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A-24

A Nova Guerra Fria: Os valores tradicionais da Rússia contra a corrupção geral do Ocidente

por A-24, em 07.06.14
BD.- Vladímir Putin, como defensor de valores tradicionales, lidera la lucha ideológica contra el “corrupto Occidente” y sus “crímenes morales”, según el analista político Patrick J. Buchanan, que se pregunta “de qué lado está Dios” en esa confrontación.

En su blog, Buchanan, que fue consejero de los presidentes estadounidenses Richard Nixon, Gerald Ford y Ronald Reagan, citó el reciente discurso del mandatario ruso sobre Crimea en el que mencionó que “en Crimea, casi todo está literalmente impregnado con nuestra historia y orgullo comunes” y subrayó que allí, en el antiguo Quersoneso, fue bautizado el príncipe Vladímir que dio inicio a la fe ortodoxa en la antigua Rus de Kiev. Su hazaña espiritual, continuó Putin, definió el fundamento común cultural, como civilización y de valores, que une a los pueblos de Rusia, Ucrania y Bielorrusia.

Ese discurso le recordó a Buchanan a otro discurso presidencial ante la Asamblea Federal el año pasado, en el que el líder ruso hablaba de la oposición rusa al decadente Occidente. “Muchos países europeos se han desviado de sus raíces, incluyendo los valores cristianos; los matrimonios entre personas del mismo sexo están al mismo nivel que las familias numerosas, así como la fe en Dios y la adoración de Satanás, ese es el camino a la degradación”, dijo Putin.
Buchanan destaca la dura postura de Putin sobre este tema. El presidente ruso cree que se ha desatado una nueva lucha ideológica entre un Occidente corrompido liderado por EE.UU. y un mundo tradicionalista que Rusia se sentiría orgullosa de encabezar. En la nueva guerra de creencias, escribe Buchanan, Putin asegura que “es Rusia la que está del lado de Dios, mientras que Occidente es Gomorra”. A pesar de la ola de críticas por parte de líderes occidentales, Putin sabe exactamente lo que está haciendo y sus afirmaciones sobre valores morales “tienen un linaje venerable”.
Putin considera que Moscú es “una ciudad divina”, la Tercera Roma, y “puesto de mando de la reformación contra el nuevo paganismo”. La primera Roma fue la ciudad santa y sede del cristianismo que cayó ante Odoacro y sus bárbaros en el año 476 d.C. La segunda Roma fue Constantinopla, Bizancio (actual Estambul), que cayó ante los turcos en 1453. Moscú se considera la ciudad sucesora de Constantinopla, o la Tercera y última Roma.

“Putin hace frente a la ‘cultura de la muerte’ de Occidente”

Buchanan menciona que Putin no sólo se opone abiertamente a la búsqueda de la hegemonía global de EEUU, no sólo trata de proteger a los ciudadanos de habla rusa de la antigua Unión Soviética que fueron olvidados después de su disolución, sino que también se ha unido a la resistencia global contra “la propagación de la revolución secular y social hedonista de Occidente”.
En la guerra cultural para el futuro de la humanidad Putin pone la bandera rusa en el lado del cristianismo tradicional. Sus últimos discursos se hacen eco del discurso de Juan Pablo II, cuyo Evangelium Vitae de 1995 contiene duras críticas a Occidente por su adopción de la “cultura de la muerte”, escribe el experto político.
Para el papa Juan Pablo II el crimen moral fue la capitulación de Occidente ante la revolución sexual con sus dudosos logros: el divorcio temprano, la promiscuidad sexual, la pornografía, la homosexualidad, el feminismo, el aborto, el matrimonio entre homosexuales, la eutanasia, “los valores cristianos sustituidos por los valores de Hollywood”.
Masha Gessen, autora de un libro sobre Putin, dice que “Rusia se está rehaciendo a sí misma como el líder del mundo antioccidental”. Pero Buchanan subraya que la guerra contra Occidente no se lleva a cabo a través de misiles, sino que es una guerra cultural, social, moral, donde el papel de Rusia, según Putin, es “evitar los movimientos hacia atrás y hacia abajo, en la oscuridad caótica y el retorno a un estado primitivo”.
“Mientras que otras superpotencias se mueven hacia la visión pagana del mundo, Rusia defiende los valores cristianos. Durante la era soviética, los comunistas occidentales acudieron a Moscú. Este año, el VII Congreso Mundial de las Familias se llevará a cabo en Moscú”, escribió el líder del dicho congreso, Allan Carlson.

Consumo de álcool em Portugal continua dos mais elevados da Europa

por A-24, em 12.05.14
A média de consumo de álcool em Portugal desceu de 14,4 para 12,9 litros per capita entre 2003 e 2010, mas continuava acima da média europeia de 10,9 litros, segundo um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Segundo os dados do documento, divulgado esta segunda-feira, Portugal mantém-se entre os 10 países da Europa com mais consumo de álcool médio por pessoa, numa lista com 44 países.
A Bielorrússia surge como o país com maior consumo, com uma média de 17,5 litros de álcool per capita, seguida pela Moldávia, com 16,8 litros e da Lituânia com 15,4.
Em Portugal, a média de consumo per capita passou de 14,4 litros no período 2003-2005 para os 12,9 litros entre 2008-2010, uma redução de 1,5 litros per capita.
Também a média europeia decresceu no mesmo período, passando de 11,9 litros para 10,9, mas a Europa continua a ser a região do globo onde o consumo é mais elevado.
Os homens portugueses consomem em média o dobro do que as mulheres, respetivamente com 18,7 litros per capita e 7,6 litros, segundo os dados do relatório, que reportam a 2010.

Números mais recentes, de 2012, são os relativos à influência do álcool nos acidentes rodoviários: 17,2 em cada 100 mil homens portugueses 4,8 em cada 100 mil mulheres morrem na estrada devido ao álcool.
No que respeita à prevalência de distúrbios ligados ao álcool e a situações de dependência, Portugal surge abaixo da média europeia.
Os dados de 2010 mostram que 5,8% da população portuguesa acima dos 15 anos manifestava distúrbios ligados ao álcool e que 3,1% tinha dependência.
Quanto ao tipo de bebida, em Portugal o vinho continua a representar 55% do álcool consumido, seguindo-se a cerveja com 31%, as bebidas espirituosas com 11% e outro tipo não especificado de bebidas com 3%.
Apesar de surgir, no conjunto dos países da Europa, com um elevado consumo per capita, Portugal tem também um grande número de abstémios, com 43% da população a não ter consumido álcool nos 12 meses anteriores.

Por as coisas em perspectivas

por A-24, em 06.05.14
Via Blasfemias

Às vezes dá-me para isto: olhar para os números, fazer umas contas, e ver como elas coincidem, ou não, com algumas narrativas dos tempos correntes.

Primeira conta: quanto nos custou a austeridade?

Quem leia os jornais ou veja televisão achará que o país está mais pobre do que nunca e que a nossa austeridade foi a pior de todas, porventura com excepção da grega. Vamos então ver quanto é que o rendimento nacional caiu desde o último ano sem crise, 2007. Os números são os seguintes, começando pelos países onde a recessão foi maior (base de dados AMECO):

Grécia     -20,96%
Luxemburgo     -14,65%
Irlanda     -10,26%
Croácia     -9,85%
Itália     -9,22%
Islândia     -9,18%
Eslovénia     -6,40%
Lituânia     -6,13%
Portugal     -6,01%
Finlândia     -4,54%
Espanha     -4,32%
Reino Unido     -2,65%

Ou seja, há oito países onde o rendimento nacional bruto caiu mais do que em Portugal no período que vai do início de 2008 ao fim de 2013. Seis por cento é bastante, mas menos do que se imaginaria face à temperatura do debate pública. E é, sobretudo, menos do que o sofrido por outros países onde a troika nem chegou a pousar.

O que me leva à segunda conta: o que é nos aconteceu desde que entrámos no terceiro milénio? Ou seja, desde 2000. Os números, e a ordanação dos países, ficam bem diferentes:

Itália     3,14%
Portugal     3,37%
Grécia     8,12%
Luxemburgo     10,47%
Dinamarca     15,45%
Holanda     17,12%
França     18,54%
Bélgica     19,17%
Malta     22,56%
Alemanha     22,68%
Espanha     25,30%
Islândia     25,67%

Agora Portugal já é o segundo pior. No período que vai de 2000 a 2013 só a Itália cresceu menos do que nós. O que significa que, se calhar, os nossos problemas não derivam só, nem sobretudo, da austeridade recente. Têm raízes mais antigas.

Chegou assim à terceira conta: e o que foi que aconteceu até a crise estalar no final de 2007? Aqui estão os números para o período que vai do início de 2000 ao final de 2007:

Portugal     9,97%
Noruega     13,09%
Itália     13,61%
Estados Unidos     15,13%
Malta     16,86%
Alemanha     17,06%
Bélgia     17,43%
França     17,82%
Dinamarca     17,98%
Holanda     19,93%
Áustria     21,83%
Suíça     23,38%

Aqui é que se vê o nosso real problema: no tempo em que o crédito era barato, em que o investimento público era abundante, em que os pensionistas e os funcionários públicos não se queixavam, em que o país inteiro andava a comprar casa e a trocar de carro, ou a encomendar o novo plasma, a economia não crescia. Nem com SCUT\u2019s, nem com estádio do Euro 2004, nem com capitais da cultura a economia era capaz, se quer, de acompanhar o ritmo das outras economias europeias. Foi nessa altura que ficámos em último lugar \u2013 não foi com a austeridade.

É bom ver as coisas com algum sentido de perspectiva.

EUA aceitam a divisão da Ucrânia

por A-24, em 23.04.14
Da Russia

Os dirigentes das diplomacias russa e norte-americana, respectivamente Serguei Lavrov e John Kerry, encontraram-se em Paris para discutir a complexa situação na Ucrânia e acordaram tomar medidas para abrandar a situação na região no campo da segurança e da política.
Além de defenderem a realização de uma ampla reforma constitucional naquele país, Moscovo e Washington, segundo a agência russa Ria-Novosti, defenderam a federalização da Ucrânia, frisando, porém, que só aos ucranianos pertencerá a última palavra.
Antes desta reunião, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia respondeu assim à proposta russa de federalização: “Porque é que a Rússia não preenche o federalismo, que, a propósito, está fixado no nome oficial do estado, com um conteúdo real, e não apenas declarativo?”
Segundo a diplomacia ucraniana, “O tom de ultimato e se sermão mostra que ao verdadeiro agressor, à Rússia, não interessa qualquer regularização. Esse agressor exige apenas uma coisa apontado os canos das suas metralhadoras:a capitulação total da Ucrânia, a sua divisão e a destruição do estado ucraniano”.
Washington parece não ter ouvido esse apelo, bem pelo contrário. Pelo vistos, John Kerry acredita que Washington e Moscovo têm o mesmo conceito de federação, embora seja difícil acreditar que ele não saiba que, por exemplo, a República da Tartária não tem qualquer tipo de autonomia na Federação da Rússia e nem sequer pode sonhar com o estatuto de qualquer estado norte-americano.
Como é sabido, recentemente, Victor Ianukovitch, ainda Presidente da Ucrânia para alguns, defendeu a realização de referendos em cada região ucraniana para definir o seu estatuto no seio desse país.
Os dirigentes do actual governo de Kiev, bem como políticos de peso como antiga primeira-ministra Iúlia Timochenko, estão completamente contra essa proposta, pois consideram, e com razões para isso, que esse será mais um passo rumo à desintegração da Ucrânia.
O chamado Ocidente, depois de engolir a anexação da Crimeia pela Rússia, tenta apaziguar o Kremlin, cedendo em questões tão importantes como a futura estrutura estatal da Ucrânia. E envereda pelo caminho mais perigoso, que é permitir que, no futuro, regiões do Sul e do Leste do país “adiram voluntariamente” ou “reforcem os laços fraternais com a Rússia”.
Acredito piedosamente nas promessas de Vladimir Putin de que não tenciona enviar tropas para o território ucraniano, pois, por enquanto, não precisa de fazer isso, basta-lhe incentivar o separatismo quando necessário. O pretexto será sempre o mesmo: “defender os direitos dos russófonos e dos russos”. Além disso, com a federalização do país, que Moscovo não quer que seja igual à da Federação da Rússia, país que nada tem de federal, as elites regionais terão o direito de opção. E logo que alguma coisa não agrade ao Kremlin, este irá levantar o barulho do costume e repetir as experiências da Ossétia do Sul, Abkházia e Crimeia.
Se o chamado Ocidente já engoliu essas pílulas amargas, pode engolir ainda mais. Tanto mais que alguns dos “pequenos chacais” que fazem parte da União Europeia: Roménia, Hungria e Polónia, até poderão roubar também o seu pedaço. A Ucrânia poderá ficar reduzida à sua parte central.
A História mostra que esta política de cedências deu sempre maus resultados, mas parece que os actuais diplomatas não são fortes nessa disciplina.

Ucrânia: As perguntas certas

por A-24, em 14.04.14
Via Da Rússia

"Os mais recentes acontecimentos em solo ucraniano lançaram o espectro da guerra civil no país entre, por um lado, a facção pró-Rússia, concentrada sobretudo no Leste e Sul do país, e a facção revoltosa, empossada como governo legítimo por uma parte da comunidade internacional.


Mas a quem é que interessa uma guerra civil ucraniana?

Afirmação do poder na ordem interna
Presentemente, e como é do conhecimento público, as autoridades saídas da revolta da Maidan estão a afirmar, pela força, a sua opção política e o seu poder, quer através da criteriosa eliminação de elementos-chave das facções “incómodas” aliadas ao poder, quer através da detenção (ou rapto) dos contestatários à presente ordem “constitucional” sob a acusação de promoverem “actividades ilegais relacionadas com separatismo, organização de distúrbios e atentado à saúde de terceiros”, como o refere o Ministério do Interior ucraniano.

Da mesma forma que efectuam estes “ataques cirúrgicos”, as novas autoridades usam a força, ou a ameaça do seu emprego, para impor uma pretensa unidade nacional – que é inexistente – e a segurança da integridade territorial do país, país esse, obviamente, submetido aos critérios e opções dos revoltosos, sem qualquer possibilidade de contestação ou discussão de uma eventual alteração da Constituição e da estrutura política do país.


Os ataques aos contestatários do Leste por parte dos facciosos do Oeste poderão espoletar, de facto, uma guerra civil, mas isso, à partida, beneficiaria sobretudo a facção que tomou o poder em Kiev, isto é, a facção Ocidental.

Ao contrário do anterior poder ucraniano, as novas autoridades de Kiev não hesitam em usar forças especiais fortemente armadas para contestar e retomar aos “revoltosos” do Leste os edifícios governamentais que estes ocuparam, nomeadamente em Kharkov. Tais “operações anti-terroristas” têm total aprovação por parte dos mesmos elementos da comunidade internacional que criticaram fortemente as “operações anti-terroristas” lançadas pelo anterior governo contra os revoltosos violentos que acabaram por tomar o poder em Kiev.
Como seria de se esperar, estas acções armadas não reúnem o consenso em Kiev. Hoje mesmo o líder do Partido Comunista ucraniano, Petro Symonenko, elevou os ânimos na Rada ao afirmar, referindo-se à ocupação de edifícios no Leste, que os nacionalistas tinham criado esse precedente no início deste ano ao tomar de assalto edifícios do governo um pouco por todo o centro e Oeste da Ucrânia, e que agora, grupos armados atacavam pessoas que procuravam afirmar os seus direitos pela via pacífica, reforçando ainda as suas afirmações dizendo que o actual governo “faz tudo por intimidar as pessoas, efectua prisões e combate todos aqueles que têm uma opinião diferente da sua”. Naturalmente, e de forma bastante “democrática”, Symonenko foi expulso pela força do palanque de onde discursava por deputados do Svoboda.
Às novas autoridade ucranianas também interessa provocar confrontos que levem a uma eventual intervenção militar russa, ou ameaça, real ou imaginária, de intervenção. Isso servirá de arma política extra para apressar uma intervenção da NATO e da UE no país e cimentar, com a ajuda armada estrangeira, um poder que é intensamente contestado na ordem interna.

Cofres e gás
Uma das causas mais profundas da crise ucraniana – talvez a mais profunda – é a incapacidade que o país tem revelado em reerguer a sua economia. Durante anos, esta foi mantida artificialmente à tona por via da ajuda de Moscovo, que não só concedia empréstimos como fornecia gás natural muito abaixo do preço praticado a outros países. Evidentemente, não há almoço grátis e a Rússia esperava, legitimamente, obter benefícios políticos e económicos por parte de Kiev. Contudo, o volte-face verificado na Ucrânia e a tomada do poder por uma facção fortemente hostil à Rússia deitou por terra tais expectativas.

De momento, e num futuro a médio (10 anos) ou longo prazo, a economia ucraniana não reúne condições para se reerguer. A Rússia, já se viu, irá ser a principal perdedora, pois dificilmente irá recuperar o investimento feito a não ser, eventualmente, numa situação de federalização do país, com a metade Leste e Sul - mais desenvolvida - a cooperar estreitamente com Moscovo. Mas na emergência de uma guerra civil, as estruturas produtivas destas regiões poderão ser destruídas e a sua recuperação será ruinosa. Nada que perturbe o Oeste, que só poderia contar com tais unidades produtivas numa situação de absoluto controlo das mesmas, ou o “Ocidente” (leia-se UE), que nunca terá verdadeiramente contado com essas empresas para investir na Ucrânia, ou seja, para encetar um programa de “reestruturação económica” similar ao criado para “auxiliar” Portugal e a Grécia.


Com o “fecho da torneira” do gás subsidiado e o fim dos empréstimos concedidos pela Rússia, o único país com verdadeiro interesse em empenhar dinheiro na Ucrânia pois os outros, até ao momento, apenas anunciaram intenções, é duvidoso que a Ucrânia recupere economicamente para um nível sequer aproximado ao do existente antes do início dos protestos na Maidan.
Contudo, numa situação de guerra civil, a intervenção da comunidade internacional que está do lado da facção do Oeste terá de ser real pois “a NATO e a EU não podem deixar o país ficar dividido como a Alemanha” nem “deixa-lo ficar sob a alçada de Moscovo”. Enterrar copiosas quantidades de dinheiro nos cofres de Kiev poderá ser a tábua de salvação para o novo regime o qual, face à escassez, poderá sempre invocar que “a culpa é dos moskali”.

Em jeito de conclusão

A tomada do poder por parte dos revoltosos da Maidan foi uma violação da ordem constitucional da Ucrânia que abriu a Caixa de Pandora de todas as reivindicações no país. A afirmação de uma ideologia chauvinista e etnicamente definida, violentamente hostil não só a um país vizinho como a 1/3 da população do seu próprio país, bem como a assumpção de uma identidade nacional “ucraniana” exclusivista que a retira ao “outro”, provocou uma crise de enormes proporções no segundo maior país da Europa.
Contudo, tal como acontece com qualquer novo poder, há sempre a necessidade de afirmação, quer na ordem interna, quer na externa. Derivado do apoio internacional que precedeu as manifestações na Maidan, as novas autoridades ucranianas, cuja legitimidade é duvidosa, adquiriram-na de imediato, ainda antes de serem poder, pelo menos para uma parte da comunidade internacional. No entanto, o que é verdade (parcial) na ordem externa não o é na ordem interna, onde subsiste a contestação.
Privados, logo à cabeça, da “jóia da coroa” estratégica que era a Crimeia, as novas autoridades lutam agora para afirmar o seu poder – usando a força armada – no que resta do seu território, mau grado os anseios de parte da população que não se revê no novo poder.
Simultaneamente, a braços com uma bancarrota, o novo poder de Kiev sabe que, tendo mordido na mão que alimentava o país, terá de captar novos investidores. Nada como provocar uma emergência para captar rapidamente esses fundos.

Ao provocarem confrontos com uma comunidade que é retratada, quer para a metade Oeste do país, quer para parte da comunidade internacional, não só como alógena como constituinte de uma “5ª coluna”, os revoltosos de Kiev esperam obter a “legitimidade” para, mais uma vez, usar a violência para atingir os seus objectivos. Ao mesmo tempo adquirirão o estatuto de vítimas, reais ou potenciais, de uma intervenção armada russa “que viola o Direito Internacional”, podendo assim obter, de forma pronta e desabrida, a ajuda militar e económica de que presentemente carecem.

Parece assim claro que uma guerra civil, com todo o seu cortejo de horrores, beneficiará apenas a facção actualmente no poder em Kiev, e o Ocidente, mais uma vez, demonstrará nada ter aprendido com a História, podendo vir a colher os amargos frutos da sua semeia."

"Nobody expects the spanish inquisition"

por A-24, em 31.03.14
João Quadros

Segundo uma reportagem do "Expresso", Luís da Silva Canedo, português de 53 anos, emigrante em França há mais de 30, é candidato à autarquia de Perpignan, pela Frente Nacional de Marine Le Pen. Isto é como a história do judeu neo-nazi ou dos deputados homossexuais que votam contra a co-adopção.



Segundo uma reportagem do "Expresso", Luís da Silva Canedo, português de 53 anos, emigrante em França há mais de 30, é candidato à autarquia de Perpignan, pela Frente Nacional de Marine Le Pen. Isto é como a história do judeu neo-nazi ou dos deputados homossexuais que votam contra a co-adopção.

O candidato português da FN diz que não vê qualquer inconveniente em concorrer por um partido que é contra os direitos de voto de cidadãos europeus nas eleições francesas. "Eu falei-lhes nisso quando as listas foram elaboradas, mas tudo na FN está em mudança e essa posição vai mudar", diz Luís Canedo, que está em França a trabalhar como anjinho, presumo eu. Portanto, o Luís vai fazer campanha, e votar, num partido que, se ganhar, prometeu que lhe tirava o direito de votar, mas não tem importância porque eles lhe disseram que não vão cumprir o que prometeram. É isso, Luís. Na pior das hipóteses, vai haver uma votação em que ele já não participa. E, neste caso, não podemos levar a mal que isso aconteça. Lembrem-me de gritar - Canedo! - três vezes sempre que alguém falar da problemática da emigração e da fuga de cérebros.

Luís, que nunca pediu a nacionalidade francesa (sabia lá que vinham aí esses malucos do Le Pen), diz que aceitou participar na lista "porque a cidade está a ser invadida por árabes, o islamismo está a destruir as nossas convicções católicas." Está visto que o Senhor Canedo é facilmente influenciável. Os da Le Pen convencem-no a votar contra si próprio. E agora, o islamismo, só por si, está a destruir as "convicções católicas" do pobre Luís: "Vê-se que eles rezam muito mais que nós, estamos em clara desvantagem. Aquilo das setenta e tal virgens, em vez de um paraíso com almas, que eu nunca percebi bem o que era, não sei, não." Não lhe mostrem o hinduísmo que ele passa-se.

Diz Luís Canedo de Gaia: "A nossa cidade (Perpignan) está a ser invadida por árabes. Em certas cidades francesas, há mais mesquitas do que igrejas." Isto é a Gaiola Dourada em versão Leni Riefenstahl.

O que o Canedo não sabe, nem desconfia, é que ao mesmo tempo, o candidato Mohamed Gairban da FN (prometeram-lhe que não ia cumprir a promessa de retirar voto a cidadãos não nascidos em França) diz: "Isto está cheio de tugas. Gente que nem de ex-províncias francesas veio. O meu avô nasceu na Argélia e diz que qualquer dia temos portugueses na selecção francesa. Imagine que, em certas cidades francesas, há mais camisolas do CR7 que do Karim Benzema."

Luís está convencido de que Marine Le Pen é uma moderada. "Ela não tem nada que ver com o pai, esse sim é contra a presença de europeus nas listas da Frente Nacional" - esse racista! E acrescenta: "Eu já fui socialista, mas eles desiludiram-me..."... foram incapazes de apostar na xenofobia.

Luís termina dizendo : "É preciso um grande sobressalto em França e na Europa, é preciso que a FN ganhe pelo menos uma vez em França para toda a gente se dar conta que tudo tem de mudar." Aqui o Luís é capaz de ter razão. Se a FN tiver um grande resultado nas eleições europeias, isto é capaz de abanar. Homem para homem não deu, vai ser uma mulher a assustar a Merkel.

A estupidificação da Europa

por A-24, em 30.03.14
Via Perspectivas

Na Bélgica, quem não é, hoje, favor da eutanásia livre e "à vontade do freguês", é considerado retrógrado, da direita, e/ou conservador — epítetos que são considerados sinónimos. Por este andar e por absurdo que seja, se se defender na Europa, um dia destes, a existência de campos de exterminação em massa para velhos e deficientes, quem for contra eles é democraticamente reaccionário, retrógrado e conservador. A História repete-se.

À medida que a esquerda radicaliza, o centro vai virando à esquerda que há vinte anos não era tão radical como é hoje. Na Europa, quem for defensor da vida humana intra-uterina é hoje considerado um troglodita pelas elites políticas (nacionais e internacionais) do leviatão europeu (leia-se, União Europeia), e a tal ponto que o "Papa ambíguo" toma posições relutantes e ambivalentes acerca do aborto.

"Troglodita" é hoje o superlativo absoluto simples de "conservador": é uma criatura que ainda habita na caverna de Platão — porque o europeu moderno, democrático, progressista e de vistas largas há muito tempo que viu a luz.
Até em Portugal, o "cota" socialista Manuel Alegre referiu-se a quem não concorda com o "casamento" gay e com a adopção de crianças por pares de invertidos como sendo um "conservador" no sentido de troglodita.
Depois, esta gente estranha que surjam fenómenos políticos como o da Front Nationale de Marine Le Pen.
É que o radicalismo de esquerda foi já tão longe na Europa que quem defenda hoje o aborto apenas e só até às 10 semanas de gravidez é considerado um "cota" moderado, um indivíduo do "centro político". À medida que a esquerda radicaliza, o centro vai virando à esquerda que há vinte anos não era tão radical como é hoje. Hoje, um indivíduo que se diga "do centro" político aproxima-se das posições políticas (na cultura) do Bloco de Esquerda do tempo da sua fundação.
Depois, esta gente vem dizer que a Front Nationale de Marine Le Pen é de "extrema-direita". Pudera! As pessoas não se dão conta de que o epíteto de "extrema-direita" surge em função do actual fenómeno de radicalização extrema à esquerda que aconteceu progressivamente na Europa nos últimos 15 anos.
Um dia destes, e por este "andar hegeliano", um indivíduo que defenda a vida humana intra-uterina será metido na prisão por ser de "extrema-direita". Em alguns países da Europa, pelo simples facto de se defender publicamente o casamento natural (entre um homem e uma mulher), já se pode ser levado a tribunal e condenado por "crime de ódio".
Em suma, a Front Nationale de Marine Le Pen é o que a elite política desta Europa merece. Não merecem outra coisa. Para radical, radical e meio.

Ainda os resultados da FN nas autárquicas francesas

por A-24, em 26.03.14
João Vaz

Perante os resultados das autárquicas em França, que proporcionaram bons resultados à FN e à direita em geral, a comunicação social e os bem-pensantes reagem com a habitual falta de carácter e desprezo pela vontade popular. Dizem que "a França está chocada". Isto, além de configurar uma arrogância desmedida, configura igualmente uma ignorância muito séria. Porque se "a França está chocada" isso significa que todos os franceses estão chocados, incluindo os que votaram na FN. Ora, das duas uma: ou os eleitores da FN são maluquinhos e votam para depois se chocarem, ou os jornaleiros de serviço confundem proposições e não são capazes de distinguir uma universal de uma particular. Atendendo a que tal matéria elementar de lógica é dada no 10ºano de escolaridade, é caso para perguntar aos nossos jornaleiros onde estavam eles com a cabeça quando tais conteúdos foram leccionados.

Quanto ao resto, o esperado: se os resultados tivessem beneficiado a extrema-esquerda e os xuxas que têm desgovernado a França e a Europa já não haveria problema e a democracia estaria a funcionar. Assim, quando a vontade popular vai contra a dos donos da democracia, é urgente fazer algo. Brevemente pode ser que a FN seja ilegalizada, devolvendo-se assim a normalidade ao país e fazendo regressar a normalidade, exorcizando-se qualquer choque ou emoção mais abruptos.

Quem perde, quando ganha Le Pen?

por A-24, em 26.03.14
Henrique Monteiro

A vitória da extrema-direita em França é uma derrota de quem? Podemos, talvez, fazer várias teorias e nenhuma estar certa. Mas aquela que me ocorre mais vezes é esta: dos anos de relativismo moral, de desprezo pelas melhores tradições europeias, de sociedades para as quais só havia direitos e não deveres, de apoio a pessoas, necessitadas, é certo, mas que não se esforçavam e não trabalhavam e acumularam o ódio das que, trabalhando auferiam pouco mais. Enfim, anos de despautério, de pouco critério em que os Estados foram tentando comprar a complacência dos cidadãos e a sua paz social.


É por isso que a extrema-direita não vai buscar os votos à direita e ao grande capital, mas precisamente às camadas mais populares. É por isso que mais e mais emigrantes portugueses, por exemplo, alinham com as teses xenófobas, racistas e simplistas de Marine Le Pen.

É fácil dizer que foi a crise. Claro que foi. Mas essa crise tem as mesmas origens atrás descritas. Que tudo se equivale, que o esforço é, por vezes, inglório; que a justiça não é igual para todos.

Muitas vezes, em alturas que tenho oportunidade de falar, dou o seguinte exemplo: imaginem duas famílias com rendimentos iguais. Uma aluga uma parte de casa e vive modestamente. A outra constrói uma barraca num baldio e vive mal, mas com mais disponibilidade, pois não paga nada pela casa. Quando a Câmara fizer realojamentos, qual será, destas duas, a família beneficiada?

Escusam de responder. O povo sabe a resposta. E sabe que nenhum político do nosso sistema tradicional pretende sequer encarar um problema assim. É Marine Le Pen, como outros semi-fascistas e populistas que enxameiam a Europa, que lhes respondem. Muitas vezes, de forma desumana e bárbara. Mas é bom não esquecer que muitos dos que agora votaram no FN também tiveram esperança e acreditaram em Sarkozy ou em Hollande, como muitos que votam em partidos cada vez mais radicais em toda a UE já depositaram esperanças de mais e melhor justiça e equidade em partidos que os desiludiram. Também aqui é o modelo social e político tradicional que falha redondamente.

Cenário apocalíptico para depois do dia X...

por A-24, em 02.03.14
José Milhazes

O diário Krasnaia Zvezda (Estrela Vermelha), órgão oficial do Ministério da Defesa da Rússia, considera que a proclamação da independência do Kosovo poderá ser um exemplo para 200 lugares na Terra.
Num artigo dedicado à questão do Kosovo “Manta de retalhos da Europa”, o jornalista Vladimir Kuzar desenha o que poderá acontecer em Berlim em 2020 se se repetir a situação no Kosovo.
“Grupos armados extremistas muçulmanos que aterrorizam os alemães de Berlim... trazem para as ruas da capital alemã correlegionários seus para exigir mais liberdade e a possibilidade de viver segundo as próprias leis” –descreve o jornal.
Como a polícia já não consegue travar a onda de violência, pede ajuda às forças armadas alemãs. Confrontos com os manifestantes levam ao derrame de sangue, que provoca indignação entre a comunidade mundial e principalmente nos países muçulmanos. Estes pedem a convocação do Conselho de Segurança da ONU, mas as suas decisões não são cumpridas.
“Então – continua o jornal – decide-se enviar para Berlim tropas internacionais de paz para a manutenção da paz, formadas pela Liga dos Estados Árabes. Sob a sua protecção, os islamitas expulsam da cidade a população alemã, criam os seus órgãos do poder, declaram o seu apego à democracia e aos seus valores e, por fim, declaram a independência de Berlim, que é reconhecida por uma série de Estados”.
Segundo o jornalista, esse cenário poderá ser considerado “louco” e estúpido” pelos leitores, mas “apenas terão parcialmente razão, porque foi precisamente segundo esse cenário não fantástico, mas real, que se desenvolveu a situação no Kosovo”.
O Krasnaia Zvezda considera que isso irá destruir a organização mundial existente e poderá transformar a Europa numa “manta de retalhos”.
“Não se trata apenas dos Estados não reconhecidos no espaço post-soviético... mas quase todos os países da Europa podem dividir-se, desintegrar-se em várias partes” – escreve o jornal militar, citando como exemplos a Espanha, Grã-Bretanha, Bélgica, França, Itália, Roménia, Dinamarca, Polónia, Suíça, Finlândia.
“Claro que nem todos os focos de separatismo existente na Europa são perigosos... mas muito deles, depois da proclamação da independência do Kosovo, ganharão tanta força que farão literalmente explodir o velho continente” – considera o diário.
O jornal russo atribuiu as culpas desta situação à política norte-americana e ao “politicamente correcto” da União Europeia. “Para os Estados Unidos é mais importante conservar a sua presença militar nos Balcãs e provocar uma “leve instabilidade” nas fileiras da União Europeia, enfraquecendo assim essa organização.
A Europa volta a cair na armadilha criada pela sua anterior política de estímulo da desintegração da URSS e Jugoslávia. E tem dificuldade em sair dela devido ao maldito “politicamente correcto” – considera o Krasnaia Zvesda.
O diário militar russo cita as palavras de Vitali Tchurkin, representante da Rússia no Conselho de Segurança da ONU, que declarou: “cerca de 200 formações poderão utilizar esse exemplo em todo o mundo”