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A-24

Espanholices

por A-24, em 05.09.13
O pequeno mas estratégico território de Gibraltar foi conquistado aos mouros em 1462 pelo duque de Medina e Sidónia, passando a integrar os domínios de Henrique IV de Castela. Em 1704, durante a guerra de sucessão de Espanha, ingleses e holandeses, em luta pelo partido do candidato Habsburgo ocuparam militarmente o "rochedo". O conflito resolveu-se na paz de Utrecht em 1713: Filipe V de Bourbon ficava definitivamente no trono de Espanha, e este reino, por sua vez, cedia as possessões dos países baixos à Áustria e a ilha de Menorca e o território de Gibraltar à Inglaterra.
Portanto, durante a "época cristã", Gibraltar esteve os primeiros 242 anos na posse de Castela/Espanha e pertenceu à Inglaterra nos últimos 309. De facto e de jure.
Só os habituais "cristovãos de moura", "migueis vasconcelos" e outros imbecis do mesmo género podem, também neste caso, aceitar o "direito divino" de Madrid dominar tudo e todos na península ibérica.
A dimensão do território de Gibraltar pode ser pequena mas a ganância dos espanhóis é a mesma de sempre e que Portugal deve obviamente continuar a fazer questão de contrariar.

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Cataluña será islámica ou não será?

por A-24, em 23.08.13
Los datos estadísticos son demoledores. En los últimos 10 años, Cataluña ha pasado de tener 30.000 inmigrantes musulmanes a tener más de 400.000. Hoy la población musulmana supera el 20% en numerosas localidades de la comunidad autónoma. Los musulmanes marroquíes, argelinos y paquistaníes se estructuran en torno a 201 mezquitas, 200 oratorios y 19 madrazas.

Nada de esto habría ocurrido sin la entusiasta colaboración de los gobiernos autonómicos catalanes. El 13 de diciembre de 2009, una mezquita de Manlleu acogió una de las más de 130 consultas independentistas que se celebraron aquel día —ante el mutismo cómplice del Gobierno y el silencio de una oposición dispuesta a hacer cualquier cosa por ganarse el “cariño” de los secesionistas «moderados» catalanes—.

La unión entre secesionistas e Islam no es solo cosa de CiU. El tripartito trabajó en una ley que equiparaba a las iglesias con las mezquitas. Este permanente trato de favor propició la inmigración masiva musulmana y provocó la llegada de imanes salafistas que lograron radicalizar a los musulmanes, muchos de los cuales ingresaron en Al Qaeda y viajaron a Irak, Afganistán y Chechenia para integrarse en la organización terrorista. Contra todo pronóstico, la segunda generación de inmigrantes se está integrando peor que la primera. Es más, los jóvenes musulmanes se sienten desarraigados, reivindican con más fuerza su identidad y buscan una oferta religiosa más radical. Algunos datos presagian el desastre al que se enfrenta Cataluña por renunciar a sus raíces hispánicas: Más de 400.000 inmigrantes musulmanes que no se integran y forman guetos. Pese a haber sido empadronados, en muchos casos sin que pudiesen demostrar su arraigo en la región y recibir toda clase de ayudas asistenciales, la mayoría ha optado por el radicalismo. De hecho, Cataluña es la región europea con un mayor número de salafistas, según coinciden todos los servicios de información europeos.
El panorama es aterrador y ya es solo cuestión de tiempo que los musulmanes de Cataluña, cuando estén organizados y sean mayoritarios en una población en la que merma alarmantemente el número de nacimientos de autóctonos, terminen imponiendo sus propias normas a través de sus propios partidos políticos.
El asunto se complica ante el hecho de que muchos españoles, tras años de fingido victimismo por parte de los nacionalistas catalanes, ven en la islamización de Cataluña una forma de desquite frente a los insultos e injurias de que han sido objeto. El hecho de que miles de españoles, extremadamente críticos con la influencia islámica en Europa, observen con indisimulada delectación el incremento espectacular de la comunidad musulmana en suelo catalán, debería ser un signo de preocupación para los catalanes que aún no hayan perdido la serenidad ni el buen juicio.
“Entre el deshonor y la guerra has escogido el deshonor. Ahora tendrás también la guerra”. Se lo espetó Winston Churchill al primer ministro británico, Neville Chamberlain, cuando éste volvió a su país presumiendo del acuerdo de paz que había alcanzado con Hitler a costa de la desaparición de Checoslovaquia. Las palabras de Churchill son aplicables a todos los nacionalistas catalanes que, en su odio enfermizo a España, han buscado la alianza con el islam cediendo ante ellos una y otra vez. Tenemos actualmente numerosos ejemplos de nuevos Chamberlains que siguen empeñados en ceder ante los liberticidas a fin de alcanzar la quimera secesionista.
Alerta Digital

As colónias negam a lógica da História

por A-24, em 23.08.13
Os dias do império britânico acabaram e manter territórios outrora estratégicos, como Gibraltar, é uma relíquia do passado. O florescente sucesso de Gibraltar enquanto paraíso fiscal tem frustrado o seu vizinho empobrecido e a lutar contra a crise, mas o seu futuro parece seguro.

Simon Jenkins


Não há nada que supere uma canhoneira. O HMS Illustrious zarpou de Portsmouth, em 12 de agosto, e passou pelo HMS Victory e por uma animada multidão de patriotas. Uma semana depois, estava ao largo de Gibraltar, à distância de um tiro de canhão disparado de Cabo Trafalgar. O peito da nação arfa, as lágrimas ardem nos olhos. O espírito dos deuses está em marcha, pronto a dar problemas ao Rei de Espanha.

Há muito a dizer sobre o Império Britânico, mas este chegou ao fim – está morto, foi irradiado, já não existe. A ideia de um navio de guerra britânico supostamente a ameaçar a Espanha é absurda. Pretenderá bombardear Cádis? Irão as suas armas pôr termo a um engarrafamento da hora de ponta, numa colónia que boa parte dos britânicos considera estar cheia de infratores fiscais, traficantes de droga e elementos de direita que protestam por tudo e por nada? Os gibraltinos têm direitos, mas o porquê de os contribuintes britânicos deverem enviar navios de guerra para fazer respeitar esses direitos, mesmo que apenas “num exercício”, é um mistério.

Qualquer estudo das atualmente controversas colónias do Reino Unido, Gibraltar e as Malvinas, só pode chegar a duas conclusões. Uma é que o poder sobre elas reivindicado pelo Reino Unido é totalmente razoável, em termos de direito internacional; a outra é que, presentemente, tal reivindicação é uma completa idiotice.

Os Estados-nação do século XXI não irão continuar a tolerar nem mesmo a leve humilhação de abrigarem os resquícios de impérios dos séculos XVIII e XIX. A maioria dos impérios europeus nasceu darealpolitik do poder, sobretudo dos Tratados de Utrecht (1713) e de Paris (1763). Agora, a mesma realpolitik determina o seu desmantelamento. Um dos objetivos iniciais das Nações Unidas era atingir essa meta.

Resíduos do Império Britânico
Evidentemente que aqueles que vivem nessas colónias têm direito a ser tidos em conta, mas esse direito nunca prevaleceu sobre a realidade política. Nem o Reino Unido exigiu que assim fosse, pelo menos quando as circunstâncias o impunham. Os residentes de Hong-Kong e Diego Garcia não foram consultados, e muito menos lhes foi concedida “autodeterminação”, quando o Reino Unido quis atirá-los para o caixote do lixo da História. Hong-Kong foi entregue à China em 1997, quando terminou o “arrendamento” dos Novos Territórios. Diego Garcia foi reclamada pelo Pentágono e foi-lhe entregue em 1973. Os britânicos de Hong-Kong não tiveram direito a passaportes e os habitantes de Diego Garcia foram sumariamente expulsos e mandados para a Maurícia e para as Seychelles.
A segurança do Reino Unido não precisa desses locais. Não depende de portos de abastecimento de carvão no Atlântico. A França sobrevive depois de ter deixado de ser dona do Senegal e de Pondicherry, e Portugal sobrevive sem São Tomé e Goa. Quando os indianos invadiram Goa, em 1961, o mundo não levantou objeções. De facto, o plano argentino de invasão das Malvinas, em 1982, chamava-se Operação Goa, porque a Argentina partiu do princípio de que a ação seria igualmente encarada como uma solução pós-imperial.
Atualmente, os resíduos do Império Britânico sobrevivem, de um modo geral, nos interstícios da economia global. São os principais ganhadores da sangria fiscal resultante da globalização financeira. Muitos tornaram-se sinónimos de desonestidade. As autoridades tributárias norte-americanas falam irritadamente da Bermuda. George Osborne [o ministro das Finanças britânico] quer expulsar os infratores fiscais das ilhas Caimão e das Ilhas Virgens Britânicas.
Há muito que a Espanha se queixa do papel que Gibraltar desempenha no contrabando, na lavagem de dinheiro e no jogo offshore, que ficam fora do alcance do seu quadro regulamentar. Essas queixas culminaram num relatório do FMI de 2007 sobre as deficiências da regulação financeira da colónia. O estatuto de paraíso fiscal de Gibraltar valeu-lhe um aumento de riqueza, que alimentou a cólera de Espanha por ver tanto dinheiro circular por aquilo que considera ser seu território, sem ser tributado.
Colónias não pagam impostos
Estas colónias afirmam ser “mais britânicas do que os britânicos”, mas não pagam nenhum imposto do Reino Unido e funcionam como paraísos fiscais para 

capitais do país
Estas colónias afirmam ser “mais britânicas do que os britânicos”, mas não pagam nenhum imposto do Reino Unido e funcionam como paraísos fiscais para capitais do país. Gibraltar especializou-se em jogo na Internet. As colónias afirmam ser fiéis à coroa, mas não ao seu erário público nem à sua polícia financeira. São parques de atrações Churchillianos, com casinhas de colunas vermelhas, fish and chips e cerveja morna. Mas querem ter o que é bom, sem aceitar o que é mau. Quando os vizinhos se zangam, exigem que aqueles cujos impostos os protegem mandem em seu socorro soldados, diplomatas e advogados.
A argumentação jurídica trocada entre o Reino Unido e a Espanha é favorável ao primeiro. Apesar de o Reino Unido não pertencer ao espaço Schengen de livre circulação, em teoria, todos os Estados da UE facilitam a circulação dos seus cidadãos. A proposta espanhola de 43 libras [50 euros] de taxa de entrada é excessiva. Seria irónico ver os ministros conservadores defender a sua causa junto dos odiados tribunais europeus – mas é a instância adequada a que recorrer. O rigor da lei é melhor do que uma encenação da severidade da guerra.
Dito isto, não cabe na cabeça de ninguém que um intermediário honesto não consiga resolver esta disputa com séculos de existência. O Reino Unido procurou, por várias vezes, um acordo de compromisso sobre a soberania de Gibraltar. Margaret Thatcher iniciou negociações em 1984, depois de ter resolvido com sucesso as situações da Rodésia e de Hong-Kong. Os espanhóis propuseram para Gibraltar um estatuto totalmente descentralizado, semelhante ao dos bascos e dos catalães, com respeito pela língua e pela cultura e um certo grau de autonomia fiscal. Como provou o caso de Hong-Kong, a transferência de soberania não significa absorção política.
O problema foi a inépcia dos espanhóis ter alimentado a intransigência dos gibraltinos. Os “assaltos” na fronteira são contraproducentes quando se quer conquistar as simpatias das pessoas, tal como os desembarques argentinos nas Malvinas foram um erro. A Espanha exigiu a soberania imediata – apesar de ela própria ter colónias no Norte de África. O facto encostou à parede os governos britânicos e tornou-os vulneráveis aos grupos de pressão coloniais, que brandiam a exigência de autodeterminação. Um referendo realizado em Gibraltar em 2002 mostrou que 98% apoiavam a manutenção do estatuto colonial. E uma votação nas Malvinas deu um resultado semelhante. O que estava longe de corresponder à disposição de Thatcher de entregar Hong-Kong e aceitar a “soberania e relocação” de Madrid e Buenos Aires.
Tribo de “britânicos” dourados
A verdade é que as colónias britânicas que são paraísos fiscais se sentem mais seguras do que nunca, abençoadas pela História com a proteção britânica e livres para passarem por alto sobre o lado negro da economia global, escapando aos impostos. Esta situação criou uma tribo de “britânicos” dourados, que vivem num perene mundo irreal. Quando perguntei a um gibraltino que afirmava ser “150% britânico” por que motivo não pagava pelo menos 100% dos impostos britânicos, este respondeu: “Porque haveria eu de pagar para pessoas que estão a milhares de milhas de distância?”
Enquanto negarem a lógica da História e da geográfica, nem Gibraltar nem as Malvinas estarão realmente “a salvo”. Um dia, estes resquícios acabarão por se fundir com as respetivas regiões interiores e deixar de ser uma pedra no sapato das relações internacionais. Esse dia chegará mais cedo, se os governos mundiais agirem no sentido de acabar com os paraísos fiscais.
Entretanto, os habitantes de Gibraltar podem continuar a votar a favor de “continuarem a ser britânicos”, durante o tempo que quiserem. Mas, se não aceitarem os impostos e a disciplina que a maior parte dos europeus aceitam, ao mesmo tempo que sugam negócios aos centros financeiros da Europa, não podem realmente esperar que um Estado da UE os proteja de outro. Uma fila com seis horas de espera em La Línea, uma vez por outra, é um pequeno preço a pagar pela recusa de se juntarem ao mundo real.

Press Europe

Reino Unido pondera “acção legal” contra Espanha por causa de Gibraltar

por A-24, em 12.08.13
O Reino Unido está a estudar opções sobre uma acção legal contra Espanha por causa dos controlos fronteiriços para entrar em Gibraltar, revelou nesta segunda-feira um porta-voz do primeiro-ministro britânico, David Cameron.

“O primeiro-ministro está desiludido pelo facto de Espanha não ter acabado com os controlos fronteiriços adicionais durante o fim-de-semana e estamos agora a ponderar a que acções legais podemos recorrer”, disse o porta-voz, acrescentando que a posição de Espanha é “motivada politicamente e totalmente desproporcionada”.
O porta-voz admitiu que uma acção deste tipo não teria precedentes entre países da União Europeia.
Na resposta, o Governo espanhol garantiu que não alterar nada. "Os controlos não são um direito, são uma obrigação", disse um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros à Reuters.
A posição do Governo britânico surge depois de Espanha ter admitido recorrer à ONU para resolver o diferendo com o Reino Unido por causa de Gibraltar.

O pequeno território é alvo de frequentes tensões desde que Espanha o cedeu há 300 anos, ao abrigo do Tratado de Utrecht, e as fricções voltaram a ser reavivadas nas últimas semanas, depois das autoridades de Madrid se terem queixado da construção de uma barreira artificial marítima, por considerarem que esta se destina a bloquear a passagem e a pesca dos barcos espanhóis. Gibraltar argumenta que os blocos de cimento, que já foram lançados ao mar entre o aeroporto do minúsculo território e a fronteira com Espanha, servem propósitos de protecção ambiental.

Como resposta à construção da barreira, Espanha tornou os controlos fronteiriços mais apertados, provocando atrasos na entrada de turistas e residentes. Madrid fez também passar a ideia de que pode introduzir uma nova taxa alfandegária, bem como impedir os aviões de sobrevoarem o seu espaço aéreo para chegarem ao Rochedo.

Os britânicos interpretaram estas mudanças como uma represália, enquanto Espanha alega que os controlos são necessários, uma vez que Gibraltar, tal como o Reino Unido, não pertence ao espaço Schengen, argumentando ainda que detectou um aumento do contrabando de tabaco com origem no Rochedo.
No meio deste clima de tensão, navios de guerra britânicos partiram nesta segunda-feira para o Mediterrâneo e vão passar por Gibraltar. Londres diz que este exercício já estava previsto, mas – sublinha a AFP – a imprensa espanhola interpretou-o como uma tentativa britânica de intimidar Espanha.
A tensão tem aumentado nos últimos dias, a ponto de o mayorde Londres, Boris Johnson, ter escrito no Daily Telegraph que Espanha tem de tirar "as mãos do pescoço" de Gibraltar.

"Tirem as mãos do nosso rochedo". É assim que começa o duro artigo de Boris Johnson. "Espero que, em breve, de uma maneira ou de outra, forcemos Espanha a tirar as mãos do pescoço da nossa colónia, porque o que está a acontecer é infame", prossegue o mayor de Londres.
Espanha contesta a soberania do Reino Unido sobre Gibraltar, mas, em 2002, 98% dos cidadãos disseram num referendo que queriam manter-se assim. Ao contrário dos governos socialistas, o Governo de direita de Mariano Rajoy adoptou uma linha mais dura em relação ao território.
Gilbraltar tem menos de 30 mil habitantes (estimativas deste ano) e uma área de apenas 6,5 quilómetros quadrados, sendo, no entanto, um importante ponto estratégico.
Publico

O desmoronar do milagre da alta velocidade

por A-24, em 01.08.13
Depois da China, é a Espanha quem detém o recorde de quilómetros de caminho de ferro de alta velocidade: o resultado de uma ambição que se tornou obsessão, alimentada desde há 20 anos por governos tanto de esquerda como de direita. Hoje, todo um modelo económico é colocado em questão.

Ramón Muñoz


A Espanha pode vangloriar-se de dois recordes mundiais na área económica. A sua taxa de desemprego juvenil, de 56,4%, e a sua rede de vias-férreas de alta velocidade, de 3100 quilómetros em serviço. Só a China tem uma infraestrutura de alta velocidade mais extensa, embora haja que ter em conta que o seu território é 20 vezes maior e que a sua população é de 1300 milhões de habitantes, 27 vezes mais do que a espanhola. Em quilómetros de AVE [alta velocidade espanhola] por habitante, nenhum país do mundo se aproxima sequer do rácio espanhol.
Essa aposta, feita desde a inauguração da primeira linha Madrid-Sevilha, em 1992, deu origem a uma poderosa indústria, que gira em torno dessas vias-férreas, que fatura quase 5 mil milhões de euros por ano e que exporta 60% da sua produção. De facto, em 2012, em plena recessão, a indústria ferroviária espanhola foi a segunda que mais viu crescer as exportações.
O TGV espanhol (AVE) passou a ser o melhor embaixador da tão traída e transcendida Marca España. O recente êxito do chamado AVE do peregrino, de Medina a Meca, na Arábia Saudita, o maior contrato adjudicado a um consórcio espanhol (6700 milhões de euros), foi o reconhecimento decisivo dessa imagem da outra Espanha, que, para além da crise, se quer apresentar ao mundo.
apontando a mira para os macro-projetos internacionais de alta velocidade em preparação no Brasil, Estados Unidos, Turquia ou Cazaquistão
Governo e empresas deram as mãos, para vender essa imagem de marca tecnológica genuinamente espanhola apontando a mira para os macro-projetos internacionais de alta velocidade em preparação no Brasil, Estados Unidos, Turquia ou Cazaquistão. Mas o acidente do Alvia, na estação de Santiago de Compostela, pode representar um duro golpe para essa imagem, apesar de nem a via-férrea nem o comboio possam ser considerados estritamente como alta velocidade.
Uma arma eleitoral
Talvez tenha sido esse receio que levou as empresas a guardar um silêncio absoluto em torno do sinistro. Nem mesmo as empresas afetadas disseram uma palavra para defender os seus produtos. A Talgo, fabricante do comboio acidentado, e a associação temporária de empresas (Thales, Dimetronic-Siemens, Cobra e Antalis) que instalou o sistema de sinalização e de segurança do eixo Ourense-Santiago, optaram pelo mutismo, recusando-se a prestar esclarecimentos na investigação judicial em curso.
Se as averiguações se prolongarem, esse silêncio pode prejudicar seriamente a adjudicação de contratos internacionais. Só a projetada via São Paulo-Rio de janeiro envolve um bolo de 12 mil milhões de euros, que poderá escapar-se se, devido ao trágico acidente, subsistir a versão de que a alta velocidade espanhola não é segura. Esse nervosismo apoderou-se das autoridades, ao ponto de o presidente do Governo da Galiza, Alberto Núñez Feijóo, ter chegado a sugerir que existem "interesses económicos" de outros países, que pretenderiam desprestigiar o sistema de segurança, tendo em vista futuros concursos públicos.
Como explicar de outro modo o facto de José María Aznar e José Luis Rodríguez Zapatero só terem convergido quanto ao plano de ligar todas as capitais de província por comboios de alta velocidade
Além disso, o AVE não é apenas uma questão económica. É também uma bandeira política. Os dois principais partidos –o PP e o PSOE –usaram-na como arma eleitoral, inclusive dando maior destaque ao AVE do que a domínios mais transcendentes como a educação e a saúde. Como explicar de outro modo o facto de José María Aznar e José Luis Rodríguez Zapatero só terem convergido quanto ao plano de ligar todas as capitais de província por comboios de alta velocidade? Inclusivamente, o último plano de infraestruturas (PITVI), atribui ao AVE, até 2024 e no meio da maior recessão da história, 25 mil milhões de euros –6 mil milhões mais do que a construção de autoestradas.
4512 milhões de euros de investimento
Os fabricantes de material ferroviário espanhóis faturaram 4800 milhões de euros em 2012, dos quais exportaram 2800 milhões, cerca de 21% mais do que no ano anterior. Depois da indústria química de produtos orgânicos, foi o setor cujas vendas no exterior mais cresceram. Ao contrário de outros setores, que deslocalizaram a sua produção para países onde os salários são baixos, a indústria ferroviária mantém uma forte presença fabril, dando emprego a 18 mil trabalhadores.
A Espanha é o país do AVE, a marca comercial da Renfe mas que se transformou num termo genérico para designar toda a alta velocidade. Um total de 3100 quilómetros em serviço, face a uma rede convencional de 11 mil quilómetros que serve 60% da população.
Esse investimento sai dos impostos e não foi recuperado através da venda de bilhetes
O AVE é muito rápido mas custa imenso dinheiro. Desde que o Governo de Felipe González decidiu apostar no troço Madrid-Sevilha, a alta velocidade devorou um investimento de 4512 milhões de euros. Esse investimento sai dos impostos e não foi recuperado através da venda de bilhetes, que, por conseguinte, estão a ser altamente subvencionados.
Por isso, outros países, como a França, abandonaram os seus projetos de alta velocidade. Depois de ter recebido o chamado relatório Duron, o Presidente francês, François Hollande, decidiu apostar nas linhas convencionais, regionais e de proximidade, em detrimento dos projetos previstos de alta velocidade (entre os quais o da ligação à Península Ibérica), devido à sua "reduzida rentabilidade social". O Governo português também renunciou definitivamente da ligação a Espanha em alta velocidade. Pelo contrário, o Executivo de Mariano Rajoy, continua a seguir o caminho traçado pelo anterior, de José Luis Rodríguez Zapatero, ao mesmo tempo que preparava um plano de encerramento de linhas de longa e média distância não rentáveis (como se o AVE o fosse).
Press Europe

Acidente ferroviario em Compostela faz 77 mortos

por A-24, em 25.07.13
Eram 20h41 quando o comboio que fazia a ligação de Madrid à cidade costeira de Ferrol, na Corunha, estava a chegar a Santiago de Compostela. Na composição viajavam 222 pessoas. O acidente ocorreu em Angrois, freguesia que fica a quatro quilómetros da estação de Santiago. Até ao momento estãoconfirmadas 78 vítimas mortais e mais de 140 feridos. As causas do acidente estão por apurar, mas algumas informações iniciais indicam que o comboio circularia a quase 200 quilómetros.
Segundo o El País, na primeira comunicação por rádio após o acidente e ainda dentro da cabine, antes de saber se havia vítimas, um dos maquinistas repetia “somos humanos, somos humanos”, acrescentando que lhe doíam as costas. “Espero que não haja mortos porque isso cairia na minha consciência”, acrescentou, descrevendo que entraram na curva onde só se podia circular a 80 quilómetros por hora a uma velocidade superior a 190 quilómetros por hora.
Até ao momento a Renfe não adianta as causas que terão estado na origem do acidente de um comboio perto de Santiago de Compostela, que fez pelo menos 78 mortos. Mas após o descarrilamento, numa comunicação por rádio, um dos maquinistas disse que entrou a uma velocidade de 190 quilómetros por hora numa curva onde o limite é de 80 quilómetros.
Público


Viva a Coroa?

por A-24, em 24.07.13
Do 14 de julho ao 21 de julho. Da tomada da Bastilha à subida ao trono de Leopoldo I. No calendário das festas nacionais na Europa, à comemoração da Revolução Francesa segue-se, ironicamente, a celebração de uma monarquia, no caso a belga. E, este ano, a data assume um pouco mais de importância: ao fim de 20 anos de reinado, o Rei Alberto IIabdica da coroa em favor do seu filho Filipe.
A dimensão deste acontecimento ultrapassa o quadro daquilo que mostrarão as fotografias, que serão publicadas, da ocasião de real gravidade dinástica. Porque, de certa forma, o rei dos belgas é o último monarca útil da Europa. Como recordaram os jornais,flamengos e francófonos, após o anúncio da sua abdicação, em 3 de julho, Alberto II desempenhou um papel crucial na longa crise política e institucional, que paralisou e ameaçou o país em 2010-2011. E o seu sucessor deverá, por certo, desempenhar esse papel de garante da unidade nacional, depois das eleições legislativas da primavera de 2014.

Na União Europeia existem ainda sete monarquias. E, apesar de poucas pessoas continuarem a confundir república com democracia, para refutar a legitimidade das monarquias constitucionais, os soberanos perderam a sua auréola e têm agora que se adaptar aos usos das sociedades modernas. Por conseguinte, o Rei Filipe terá que pagar impostos, medida a que a própria Isabel de Inglaterra já se encontra sujeita.

Mesmo dessacralizados, os monarcas continuam frequentemente a ser considerados como a incarnação da nação, como uma figura imparcial acima dos partidos, enquanto os presidentes da República têm, cada vez mais, dificuldade em distanciar-se dos jogos políticos e os governantes são correntemente postos em causa em casos de corrupção. Mas também essa fronteira se vai diluindo a pouco e pouco, como mostram os aborrecimentos paralelos do primeiro-ministro Mariano Rajoy e do Rei Juan Carlos, ambos enfraquecidos por escândalos relacionados como o Partido Popular, no caso de um, e com a família real, no caso do outro.

Numa Europa na qual o conceito de nação é menos evidente, a exigência de democracia mais forte e a crise económica mais profunda, a evolução do papel dos reis e rainhas do Velho Continente poderá, em breve, não ser suficientemente rápida. Um aviso às próximas gerações de sangue azul. A ocasião é oportuna, já que o Royal baby está quase a chegar!

Press Europe

Faltam crianças

por A-24, em 11.07.13
O Telegraph publicou há dias uma crítica do livro Money Runs Out do economista Stephen D. King. 
A tese de fundo do livro é que a Europa tornou-se um caso de falência por causa do colapso demográfico. 

Os chamados"baby boomers", diz King, convencidos erradamente que o problema fundamental sempre foi o da superpopulação, pararam de fazer filhos mas continuaram a gastar e a endividar-se.
O cálculo económico, segundo o autor, é simples: se gerarmos despesas e nos endividarmos, sem fazer que os que vão pagar a conta sejam mais numerosos, 
deixamos-lhes por legado um fardo insuportável.
É exactamente o que está a acontecer na Europa onde a ideia dos perigos da superpopulação cristalizou, mesmo sem base real, e gerou uma cultura antidemográfica: pense-se na eutanásia, na contracepção, na homossexualidade. 
Noutras zonas do mundo onde esta cultura não penetrou e se fazem mais filhos, assistimos a um contínuo processo de desenvolvimento.
Esta queda demográfica é um problema grave na Europa. 

PORTUGAL
Um artigo recente do Washington Post dedicou-se a Portugal, que nos últimos 4 anos sofreu uma queda de nascimentos de 14%. 
Uma tendência que é uma constante em todos os países europeus desde o fim dos anos 60. Segundo as projecções dos economistas, 
por volta de 2030 em Portugal 27,4% da população estará reformada, com mais de 1 cidadão em cada 4 a ter mais de 65 anos.

Portugal é o "cabeça de série" de vários outros países. 

ALEMANHA
Por exemplo, na Alemanha a queda demográfica levará em 2025 a um défice de 6 milhões de trabalhadores e o consequente desequilíbrio para o bem-estar do país, revelou recentemente o relatório "Estratégia demográfica" do governo.
ESPANHA
Também em Espanha a situação é difícil. O INE, instituto nacional de estatística espanhol, registou recentemente uma queda da população de 0,48% devido ao êxodo de estrangeiros do país por causa da crise. Uma queda não compensada pelo saldo de nascimentos sobre os falecimentos. Com efeito, segundo o mesmo INE, o número de estrangeiros desceu 216.125 pessoas (3,8%) enquanto que o número de espanhóis subiu 10.337 pessoas (0,02% da população).
ITÁLIA
Em Itália a situação não é melhor. O ISTAT recentemente actualizou os dados da população em 2012. O "saldo natural", isto é a diferença entre o número de nascidos e o número de falecidos teve sinal negativo: - 78.695 pessoas.
Povo

Por que razão os espanhóis não se revoltam

por A-24, em 13.05.13
Cinco anos de crise, seis milhões de desempregados e milhares de despejados das suas casas: apesar da pesada fatura social, os espanhóis aceitam a sua sorte sem se revoltarem contra o Governo e contra a UE. Porque temem perder o pouco que lhes resta, avança um sociólogo.

Ignacio Sánchez-Cuenca


Estamos no quinto ano de crise. O desemprego, a pobreza e a exclusão social aumentam; começam a aparecer casos de subnutrição em crianças; há dezenas de milhares de famílias que foram expulsas das suas casas; e os salários continuam a ser reduzidos mas o mesmo não acontece com os preços de bens e serviços. Entretanto, as pessoas perceberam que esta situação não é passageira e pode prolongar-se ainda por mais uns anos. Nestas condições, porque não se verifica uma explosão social? Porque é que o sistema não rebenta? Quanto poderá suportar a sociedade espanhola sem se verificar um conflito?
É difícil pensar numa conjugação de condições mais favoráveis para provocar uma explosão. Em primeiro lugar, os efeitos da crise são terríveis. Como pode uma população sobreviver, com seis milhões de desempregados? O pior é que o desemprego vai continuar a aumentar, porque a procura interna caiu a pique. As poupanças e as ajudas com que muitos se têm aguentado até agora estão a esgotar-se. Entre aqueles que têm trabalho, muitos recebem salários de subsistência na economia paralela.
Em segundo lugar, as políticas selvagens de austeridade que a Espanha e a União Europeia estão a aplicar só servem para desmantelar o país e atrasar o momento da recuperação. Em vez de o consumo e o investimento do Estado amortecerem a queda da procura das famílias, o Governo está a realizar cortes em todos os domínios de despesas da administração pública. Desta forma, a crise agrava-se e, além disso, a proteção social das pessoas afetadas pelo desemprego e pela pobreza diminui. Ainda que pareça um pouco brutal, a UE e o Governo consideraram que a saída da crise passa pelo empobrecimento geral da maioria dos espanhóis. É esse o significado de “desvalorização interna”.

Distribuição de sacrifícios terrivelmente injusta

Em terceiro lugar, é cada vez mais comum a perceção de que a distribuição de sacrifícios está a ser terrivelmente injusta. O caso mais flagrante, mas de modo algum único, é o dos despejos. O Estado desembolsa ajudas generosas e endivida-se perigosamente para sanear os bancos, mas não encontra uma solução para a situação de todos aqueles que, com a crise, se viram encurralados pelas hipotecas. A insensibilidade dos poderes públicos e dos dois grandes partidos perante esta situação contribuiu para aumentar o sentimento de indignação de boa parte da sociedade.
Em quarto lugar, neste momento, não há esperança. Apesar da propaganda do Governo sobre uma recuperação iminente, as pessoas perceberam que nos encontramos num processo muito longo de estagnação e que nos esperam anos muito difíceis.
Por último, estamos confrontados com um partido de Governo corrupto e com uma ineficácia espantosa. É incrível que, num momento tão grave como o atual, o primeiro-ministro continue a ser chantageado por causa do financiamento ilegal do partido político que dirige.

Mas, apesar de todas as calamidades que enumerei, as pessoas não se sublevam. O que é que está a acontecer?

Não há alternativas

Por um lado, deixou de haver alternativas. Hoje, não existe uma ideologia que proponha um caminho diferente daquele que estamos a seguir e que sirva para organizar uma resistência efetiva. As pessoas estão dominadas pela raiva, que se traduz pela rejeição e alienação relativamente ao sistema económico e político, mas a raiva não se cristaliza num movimento que implique uma ameaça coletiva.
Por outro lado, apesar do empobrecimento generalizado, a Espanha continua a ter um nível de desenvolvimento considerável. É sabido que as democracias desenvolvidas são extraordinariamente estáveis. Aguentam quase tudo. O padrão de sobrevivência é espantoso: nunca houve uma democracia com um rendimento per capita superior ao da Argentina em 1975 que tivesse caído. Mesmo depois da crise dos últimos anos, a Espanha tem um rendimento per capita muito superior a esse.
Por isso, é de esperar que haja tensões e incidentes violentos, mas não um conflito generalizado. Em parte, porque o Estado é muito poderoso e pode travar os protestos; em parte também, porque há muitas famílias proprietárias de apartamentos, ou que têm poupanças, que não estão dispostas a apostar em aventuras de resultado incerto. O desenvolvimento traz consigo um maior grau de conservadorismo político, a todos os níveis.

O sintoma mais claro de que, por muito irritadas que estejam, as pessoas não querem correr riscos, é a ausência de um debate público em Espanha sobre a utilidade de continuar no euro. Apesar de a união monetária se ter revelado uma ratoeira, quase ninguém quer assumir os custos a curto prazo da saída do euro. Não deixa de ser curioso que as queixas tenham por alvo os partidos e as instituições espanholas, quando boa parte do problema se situa mais acima, nas regras de funcionamento do euro e nas políticas que os países do Norte determinam.
É verdade que o apreço popular pelas instituições europeias também caiu muito, mas as consequências desse facto são poucas: o apoio ao euro continua a ser forte. Esse apoio é decisivo para se perceber porque não se verifica uma explosão.
Ou seja, continuaremos a aguentar com resignação uma situação que, vista seja por que ângulo for, é intolerável.
Press Europe

O pesadelo espanhol

por A-24, em 06.05.13



Olhemos para Espanha, nosso principal parceiro económico: como vão ali as coisas? Piores que nunca: 6.202.700 desempregados, segundo as estatísticas oficiais referentes ao primeiro trimestre de 2013 - isto é, 27% da população activa.
Seis em cada dez jovens não encontram trabalho: há hoje 2,8 milhões de espanhóis com menos de 30 anos sem emprego - números correspondentes a 57% do total. Em cinco comunidades autónomas, duas das quais fronteiras com Portugal, a taxa de desemprego ultrapassa 30%: Andaluzia com 36,87%, Extremadura com 35,56%, Canárias com 34,27%, Castela-La Mancha com 31,51% e Múrcia com 30,37%.
Há na Andaluzia já mais desempregados do que em toda a Grécia. A nível provincial, o recorde vai para Cádis, também na Andaluzia: 42% de desempregados.
Desde que começou a crise, em Agosto de 2007, o flagelo do desemprego passou a atingir mais 4.410.800 pessoas, o equivalente à população somada da Extremadura, Baleares, Aragão e Astúrias, e foram destruídos quase 3,2 milhões de postos de trabalho só no sector privado. Desde que o anterior primeiro-ministro, Zapatero, deu lugar a Mariano Rajoy desapareceram 1.117.800 - à média de 2579 por dia e 107 por hora. E o Governo já admite que a situação não será invertida durante a actual legislatura, iniciada em Dezembro de 2011.


Restam hoje apenas 16,6 milhões de empregos, enquanto no terceiro trimestre de 2007 havia 20,5 milhões. E, dos que restam, há muitos precários: 15% dos espanhóis ainda empregados recebem à hora. A noção de precariedade dos postos de trabalho consolida-se a cada dia que passa, multiplicando los lunes al sol, título de um perturbante filme de 2002, espantosamente visionário.

Outro registo muito preocupante: a soma dos desempregados e pensionistas (15 milhões) está extremamente próxima do número daqueles que ainda têm emprego (16,2 milhões). Nunca esta diferença foi tão reduzida.
Pior: existem 1,9 milhões de lares espanhóis em que todos os seus membros estão sem trabalho remunerado.
Pior ainda: nos últimos seis meses deixaram de existir 80.200 lares - algo nunca antes registado nesta escala. "A crise tem reagrupado as famílias", noticia o diário El Mundo, que tinha uma manchete bem expressiva na sua edição de ontem: "O recorde da vergonha".
São números aterradores, espelho fiel de uma receita que falhou. Prossegui-la é desembocar no desastre: comoSantiago González escreve na sua coluna de hoje, também no El Mundo, Hitler chegou ao poder precisamente quando a Alemanha acabara de ultrapassar a cifra dos seis milhões de desempregados.
Manter esta receita é fomentar a revolta daqueles que, sem nada, estão dispostos a tudo. Atribuir-lhe a caução de instituições como a União Europeia e o Banco Central Europeu é implodir o projecto europeu, condenando-o a um irremediável fracasso - e fazer a Europa recuar 80 anos. À década de 30, precisamente. Lembrem-se do que ocorreu em Espanha nesse período de má memória: uma guerra civil com um saldo sangrento de mais de 600 mil mortos. O franquismo acabou por conduzir ao pleno emprego, mas à custa da asfixia de todas as liberdades essenciais e de movimentações maciças de espanhóis para os destinos da emigração, com destaque para a França, a Alemanha e a América Latina.

Jean-Claude Juncker bem avisou, recentemente: os piores fantasmas da História podem sempre voltar.
Imagem: fotograma do filme Segundas-Feiras ao Sol (2002), de Fernando León de Aranoa, com Javier Bardem e Luis Tosar