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A-24

Festival de Cannes 2012

por A-24, em 28.05.12

25 de Maio - O antepenúltimo dia do Festival de Cannes 2012 trouxe-nos a estreia mundial de "Cosmopolis", um intenso thriler de David Cronenberg, que não maravilhou a crítica mas que conseguiu, mesmo assim, causar uma boa impressão junto do grande público. Apesar das boas performances do seu elenco e da agradável intensidade da sua narrativa, "Cosmopolis" ficou um pouco àquem das expectativas porque todos esperavam um pouco mais desta obra. A grande surpresa positiva deste dia acabou por ser "The Fog", um drama bastante interessante de Sergei Loznitsa que deixou a crítica rendida à sua curiosa narrativa que joga com uma série de temas bastante emotivos. Na Secção Un Certain Regard foi exibido o filme que viria a ganhar esta competição - "Despues de Lucia", de Michel Franco.
26 de Maio - O penúltimo dia deste festival e último dia da programação da competição oficial teve como grande destaque o drama "Mud", de Jeff Nichols. Esta obra é muito diferente do primeiro grande sucesso deste realizador, "Take Shelter", mas não deixa de ser um bom filme que passou por este certame para se mostrar ao mundo e não para ser um sério candidato aos principais prémios. O sul-coreano "The Taste of Money", de Im Sang-Soo, fechou a Competição Oficial sem muito brilho. Fora da Competição foi exibido  "Maniac".

27 de Maio - O Festival de Cannes 2012 terminou com "Therese Desqueyroux", o último filme do recém-falecido Claude Miller. Esta obra conseguiu arrancar muitos aplausos do público e conferiu um final digno a esta sexagésima quinta edição deste certame, onde o grande vencedor foi Michael Haneke e o seu "Amour"

Zeitgeist

por A-24, em 20.03.12

Cinema Notebook - "Zeitgeist" é um polémico documentário amador ramificado em três partes distintas. O título surge de um termo alemão que significa "Espírito do Tempo", e que é atribuído segundo alguns dos maiores filósofos alemães ao avanço intelectual e cultural do mundo, numa determinada época. Realizado, produzido e escrito pelo anónimo Peter Joseph, "Zeitgeist" foi lançado pela primeira vez no serviço Google Video, em Junho de 2007, tornando-se em poucas semanas o filme mais visto de sempre alojado nos servidores da Google (8 Milhões no final de Novembro, sendo que foi retirada desde dessa altura o contador, ninguém sabe bem porquê). Tal fama levou a que Peter Joseph fosse convidado pelos responsáveis do "4th Annual Artivist Film Festival & Artivist Awards" a apresentar a sua controversa obra caseira ao circuito cinematográfico.
Temos então uma primeira parte intitulada "The Greatest Story Ever Told". Esta investiga e analisa aquela que o autor considera ser a maior encenação da história da humanidade: a existência de um Cristo e as religiões em si. Defende o realizador que Jesus é um figura híbrida astrológica, mitológica e literária, baseada numa lenda criada por uma civilização bastante anterior ao "ano 0" e que, desde essa altura, foi adaptada e remodelada consoante a época e as necessidades de controlo social dos mais diversos povos.

Depois deste embate de factos e pesquisas sociais, somos bombardeados com uma fase intermédia que defende aquela que é a conspiração rainha deste novo milénio: os atentados terroristas do 11 de Setembro, numa peça denominada "All the World is a Stage". Entre demolições controladas, aviões invisíveis e declarações de seguranças que viram as cassetes de vigilância antes de elas serem todas confiscadas pelo FBI, temos aqui um complemento interessante ao mais do que célebre "9/11: Loose Changes".
Para terminar, uma abordagem arriscada e refrescante à dominação mundial por parte dos sistemas bancários impostos nas sociedades modernas, com especial destaque para os Estados Unidos, com uma conspiração bem montada que envolve a Reserva Federal, a família Rockefeller, duas Guerras Mundiais, o Iraque, o Vietname e até a Venezuela. Este capítulo denomina-se "Don't Mind The Men Behind The Curtain" e serve de machadada final à teoria que Peter Joseph apresenta no ínicio de "Zeitgeist": somos umas marionetas neste mundo e não nos importamos com isso.
Independentemente do nosso julgamento perante o que nos foi impingido durante cerca de duas horas, é de louvar o trabalho técnico, artístico e de pesquisa efectuado por alguém como Peter Joseph, sem meios aparentes de divulgação ou controlo mediático. E nem sempre é preciso acreditar na mensagem para elogiar o trabalho do mensageiro. E é bom que se tenha em consideração que obras como "1984", "Brave New World" ou "V for Vendetta", consideradas utópicas nas suas épocas, são hoje bases dogmáticas da realidade que nos envolve. Será que alguém ainda acredita que não é escravo da Religião, do Terror e do Dinheiro?

Site Oficial com Links para Download: ZeitgeistMovie.Com

Cinema: As Serviçais (2011)

por A-24, em 30.11.11

Depois do cinema - As Serviçais é a adaptação ao cinema do livro com o mesmo nome escrito por Kathryn Stockett em 2009. Rapidamente adianto que é um filme melodramático que carrega consigo uma verdadeira montanha-russa de emoções; Tanto nos faz rir, como depressa nos causa tristeza.Tem de tudo mesmo. Ao pretender retratar o preconceito, e as tentativas de mudança de mentalidade das sociedades, é um filme verdadeiro e emocionante, sendo um forte candidato aos Óscares.
Sinopse (PUBLICO): Skeeter (Emma Stone) decide seguir o seu sonho em se tornar escritora. Quando, de regresso à sua cidade, se apercebe da súbita ausência de Constantine (Cicely Tyson), a governanta negra que a criou, pede ajuda a Aibileen (Viola Davis) e a Minny (Octavia Spencer), ambas governantas e amigas de Constantine. É desta maneira que, quase por acaso, nasce entre as três uma cumplicidade que resultará num projecto absolutamente inédito e que irá abalar, para sempre, aquela sociedade minada de preconceitos: um livro onde são contadas, na primeira pessoa, as histórias de mulheres que, apesar de criarem as crianças das famílias brancas como se fossem suas, são ostracizadas devido à cor da sua pele.
Devido à sua duração, o filme acaba por ter diversas sub-histórias, mas devo desde já salientar a magnífica realização por parte de Tate Taylor, que conseguiu interligar as diferentes histórias de maneira bastante inteligente. Nenhum momento ou personagem são esquecidos, está de facto uma adaptação muito boa, pois o argumento apresenta-se sólido e consistente. É um filme bastante duro e realista, que aborda a cruel realidade em que a população de raça negra dos estados sulistas da América do Norte vivia.
É um filme que surpreende a nível de prestações, especialmente por parte de Jessica Chatstain, Emma Stone e Octavia Spencer. Todas elas transmitem as suas emoções no expoente máximo, e será quase que impossível não se estabelecer uma ligação emocional entre o espectador e estas personagens. Muito devido ao facto de cada personagem ser bastante diferente, o que torna possível assumirmos diversas posições. É, de facto, raro que um filme tenha tantas personagens tão bem desenvolvidas, enfim, é verdadeiramente bem actuado. Só um elenco de luxo é que poderá puxar emocionalmente pelo público, e garantidamente é o que acontece neste filme.
Não me vou estender muito mais, mas posso mesmo dizer que é um filme que vale mesmo muito a pena irem ver ao cinema. É deveras apaixonante, que prende a atenção do espectador de início ao fim, e conta com um elenco soberbo que torna o filme muito humano. Recomendadíssimo!

Cinema: Inception (2010)

por A-24, em 30.04.11
Christopher Nolan é um génio. É um senhor que já nos demonstrou o seu talento e mestria, especialmente em The Dark Knight, que revolucionou completamente o cinema. É impressionante a evolução de Nolan, está constantemente a superar-se a si próprio, proporcionando-nos filmes cada vez mas fantásticos, complexos e densos. Em Inception, não desilude e volta a mostrar-nos que estamos perante um grande realizador, através de um filme que nos mantém vidrados de início ao fim devido à sua genialidade e complexidade. O realizador "arquitectou" um filme interessante, brilhante e multifacetado (literalmente), tanto na narrativa como na própria temática do filme, em que exige dos espectadores absoluta atenção e concentração para que seja possível perceber-se na íntegra. A mínima desconcentração pode fazer com que se perca o fio à meada, mas apesar da complexificação de Inception ser inegável, considero-o, e tenho a certeza que muitos irão concordar comigo, como dos melhores filmes de 2010. Ou pelo menos, nenhum filme é capaz de suplantá-lo em termos de originalidade.

Nolan conseguiu o improvável, pois fazer um filme como Inception, em que a dicotomia entre percepção e realidade está tão bem explorada e aprofundada, e em que se cria labirintos enigmáticos que nos fazem questionar as nossas próprias concepções do que é o real, não é algo que se faça com facilidade. Isto porque filmes sobre sonhos e subconsciente são usualmente categorizados como "estranhos", e são de difícil concretização. Só prova mais uma vez o indiscutível talento de Nolan, não só porque teve a ideia, mas porque também foi capaz de concretizá-la. Como a personagem Cobb bem diz "What is the most resilient parasite? An Idea!". A premissa de Inception tem várias camadas de complexidade, e o facto de Nolan ter conseguido executá-la na perfeição, é fenomenal. Mas como referi, não é um filme fácil de se perceber de início, mas sendo merecedor da vossa atenção total, não se tornará assim tão complicado, e ao fim dos 148 minutos de filme, ficarão totalmente perplexos, maravilhados e satisfeitos.

Não vou sequer tentar explicar a fundo o enredo, pois é dotado de imensas e inteligentes reviravoltas, e como já devem ter percebido, é simplesmente difícil fazê-lo devido à sua elaborada história. Até o próprio Nolan nunca revelou muito da história até à sua estreia... Deve concordar comigo, pois na minha opinião, sem dúvida que a melhor maneira de se visionar o filme é mesmo a saber pouco e tendo uma mente aberta. O impacto será muito maior.
A temática do filme não é nova, a questão do real e dos sonhos e a exploração dos mecanismos da mente, mas a original abordagem de Christopher Nolan, coloca Inception num nível completamente acima dos demais. É importante realçar outro ponto muito positivo. O filme está envolvido numa magnífica banda sonora por Hans Zimmer! Eu penso que um bom filme tem sempre que ter uma fantástica banda sonora. O som é algo que inevitavelmente atrai, e em Inception, está mesmo qualquer coisa de extraordinário.

E ainda para mais, quando o filme tem o elenco que tem - Leonardo DiCaprio, Joseph Gordon-Lewitt, Cillian Murphy, Michael Caine, e Marion Cotillard -, é impossível questionar-se a qualidade do filme. Os actores são, de facto, outra mais-valia que contribui para seu grande sucesso. Pois verdade seja dita: Um filme pode ter as cenas de acção mais espectaculares de sempre, mas quando as personagens são mázinhas, interpretadas por actores mauzinhos, o filme perde o interesse todo. Felizmente, isso não acontece em Inception. Temos personagens muito bem construídas, diferentes umas das outras, e grandes actores a interpretá-las. Leonardo DiCaprio teve um grande ano, e soube mesmo escolher os papeís. É um grande actor. Sinceramente não percebo porque não foi reconhecido individualmente pela Academia, começo a considerar que o problema poderá ser pessoal! Marion Cotillard está absolutamente genial, proporcionando-nos a melhor interpretação do filme.
Como poderei concluir? É um filme obrigatório de se ver que nos faz pensar, é assustadoramente belo! Recomendadíssimo. (Depois do Cinema)

Óscares 2011: Natalie Portman, O Discurso do Rei e Trent Reznor vencedores

por A-24, em 28.02.11

Grandes favoritos triunfaram na noite dos Óscares. Depois do Globo de Ouro, Trent Reznor, dos Nine Inch Nails, ganhou Óscar de Melhor Banda Sonora.
Foi uma cerimónia dos Óscares com poucas surpresas a que ontem à noite aconteceu em Hollywood. 
Tal como esperado, Natalie Portman (na imagem) foi considerada a Melhor Atriz Principal, pelo papel de bailarina em Cisne Negro , ao passo que o Óscar de Melhor Ator Principal foi para o inglês Colin Firth, protagonista de O Discurso do Rei . 
O Discurso do Rei foi também galardoado com os Óscares de Melhor Filme e Melhor Realizador, Tom Hooper, que agradeceu à mãe pela inspiração. 
Christian Bale e Melissa Leo, ambos participantes em The Fighter , ganharam os Óscares de Melhor Ator e Melhor Atriz Secundários, respetivamente. 
Quanto ao Óscar de Melhor Banda Sonora, foi mesmo para Trent Reznor. O músico dos Nine Inch Nails, que assinou a música de A Rede Social com Atticus Ross, junta assim o mais cobiçado prémio de Hollywood ao Globo de Ouro que já vencera pelo mesmo trabalho. 

Veja aqui a lista de vencedores dos Óscares 2011 

Melhor Filme 
O Discurso do Rei 

Melhor Ator Principal 
Colin Firth (O Discurso do Rei) 

Melhor Ator Secundário 
Christian Bale (The Fighter) 

Melhor Atriz Principal 
Natalie Portman (Cisne Negro) 

Melhor Atriz Secundária 
Melissa Leo (The Fighter) 

Melhor Filme de Animação 
Toy Story 3 

Melhor Direção Artística 
Alice in Wonderland 

Melhor Cinematografia 
Inception (A Origem) 

Melhor Guarda-Roupa 
Alice in Wonderland 

Melhor Realização 
Tom Hooper (O Discurso do Rei) 

Melhor Documentário 
Inside Job 

Melhor Edição de Imagem 
A Rede Social 

Melhor Filme Estrangeiro 
In a Better World (Dinamarca) 

Melhor Música Original 
Trent Reznor & Atticus Ross - A Rede Social 

Melhor Canção Original 
We Belong Together - Toy Story 3 (Randy Newman) 

Melhor Edição de Som 
Inception (A Origem) 

Melhor Mistura de Som 
Inception (A Origem) 

Melhores Efeitos Especiais 
Inception (A Origem) 

Melhor Argumento Adaptado 
A Rede Social 

Melhor Argumento Original 
O Discurso do Rei

link

Óscares 2010 - Vencedores

por A-24, em 08.03.10
Os vencedores dos Óscares 2010 já são conhecidos. “The Hurt Locker” superou a popularidade e o sucesso comercial de “Avatar” e conseguiu arrecadar os Óscares de Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento Original, Melhor Edição de Som, Melhor Mistura de Som e Melhor Montagem. Kathryn Bigelow derrotou James Cameron ao vencer o Óscar de Melhor Realizador, assim sendo, Bigelow fez história porque foi a primeira realizadora a ser condecorada com esta importante distinção. As categorias mais técnicas não pertenceram na totalidade a “Avatar” que apenas recebeu os Óscares de Melhor Fotografia, Melhor Direcção Artística e Melhores Efeitos Especiais, assim sendo, “Avatar” foi indiscutivelmente o grande derrotado da cerimónia porque não conseguiu arrecadar nenhum dos principais galardões. “Up In The Air”, um dos primeiros favoritos à grande vitória final, não arrecadou nenhum galardão e a categoria em que era o principal favorito, Melhor Argumento Adaptado, foi conquistada por “Precious”. Os vencedores das categorias da representação não trouxeram grandes surpresas, Sandra Bullock foi considerada a Melhor Actriz Principal pela sua performance em “The Blind Side” e Jeff Bridges arrecadou o galardão de Melhor Actor Principal por “Crazy Heart”. À semelhança do que aconteceu nas restantes cerimónias da temporada, Christoph Waltz foi considerado o Melhor Actor Secundário pela sua prestação em “Inglourious Basterds” e Mo’Nique arrecadou o Óscar de Melhor Actriz Secundária. “El Secreto De Sus Ojos” de Juan José Campanella da Argentina superou a concorrência de “Un Prophète” (França), “Das Weisse Band” e “The Milk of Sorrow” (Peru) e conquistou o Óscar de Melhor Filme Estrageiro “Up” confirmou as expectativas e ganhou o Óscar de Melhor Filme de Animação e de Melhor Banda Sonora. A poderosa mensagem de “The Cove” valeu a esta produção o Óscar de Melhor Documentário. “The New Tenants” ganhou merecidamente o Óscar de Melhor Curta-Metragem. “Logorama” foi considerada a Melhor Curta-Metragem de Animação e a única surpresa das curtas-metragens veio com a vitória de “Music By Prudence” na categoria de Melhor Curta-Metragem – Documentário.

Melhor Filme
The Hurt Locker

Melhor Realizador
Kathryn Bigelow por “The Hurt Locker”

Melhor Actor Principal 
Jeff Bridges por “Crazy Heart”

Melhor Actriz Principal
Sandra Bullock por “The Blind Side”

Melhor Actor Secundário
Christoph Waltz por “Inglourious Basterds”

Melhor Actriz Secundária
Mo’Nique por “Precious”

Melhor Argumento Original
The Hurt Locker

Melhor Argumento Adaptado 
Precious

Melhor Filme Estrangeiro
El Secreto De Sus Ojos (Argentina)

Melhor Filme de Animação
Up

Melhor Documentário
The Cove

Melhor Fotografia
Avatar

Melhor Banda Sonora
Up

Melhor Canção Original
The Weary Kind (Crazy Heart)

Melhor Direcção Artística
Avatar

Melhor Montagem
The Hurt Locker

Melhor Caracterização
Star Trek

Melhores Guarda-Roupa
The Young Victoria

Melhores Efeitos Especiais
Avatar

Melhor Edição de Som
The Hurt Locker

Melhor Mistura de Som 
The Hurt Locker

Melhor Curta-Metragem 
The New Tenants

Melhor Curta-Metragem – Documentário
Music By Prudence

Melhor Curta-Metragem – Animação 
Logorama

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