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A-24

Vexame suscita debate para que o futebol brasileiro recupere a identidade perdida

por A-24, em 09.07.14
O Globo

BELO HORIZONTE — O barulho do silêncio, que ecoou no Maracanã depois da derrota de 1950, soava inexplicável para quem não testemunhou aquela jornada, até que a explosão de gols da Alemanha trouxe um vazio apaziguador no Mineirão. Depois de quase sete décadas condenadas ao limbo, as almas dos vice-campeões enfim se libertaram. Ao longo dos 90 minutos em que as ilusões do hexa se espatifaram contra o muro da realidade, a tragédia de 1950 se transformou definitivamente numa derrota honrosa. Só no jogo de terça o Brasil tomou um gol a mais do que os seis que sofreu ao longo da campanha do primeiro Mundial em casa.

Revestidas pelo padrão que vem de fora, as paredes do Maracanã foram poupadas do novo golpe. Graças a uma engenharia questionável, seja pela transformação do estádio ou pelo fato de a seleção sequer ter jogado ali nesta Copa, a implosão do projeto original simboliza a perda de identidade de todo o futebol brasileiro. A monumentalidade, a simetria das linhas e o espanto dos visitantes diante de algo nunca visto deram lugar a uma cópia vulgar do que já existe lá fora.

Mesmo que a tabela tenha condicionado o reencontro da seleção com o estádio apenas numa final, é impossível separá-los nessa relação em que um se alimenta do outro, a começar pelo desafio do recomeço após a derrota de 1950. Em campo e nas arquibancadas, hoje, o que era único se tornou mais do mesmo. Quem tenta reencontrar os túneis e os caminhos já conhecidos para a glória, se sente soterrado pela própria memória. Chegou a hora da difícil tarefa de revirar os escombros.

Antes que as vaias merecidamente destinadas a Fred revivam o ritual sumário que condenou Barbosa, chegou o momento de inverter o processo. Numa Copa em que o Brasil jogou nada do primeiro ao último jogo, os jogadores devem ser vistos como a consequência e não a causa do vexame. Todos lutaram contra suas limitações, uns sucumbiram às lágrimas e todos tombaram diante da constatação de que já não temos forças para disputar entre os melhores.

EXEMPLO ALEMÃO

A reação ao primeiro gol deixou a impressão de que o time brasileiro não acreditava em si mesmo. Bastou um golpe para o time desmoronar tática, técnica e emocionalmente. O apodrecimento das estruturas começa pelas instituições que comandam o futebol brasileiro. Graças a um política esportiva, que reviu os métodos de trabalho para preservar os princípios de uma escola hegemônica, a Alemanha volta a disputar uma final de Copa depois de ser semifinalista nas últimas quatro participações.

Sem maiores trabalhos, que não vender contratos de patrocínio cada vez mais volumosos, a CBF inaugurou recentemente um museu, mas o apego ao passado é um exposição itinerante. Depois da renúncia do ex-presidente Ricardo Teixeira, fugindo de denúncias de corrupção, o mais velho dos vices, José Maria Marin ficou à frente da empresa que seguiu o mesmo padrão de operação. Apesar da intenção de demitir Mano Menezes desde a perda do ouro olímpico, o cartola deixou que o treinador cumprisse os compromissos do calendário de 2012 para virar o ano como outra volta ao passado. Ao evocar a experiência dos técnicos do tetra e do penta para formar o comando com Felipão e Parreira, a CBF tentava avançar olhando para o retrovisor. Quando se deu conta de que os caminhos para o sucesso haviam mudado, o desastre já estava consumado.

Depois que a natureza deixou de produzir craques feito capim, no vão da sociedade onde havia espaço para improviso, a necessidade de um cultivo sistemático e científico compara o futebol brasileiro a um vinhedo esgotado. De tanto antecipar a colheita, a safra se tornou cada vez mais verde e sem personalidade. O tempo de maturação em casa, além de concluir a formação na cultural local, fazia crescer todo o jogo coletivo. Com o êxodo prematuro, o brasileiro passou a jogar como os demais sem ter uma referência doméstica para preservar os princípios de uma escola de excelência.

No lugar do trabalho para atualizar os métodos, restaram as mesmas bravatas que remetem a 1950. Se, naquela ocasião, o prefeito Mendes de Morais saudou os campeões antes do último jogo, dessa vez foi Parreira quem disse que o Brasil já tinha uma mão na taça enquanto Felipão prometia a conquista.
Para além da campanha pífia, a eliminação deixa lições e números cabalísticos. O período entre uma Copa e outra realizadas no Brasil é igual ao número de jogos deste Mundial e ao ano do golpe militar que completou meio século no último mês de abril. Desde 1964, o futebol brasileiro ainda sofre para expurgar suas ligações com o regime.
Deputado pelo partido de apoio ao governo no período, Marin é cobrado até hoje por organizações de direitos humanos pelo discurso em homenagem ao delegado Fleury, responsável pela tortura dos presos políticos. Embora seja civil, Parreira cresceu na vida esportiva a partir da sua ligação com a Escola de Educação Física do Exército, cujos quadros tomaram conta da comissão técnica da seleção após a queda do comunista João Saldanha, em 1969.

HORA DE PASSAR A LIMPO

Inflado após a conquista do penta, sem mostrar pudores em ferir a opinião pública, Felipão disse no programa Roda Viva que a ditadura de Pinochet produziu benefícios para a educação no Chile. Esportista sem responsabilidade pelo atentado às liberdades nos anos de chumbo e cidadão com direito a exprimir suas opiniões, Felipão reflete certa mentalidade e truculência que ainda encontra eco na sociedade brasileira. Fora do campo, quando entra nos gabinetes, a gestão do futebol brasileiro ainda está ligada à política e aos negócios escusos. Enquanto Ricardo Teixeira descansa em Miami, o próximo presidente, Marco Polo del Nero teve um ingresso de sua cota apreendido com cambistas.
Já que o velho Maracanã não está mais aqui para contar a história redimida de 1950, resta a prudência para que a destruição não se repita. Antes que novo linchamento aconteça apenas ao nível do campo, melhor discutir o andar de cima. A julgar pela injustiça que durou 64 anos, chegou a hora de proteger as vítimas e passar a limpo as instituições do futebol brasileiro.

Inacreditável! Alemanha vulgariza o Brasil (7-1);'Mannschaft', que aos 30 minutos já vencia por 5-0, chegou à final de um Mundial pela 8ª vez

por A-24, em 08.07.14
Kroos bisou, Klose entrou para a história dos Mundiais, Khedira e Müller também estiveram em destaque; Canarinha juntou a vergonha ao mau futebol (ser só agressivo e intenso não chega); David Luiz (o defesa mais caro da história) foi o expoente máximo do desastre no Mineirão.


O Estádio Mineirão, em Belo Horizonte, vai ficar para sempre marcado como o palco de uma das piores humilhações da história da selecção brasileira – provavelmente a maior de sempre – e de um dos jogos mais perfeitos da alemã. A Mannschaft goleou o Brasil, por 7-1, um resultado e uma diferença nunca vistas numa meia-final do Campeonato do Mundo.

A equipa de Joachim Löw, que chegou ao intervalo já a vencer por 5-0, resultado que já se verificava aos 29’, apurou-se pela oitava vez para a final da prova e deixou em estado de choque o país anfitrião, trazendo à memória o trauma do Maracanazo, em 1950.




No jogo de todos os recordes negativos para o Brasil, Thomas Müller foi o primeiro a marcar, logo aos 11’. Depois, Miroslav Klose dobrou a vantagem (23’), e passou a deter, de forma isolada, o recorde de golos em Mundiais (16), superando o brasileiro Ronaldo.

Os minutos seguintes foram de desastre para a defesa e o meio-campo brasileiros, que assistiram aos golos de Toni Kroos (24’ e 26’) e Khedira (29’).




Na segunda parte, o suplente Schürrle bisou (69’e 79’) e aumentou o resultado para 7-0, antes de Oscar apontar o golo de honra do Brasil aos 90’.

A Alemanha, que vai tentar repetir os títulos de 1954, 1974 e 1990, espera agora pelo outro finalista, que sairá do jogo Argentina-Holanda.

Este jogo igualou a pior derrota anterior do Brasil, que em 1920 foi batido pelo Uruguai, por 6-0.



Visão de Mercado

Inacreditável! Jogo histórico em Belo Horizonte, com uma goleada nunca antes vista nesta fase de um Campeonato do Mundo. O Brasil foi completamente humilhado e sofreu a derrota mais pesada da sua história, perante uma Alemanha altruísta e eficaz. Os germânicos, que chegam à 8ª final de um Mundial, marcaram 5 golos na primeira parte (em apenas 18 minutos) e tornaram-se na primeira selecção a marcar 7 golos numa meia final (4 golos em 6 minutos é um recorde). Para além disso, Miroslav Klose entrou para a história, ao chegar aos 16 golos em Mundiais (também se tornou no jogador com mais vitórias em Mundiais - 16) e Kroos foi o jogador mais rápido a bisar (em apenas 69 segundos). O Brasil igualou o Zaire e o Haiti, ao chegar ao intervalo com 5 golos de desvantagem e tornou-se no segundo anfitrião a sofrer 7 golos num Mundial (Suíça 5-7 Áustria, em 1954). O resultado diz tudo sobre a exibição da Canarinha. Assistiu-se a um verdadeiro desastre, com erros graves a nível individual e a nível organizacional. Os germânicos, com um jogo de equipa notável, construíram um resultado assinalável, com grandes desempenhos de Kroos, Muller e Khedira, e ficam à espera do Argentina-Holanda, para ver com quem vão jogar na final (podemos ter reedições das finais de 74 ou 86 e 90).
A história deste resume-se a 5 números - 11, 23, 25, 26 e 29. Estes foram os momentos em que a Alemanha marcou os seus golos e humilhou por completo o Brasil. Primeiro foi Thomas Muller a facturar, na sequência de um pontapé de canto (falha enorme da defesa brasileira) e depois seguiu-se o vendaval da "Mannschaft". Foram 7 minutos de extrema eficácia e altruísmo por parte dos germânicos, com 4 golos bem trabalhados pelo meio campo e ataque. Aos 23 minutos, Muller assistiu Klose para um golo histórico (Júlio César ainda defendeu o primeiro remate), aos 25 minutos, foi Lahm a cruzar para o remate de Kroos, aos 26 minutos, Khedira assistiu Kroos para o bis (perda de bola de Fernandinho) e aos 29 minutos, Ozil fez o passe decisivo para Khedira. No segundo tempo, o Brasil entrou forte e obrigou Neuer a três intervenções de grande nível, enquanto Muller obrigou Júlio César a enorme defesa, num remate à entrada da área. Depois, Low colocou Schurrle em campo e o jogador do Chelsea marcou o 6º e 7º golos da Alemanha. Mesmo em cima do apito final, Oscar marcou o golo de honra dos brasileiros.
Brasil - Jogo para a História da Canarinha, pelos piores motivos. É certo que o elenco não é dos mais fortes (vários indiscutíveis nem para engraxar as botas de Romário, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho ou Kaká serviriam e só o factor casa permitia que estivessem no grupo de favoritos), e que o Brasil se viu privado do melhor jogador e do mais competente defesa, mas apanhar sete da Alemanha, em casa, num jogo decisivo, é pior do que o mais apocalíptico cenário imaginável. A verdade é que o futebol brasileiro manteve um nível a rondar entre o mediano e o medíocre durante a competição, e perante um adversário a jogar "a sério", as suas debilidades tornaram-se ainda mais evidentes. O meio-campo foi desorganizado nas suas acções (joga duro e faz muitas faltas, mas recupera poucas bolas jogáveis), as compensações foram inexistentes, abrindo-se autênticas avenidas que os alemães aproveitaram sem contemplações, e as marcações falharam a um ritmo alucinante (o primeiro golo é prova disso, com David Luiz a ver Muller fugir em plena área). Ofensivamente, a equipa nunca funcionou, faltou o seu "farol", a circulação de bola foi nula, e as individualidades esqueceram-se de aparecer. Scolari, à imagem de "outros" treinadores, nunca abdicou da sua estrutura base, mesmo que para isso continuasse a dar a titularidade a jogadores que foram autênticas nulidades durante o torneio, como Oscar. Depois sempre foi visível que este elenco estava com a pressão de 200 milhões em cima, foi demasiado choro, demasiados nervos, e depois do 1-0, caiu tudo (já podia ter caído antes tal era o descontrolo). Posto isto. Individualmente, Júlio César ainda foi o menos mau, impedindo um resultado de outra proporções. A defesa abriu buracos por todo o lado, os laterais foram ultrapassados com facilidade, e os centrais permitiram autênticos "meínhos" na sua área. David Luiz descompensou várias vezes o último reduto, e teve várias falhas individuais (praticamente culpado nos 7 golos), não fazendo valer o rótulo dos 50 milhões (incrível como comete tantos erros básicos...e também foi o 1º a perder a cabeça, tem mesmo um lance patético com Muller digno dos tempos da escola, quando reagiu mal a uma entrada e tentou acertar com a bola no seu adversário). A duplaFernandinho-Gustavo limitou-se a perder bolas e a ver os alemães jogarem, Oscar, pese o golo, foi uma nulidade, tal como Bernard e Hulk. Fred fez o que pode e sabe fazer, pouco, é certo, mas é injusto colocar-lhe o ónus da goleada, como fez o público. Ramires e Paulinho entraram numa fase em que a Alemanha desacelerou, e mostraram-se, mas quando esta voltou a um regime de seriedade, foram engolidos como os seus companheiros.


Alemanha - Passou a melhor equipa, sem dúvidas. É certo que houve muita eficácia à mistura (a certa altura, cada ataque era um golo), mas existe uma clara diferença entre os dois colectivos, e os alemães fizeram questão de o mostrar, ao conseguirem um jogo perto da perfeição (e não baixassem o ritmo, a coisa poderia ter sido mais penosa para o Brasil). Defensivamente não deram hipóteses, anulando os avançados contrários, e nunca permitiram aos brasileiros criarem perigo nas bolas paradas. Depois de sustido o ímpeto inicial, foi uma questão de assentar o seu jogo, baseado numa pressão intensa e circulação de bola exemplar, sendo que a qualidade dos atacantes, aliada a uma eficiência tipicamente germânica e à falta de egoísmo fizeram o resto. Muller deu a provar aos brasileiros do próprio veneno, com um remate em plena área após um canto, e depois a Alemanha, sentindo o Brasil tremer, não vacilou nem abrandou, continuando a pressionar em todo o terreno, e jogando sempre com os sectores juntos. Os germânicos usaram movimentações constantes para baralhar a defesa contrária, e puseram sempre homens suficientes na área para aproveitar qualquer deslize defensivo. Com o jogo no "bolso" e o adversário de joelhos, veio ao de cima a calma dos europeus, que sozinhos a meia dúzia de metros da baliza contrária, nunca se deslumbraram nem se precipitaram, decidindo sempre de forma correcta os lances de concretização. 
Na segunda parte a Alemanha entrou em ritmo de treino, mas aí apareceu Neuer a mostrar a razão de ser o melhor do Mundo, com um par de defesas impossíveis (grande sentido de colocação, associado a reflexos felinos), mas logo que passou a anestesia do gordo placar, voltaram a um registo mais sério, e ainda deu para meter mais duas bolas na baliza canarinha. Ainda assim, Ozil falhou o oitavo de modo incrível, segundos antes de Oscar fazer o tento de honra(?) dos anfitriões. Individualmente, e para lá do já referido Neuer, Khedira foi o homem do jogo, colocando uma intensidade de jogo que há muito não se lhe via, e dominando toda a zona do meio-campo (como tinha feito no Euro 2012). Lahm mostrou ainda ser um dos melhores laterais da actualidade (a sua ida para a ala dá outro fulgor ao ataque), aproveitando a falta de cobertura para entrar como quis na defesa adversária. Hummels e Boatengforam competentes quanto baste, enquanto que os atacantes fizeram aquilo que se pede a uma linha avançada moderna: movimentos constantes, pressão sobre os defesas na saída de bola, e claro, golos. Muller espalhou classe, Klose teve problemas em segurar a bola, mas na área mostrou-se letal como sempre, e Kroos esteve perto da perfeição nas combinações e na finalização. Ozil ainda assim foi o menos exuberante, enquanto que Schurrle entrou com vontade de fazer estragos com a sua velocidade.









Morreu Alfredo Di Stéfano, um dos melhores futebolistas de sempre

por A-24, em 07.07.14
Alfredo Di Stéfano morreu nesta segunda-feira aos 88 anos no Hospital Gregorio Marañon, em Madrid, vítima de uma paragem cardio-respiratória.
O antigo avançado do Real Madrid, uma das maiores lendas do futebol mundial, já estava internado desde sábado passado, dia em que sofreu uma paragem cardíaca.
O argentino, naturalizado colombiano e espanhol, estreou-se no Real Madrid aos 27 anos e, numa década, ganhou cinco taças europeias.
O presidente honorário do Real Madrid é apontado como um dos principais responsáveis por ter transformado o clube espanhol numa referência europeia.
Nascido na Argentina a 4 de Julho de 1926, Di Stéfano jogou no River Plate e no Huracán, no Millonarios, da Colômbia, e esteve 11 anos ao serviço do Real Madrid, entre 1953 e 1964, antes de terminar a carreira de jogador no Espanyol de Barcelona, em 1966.
Di Stéfano é considerado um dos melhores futebolistas de sempre, ao lado de nomes como Pelé, Eusébio, Puskas, Cruyff e Maradona. 
Alfredo Di Stéfano teve uma curta passagem por Portugal, como treinador do Sporting na época de 1974/75, cargo que ocupou pouco mais de um mês.PÚBLICO

Mundial: Promessas para o futuro

por A-24, em 06.07.14
Hazard (BEL)
A cada jogo, as selecções vão fazendo as malas para regressar a casa. Mas algumas, mais do que outras, têm razões para fazerem a viagem de regresso com esperança no futuro.

O último caso é o da Bélgica, que caiu este sábado frente à Argentina nos quartos-de-final do Campeonato do Mundo. A exibição foi fraca, tendo em conta aquilo que os diables rouges demonstraram nas partidas anteriores. Mas mesmo esta leitura demonstra o patamar de exigência a que a “geração de ouro” belga chegou. Com um dos plantéis mais jovens da competição, a Bélgica encarou a presença no Mundial como o primeiro teste à capacidade competitiva desta geração. Jogadores como Lukaku (21 anos), Hazard (23), Origi (19) ou Januzaj (19) são donos de um talento indiscutível, mas precisam da maturação que só as grandes competições podem dar. A eliminação frente à Argentina, um conjunto bem mais experiente, deixou bem patente essa necessidade.
Luke Shaw (ENG)
Na sexta-feira foi a França a ceder perante a eficácia da Alemanha. Pouco se esperava dos gauleses, depois de uma participação muito negativa no Mundial da África do Sul e de um apuramento sofrido nos play-offs. Mas a equipa orientada por Didier Deschamps protagonizou algumas das exibições mais dominadoras na competição.
Na base da campanha dos bleus esteve também uma equipa com jovens valores, mas que ainda necessitam de experiência internacional, como são os casos de Varane (21 anos) ou de Pogba (21). A renovação da França pode ainda ancorar na geração campeã mundial de sub-20 em 2013 – de onde já vieram Pogba e Lucas Digne.
Pior sorte teve a Inglaterra, eliminada na fase de grupos e com um saldo de duas derrotas e um empate. No entanto, ficaram na retina alguns pormenores de bom futebol, com uma qualidade técnica rara em anteriores selecções inglesas.
James Rodriguez (COL)
Alguns dos jogadores que Roy Hodgson levou para o Brasil chegaram à selecção principal apenas nos últimos meses. São os casos de Ross Barkley (20 anos), Luke Shaw (18), Raheem Sterling (19) ou Adam Lallana (26), que têm vindo a assumir-se como peças preponderantes no “onze” inglês. O seleccionador inglês deu pistas daquilo que pode ser a reformulação da equipa, dando a titularidade a alguns destes jogadores na última partida frente à Costa Rica.
O foco para estas três selecções é o Campeonato Europeu 2016, cuja fase de qualificação arranca em Setembro. Acabava a Inglaterra de ser eliminada, depois de perder com o Uruguai (2-1), e já Roy Hodgson apontava para esse futuro: “”Estes jogadores, nos próximos dois anos a jogar na Premier League, como têm jogado, vão com certeza melhorar e ficar mais fortes.”
Pogba (FRA)
Mas também fora da Europa há motivos para sorrir, apesar das eliminações. A Colômbia foi muito aplaudida pelo seu futebol atractivo e atacante, mas não resistiu perante o Brasil. Até aos quartos-de-final, o Mundial foi praticamente um “passeio” para os sul-americanos, que somaram quatro vitórias e marcaram onze golos.
A grande foça criativa do sucesso colombiano foi James Rodriguez (22 anos), eleito o melhor jogador da primeira fase da competição, de acordo com o índice de performance da FIFA. Já se contam os dias para o próximo jogo da Colômbia no Mundial da Rússia. PÚBLICO

Mundial: Argentina elimina uma "pálida" Bélgica, Holanda sofre até aos penalties mas apura-se para as meias-finais

por A-24, em 06.07.14


Se até aqui o Mundial tinha sido espectacular, o mesmo não se pode dizer destes quartos-de-final. Num jogo algo idêntico ao França-Alemanha, a Argentina bateu a Bélgica por 1-0 e apurou-se para as meias-finais de um Mundial depois de 24 anos de jejum. A albiceleste, que viu Di Maria sair lesionado (Enzo estreou-se), marcou cedo e a partir daí limitou-se a controlar uma equipa belga inofensiva e que deu a ideia de já estar satisfeita com a chegada a esta fase. Messi fez mais uma excelente exibição (sobretudo na primeira parte), mas foi Higuain o herói do jogo, não só pelo golo mas por toda a classe que mostrou na frente. 
O jogo certamente não vai ficar na História do Mundial. A partida foi disputada num ritmo baixo e o golo madrugador da Argentina (Higuain à meia volta depois de um grande trabalho de Messi no meio campo) veio agravar essa situação. A Bélgica nunca teve capacidade para ultrapassar a defesa argentina (com Basanta e Demichelis nos lugares de Rojo e Fernández) e durante a primeira parte só criou perigo num remate de fora da área de De Bruyne. Em vantagem, a Argentina recuou o bloco e tentou chegar à baliza de Courtois através de saídas rápidas, mas também não conseguiu fazê-lo. O grande destaque da primeira parte foi a lesão de Di Maria, que deu lugar a Enzo. Na segunda parte, o jogo manteve-se na mesma toada. A Argentina sem pressionar muito anulou por completo uma Bélgica muito lenta e com pouca ligação entre sectores. Messi, completamente isolado, viu Courtois negar-lhe o golo nos últimos minutos e, do outro lado, Garay evitou o golo do empate numa fase em que os Diabos Vermelhos bombeavam bolas para a área contrária.


Argentina - O melhor jogo da albiceleste neste Mundial. As mexidas de Sabella melhoraram a equipa defensivamente. Garay, que fez uma exibição imperial, teve em Demichelis um parceiro mais seguro e Basanta, embora não tenha dado a mesma profundidade do que Rojo, fechou bem o flanco esquerdo. A inclusão de Biglia no meio campo deu maior consistência à equipa, bem como a entrada de Enzo para ocupar o lado direito. No ataque, o talento de Messi (sempre que tocou na bola desequilibrou e teve vários lances de génio) e Higuain fizeram a diferença. "Pepita" apareceu pela primeira vez neste Mundial, mas apareceu em grande. Para além do golo e de uma arrancada excelente na segunda parte, impressionou pela forma como segurou e esperou pelos apoios.

Bélgica - Mais do que a falta de ideias surpreendeu a falta de vontade. Os belgas foram eliminados e praticamente não deram luta (nem sequer criaram uma ocasião de golo). Faltou novamente um médio (que seria Dembelé se estivesse em condições) que assegurasse a ligação com o ataque, uma vez que Fellaini é mais um segundo avançado do que propriamente um médio. Wilmots também foi pouco ousado e as suas substituições não acrescentaram nada. Individualmente, Hazard fez uma exibição horrível e, como maior estrela da equipa, foi uma desilusão não só neste jogo como também no Mundial (à excepção de alguns lances pouco apareceu); pelo contrário, De Bruyne - o mais esclarecido e o mais esforçado no encontro de hoje - foi o melhor elemento do conjunto belga neste Mundial. Kompany, apesar do mau passe no lance que deu o golo, salvou a equipa várias vezes, enquanto Vertonghen foi um dos melhores na partida de hoje, dando profundidade e criando desequilíbrios no lado esquerdo.

Holanda 0-0 (4-3  nas g.p.) Costa Rica


A Holanda marcou encontro com a Argentina nas meias-finais do Mundial, ao bater a Costa Rica nas grandes penalidades. Krul, lançado estrategicamente por Van Gaal, ou Van Genius, no minuto 120, foi o herói ao defender 2 penaltis (de Bryan Ruiz e Umana). Depois de um jogo em que a Laranja Mecânica mesmo sem forçar muito podia ter goleado com relativa facilidade, desperdiçou 11 oportunidades claras de golo, mas atitude essa que também podia ter hipotecado as hipóteses dos holandeses em fazerem história (perante um adversário tão frágil exigia-se outra intensidade ofensiva, e deixar correr o jogo até à "lotaria" foi um risco que podia ter saído caro). Quanto à Costa Rica, sai deste Mundial com o rótulo de uma das maiores sensações de sempre na história dos Mundiais. Mas desta vez a postura defensiva foi insuficiente para chegar ao sucesso (os costa-riquenhos tiveram sempre 9 jogadores atrás da linha da bola e só por uma vez, curiosamente foi no minuto 116 e podia ter dado a vitória, testaram Cillessen).

Quanto à partida, foi muito pouco intensa durante os 90 minutos. Mesmo assim, a Holanda fruto das iniciativas de Robben foi sempre mais perigosa, e criou várias oportunidades de golo. Na 1ª parte, Van Persie, Depay e Sneijder (num livre) nunca conseguiram ultrapassar Navas. E no 2º tempo, principalmente nos últimos 10 minutos, numa fase em que a Laranja Mecânica carregou mais, tiveram mais 4 excelentes oportunidades. Sneijder num livre atirou ao poste. Pouco depois foi Navas a negar o golo a Van Persie, e até final RVP ainda falhou mais 2 golos, 1º hesitou entre um remate de cabeça ou com o pé quando estava já na pequena área, depois viu Tejeda a tirar-lhe o golo em cima da linha. No prolongamento, a Holanda continuou a insistir, teve logo duas excelentes oportunidades, mas continuava sem ultrapassar Navas. Já nos últimos minutos, com a Laranja Mecânica já partida, a tentar por tudo chegar ao golo, acontece o único lance de perigo da Costa Rica em todo o jogo. Umena em boa posição permitiu a defesa a Cillessen. Até final Sneijder voltou a acertar na barra mas a curiosidade foi a alteração de Van Gaal ou colocar Krul no lugar de Cillessen no último minuto do prolongamento. Substituição que resultou em cheio, já que o guardião do Newcastle, nas grandes penalidades, defendeu duas bolas (e por pouco não defendeu mais) e assim apurou a Holanda para as meias-finais (Navas desta vez não fez a diferença).

Van "Genius" - Táctica com 3 centrais, Kuyt a jogar a lateral, jogo demasiado pragmático, demasiada dependência de Robben, muitas bolas em profundidade e pouca circulação, em suma muito material para debate sobre as opções do futuro treinador do Man Utd. Mas a verdade é que até agora tudo tem resultado e a Holanda já está nas meias-finais. Falta a cereja em cima do bolo. No entanto, a genialidade de Van Gaal, goste-se ou não, como voltou hoje a ficar novamente demonstrado quando colocou propositadamente Krul para defender os penaltis, vai estar para sempre ligada a este Mundial.

Holanda - Ficou sempre a ideia que com outra intensidade os holandeses tinham facilmente ultrapassado a Costa Rica, mas isso não aconteceu. A equipa continua sem abdicar do pragmatismo, arrisca pouco e vai vivendo de acções individuais, quase sempre de Robben. Hoje isso podia ter sido fatal nos penaltis, ainda por cima ia custar a triplicar, já que com outra eficácia (demasiados golos falhados), a Laranja Mecânica tinha feito o resultado logo nos 90 minutos. A nível individual, Robben voltou a ser novamente o grande protagonista. Incrível o que correu e os desequilíbrios que criou. Mas Kuyt (que jogou a lateral) e Vlaar também estiveram a bom nível. No campo oposto, Van Persie esteve demasiado desconcentrado (foi apanhado em fora de jogo inúmeras vezes) e perdulário (devia ter feito melhor em alguns lances).

Costa Rica - Na nossa opinião é a maior sensação na história dos Mundiais. E a explicação vai do 80 ao 8, ou seja, foi incrível ter ficado em 1º num grupo com Uruguai, Inglaterra e Itália, mas a realidade é que este conjunto é claramente limitado (o que até acaba por valorizar ainda mais esta prestação). Ao contrário do que aconteceu com selecções como a Nigéria e Senegal, que depois de se terem destacado em Mundiais viram vários jogadores a ingressarem nas principais equipas europeias, muito dificilmente algum costa-riquenho, à excepção de Navas (e ignorando o caso Campbell), vai motivar o interesse daquelas 10/15 melhores equipas da Europa. Sendo certo que elementos como Borges, Gamboa e Gonzalez podem aspirar a algo mais do que possuem actualmente, e esse algo mais são clubes médios/top, os restantes, apesar desta prestação, devem continuar na mesma situação. Quanto ao jogo, Navas, que rubricou mais uma exibição incrível, com várias defesas de enorme qualidade, foi adiando o inevitável, e foi adiando de tal maneira que até podia ter sido o herói nos penaltis (como aconteceu com a Grécia). Elementos como Bolanos, Gonzalez e Umana também estiveram em destaque, mas, à excepção da vontade e da postura defensiva (defender também é uma arte), esta Costa Rica nada fez para justificar a passagem (só testou uma vez Cillsessen em 120 minutos).

Mundial: Brasil nas meias-finais. Colômbia deu luta até ao fim

por A-24, em 05.07.14

Ninguém esperava o “joga bonito” deste Brasil de Scolari, mais luta e menos arte, dez guerreiros e um artista (Neymar). E ainda não foi nesta sexta-feira que esse Brasil apareceu, mas, mais do que em qualquer outro momento do Mundial, a selecção da casa mostrou toda a sua vontade de querer ganhar o “hexa”, arrancando a sua melhor exibição do torneio para se qualificar para as meias-finais à custa da Colômbia, com um triunfo por 2-1, no Estádio Castelão, em Fortaleza. Foram dois defesas centrais, Thiago Silva e David Luiz, a marcar os golos do triunfo dos brasileiros, que agora terão pela frente, na próxima terça-feira, a Alemanha.
Mais do que qualquer outra selecção no Mundial, era a Colômbia a mostrar-se como a equipa de maior espírito ofensivo e com uma “estrela” de primeira grandeza, James Rodríguez. Mas a verdade é que pouca justiça fez a estes créditos. Foram os brasileiros a assumir o comando, com uma capacidade de pressão que ainda não se tinha visto, e os colombianos simplesmente não estavam preparados para isto.

POSITIVO/NEGATIVO

David Luiz
Marcou o seu segundo golo no Mundial com um tremendo pontapé num livre de fora da área e foi, justamente, eleito o homem do jogo. O futuro jogador do PSG foi, por isso, decisivo no ataque mas também fez a diferença na defesa, insuperável no chão, no ar e com rapidez e ousadia para sair com a bola controlada.

Primeira parte da Colômbia
Provavelmente, os colombianos estariam à espera de um Brasil mais expectante e menos pressionante, mas foram surpreendidos e não conseguiram dar resposta imediata. Só depois do 2-0 é que os cafeteros tiveram uma reacção à altura da imagem que tinham deixado nos jogos anteriores.

O golo apareceu cedo e foi merecido. Aos 7’, canto marcado pela direita por Neymar, falha na marcação na pequena área, e Thiago Silva, o capitão que não queria marcar penáltis, só teve de encostar para a baliza. Pareceu resultar o trabalho da psicóloga que Scolari contratou para acalmar os nervos brasileiros. A sua equipa, mesmo com um défice de “joga bonito”, era um paradigma de união e crença, tão ao estilo do antigo seleccionador de Portugal. A Colômbia raramente se mostrou e só o guarda-redes Ospina impediu que Hulk, por duas vezes (20’ e 28’), desse outra expressão ao marcador.

Este era um jogo em que Pékerman precisaria de uma pausa para rectificar, mas teve de esperar pelo intervalo e, depois, a Colômbia apareceu melhor. Mais James e mais Cuadrado foi igual a mais apuros para a selecção brasileira. O árbitro Velasco Carballo foi deixando passar muito na luta do meio-campo, mas não deixou passar o cartão amarelo a Thiago Silva (que o deixa de fora das meias-finais), nem o golo irregular a Mário Yepes aos 67’ — o veterano central colombiano estava fora de jogo.

Adivinhava-se o empate, aconteceu o contrário. Praticamente no lance seguinte, num livre bem longe da baliza de Ospina, David Luiz arranca um remate que só parou nas redes colombianas, naquele que foi o seu segundo golo no torneio. Este era o golo que seria da tranquilidade para o Brasil, aquele momento em que uma nação iria respirar fundo, mas não, foi a partir daqui que teve de suster a respiração.

Aos 77’, um passe de James desmarcou o recém-entrado Carlos Bacca na área brasileira. O avançado do Sevilha foi derrubado por Júlio César. Penálti bem assinalado que James converteu sem dificuldade para o seu sexto golo no Mundial — ainda é o melhor marcador e sai do torneio com golos em todos os jogos. A Colômbia continuou a carregar, o Brasil a resistir e nada se alterou. Os brasileiros não saíram do Castelão incólumes. Contra a Alemanha não terá Thiago Silva, castigado, e talvez não tenha Neymar, que saiu lesionado já perto do final do jogo e foi encaminhado para o hospital. Dois problemas para Scolari resolver nos próximos dias. A certeza é que, na próxima terça-feira, haverá um Brasil-Alemanha, 12 anos depois da final de Yokohama em 2002, a única vez que as duas selecções se encontraram em campeonatos do mundo. Na altura, a história acabou bem para Scolari e para o Brasil. PÚBLICO

Mundial: Alemanha de serviços mínimos garante quarta meia-final consecutiva num Mundial

por A-24, em 04.07.14

Um golo solitário de Hummels, logo aos 13’, derrubou os franceses, que não tiveram argumentos para contornar a sólida defesa germânica.

Uma Alemanha de serviços mínimos foi suficiente para garantir a quarta presença consecutiva nas meias-finais de um Mundial e a sexta em grandes torneios, se somarmos os dois últimos europeus. O único golo da partida surgiu logo aos 13’ e foi fatídico para as ambições da França. Seria o momento de maior exaltação no Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, preenchido maioritariamente por adeptos brasileiros, mas também com muitos colombianos nas bancadas, todos em estágio para a outra partida do dia, em Fortaleza. Os germânicos souberam depois gerir a curta vantagem, com raros sobressaltos defensivos e até alguma displicência atacante.

O seleccionador Joachim Low admitira na véspera que a Alemanha ainda não tinha mostrado a sua melhor versão no Brasil e também não foi esta sexta-feira que o fez. Não é que o triunfo não tenha sido justo, premiando a equipa que mais trabalhou e melhor talento apresentou em campo para o alcançar. Mas a exibição ficou aquém daquilo que as individualidades germânicas prometem. Os franceses, diga-se, também não puxaram muito pelo adversário, nomeadamente em termos ofensivos. Quando o técnico Didier Deschamps quis mudar, já era tarde de mais. Mesmo assim, Benzema ainda testou os reflexos do guarda-redes Manuel Neuer ao cair do pano.

POSITIVO/NEGATIVO

Toni Kroos
Numa altura em que estará praticamente acertada a sua contratação pelo Real Madrid, por uma verba a rondar os 25 milhões de euros, o médio de 24 anos, tem sido uma das maiores estrelas da selecção alemã. É o recordista de passes neste Mundial e foi crucial a sua assistência para o golo que colocou a equipa nas meias-finais. Limitou ainda a acção de Pogba e simultaneamente do meio-campo francês.

Hummels
Um golo que valeu a eliminatória e uma acção defensiva recheada de intervenções providenciais.

França
Uma fraca exibição, com a equipa a acusar muito a desvantagem madrugadora. Mas, face ao passado recente, a campanha no Brasil foi meritória.

Özil
Tarda em aparecer no Brasil, pelo menos ao nível que se lhe reconhece.

Foi de bola parada que o golo solitário surgiu no início de uma tarde quente no Maracanã, mas só ao nível da temperatura atmosférica. Toni Kroos cobrou exemplarmente um livre, descaído na esquerda, com Hummels a subir mais alto do que o Varane e a bater Hugo Lloris. A bola ainda tocou na trave antes de entrar. Foi o segundo golo do defesa central neste Mundial, depois de ter também marcado na partida frente a Portugal (4-0). E o jogador esteve muito perto de voltar a fazer abanar as redes na recta final da partida (81’), mas desta vez na baliza errada.
Em desvantagem no marcador, pela primeira vez no torneio brasileiro, o conjunto francês não soube reagir. Face ao bloqueio germânico no meio-campo, procurou surpreender com um futebol mais directo, lançando a bola para as costas da defesa adversária. Valbuena esteve perto do êxito, aos 34’, mas a mão esquerda de Neuer manteve a sua baliza inviolada, tal como o faria, com a mão contrária, no tal lance de Benzema já no último suspiro dos descontos. A experiência como antigo guarda-redes de andebol continua a representar uma vantagem acrescida para o dono das redes alemãs.
Mas antes desta insípida reacção francesa, terá ficado por marcar uma grande penalidade a favorecer os germânicos, quando o lateral direito Debuchy puxou pela camisola de Miroslav Klose na área. A queda desproporcionada do avançado terá convencido o árbitro que se tratava de uma simulação.
A partida prosseguia sem grandes atractivos e, nas bancadas, para estimular um pouco o ambiente, iniciou-se um confronto de cânticos entre brasileiros e colombianos, com estes últimos a manifestarem-se corajosamente e sem cerimónias no mítico estádio carioca. No relvado, a primeira parte terminava com mais um lançamento longo, agora de Pogba (sempre muito vigiado por Kroos), que encontrou Benzema, mas o francês permitiu uma defesa fácil a Neuer.
Com obrigação de assumir o encontro, a França regressou para a segunda metade mais pressionante. Subiu as suas linhas, procurando criar alguma superioridade no meio-campo e libertar-se do bloqueio alemão, mas encontrava um muro defensivo quase sempre intransponível pela frente. A progressão parava nos derradeiros 30 metros. O conjunto de Deschamps abria, por outro lado, espaços na sua retaguarda e esteve sempre mais perto de sofrer o golpe de misericórdia do que de equilibrar o marcador.
Alguma descontracção excessiva dos germânicos no último remate acabou por manter o resultado como estava. Muller falhou ligeiramente o alvo, aos 69’, e ainda iria partilhar com o recém-entrado Andre Schuerrle (que rendeu Klose, aos 68’) a perdida mais escandalosa da tarde, aos 83’. A um cruzamento da esquerda de Ozil, Muller não acertou na bola, sobrando esta para o seu companheiro que, completamente isolado, atirou displicentemente possibilitando a defesa de Lloris com as pernas.
Com naturalidade e sem o sofrimento da partida com a Argélia, nos oitavos-de-final, a Alemanha volta a garantir presença numa meia-final. PÚBLICO

Audiências de futebol nos EUA batem recordes da NBA e do basebol

por A-24, em 02.07.14
A América sempre olhou para o futebol com um misto de indiferença e desprezo. Fiel aos seus desportos tradicionais, resistiu à sedução da FIFA com a mesma tenacidade que a imaginária aldeia gaulesa de Astérix rejeitou os avanços da romanização. Mas o novo milénio promete mudanças e a bem sucedida campanha da selecção dos EUA no Mundial do Brasil pode estar a contribuir, no imediato, para despertar uma nova paixão desportiva na nação. Os jogos estão a bater recordes de audiências e a partida com Portugal, no Arena Amazónia, em Manaus, atingiu um pico histórico de, aproximadamente, 25 milhões de telespectadores, superando as médias das últimas finais da NBA e MLB (liga de basebol). E até Barack Obama tem contribuído para o share.

As expectativas dos operadores televisivos que adquiriram o exclusivo dos jogos do Mundial, foram superadas e, ontem, antecipavam-se novos recordes para o encontro com a Bélgica, que decide o acesso aos quartos-de-final do torneio. Inesperado foi também o elevado número de americanos que decidiu ver os jogos in loco, lotando os estádios brasileiros por onde a selecção passa. No último fim-de-semana a imprensa da Bahia destacava o grande número de estado-unidenses que estavam a chegar a Salvador, para assistir ao encontro com os belgas no Arena Fonte Nova. Mais a sul, os americanos “invadiram” também o Rio de Janeiro, sendo presença assídua na praia de Copacabana, onde está instalado o ecrã gigante do FIFA Fan Fest.
Também nas principais cidades americanas, a instalação de ecrãs gigantes para emitir os jogos dos EUA está a ser um sucesso, concentrando multidões animadas de dezenas de milhares de adeptos. Mais recatadamente, o próprio presidente Barack Obama tem seguido a campanha da selecção de Jurgen Klinsmann nos relvados brasileiros. Na última quinta-feira, deixou-se fotografar a bordo do Air Force One a assistir pela televisão à partida frente à Alemanha, que terminou com a derrota dos americanos (1-0), mas confirmou o apuramento para os oitavos-de-final.
O jogo bateu um recorde em termos de retransmissão na Internet, com 1,7 milhões de espectadores online, superando a marca alcançada no Super Bowl (final da NFL, o campeonato de futebol americano, que é a modalidade mais popular no país), o evento desportivo com maior audiência nos EUA, que reuniu 111,5 milhões de telespectadores, em Fevereiro deste ano.
Esta euforia recente com uma modalidade forasteira com poucas tradições por terras do “Tio Sam” tem provocado alguma irritação e incredulidade em certos espíritos. Na última quarta-feira, a articulista Ann Coulter, famosa pelas suas posições conservadoras, gerou polémica com um artigo de opinião onde criticava duramente os adeptos americanos de soccer. Qualificando a modalidade de “desporto estrangeiro”, considerou que o interesse que estava a despertar no país só poderia indiciar “um sinal da decadência moral da nação”, associando o sucesso do soccer às alterações demográficas no país, com o crescimento das populações de origem hispânica.
“Garanto: nenhum americano cujo bisavô tenha nascido aqui está a ver futebol. Tenho a esperança de que, com o tempo, estes novos americanos, além de aprenderem inglês, percam o ‘fetiche’ pelo futebol”, concluiu, demonstrando total estupefacção pelo interesse num desporto que apelidou de “totalmente entediante”: “Se Michael Jackson tivesse tratado as suas crónicas insónias com um vídeo de um Argentina-Brasil em vez de Propofol [um sedativo usado pela antiga estrela pop, considerado responsável pela sua morte], ainda estaria vivo, apesar de aborrecido.” Opiniões qualificadas de “racistas” e intolerantes por alguns colonistas do jornal New York Times e das revistas Times e Forbes nos dias seguintes.
A consternação de Ann Coulter contrasta com o optimismo da FIFA, que acredita estarem lançadas as bases para a afirmação definitiva do futebol (versão europeia) na América. “Esta impressionante alta no interesse nos EUA é um verdadeiro ‘divisor de águas’ para o Campeonato do Mundo e para o futebol”, garantiu Niclas Ericson, director da TV FIFA, em declarações ao siteoficial do organismo: “Estamos entusiasmados por ver a maneira com que os adeptos americanos estão a receber, como nunca antes, o Mundial.”
O responsável destacou ainda as audiências expressivas verificadas na Ásia, na Europa e em outras paragens do continente americano, acreditando que este torneio poderá ser o mais popular da história no que diz respeito às transmissões televisivas. No Brasil, o jogo de abertura, entre a selecção da casa e a Croácia, no dia 12 de Junho, foi o evento desportivo mais visto nos ecrãs, em 2014, com 47,4 milhões de telespectadores. Um registo que não foi superado, até ao momento, por nenhum dos restantes jogos da “canarinha”, incluindo a dramática eliminatória dos oitavos-de-final com o Chile, resolvida nos penáltis. PÚBLICO

Di Maria resolve no minuto 118; Argentina tremeu mas já está nos quartos-de-final; Bélgica sofreu do mesmo para passar.

por A-24, em 01.07.14
Argentina 1-0 Suíça (Di Maria 118' a.p.)

Tremido, como tem sido praticamente todos os jogos destes oitavos-de-final, mas com um golo de Di Maria no prolongamento (exibição incrível do médio/extremo do Real) a Argentina bateu a Suíça por 1-0 e já está nos quartos-de-final. O encontro foi dividido, mas a Albiceleste, que com esta vitória dá sequência ao que tem acontecido nesta fase, com as 7 equipas que venceram os grupos a ultrapassarem os seus adversários, principalmente pelo que fez na 2ª parte e no prolongamento, mereceu a vitória.


Quanto à partida, na 1ª parte houve mais Suíça. Os suíços conseguiram condicionar o jogo da Argentina (não teve uma oportunidade) e ainda criaram duas oportunidades claras para marcar, 1º Xhaka num canto depois de uma boa jogada de Shaqiri permitiu a defesa a Romero, depois foi Drmic isolado a oferecer a bola ao guardião argentino com um chapéu falhado. No 2º tempo, o jogo mudou. A Albiceleste apareceu mais intensa, a profundidade que Rojo deu foi importante, e teve muito volume ofensivo. No entanto, Rojo, Di Maria e Messi nunca conseguiram superar Benaglio. No prolongamento, a capacidade física de Di Maria acabou por fazer a diferença, o argentino que cansou de ver correr, fartou-se de desequilibrar, insistiu, rematou muito, nem sempre decidiu bem, mas ia perdendo os duelos com Benaglio. Curiosamente quando parecia que os penaltis eram inevitáveis, Messi numa grande jogada isola Di Maria e o craque do Real descaído sobre a direita fez o 1-0. Estávamos no minuto 118, mas o jogo ainda tinha mais história. Primeiro Dzemaili atirou ao poste quando estava em boa posição, depois foi Shaqiri, no último lance do encontro, a desperdiçar um livre, que tinha tudo para ser perigoso, à entrada da área.




Destaques

Di Maria - Às vezes até foi excessivo nas suas acções individuais, mas a intensidade e velocidade que ele emprestou ao futebol da Argentina foi impressionante. Mereceu sem dúvida ter sido o herói da partida e depois do que fez no Real Madrid, quem não se lembra da final da LC, até ficamos chocados quando vemos na imprensa espanhola possibilidade dos merengues abdicaram do argentino para contratarem James (além de serem jogadores totalmente diferentes, o ex-Benfica tem uma intensidade no momento ofensivo e defensivo muito mais útil para os Blancos).

Argentina - O futebol não encanta, Messi hoje além da assistência e de uma excelente jogada no minuto 77 (em que driblou alguns elementos e obrigou Benaglio a uma excelente defesa) também fez pouco, mas o que conta são os resultados, e este susto até deve dar mais força à Albiceleste. A nível individual, continua a ser estranho ver Gago no 11, voltou a aparecer muito pouco, Lavezzi também não fez esquecer Aguero enquanto que Zabaleta está a milhas do que apresenta no City (praticamente não deu profundidade). No entanto, Rojo, que viu amarelo e vai falhar a partida dos quartos-de-final, compensou com mais uma bela exibição (nem sempre cruzou bem, mas envolveu-se muito no momento ofensivo e com a sua presença deu mais largura à equipa), Mascherano também esteve implacável nas tarefas defensivas, enquanto que Romero, até ao momento tem dito sempre presente quando foi chamado a intervir (hoje esteve perto de cometer uma falha, mas por enquanto ainda está com o registo limpo).
Suíça - Com outra eficácia na 1ª parte o resultado final podia ter sido totalmente diferente, mas o futebol não é feito de "SE's", e apesar da boa réplica os suíços despedem-se da competição nos oitavos-de-final. E esta exibição dos helvéticos nem devia surpreender, não podemos ignorar que estamos perante um conjunto que foi cabeça de série no sorteio e que conta com algumas unidades de grande nível. Uma delas, Shaqiri, voltou a estar em evidência. Foi sempre uma dor de cabeça para a defesa argentina, e sai desta competição em alta (vai ter mercado de sobra para deixar de ser suplente em Munique). Outro elemento que se valorizou foi Ricardo Rodriguez, ele que é um dos laterais esquerdos da moda, o jogador do Wolfsburgo, principalmente pela sua qualidade técnica (com o decorrer do jogo sofreu um pouco defensivamente), mostrou-se em várias jogadas e deixa o Mundial como um dos melhores na sua posição. No entanto, além de Benaglio (que fez várias defesas de bom nível), hoje o grande destaque da Suíça foi Behrami. O médio do Nápoles encheu o campo, esteve muito forte no capítulo defensivo, e com a sua presença conseguiu condicionar o jogo argentino.


Bélgica 2-1 Estados Unidos  (a.p.)

Foi uma luta difícil, mas a Bélgica venceu os Estados Unidos por 2-1 esta terça-feira e qualificou-se para os quartos-de-final do Mundial.
A Bélgica forçou o golo, mas encontrou quase sempre a oposição de Tim Howard, que encheu a baliza durante os noventa minutos e empurrou o jogo para o quinto prolongamento deste Mundial.
Mas a “estrela” do guardião norte-americano tinha prazo de validade. Na primeira oportunidade após o tempo regulamentar, Kevin De Bruyne fez o primeiro golo que a Bélgica tanto procurou. Lukaku, que tinha acabado de entrar, recuperou uma bola na direita, entregou a De Bruyne que, desta vez, não falhou.
A contagem estava aberta e tudo ficou mais fácil. Papéis invertidos, com Lukaku (105’) a concluir um contra-ataque conduzido por De Bruyne, dilatando a vantagem.
Logo a seguir, Julian Green, que também tinha acabado de sair do banco, ainda reduziu para os EUA, relançando a partida, mas a vitória já não fugiu aos belgas. PÚBLICO

Mundial: França e Alemanha nos quartos de final

por A-24, em 30.06.14


França 2-0 Nigéria (Pogba 79' e Yobo a.g 90'+2)


Não foi fácil. A Nigéria chegou a estar por cima, mas os franceses conseguiram confirmar o favoritismo e ficam à espera do vencedor do Alemanha-Argélia. Foi um erro de Enyeama que permitiu a Pogba desbloquear o marcador num jogo em que a França apresentou muitas lacunas no último passe. A Nigéria mostrou ser uma equipa madura e bem organizada, mas acusou o desgaste na recta final do encontro. A dupla Musa-Emenike voltou a ser um quebra-cabeças para os adversários e sai deste Mundial muito valorizada.

A Nigéria conseguiu equilibrar o jogo contra uma das equipas mais fortes da fase de grupos. A equipa surgiu concentrada e bem posicionada, conseguindo travar a dinâmica do meio campo francês durante um largo período. Só quando Pogba e Matuidi conseguiam ultrapassar Mikel e Onazi é que a turma de Deschamps conseguia criar perigo, e num desses lances o médio da Juventus viu Enyeama negar-lhe o que seria um grande golo. Do outro lado, Musa e Emenike deixaram a defensiva francesa em sentido. Os nigerianos até bateram Lloris, mas o golo de Moses foi invalidado por um fora de jogo no limite. Na segunda parte, a França entrou com uma atitude muito passiva e os africanos, mais acutilantes, superiorizaram-se e podiam ter marcado (Lloris esteve atento). A mudança no jogo deu-se com a entrada de Griezmann e a passagem de Benzema para a zona central. Os europeus voltaram ao comando da partida e chegaram à vantagem na sequência de um canto, com Pogba a aproveitar um mau alívio de Enyeama. Já em cima do final, Yobo fez um auto-golo quando Griezmann se preparava para marcar.


França - Foi a pior exibição até ao momento, muito por culpa de Deschamps. A opção inicial, com Giroud e Benzema, não deu resultado ofensivamente (fez falta um jogador como Griezmann a aparecer entre linhas) e prejudicou a equipa defensivamente, já que o jogador do Real Madrid não defendeu e permitiu a Ambrose ter uma auto-estrada no flanco direito. O técnico francês foi a tempo de corrigir o erro, mas fica o aviso para a próxima eliminatória. Individualmente, Pogba fez uma exibição algo intermitente mas quando aparecia no jogo fazia a diferença com a sua capacidade de passe e transporte, tal como Matuidi. Benzema fez o jogo menos conseguido, aparecendo menos e cometendo muitos erros no passe. Valbuena esteve em bom plano e foi mesmo o elemento que esteve mais assertivo no último terço. Defensivamente, para além da segurança de Lloris, Varane e Koscielny fizeram uma exibição impecável, bem como Debuchy, que sempre que se integrava no ataque criava desequilíbrios. Evra sofreu bastante com a velocidade dos nigerianos, muito por culpa da falta de apoio de Benzema.

Nigéria - Excelente réplica dos africanos. Se não fosse o erro de Enyeama (não merecia e até fez várias defesas espectaculares) até podiam ter conseguido o prolongamento. Keshi montou bem a equipa, conseguindo anular durante a maior parte do encontro as subidas dos laterais franceses (Musa e Moses estiveram bem nas tarefas defensivas), pressionando a saída de bola e aproveitando a superioridade numérica no corredor direito para criar perigo. Ambrose fez um grande jogo, apoiando muito bem o ataque. A dupla Musa-Emenike voltou a causar imensas dificuldades ao adversário com a sua potência, velocidade e, ao contrário de muitos jogadores africanos, boa capacidade de decisão. Odemwingie também surpreendeu, recuando bastante e dando critério à posse de bola da equipa.




Alemanha 2-1 Argelia (a.p,)

Não estava nas previsões, mas a Argélia deu muito trabalho à Alemanha, a ponto de ter pairado a hipótese de uma enorme surpresa. Os germânicos precisaram de um prolongamento para vencer os argelinos (2-1) e seguirem para os quartos-de-final, fase em que vão defrontar a França.
Depois de 90 minutos sem golos, Schurrle quebrou a resistência da Argélia, ao marcar logo no início do prolongamento. O jogador do Chelsea marcou de calcanhar, após um cruzamento de Müller.
No penúltimo minuto do prolongamento, Özil marcou o segundo golo e logo a seguir Djabou reduziu para a Argélia.
Com a vitória por 2-1, a Alemanha garante pela 15.ª vez seguida a presença entre os oito melhores de um Mundial de futebol.