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A-24

Até onde vão baixar os salários?

por A-24, em 20.09.13
Os gregos estão a aceitar salários cada vez mais baixos, sejam jovens licenciados ou trabalhadores mais velhos que arranjam emprego após um período de desemprego.


I Kathimerini

“Muitos dos jovens que nos enviam currículos para se candidatarem a um anúncio de emprego são altamente qualificados. Tenho vergonha de os ler, especialmente quando sei que entre centenas de candidatos só posso escolher um!” – esta confissão de um gestor de recursos humanos de uma grande empresa, que pede anonimato, é sintomática. E não é o único com este entendimento da situação. Um jovem diplomado do Instituto Superior Politécnico de Atenas, com um doutoramento, que deu aulas durante alguns meses numa escola técnica, faz a mesma observação e oculta a sua identidade: “O meu salário era tão baixo que, muitas vezes, metia-me na bicha dos estudantes para comer na cantina e economizar na refeição”.

Estes dois testemunhos projetam uma imagem crua da realidade do mercado de trabalho atual. Por um lado, currículos com habilitações “a mais”, por outro, desemprego crónico e baixos salários [a taxa de desemprego era de 27,9% em junho de 2013, contra 24,6% no ano anterior, afetando em especial mulheres e jovens]. Recordamos a “geração de 700 euros” [nome dado aos recém-formados no início da crise, em 2007]... com saudade, porque, hoje, os salários dos empregados são geralmente (muito) mais baixos que 700 euros líquidos.


De facto, na actualidade existem várias “gerações de 700 euros”. Já não são apenas os recém-licenciados, mas pessoas de quarenta e cinquenta anos de idade que perderam os empregos. Se arranjarem outro, não vão conseguir mais de 700 euros.
Quatrocentos euros no mercado negro
É uma quantia insuficiente para resolver as necessidades básicas e especialmente desajustada em relação ao nível das habilitações

A cada anúncio de emprego, cai uma chuva de currículos (CV). “Quando é publicado um anúncio, chegamos a receber 600 CV numa semana. Um terço é de jovens altamente qualificados, com licenciaturas e dominando pelo menos duas línguas estrangeiras. A concorrer para a mesma vaga, há pessoas mais velhas, com menos qualificações no papel, mas com um conhecimento e uma experiência significativos. É muito difícil escolher”, explica um gestor de pessoal. Mas cada pessoa contratada vai receber um salário de 600 euros brutos. É uma quantia insuficiente para resolver as necessidades básicas e especialmente desajustada em relação ao nível das habilitações. Claro que, em muitos casos de primeiro emprego num lugar indiferenciado, o salário baixa para 300 ou 400 euros.

Quatrocentos euros sem seguro nem segurança social, era o que ganhava Konstantinos Sp., de 27 anos, no inverno passado, por oito horas diárias num escritório de advogados. Formado em Direito e com um mestrado na Alemanha, teve muita dificuldade em arranjar esse trabalho. “A contribuição social é de 150 euros por mês e gastava 45 euros de passe no transporte público. O que sobrava para viver? Tenho colegas, jovens advogados, que trabalham horas a fio, ficam no escritório até à meia-noite, para ganhar 600 ou 800 euros por mês. Acabam por ganhar menos do que um operário não qualificado. Infelizmente, o estatuto de empregado não se aplica a um jovem advogado”, constata.
Empregos desapareceram

“Quando envio o CV, respondem-me com elogios: ‘É um CV incrível, doutoramento, artigos publicados, parabéns!’ Mas ninguém me dá emprego”, diz P. K., de 30 anos, com um diploma de engenharia eletrónica. Acabou por conseguir trabalho, no ano passado, como assistente no Instituto Superior Técnico e, no segundo semestre, um horário parcial na Escola Técnica de Cálcis [norte de Atenas]. O salário? 700 e 300 euros, respetivamente! “Não é rentável, especialmente para nós, técnicos, que temos um seguro mais caro. A maioria dos meus colegas já emigrou.”
A sua declaração de impostos revela um rendimento de 5000 euros por ano

Georgia, de 36 anos, formou-se na Faculdade de Agricultura. Tem um mestrado do Instituto Superior Politécnico e domina perfeitamente três idiomas. A sua declaração de impostos revela um rendimento de 5000 euros por ano. “E é verdade”, confirma, “porque, para me pagarem, passo faturas, tenho provas. Como viver com um rendimento assim?”

Os empregos desapareceram, os salários caem. Resultado? “Há alguns anos, recebia 1200 a 1400 euros por mês. Nos últimos anos, o meu salário desceu para 800 euros. O ano passado foi mais um ano mau. Com os meus conhecimentos e a tecnologia que utilizo, devia receber muito mais. Mas quem me paga o que é justo?”

Infelizmente, a realidade do salário mínimo aplica-se cada vez mais a pessoas mais velhas e não apenas a jovens. P. S., que trabalhou muitos anos em tipografia, recebia cerca de 1500 euros. Foi despedido e esteve um ano e meio desempregado. Hoje, sujeita-se a um ordenado de 650 euros brutos...

Press Europe

Praxe: na Universidade e na vida, integra-te na cobardia

por A-24, em 19.09.13
Felizmente, longe vão os tempos em que ao se entrar na Universidade já se era "doutor". E que ser "doutor" era uma espécie de título nobiliárquico da República, perante a qual a plebe respeitosamente se vergava com um "senhor doutor" em cada frase. A Universidade, democratizada e aberta a muitíssimo mais gente, perdeu a capacidade de oferecer aos seus estudantes prestígio social. E foi aí que, fora da cidade de Coimbra, começou a inventar-se uma tradição. A tradição académica. Mas até aqui tudo bem. Amigo não empata amigo. Cada um veste os trajes que entender e ninguém tem nada a ver com isso.

Compreendo esta necessidade de ritualizar aquele momento da vida. Para muita gente a entrada na Universidade não é uma mera continuação dos estudos. É motivo de orgulho familiar. Resultado de enormes sacrifícios de pais e filhos. No momento em que entram na Academia muitos daqueles caloiros acreditam que conseguiram dar o primeiro passo na sonhada ascensão social. Serei o último a julgar.
Bem diferente é a praxe. Também ela pretende dar àquele momento uma importância que não tem. É um ritual de passagem sem qualquer tradição na maioria das faculdades - também elas recentes. Bruno Moraes Cabral acompanhou este momento. Em Lisboa, Santarém, Coimbra, Setúbal e Beja. E fez um documentário que estreia, no DocLisboa, na próxima sexta-feira (Culturgest, Pequeno Auditório, 21h). Chama-se "Praxis", a origem grega da palavra "praxe". Tudo o que filmou foi com autorização dos envolvidos. Ali não está, portanto, aquilo que os próprios podem ver como um abuso ou um excesso. É a versão soft da praxe.
O que vemos é uma sucessão de humilhações consentidas - ou toleradas por quem, estando fora do seu meio, não tem coragem de dizer que não. A boçalidade atinge níveis abjectos. Os gritos alarves , a exibição de simulações forçadas de atos sexuais, o exercício engraçadinho do poder arbitrário de quem, por uns dias, não conhece qualquer limite. Tudo isso impressiona quem tenha algum amor próprio e respeito pela sua autonomia, liberdade e dignidade. Mas a questão é mais profunda do que a susceptibilidade de cada um. É o que aquilo quer dizer.
Como o documentário não é um mero ato de voyeurismo, mostra-nos o outro lado. Como a esmagadora maioria dos caloiros se sente bem naquela pele. Porquê? Porque, como já disse, aquilo marca o início de um momento que julgam que mudará a sua vida. Mas, acima de tudo, porque os "integra". E não se trata de uma mentira. De facto, naqueles rituais violentos e humilhantes, conhecem pessoas e sentem-se integrados num grupo. Eles são, naquele momento, rebaixados da mesma forma. Não há discriminações. São todos "paneleiros", "putas", "vermes". Na sua passividade e obediência, não se distinguem. Até, quando deixarem de ser caloiros, terem direito à mesma "dignidade" de que gozam os que bondosamente os maltrataram. Aceitam. Porque, como escrevia Jean-Paul Sartre, "é sempre fácil obedecer quando se sonha comandar".

Sim, a praxe integra. A questão é saber em que é que ela integra. Porque a integração não é obrigatoriamente positiva. Se ela nivela todos por baixo deve ser evitada a todo o custo. Perante o que é degradante os espíritos críticos distinguem-se e resistem. Não se querem integrar.
Ingénuos, supomos que a Universidade deveria promover o oposto: a exigência, o sentido critico, a capacidade de recusar a tradição pela tradição, a distinção. A Academia que aceita o espírito bovino da obediência está morta. Porque será incapaz de inovar, de pôr em causa e de questionar o resto da sociedade. A universidade que, através de rituais (que têm um significado), promove o seguidismo e a apatia, não é apenas inútil para a comunidade. É um problema para o conhecimento e para a cidadania.
Mais do que as cenas dignas de muito do telelixo que nos entra em casa, o que impressiona é a relação que a comunidade mantém com aquilo. São raros os que põem em causa tão estúpida tradição sem tradição nenhuma. E é normal. Vemos no documentário como as estruturas universitárias - corpo diretivo e docente - não só toleram como promovem a boçalidade. As autarquias emprestam meios. As empresas de bebidas patrocinam. E até membros do clero vão lá benzer a coisa, perante jovens de caras pintadas ou com penicos na cabeça. Não se trata apenas de um momento de imbecilidade de alguns jovens e adolescentes. Porque é aceite por todos, porque é mesmo assim que as coisas são, foi institucionalizada e parece ser vista por todos como um momento que dá dignidade à Universidade.
Assim, com pequenos gestos simbólicos, se forja a alma de cidadãos sem fibra. Incapazes de dizerem que não. Incapazes de se distinguirem dos demais. A praxe é a iniciação de uma longa carreira de cobardia. Na escola, perante as verdades indiscutíveis dos "mestres". Na rua, perante o poder político. Na empresa, perante o patrão. A praxe não é apenas a praxe. É o processo de iniciação na indignidade quotidiana. O pior escravo é aquele que não se quer libertar. E que encontra na escravidão o conforto de ser como os outros. Os caloiros que aceitam a praxe não são ainda escravos. Apenas treinam para o ser.

Daniel Oliveira

Lisboa, cidade-luz numa Europa em guerra

por A-24, em 18.09.13
Público

Espiões, esplanadas cheias de refugiados, artistas, políticos e membros da realeza a encher os hotéis, jornalistas, revistas de propaganda, manobras diplomáticas: Lisboa foi, durante a II Guerra Mundial, um refúgio e uma via de fuga da Europa em guerra. Uma exposição no Terreiro do Paço recorda esses anos.
Eram as luzes iluminando a noite de Lisboa, como se a cidade estivesse em festa, que mais surpreendiam os refugiados acabados de chegar de uma Europa mergulhada na guerra e na escuridão. No Verão de 1940 Paris acabava de cair nas mãos das tropas do III Reich e milhares de pessoas tentavam fugir. A porta de saída era Lisboa.
De repente, os olhos do mundo voltavam-se para a cidade não pelos motivos que o Governo sonhara - a inauguração da ambiciosa Exposição do Mundo Português - mas para tentar perceber o que era a capital deste pequeno país europeu, que se mantinha neutral durante a guerra, e que acolhia temporariamente milhares de pessoas.
Uma refugiada no cais de Lisboa à espera da partida
(foto maior); a chegada de mais um comboio à gare do Rossio;
uma das tabacarias onde se vendiam inúmeros jornais
e revistas internacionais; e (foto em baixo) as
estátuas da capital protegidas na altura em que se começou
a recear um
ataque alemão a Portugal

É por isso, diz Margarida de Magalhães Ramalho, comissária, juntamente com António Mega Ferreira, da exposição A Última Fronteira - Lisboa em Tempo de Guerra, que a revista National Geographic decide fazer uma reportagem sobre Portugal. "Em 1941, a National Geographic não fazia praticamente reportagens fora da América, e no entanto mandam alguém cá. Portugal era uma espécie de paraíso perdido, com uma quantidade de coisas que já ninguém sabe o que são: as varinas, o homem da cortiça, o vendedor de azeite e vinagre. Isso deve ter-lhes suscitado interesse".

A reportagem, com as imagens das varinas e de mulheres embrulhadas em xailes negros, mas também de alguns edifícios que revelam um tímido desejo de modernidade, abre a exposição no Torreão Poente do Terreiro do Paço. "O tom da reportagem é de grande simpatia". Como são aliás, frisa a investigadora, a esmagadora maioria dos testemunhos que recolheu e a que teve acesso desde que há cerca de dez anos começou a trabalhar este tema a partir do projecto de uma outra exposição (nunca concretizada) sobre a passagem dos refugiados pela Figueira da Foz. Um trabalho que ainda antes da exposição no Terreiro do Paço começou por ter a forma de um livro, Lisboa, uma Cidade em Tempo de Guerra.

"Nos cerca de cem testemunhos a que tive acesso, muitos deles guardados na Fundação Shoah, nos Estados Unidos, se houver um a dizer mal de Portugal já é muito", afirma Margarida Ramalho. "A maioria das pessoas teve uma enorme empatia com o país, foi muito bem recebida, sentiu-se acarinhada, protegida. É raro aquele que não faz referência ao facto de ter passado de uma "terra cinzenta" para o "luminoso Portugal"." Isto apesar da política de restrição de vistos e, ponto em relação ao qual a investigadora é particularmente crítica, "a forma como Portugal se comportou com os judeus de origem portuguesa", descendentes de famílias expulsas pela Inquisição, aos quais, na maioria dos casos, não permitiu a entrada.
No início da década de 40, Lisboa tornou-se subitamente uma cidade cosmopolita. A exposição conta-nos essa história, começando com um monte de malas antigas no meio do hall e com imagens das chegadas, na maior parte dos casos em comboios que vinham até à Estação do Rossio, e das partidas, em navios ou, para os que tinham mais posses, de avião. "Muitas vezes, as pessoas apercebem-se que têm que fugir, metem tudo nas malas e despacham-nas para Portugal na esperança de virem depois. Mas alguns não conseguem vir e as malas ficam por cá e acabam por ser leiloadas".
Outros têm mais sorte, e conseguem chegar a Lisboa e até, como a coleccionadora de arte Peggy Guggenheim, fazer passar por aqui muitas obras de arte, em direcção aos EUA. "Logo a seguir à ocupação de Paris, Peggy Guggenheim compra uma série de obras a artistas que estavam desejosos de vender coisas para se irem embora, e tudo isso passou certamente por Portugal", acredita a investigadora.
Os refugiados instalavam-se sobretudo no eixo da Rotunda/Avenida da Liberdade/Rossio. "Era aí que existiam os melhores hotéis e as pensões, e, além disso, ficavam próximo das legações dos vários países beligerantes. A dos EUA era no n.º 258 da Avenida da Liberdade, por exemplo, enquanto o consulado alemão ficava do outro lado, na Av. Joaquim António de Aguiar."
O mais luxuoso destes hotéis era o Aviz, um pouco mais acima, nas Picoas, no local onde está hoje o Imaviz. Era aí que se instalava habitualmente Calouste Gulbenkian, e era aí que queriam ficar os duques de Windsor, que chegaram a Portugal em Julho de 1940. "A passagem do duque de Windsor envolve pressões alemãs para ele ficar na Europa, porque, dado que ele tinha algumas simpatias pela Alemanha, os alemães tinham esperança de o conseguir pôr no trono. Chegou a haver, do lado alemão, ordem para, se fosse necessário, usar-se a força para o reter". Mas, por pressões inglesas, o duque acabou por deixar Portugal - e não chegou a hospedar-se no Aviz.
Muitos dos refugiados frequentavam os cafés da zona e passavam grande parte do tempo nas esplanadas ou em jardins como o Botânico, ou o Parque Eduardo VII, onde gostavam em particular da Estufa Fria. Não podiam fazer muito mais do que esperar por notícias - e era isso que os levava diariamente às estações de correios dos Restauradores ou do Terreiro do Paço para saber se chegara alguma coisa à posta-restante (uma das salas da exposição tenta precisamente recriar o ambiente de uma estação de correios).
Para além de Lisboa, havia também importantes grupos de refugiados na Curia, na Figueira da Foz, na Ericeira. Mas o local que ficou mais ligado à passagem por Portugal dos que fugiam ao avanço nazi foi o Estoril, transformado num autêntico cenário de espionagem. Uma das salas da exposição mostra um goniómetro e um rádio transmissor, e relembra a estadia de Ian Fleming no Hotel Palácio do Estoril, pró-aliado, que, juntamente com o Casino, também muito frequentado pelos refugiados mais ricos, terá inspirado o livro Casino Royale. Uma das personagens com quem Fleming se cruzou - e que poderá ter inspirado o Agente 007 - foi o jugoslavo Dusko Popov, agente duplo também conhecido como Triciclo.
E, numa cidade cheia de refugiados e agentes secretos, último local de refúgio numa Europa em guerra, num país neutral, todos aproveitavam para fazer a sua propaganda. "Todos os beligerantes tinham jornais, revistas", conta Margarida Ramalho, junto a uma parede com várias dessas publicações, daGuerra Ilustrada à Allô Portugal, Aqui Alemanha, passando pela americanaEm Guarda.
"O The Anglo-Portuguese News, jornal luso-britânico, era dirigido na altura por um tio meu casado com uma inglesa. Para além de dirigirem o jornal, que era considerado pelos alemães como o porta-voz do Churchill, os dois recolhiam toda a informação relacionada com a guerra para a passar à embaixada inglesa. Quando se fala na eventualidade de uma invasão de Portugal, eles estão na lista das pessoas que devem ser retiradas com urgência para não caírem nas mãos dos alemães".
Toda a gente escolhia um lado. "A maioria tomou o partido dos ingleses. Os taxistas punham bandeiras do país que apoiavam, as lojas faziam montras pró-aliadas ou pró-germânicas." Os jornais davam notícias da guerra, e os correspondentes estrangeiros em Portugal gritavam histórias ao telefone no meio de cafés cheios de gente.
Em Belém, o país mostrava o seu império colonial, mas os refugiados que enchiam os cafés tinham outras coisas em que pensar. Lisboa tentava começar a ser moderna, mas nas zonas populares, como a Aldeia dos Trapeiros, junto ao Areeiro, as condições eram miseráveis e as pessoas ainda viviam a meias com porcos. Mas, no meio de tudo isto, o que mais espantava quem aqui chegava eram as luzes que iluminavam as ruas - as únicas luzes ainda acesas numa Europa às escuras.

Portugal estará no top dos países mais desiguais

por A-24, em 17.09.13

Portugal, Grécia, Irlanda, Itália, Espanha e Reino Unido estarão entre os países mais desiguais se os governos não abandonarem a austeridade. Quem o diz é a organização Oxfam International que aponta num relatório, divulgado hoje, para a agravamento das desigualdades, devido às atuais políticas de cortes.

Segundo o estudo intitulado "Um conto moral: o verdadeiro custo da austeridade e da desigualdade na Europa", os europeus terão que esperar mais de 25 anos para regressar ao nível de vida de há cinco anos.


"Se as tendências atuais se mantiverem, alguns países na Europa vão ter em breve níveis de desigualdade que vão estar entre os mais elevados no mundo. As únicas pessoas que beneficiam da austeridade são 10% dos europeus mais ricos que sozinhos veem a sua riqueza aumentar", pode ler-se no documento.
A Oxfam International defende que a austeridade já provou no passado que "falhou" e que os governos dos países precisam de alterar as suas políticas.

"Há alternativas às políticas de austeridade como ensinam as lições do passado da quebra social vividas pela América latina, Ásia do sudeste e África nas décadas de 1980 e 1990", sublinha o relatório.

146 milhões em risco de pobreza 
A ONG alerta ainda que a população europeia em risco de pobreza pode aumentar para os 146 milhões até 2025: "As políticas de austeridade podem aumentar em pelo menos 15 milhões e até 25 milhões o número de europeus em risco de pobreza até 2015, o equivalente à população da Holanda e da Áustria. No total serão mais de 146 milhões no limiar da pobreza"

"A gestão da crise económica na Europa ameaça os países a recuarem décadas nos direitos sociais. Cortes agressivos na segurança social, saúde e educação, perda de direitos dos trabalhadores e fiscalidade injusta conduzirão milhões de europeus ao círculo da pobreza que poderá manter-se durante gerações. Não tem sentido moral, nem económico", afirma a diretora do departamento europeu da Oxfam, Natalia Alonso.

Na véspera da reunião dos ministros europeus das finanças, a organização pede que os responsáveis políticos tentem encontrar na sexta-feira um um novo modelo económico e e social que invista nas pessoas, numa democracia mais forte e numa fiscalidade mais justa. 

"É possível um novo modelo de prosperidade, investindo em escolas, hospitais, habitação, investigação e tecnologia. Milhões de europeus podem voltar ao trabalho e participar numa economia sustentável", conclui o relatório.

Expresso

O PCP no colo de Hitler

por A-24, em 16.09.13

Henrique Raposo

Por razões óbvias, a Alemanha tem a pole position da culpa , mas convém relembrar um pormenor que fica sempre na sombra de Hitler: toda a gente molhou a sopa no anti-semitismo, todas as nações europeias desenvolveram correntes anti-semitas que explodiram durante a II Guerra Mundial. Basta olhar para a Áustria, um país que anda a passar entre os intervalos da chuva há mais de meio século. Cerca de um terço dos guardas dos campos eram austríacos e Hitler não nasceu na Alemanha. O diabo está nos pormenores, não é verdade? Outras nações da Europa ocidental, a começar pela França, também tiveram comportamentos vergonhosos. Aliás, quando lemos autores respeitados da época, ficamos a pensar que Hitler colocou em prática aquilo que ia na cabecinha de muita gente.

Se a Europa ocidental teve um comportamento lastimável, a Europa de Leste foi o inferno. Este filme (passa no AXN) levanta a pontinha desse véu infernal. Como obra ficcional, a estória deste bando de guerrilheiros judeus da Bielorrússia não é grande espingarda, mas tem o condão de mostrar que o anti-semitismo também era rei e senhor entre os eslavos. Os progrom rebentaram na Ucrânia, Rússia e Bielorrússia no final século XIX (1881-84). Portanto, em 1941, a desumanização do judeu estava consumada há pelo menos duas gerações. E Defiance mostra bem que, na cabeça de um bielorrusso, matar um judeu não era muito diferente de matar um bicho. Matava-se um judeu com gosto, facto que explica o colaboracionismo de boa parte da população na caça ao judeu patrocinada pelos invasores nazis.

Da mesma forma, os bielorrussos colaboraram com o anti-semitismo dos russos. Sim, Defiance também é uma crónica do anti-semitismo dos comunistas soviéticos. Aquela ideologia universalista deveria ter extirpado o ódio anti-semita das etnias eslavas, mas o efeito acabou por ser o contrário. Através daquela conversa sofisticadíssima sobre as conspirações do capital judeu, o comunismo acabou por legitimar o ódio anti-semita. E o sucesso destas teses foi tão grande, que as ditas ainda hoje estão vivas junto das viúvas da URSS. O PCP legitimou recentemente os "Protocolos dos Sábios do Sião". Quem sai aos seus não degenera, não é verdade?



As 15 melhores transferências a nível internacional

por A-24, em 15.09.13

Com o mercado definitivamente fechado nos principais países, e depois de um defeso recheado de transferências importantes no panorama internacional, chegou o momento do Visão de Mercado indicar a lista final das melhores contratações neste Verão (considerando a valia dos jogadores, dinheiro envolvido, e impacto que podem ter nas respectivas equipas).


1.º Mesut Özil - O Arsenal estava em desespero para garantir um reforço importante e acabou por realizar a melhor contratação do defeso. O internacional alemão custou 50 milhõs de euros (claramente um valor justo para a sua valia), mas a equipa de Wenger ganhou um upgrade fantástico. Ao contrário de algumas contratações, Özil chega a Londres para ser a figura principal dos gunners e o seu impacto na equipa vai ser tremendo (é um dos melhores jogadores do Mundo), fugindo um pouco do que poderia ter sido a sua época ao serviço do Real Madrid. O seu pé esquerdo fantástico, a visão de jogo (um dos jogadores com mais assistências na Europa) e a sua criatividade farão estragos na Premier League, tendo em conta que o futebol atrativo praticado pelo Arsenal encaixa perfeitamente no estilo de jogo do alemão.

2.º Gareth Bale - Os valores da transferência (91 milhões) são algo exorbitantes - apesar do grande valor do extremo/avançado - mas o ex-Tottenham promete começar a render, desde logo, cada cêntimo pago pelos merengues. Não só irá colmatar uma das lacunas da equipa (faltava claramente um extremo que desse profundidade). Como tem tudo para formar a dupla mais "explosiva" do Mundo, ao lado de Ronaldo, pelo menos a mais cara é. O esquerdino vai oferecer novas opções aos merengues, como por exemplo ter mais um jogador que assuma a responsabilidade do jogo, não esquecendo a sua enorme velocidade e veia goleadora do galês (algo comprovado no ano passado).

3.º Neymar – A sua chegada ao Barcelona encerrou uma cansativa novela que se arrastou durante muito meses, mas a verdade é que, ainda por cima com a saída de Villa, o brasileiro tem tudo para deixar a sua marca nos catalães. O seu talento vai encaixar perfeitamente naquela posição de extremo esquerdo (sempre com movimentos interiores), e os envolvimentos com Leo Messi já fazem sonhar os catalães. Resta saber como o ex-Santos se vai adaptar ao futebol do Barça (as suas características fogem um pouco do tradicional tiki-taka), e também ao facto de não ser a principal figura da equipa (era o grande destaque tanto no emblema santista como no Brasileirão).


4.º Edinson Cavani - O avançado uruguaio estava a agitar o mercado em Espanha e Inglaterra, mas os milhões do PSG acabaram por convencê-lo, originando a maior transferência da história do PSG (e também do futebol francês). Os parisienses contrataram um super-avançado, sem dúvida um dos melhores na sua posição, para fortalecer ainda mais um plantel que terá legítimas ambições na Europa, para além do domínio na Ligue 1. Se com Ibra o ataque do PSG era temível (esta transferência pode motivar a saída do sueco), agora com a adição de Cavani golos não irão faltar. Os 63 milhões de euros pagos pelo uruguaio, valor da cláusula de rescisão, são um sinal claro do poderio financeiro do clube francês, talvez o mais forte neste capítulo na actualidade.

5.º Isco – Com a partida de Özil para o Arsenal, a contratação do médio espanhol ganhou outro peso. O Golden Boy 2012 terá, a partir de agora, a responsabilidade na construção de jogo ofensivo, figurando-se como o criativo da equipa, num plantel recheado de potência ofensiva. A qualidade técnica do espanhol é estonteante, tem uma margem de progressão enorme, e vai certamente espalhar magia no meio-campo madridista, algo já perceptível nos primeiros jogos do ex-Málaga. O internacional espanhol, sem Özil a seu lado, pode mostrar toda a sua qualidade no centro do terreno (claramente onde rende mais), apesar de poder alinhar também nas faixas (aliás, nestes primeiros jogos, tem derivado para a esquerda para dar liberdade a CR7).

6.º Stevan Jovetic - Mesmo com Dzeko, Aguero e Negredo no plantel, o ataque pedia um prodígio como o montenegrino. O avançado ex-Fiorentina, para além de todo o seu virtuosismo e qualidade técnica, irá ser bastante útil a Pellegrini, isto porque, face à sua polivalência, pode ser utilizado em vários esquemas. Depois de vários anos em Florença, onde foi um dos rostos da Fiorentina, este era o momento ideal para dar o salto, sendo que o talento montenegrino pode agora ser totalmente explorado na Premier League.


7.º Mario Gómez – A Fiorentina tem sido, nestas últimas 2 épocas, uma das melhores equipas a movimentar-se no mercado e a contratação do dianteiro alemão, de 28 anos, só vem confirmar esta tendência. O ex-Bayern, que aparentemente não contava para Guardiola, é um dos verdadeiros goleadores do futebol actual e um grande upgrade nas aspirações do clube Viola na Serie A (as aquisições de Joaquín e Ambrosini já tinham sido interessantes. Não temos dúvidas que a Fiorentina, sobretudo com Inter e AC Milan ao nível da época passada, tem tudo para lutar pelo Scudetto, beneficiando de um goleador como o internacional alemão.


8.º David Villa – A saída de Falcao, ainda para mais devido aos valores recebidos, obrigava à contratação de um avançado de peso, mas a chegada do internacional espanhol teve tanto de inesperada como de fantástica. El Guaje foi uma excelente contratação, sobretudo pelo facto de ter apenas custado 2,1 milhões de euros (valor pode chegar aos 5,1), mas também porque os colchoneros garantiram um jogador tremendo. Apesar de, ao que tudo indica, estar a ser fortemente cobiçado pelo Tottenham, o avançado de 31 anos junta-se assim a Diego Costa no ataque madrileno, numa dupla que promete, tanto na La Liga, como nas competições europeias.


9.º Mario Götze - Foi o primeiro reforço de Pep Guardiola para o seu Bayern Munique, sendo - consequentemente - a primeira grande "bomba" do mercado de transferências (a oficialização foi inesperada, sobretudo pela momento em que foi anunciada). O craque alemão – pela sua qualidade técnica e circulação de bola - encaixa perfeitamente na estratégia do treinador espanhol, isto porque faltava um médio (que até pode ser o avançado) com as suas características. Percebe-se a estratégia dos bávaros (sempre procuraram contratar as principais estrelas da Bundesliga), e parece que o domínio, mesmo depois do que sucedeu na época anterior, está para ficar.


10.º Falcao – Apesar de não ter feito uma época ao seu nível, o Mónaco teve grande mérito em reforçar o seu elenco com um dos avançados mais cotados da actualidade. O dianteiro colombiano (que tinha tudo para estar nas grandes montras do futebol mundial) será a grande referência do emblema monegasco. O clube francês, que na época transacta alinhava na segunda divisão, pagou uma fortuna (entre 45 a 60 milhões) pelo ex-Atlético Madrid, mas terá na frente de ataque uma fiável garantia de golos.


11.º Tevez – Grande contratação dos campeões italianos. A Juve, mesmo contando com Matri, Vucinic e Quagliarella, precisava de um avançado que fosse garantia de golos (o médio Vidal foi o melhor marcador em 2012/2013), e o argentino promete colmatar perfeitamente essa lacuna. O ex- Manchester City vai entrar de caras no esquema de Conte e, caso consiga deixar de fora o seu lado problemático (para já, começar a pré-época com excesso de peso foi um mau início), tem tudo para ser uma das grandes figuras do próximo campeonato.

12.º Paulinho - Grande contratação por parte de Villas-Boas. O brasileiro, que foi uma das figuras da Taça das Confederações (3º melhor jogador), é um médio tremendo, com umas características fantásticas para se impor no futebol inglês. Disponibilidade física, poder de recuperação de bolas e muita competência tanto a nível defensivo, como ofensivo (forte a aparecer em zonas de decisão), são estas as valências do ex-Corinthians que não terá problemas em ganhar um lugar no 11 dos Spurs. O conjunto londrino ganha um elemento que eleva - e muito - a qualidade do plantel e os 20 milhões de euros acabam por ser um valor simpático para a valia do internacional canarinho.


13.º Mkhitaryan - Mario Götze não poderia ter melhor sucessor. O internacional arménio, que brilhou ao serviço do Shakthar na época passada, é um médio bastante completo e com umas capacidades fantásticas para se impor no esquema de Klopp. Apesar de não ser um jogador muito mediático, Mkhitaryan reúne as condições ideais (polivalente, poder de finalização, qualidade técnica, etc) para seguir directamente para o 11 inicial, recolocando o Dortmund novamente como uma equipa capaz de ombrear com o Bayern pela Bundesliga. Grande contratação.

14.º Gonzalo Higuaín - Excelente reforço por parte do Nápoles. Os 63 milhões de euros recebidos pela transferência de Cavani não poderiam ter sido investidos de melhor forma, sendo que a incorporação do dianteiro argentino deverá ter um impacto imediato no conjunto italiano. Higuaín é um dos melhores avançado do mundo (faz 25 a 30 golos por temporada), e a sua entrada, assim como a de Reina, Callejón, Albiol, Mertens, etc, coloca claramente o Nápoles como um dos fortes candidatos ao Scudetto.

15.º Christian Eriksen - 13,5 milhões de euros foi um valor simpático, considerando a qualidade do dinamarquês (presença na selecção principal do seu país desde os 18 anos) e tendo como comparação outras transferências que se verificaram neste Verão. O Ajax perde a sua principal referência (apesar de só ter 21 anos nos últimos 3 anos contribui de maneira decisiva para o tricampeonato), mas o Tottenham ganha um excelente médio ofensivo, um elemento com técnica, visão de jogo e talento no transporte de bola para dar a criatividade que muitas vezes falta ao futebol da equipa de Villas-Boas.

Segurança versus liberdade - ansiar pela primeira pode nos deixar sem a segunda

por A-24, em 14.09.13
Instituto Ludwig Von Mises

Numa sociedade em que o indivíduo conquista posição e honras quase exclusivamente em função de ser um servidor assalariado do governo; em que o cumprimento do dever prescrito é considerado mais louvável do que a escolha do próprio campo de atividade; em que todas as ocupações que não conferem um lugar na hierarquia oficial ou o direito a um rendimento fixo são julgadas inferiores e até certo ponto aviltantes -- seria demais esperar que a maioria prefira por muito tempo a liberdade à segurança.


E quando só se pode optar entre a segurança numa posição de dependência e a extrema precariedade numa situação em que tanto o fracasso quanto o êxito são desprezados, poucos resistirão à tentação da segurança ao preço da liberdade. Tendo-se chegado a esse ponto, a liberdade torna-se quase um objeto de escárnio, pois só pode ser alcançada com o sacrifício de grande parte das boas coisas da vida. Nessas condições, não surpreende que um número cada vez maior de pessoas se convença de que, sem segurança econômica, a liberdade "não vale a pena", e se disponha a sacrificar esta em troca daquela. 

Este deliberado menosprezo por todas as atividades que envolvem risco econômico e a condenação moral dos lucros que compensam os riscos assumidos, mas que só poucos podem obter, é resultado direto das doutrinas socialistas. Não podemos censurar os nossos jovens quando preferem o emprego seguro e assalariado do funcionalismo público ao risco do livre empreendimento, pois desde a mais tenra idade ouviram falar daquele como sendo uma ocupação superior, mais altruísta e mais desinteressada. A geração de hoje cresceu num mundo em que, na escola e na imprensa, o espírito da livre iniciativa é apresentado como indigno e o lucro como imoral, onde se considera uma exploração dar emprego a cem pessoas, ao passo que chefiar o mesmo número de funcionários públicos é uma ocupação honrosa.

Os melhores pensamentos da semana

por A-24, em 13.09.13
Incêndios



Sexta-feira, 30 de Agosto, excerto de uma conversa com um octagenário "analfabeto" residente numa aldeia do concelho de Barcelos: " Só podia ser assim, antes era raro haver um fogo, as bouças estavam limpas, ia-se ao monte buscar carros de mato para as camas do gado e carros de lenha, para o inverno... E havia respeito! Agora está tudo desgovernado, já nem guardas florestais há, as casas dos guardas estão tapadas de silvado... A gente mudou muito, já nao se pode confiar em ninguem, é só interesses! Veja: a madeira queimada é mais barata e os bombeiros e esses helicopteros precisam trabalhar, nao é verdade? Ora pense bem nos milhões que vale um incendio... Aqui ha uns anos, nao se podia construir no monte de Carvoeiro; foi só aquilo arder tudo e agora olhe pró monte... até já lhe chamam a zona industrial de Carvoeiro. Não acredite em nada do que vê nem que lhe dizem, nós não somos nada, há os interesses. No ano passado ardeu o monte de Aguiar e acusaram aquele moço sem emprego e sem recursos, e ele lá está, preso em Viana. Pois bem, este ano o monte de Aguiar voltou a arder. Que me diz a isto? Eu nunca vi nada assim, é muito grave e digo-lhe, nao tem soluçao porque é um problema da gente, esta gente de hoje nao respeita nada nem ninguem, nao é séria, só vê os seus interesses, não quer saber do bem de todos, que é maior. Não há soluçao, ou eu pelo menos nao vejo nenhuma."


Tribunal de Contas

Sabado, 31 de Agosto, excerto de uma conversa com o dono do quiosque de jornais: "Estes juízes estao a ganhar o deles, a defender o trabalho deles. Com os privados ninguem se importa mas os funcionarios publicos sao santos; olhe a minha mulher, trabalhava na fabrica, de um dia para o outro ela e mais 60 vieram para a rua porque a fabrica foi para outro país mais barato. E algum juíz veio falar? Nenhum! Anos de trabalho e dedicaçao, trabalhar sabados, domingos e feriados para entregar a obra, quando era preciso, e de um dia para o outro... É assim a vida, agora está em casa, montamos uma fabriqueta na garagem, está a minha mulher mais duas empregadas, não dá muito mas ela sempre se vai entretendo porque a reforma está longe. E depois um homem vê os enfermeiros, todos chateados por terem de trabalhar mais de 35 horas por semana! Chega a ser uma ofensa... Mas nao é q eu ache que os enfermeiros devam trabalhar tanto como o horario de um privado, que a maior parte das vezes, é um abuso por parte dos patroes, não é isso. O que eu acho é que nunca ninguem se preocupa com os privados... Só servimos para pagar impostos, mais nada. Bem fez o meu filho, que emigrou e eu, se soubesse o que sei hoje, nunca teria voltado."

Saúde

Quinta feira, 29 de Agosto, excerto de uma conversa com uma oncologista: "A vinda dos gestores para a saúde não me parece que tenha acrescentado valor, muito pelo contrário. Estes senhores nunca viram um doente, não têm o mínimo de noção como funciona a saúde: os cortes são cegos, sem consultarem os médicos e sem contarem com as subsequentes despesas que esse corte acarreta. Vejamos, com esta ideia fixa de se comprarem os medicamentos citotóxicos mais baratos eu hoje não consigo fazer uma epirrubicina (quimioterapia) por veia periférica pois provoca tromboflebites gravíssimas. Aquilo que era um procedimento simples, administraçao por veia, com o medicamento de marca, nunca dava problemas. Hoje em dia, com o medicamento (genérico) que temos no sistema, uma doente que tenha indicaçao para epirrubicina tem de ir ao bloco operatorio para lhe colocar um catéter central pois nao é toleravel por endovenoso. Veja os custos que uma pseudo poupança acarreta já para não contabilizar o sofrimento dos doentes. E neutropenias graves, como eu nunca vi?! Eu farto-me de reportar, o INFARMED está a par disto tudo... mas faz alguma coisa?! Quando eu vejo um grama de medicamento ser mais barato que um grama de farinha do supermercado, eu pergunto-me o que é que lá estará. Parece-me que esta reduçao da despesa na saude está a por em causa a qualidade dos tratamentos, os gestores desconhecem as reais consequencias dos seus actos economicistas, aparentemente inofensivos e a bem da "sustentabilidade do SNS". Aqui há uns meses o serviço requereu um aparelho de refrigeraçao portatil (para amostras biologicas); o pedido foi negado por que os senhores gestores acharam que estavamos a pedir um aparelho de ar condicionado. 
(pausa)
Nunca foi tao difícil ser médico."

Regina da Cruz

Religiões seculares

por A-24, em 13.09.13
in A Corte na Aldeia

Na Europa, no mundo ocidental em geral, o retrocesso do cristianismo foi acompanhado pela efusão das religiões seculares. Com o fim da principal na sua versão ortodoxa, o marxismo, os substitutos fizeram sentir a sua presença de forma mais visível. O marxismo cultural tratou de espalhar bem alta a sua mensagem e o relativismo fez a sua parte. 
Com um catolicismo envergonhado era necessário encontrar substitutos que fizessem jus à asserção de Chesterton, e aqueles que deixaram de crer em Deus passaram a crer em qualquer coisa. A religião dos direitos dos animais, do feminismo, do género, acompanhada de outras de cariz mais esotérico como a new age fez a sua entrada triunfante e os hipermercados encheram-se de produtos para animais, esses mesmos que durante milhares de anos foram alimentados com restos e nunca se queixaram. Ao seu lado proliferaram as feirinhas esotéricas, os textos sobre reiki nos jornais e as ofertas de medicinas alternativas nas ruas das nossas cidades. Ofereceu-se o antigo com roupagens novas, mas como os clientes actuais nada sabem sobre as heresias primitivas o produto continuou a vender-se. 
O fenómeno atingiu todos os segmentos da sociedade, mesmo quando considerada a nível ideológico. E se, para a esquerda, é natural a obsessão com a destruição do catolicismo e sua substituição por qualquer religião secular, para a direita e mesmo para a área nacionalista só pode estranhar assimilação do fenómeno quem não se tiver apercebido do quão pouco de catolicismo nela resta. Por isso, acompanhando a erosão daquele e a vergonha manifestada por alguns em se assumirem como testemunhas de Cristo, os fanáticos da religião dos direitos dos animais (seja isso o que for) ocuparam o seu espaço, ao lado dos neo-pagãos com a sua mensagem plena de infantilidade mas que serve perfeitamente a quem não conhece mais nenhuma. Assim, deste modo, o bom e velho relativismo vai ganhando a batalha: não há verdades e todas as opiniões são legítimas. O ser humano faliu, na sua vertente tradicional (o que é velho é para abater e a tradição é perniciosa) e os animais são os nossos melhores amigos face á descrença na humanidade, marcada por um mal que já não é teológico porque a ignorância e a preguiça fazem valer os seus direitos. O paganismo, entretanto, propõe o regresso à natureza e a veneração dos ancestrais como uma coisa absolutamente nova, como se na tradição europeia e católica tal fosse completamente desconhecido. No meio de tudo agradecem os fabricantes de rações para animais e de bugigangas diversas, satisfeitos pelas novas oportunidades que se oferecem. O mercado, evidentemente, não pode parar. 



Políticas anti-família no Reino Unido

por A-24, em 13.09.13
Government family policy undermines families. Por Philip Booth.


There are various solutions to this discrimination against single-earner households and marriage. The best would be to radically cut back benefits and taxes so that families could take their decisions without interference by the state. It is not necessary for the government to spend 50 per cent of national income to deal with problems of poverty not resolved in other ways ­ indeed, that level of spending and taxation is a major part of the problem.

In the short term, the most expedient move would be to move the tax system towards a system of household tax allowances. This would mean that single-earner families can have the same amount of tax-free income as dual-earner families and that couples would pay less tax to compensate for the benefits they forgo when they marry. One stepping stone towards this would be a transferable tax allowance but the government seems much less keen on implementing this manifesto promise than it does on dreaming up new welfare benefits for rich dual-earner couples. The Coalition priority seems to be to create new welfare benefits, rather than cutting taxes on families.

In the last three years, the English and Welsh Catholic agencies have tended to echo the predictable secular commentary on welfare reform, criticising any reductions in spending. They should read the signs of the times. We have a welfare and tax system that is completely broken. Instead of supporting the family in a spirit of subsidiarity, it attacks the family. Instead of supporting work, it attacks work. Two essentials for the common good or human flourishing ­ families and work ­ are being attacked by the institution that is supposed to promote the common good.

The Deputy Prime Minister Nick Clegg has called proposals for a transferable tax allowance “patronising drivel that belong in the Edwardian age”. This makes one wonder to what age does a situation whereby nearly 30 per cent of children live in families in which nobody works full-time belong?