso”, interpreta Pedro Góis, do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. 

Sem mais elementos quanto às características destes emigrantes, o investigador admite que, a tratar-se de emigrantes mais velhos e antigos, “pode querer dizer que entendem que os sistemas de saúde portugueses estão a perder eficácia ou que as zonas de onde saíram, por exemplo, estão desertificadas; logo, não vale a pena regressar”. 


Para Pedro Góis, cabe ao Governo retirar ilações destes dados e impedir que tal se repita com a nova vaga emigratória. “Andamos todos a dizer que os emigrantes que estão a sair estão apenas a aproveitar oportunidades de trabalho momentâneas lá fora, mas, se nada for feito, esta emigração pode tornar-se permanente e isso terá consequências muito negativas para o país em termos económicos e demográficos”, alerta.


Os ministérios dos Negócios Estrangeiros, do Trabalho e da Segurança Social já deviam estar, assim, a articular-se no desenho de políticas capazes de, “a médio e longo prazo, garantir o regresso dos novos emigrantes”. Como? “Fazendo com que a contratação destas pessoas pelas empresas portuguesas seja bonificada em termos de contribuições para a Segurança Social”, exemplifica, para considerar que o país “não está em condições de perder estas pessoas”. 


Em sentido contrário, e de acordo com os mesmos dados revelados na passada semana pelo Eurostat, Portugal registou, em 2010, 21.800 pedidos de naturalização de imigrantes (25.600 no ano anterior). Os brasileiros seguem à frente, seguidos dos cabo-verdianos e dos moldavos. 


Pedro Góis considera, porém, que tais pedidos têm “escondida” uma aspiração de obtenção da cidadania europeia. “Os brasileiros e os cabo-verdianos, pelo menos, têm uma pragmática muito semelhante, na medida em que, obtendo a nacionalidade portuguesa, adquirem maior liberdade de circulação quer na Europa, quer nos Estados Unidos, onde passam a beneficiar da isenção de visto.” 

De como as constituições liquidam os regimes

por A-24, em 13.11.12

A emigração em  massa foi um dos muitos sinais da falência do Estado Novo. Centenas de milhares de pessoas saiam do país à procura de trabalho, comida e, poupando dinheiro, uma casa. Para todos, um futuro diferente. Algo que uma ditadura, um país preso aos pressupostos de uma revolução com cerca de 40 anos, não permitia. A emigração em massa foi o maior sinal do falhanço de uma geração e de um regime; de um modo de governar o país. Foi o resultado de anos a fio sem que tivesse sido permitida a adaptação necessária aos novos tempos. O país em 1926 era muito diferente do de 1966, mas a ideologia dominante, a mesma. O resultado foi uma revolução que destruiu o crescimento económico conseguido na década de 70 e trocou um texto constitucional retrógrado por outro reaccionário e, por isso, cedo ultrapassado.
40 anos após o 25 de Abril, repete-se o drama. É certo que os emigrantes de hoje não saem do país a pé, mas de avião. Não recebem comida como forma de pagamento, mas bons salários. Independentemente disso tudo, a questão em cima da mesa é a mesma: para várias centenas de milhares de pessoas, é preferível ir embora. Não porque o clima aqui seja mau ou a segurança deplorável, mas porque não há trabalho.
Não é difícil perceber que o regime saído e ainda marcado pela revolução de 74 não tem futuro. A forte carga ideológica da constituição impede a adaptação aos novos tempos, tal qual aconteceu com a de 1933. Durante 41 anos o país andou literalmente pendurado por um texto constitucional que não o deixava evoluir; preso a um texto que acabou por destruir aquilo que visava defender. Da mesma forma, continuamos agora amarrados a normas que não permitem preservar o que a cada dia que passa, e porque nada foi permitido fazer, se torna mais difícil assegurar.

André Abrantes Amaral, in O Insurgente

PARTAM, O VOSSO FUTURO NÃO MORA AQUI

por A-24, em 25.10.12

Ao que se lê no Público, um enfermeiro que se sentiu obrigado a emigrar por ausência de futuro em Portugal, escreveu a Cavaco Silva uma carta de despedida. Sabemos todos que sempre fomos um país de emigrantes pelo que a situação não é estranha e deve, apesar de tudo, ser encarada com alguma serenidade.
O que é inquietante, é que durante muitos anos a emigração se realizava na busca de melhores condições de vida, a agora a emigração realiza-se à procura da própria vida, muitos dos jovens não têm condições de vida, têm nada e partem à procura, não de melhor, mas de qualquer coisa.
Este vazio que aqui se sente é angustiante, sobretudo para quem está começar, se sente qualificado e com o desejo de construção de um projecto de vida viável e bem sucedido.
Há uns tempos foi divulgado um trabalho realizado pela Federação Académica do Porto junto de estudantes do ensino superior de diferentes instituições em que se concluiu que 69 % dos inquiridos admite emigrar em busca de melhores condições de realização pessoal e profissional. Apesar da cautela sobre as conclusões que o trabalho merece, o número é elevado e demonstrativo das baixas expectativas sobre o seu futuro próximo que muitos estudantes revelam o que me parece preocupante. Em todo o caso, cerca de 85 % dos inquiridos que admitem sair, afirma querer voltar a Portugal.
Lembramo-nos ainda da intervenção do Ministro Miguel Relvas, que certamente não teria tempo para responder a um inquérito deste tipo durante a sua licenciatura, aliás, também não pensaria em partir, porque o seu futuro estava garantido dentro de portas por efeitos do alpinismo partidário. Disse então Miguel Relvas dirigindo-se aos jovens mais qualificados, "ide procurar fora de portas o vosso futuro”.
Parece-me relativamente claro que a questão central nesta matéria não é o movimento que desde há muito os portugueses realizam de procurar trabalho fora do país. Como é óbvio as pessoas, cada pessoa, procurará dentro das suas disponibilidades, capacidades e motivações construir um projecto de vida em que se realize e esse projecto de vida pode, evidentemente, passar por emigrar. Sabemos e isso é desejável em diferentes perspectivas, que estes fluxos se realizem, mas esta não é a questão central.
O que me parece fortemente significativo é o que representa de descrença de tanta gente, de que seja possível desenvolver um projecto de vida viável e com potencial de realização pessoal e profissional no nosso país.
Nesto contexto, como tenho referido, as declarações dos responsáveis políticos assumem particular importância. Não podem assumir que a solução para os problemas das pessoas, por exemplo o desemprego, é abandonar o país, particularmente um país, Portugal, com sérias necessidades de mão-de-obra qualificada, um dos mais baixos níveis de qualificação da Europa e um dos grandes obstáculos ao nosso desenvolvimento, não pode acenar com a “sugestão” de emigração exactamente para a franja mais qualificada da nossa população. Trata-se uma visão absolutamente inaceitável.
Estes discursos vindos de quem lidera e de quem a comunidade espera, é a sua função, um contributo decisivo para atenuar ou, em tese, resolver os problemas do país, transmite incompetência, impotência e finalmente desistência face a esses problemas que se repercutem na forma como os mais novos encaram o futuro. Provavelmente, os dados do inquérito também se inscrevem nesta repercussão, o pessimismo e a falta de confiança.
Admito que face à intenção expressa por tantos estudantes surjam, como sempre, as vozes que referem o realismo destes discursos, das efectivas poucas oportunidades de trabalho para muitos jovens qualificados, mas, insisto no que disse há tempos, “mandar” essa gente embora de um país como o nosso é delinquência política. Lamentavelmente, não estranho.

Atenta Inquietude

Enfermeiro despede-se de Cavaco Silva antes de emigrar e implora para não criar “imposto” às lágrimas e saudade

por A-24, em 19.10.12

“Quero despedir-me de si”, lê-se na missiva do enfermeiro portuense, enviada hoje a Cavaco Silva e que tem como título “Carta de despedida à Presidência da República”. 
O enfermeiro Pedro Marques, que diz sentir-se “expulso” do seu próprio país, implora a Cavaco Silva para que não crie um “imposto sobre as lágrimas e muito menos sobre a saudade” e apela ao Presidente da República para que permita poder regressar um dia a Portugal. 
“Permita-me chorar, odiar este país por minutos que sejam, por não me permitir viver no meu país, trabalhar no meu país, envelhecer no meu país. Permita-me sentir falta do cheiro a mar, do sol, da comida, dos campos da minha aldeia”, lê-se. 
Em entrevista à Lusa, Pedro Marques conta que vai ser enfermeiro num hospital público de Northampton, a 100 quilómetros de Londres, que vai ganhar cerca de 2000 euros por mês com condições de progressão na carreira, mas diz também que parte triste por “abandonar Portugal” e a “família”. 
Na mala, Pedro vai levar a bandeira de Portugal, ao pescoço leva um cachecol de Portugal e como companhia leva mais 24 amigos que emigram no mesmo dia 
Mónica Ascensão, enfermeira de 21 anos, é uma das companheiras de Pedro na diáspora. 
“Adoro o meu país, mas tenho de emigrar, porque não tenho outra hipótese, porque quero a minha independência, quero voar sozinha”, conta Mónica, emocionada, pedindo ao Presidente da República e aos governantes de Portugal para que “se preocupem um pouco mais com a geração que está agora a começar a trabalhar”. 
“Adoraria retribuir ao meu país tudo aquilo que o país deu de bom”, diz, acrescentando que está “zangada” com os governantes, porque o “país não a quer mais”. 
Pedro Marques não pretende que o Presidente da República lhe responda. 
“Sei que ser político obriga a ser politicamente correcto, que me desejará boa sorte, felicidades. Prefiro ouvir isso de quem o diz com uma lágrima no coração, com o desejo ardente de que de facto essa sorte exista no meu caminho”, lê-se na carta de despedida do filho de uma família de emigrantes que se quis despedir de Cavaco Silva.

Os portugueses desistem, os imigrantes também

por A-24, em 07.09.12
Joana Lopes
Este título ─ Para os imigrantes o importante é voltar a Angola com uma formação ─ reflecte não só a ambição mais do que legítima daqueles que vieram em busca de uma vida melhor e que agora verificam que existem oportunidades para profissionais qualificados no seu país, mas, também, a triste situação do nosso.

Uma senhora que me ajuda cá em casa algumas horas por semana, angolana que acabou há semanas a licenciatura em Enfermagem, parte esta noite para Luanda para decidir se por lá fica ou se regressa para fazer o mestrado e parte depois. Uma brasileira, que toma conta de um pequeno restaurante onde almoço às vezes, tem hoje o seu último dia de trabalho porque volta amanhã para Minas Gerais: «Aprendi muito aqui, mas já não dá. Fiz o 11º ano em hotelaria e vou aproveitar para encontrar uma situação muito melhor por lá.» Inquéritos feitos recentemente a estudantes universitários portugueses apuram que 69% pensa que terá de emigrar.

Ou seja: temos todas as dificuldades que sabemos, mas damo-nos ao luxo de deitarmos pela borda fora o investimento que fazemos em nós e naqueles que nos procuraram em tempos menos negros, porque (ó espanto dos espantos!…) o desemprego não cessa de crescer. 

A grande maioria dos universitários não vê outro horizonte que não veja a emigração, muitos imigrantes formam-se cá e vão-se embora a seguir, para os seus países ou para a Europa mais a Norte.
Deve ser este o sonho húmido de Nuno Crato: ter o país povoado por jovens carpinteiros, canalizadores e padeiros, «castigados» porque não tiveram condições sociais para chegar às universidades, e continuar a ver-se livre dos outros que só pioram as percentagens decentes do desemprego.

Isto, claro, enquanto o «canalizador português» não substituir o polaco e não começar também a mourejar por essa Europa fora. 

Triste mas evidente sina a nossa!…