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A-24

Antiga sinagoga na Madeira descoberta um século depois

por A-24, em 03.04.13
Judeus Bnei Anussim deslocaram-se à Madeira para celebrar o Seder de Pessach, a páscoa judaica, num acto raramente vivido nas últimas décadas na ilha.
A Sinagoga do Funchal, localizada no centro da capital madeirense, é desconhecida da generalidade dos madeirenses. Não faz parte dos guias turísticos, nem sequer é edifício classificado, apesar das invulgares características hoje apenas patentes na fachada principal e que denunciam ter sido projectada por Ventura Terra, o arquitecto da Sinagoga de Lisboa e autor do plano de urbanização e modernização da cidade de Funchal, também executado no primeiro quartel do século XX.
"Esporadicamente vêm aqui alguns judeus, para visitar a sinagoga", revela Catarina Dantas, arquitecta e actual proprietária, com seu irmão Rodrigo, do edifício com número de porta 33, à Rua do Carmo. No seu interior não há vestígios do outrora lugar de culto. Ao nível do rés-do-chão estão instaladas uma loja de decoração, no espaço antes ocupado por uma lavandaria, e uma pastelaria, a Estrela do Carmo.

"Porquê Estrela do Carmo? Dizem que é por causa da estrela que existe numa janela do prédio", conta Agostinho Ramos, sócio do estabelecimento comercial que comprou "há uns 30 anos com Agostinho Ribeiro". "Mas este bar já existe há uns 50 anos", frisa, confessando ignorar o significado da estrela, a Estrela de David, símbolo do judaísmo que domina a vidraça de uma das janelas da antiga sinagoga.
O período de construção, entre 1912 e 1914, reforça a hipótese de ter sido concebida pelo arquitecto Miguel Ventura Terra, pois coincide com a sua passagem pela Madeira, alguns anos depois de ter inaugurado a Sinagoga Judaica de Lisboa, de semelhante alçado. Com uma importante diferença: enquanto a Sinagoga Shaaré Tikva ("Portões da Esperança" em hebraico), situada na Rua Alexandre Herculano, foi construída num pátio amuralhado, porque na época a lei estabelecia que os templos não católicos não poderiam ter a sua fachada para a rua, a sinagoga do Funchal, construída já depois da implantação da I República, tem a fachada principal para a via pública, na Baixa citadina. Já nessa época, a Rua do Carmo, cuja origem está relacionada com a igreja dos carmelitas, a Igreja do Carmo, dedicada a Nossa Senhora do Carmo, ia desde o Largo do Phelps, junto à igreja, até à Rua do Anadia.
Além das paredes mestras originais, a fachada é o que resta do antigo templo judaico, cujo interior sofreu alterações, nomeadamente a adaptação do piso térreo ao comércio e os pisos superiores a moradias, com licença de habitabilidade emitida pela Câmara do Funchal em 1951. Mas a construção da sinagoga, contígua ao antigo Reid"s Carmo Hotel, onde foi o Grémio dos Industriais de Bordados da Madeira e mais tarde o Cine Jardim, decorreu no início da segunda década do século passado.
Ventura Terra, arquitecto da sinagoga e do novo Funchal 
É nesse período, mais precisamente a 13 de Fevereiro de 1913, que Ventura Terra se desloca ao Funchal, convidado pelo município para "modernizar" a cidade. Em entrevista ao Heraldo da Madeira, o "ilustre homem do risco" deu a sua primeira impressão sobre a cidade, que considerou "ser bastante confusa, com ruas horrivelmente calcetadas, muito irregulares e acidentadas, uma cidade completamente destituída dos requisitos que faziam a formosura e a comodidade dos sistemas de viação das cidades modernas".

O arquitecto, profundamente influenciado pelo urbanismo dos boulevards de Paris onde havia estudado, efectuou um "plano de melhoramentos" para a capital madeirense, dividido em três fases: ao primeiro traçado fez corresponder aquilo que o Funchal permitia fazer, ao segundo correspondiam ruas largas e avenidas, era a transição para a terceira proposta, uma cidade a ser construída em 50 a 100 anos. As obras começam em 1912, com a construção do primeiro troço da Avenida Arriaga, mesmo antes do plano definitivo ser entregue à Câmara do Funchal, o que só viria a acontecer em 1915.
Embora não conste da lista de obras emblemáticas de Ventura Terra (1866-1919) - várias vezes distinguido com o Prémio Valmor e autor da reconversão do edifício das Cortes na Câmara dos Deputados e Parlamento, Palácio de S. Bento, do Teatro Politeama, Banco Lisboa & Açores, Palacete Valmor, Maternidade Alfredo da Costa e Sinagoga Shaaré Tikvá, em Lisboa -, a existência da sinagoga do Carmo é vagamente referenciada por membros da comunidade judaica no estrangeiro.
"Sabemos que aqui existiu, mas consideramos inimaginável que nunca tenha sido objecto de estudo e que não seja do conhecimento público local", confessou ao PÚBLICO Marvin Meital, responsável pela celebração do Seder de Pessach, uma das raras vivências colectivas da páscoa judaica das últimas décadas ocorrida esta semana na Madeira.
Dirigido por Marvin, hazan ou cantor litúrgico do judaísmo preparado para guiar a recitação das orações nas sinagogas, o Seder congregou num hotel do Funchal 20 judeus, na maioria provenientes de Israel, com ligação à comunidade Bnei Anussim. Para ao jantar desta celebração que foi apoiada pela Shavei Israel, a organização judia sediada em Israel, foi trazido "a matzá [pão ázimo] e outros alimentos kosher [que obedecem à lei judaica], a que [se juntaram] legumes adquiridos no mercado local", revela.
Enquanto para o judaísmo, a festa de Pessach evoca a libertação do povo de Israel no Egipto, no cristianismo a Páscoa representa a libertação de todos os que estavam separados de Deus pelo pecado, regenerados pela morte e ressurreição de Cristo, sublinha aquele professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, doutorado em Linguística e Línguas Neolatinas. "Foi uma vivência familiar, com a participação das crianças, em que também se reflectiu sobre as amarguras da actual escravidão e os caminhos para a gloriosa liberdade", revela Marvin, dois dias depois do Seder celebrado segunda-feira no Funchal, durante uma visita à antiga sinagoga acompanhada pelo PÚBLICO.
"Desconheço por completo a existência dessa sinagoga", confessa Jorge Valdemar Guerra, autor do rol de judeus e seus descendentes, editado pelo Arquivo Regional da Madeira em 2003. Na publicação deste manuscrito existente no arquivo da família Ornelas Vasconcelos, aquele atento estudioso da história da Madeira aborda "o papel, de alguma forma relevante, desempenhado pelos judeus na economia insular - já particularmente activos na ilha por meados de Quatrocentos - e depois prosseguido, agora sob a nova capa, pelos cristãos-novos após a sua forçada conversão".
Guerra faz também menção às "vicissitudes sofridas por uma significativa parcela daquela comunidade, considerada criptojudaica pelo Tribunal do Santo Ofício", em consequência da visita inquisitorial realizada em 1591/2 à ilha da Madeira. À perseguição terão então procurado escapar alguns novos cristãos que se refugiaram num recôndito sítio de São Vicente, baptizado como Achada dos Judeus, onde deixaram inscrições em hebraico. Em finais do século XVI foram arrolados 94 cristãos-novos, registando-se 37 prisões por judaísmo entre 1591 a 1601. Em 1618 o seu número não passou de cinco.

A "arianização" na Madeira e a memória sepultada
Três séculos depois, elementos da comunidade alemã de origem hebraica, estabelecidos e integrados na Madeira, viram-se também confrontados com intolerável perseguição, desta vez exercida por compatriotas seus motivados pela "lei da protecção do sangue alemão e da honra alemã", promulgada pelo Governo do III Reich em Setembro de 1935. O drama - quase desconhecido - da "arianização" na Madeira e das tentativas de resistência impotentes, ocorridas nos alvores da II Guerra Mundial, foi revelado por Anne Martina Emonts numa investigação publicada na revista madeirense Islenha, em 2000, tendo sido recuperado por Helena Marques no romance O Bazar Alemão, editado em 2010.
"Foi algo terrível, pérfido, que afectou várias pessoas, mas que atravessou silenciosamente a história. Quando conheci a investigação, senti que tinha o dever moral de escrever sobre isso, de contar a forma como as situa? ?ões políticas e sociais afectam os indivíduos banais, mesmo num lugar remoto e paradisíaco como uma ilha no meio do Atlântico", afirma a escritora e jornalista, que neste livro cruza a história real dos Beckmann com personagens fictícias, tendo por cenário a cidade onde também viveu.
Os túmulos das personagens alvo da "arianização", assim como de algumas das pessoas que as ajudaram em tempos difíceis, encontram-se no cemitério judaico, existente na Rua do Lazareto, sobre a falésia do Toco, no Funchal. Rui Santos, num bem documentado estudo sobre este cemitério, publicado em 1992 na referida revista Islenha, identificou 38 sepulturas entre 1854 e 1976, ano em que ocorreu o último enterramento, com D. Joana Abudarham da Câmara.
A instituição deste cemitério, por iniciativa de personalidades de relevo desta comunidade, principalmente da família Abudarham, "denota o progresso da sociedade portuguesa no que diz respeito à tolerância religiosa, fruto, essencialmente, da política do Marquês de Pombal e, mais tarde, dos liberais vintistas que extinguiram o infame Tribunal do Santo Ofício, responsável pela perseguição, tortura e morte de muitos judeus, ao longo de mais de dois séculos", considera Nélson Veríssimo, historiador e docente da Universidade da Madeira.
A verdade é que hoje, pelo estado de abandono a que está votado, com viçoso matagal a encobrir as sepulturas e muitas lápides danificadas ou irrecuperáveis, poder-se-ia "afirmar constituir infeliz exemplo da falta de civismo", lamenta o historiador. Devido à degradação do cemitério, a Câmara do Funchal propôs a transladação do espólio para uma ala própria no Cemitério de S. Martinho, mas o projecto "não avançou devido ao desinteresse da comunidade judaica e da embaixada de Israel", revelou o vereador Costa Neves.
A continuar este estado lamentável do cemitério classificado, desde 1993, como Património Cultural da Região, "perder-se-ão, por completo, testemunhos ímpares da memória de muitos homens notáveis que, por circunstâncias diversas, se fixaram e morreram na ilha da Madeira", adverte Nélson Veríssimo. Aqui, sublinha, "pode documentar-se a procura do Funchal como estância terapêutica ou como refúgio à perseguição nazi e à Segunda Guerra Mundial".

Budapeste, paisagem de ruínas culturais

por A-24, em 03.04.13

Outrora criativa e florescente, a cena cultural húngara é hoje regida pelos valores nacionais defendidos pelo Governo. O grito de alarme de uma jornalista húngara que emigrou para a Alemanha.
Quem troca de país muda de alma, diz-se na Hungria. Ora, ao longo dos dois últimos anos e meio, meio milhão de húngaros expatriou-se para todo o mundo, duas vezes mais do que durante a repressão que se seguiu à revolta de 1956. É demasiado, para um país de apenas dez milhões de habitantes.
Decidi, também eu, não continuar a tolerar a situação. Não faltam razões para isso: o dinheiro, as perspetivas de futuro e, sobretudo, a sensação de asfixia na Hungria de hoje.
Faço parte de uma geração que era suficientemente jovem após 1990 para sentir que a atmosfera dos anos da infância e da escola tinham mudado. Quando se teve uma vez na vida oportunidade para expressar livremente a opinião, não se quer abdicar dela, mesmo que viver nunca mais tenha sido fácil na Hungria.
Na década de 2000, a cena alternativa húngara passou por um período efervescente. Em Budapeste, havia um cinema de autor a cada esquina, estreava um novo filme húngaro todos os meses, uma nova vaga de jovens cineastas não tinha mãos a medir. Os amigos reuniam-se à noite na praça Liszt-Ferenc, perto da rua Andrassy, nos cafés da Nagymező (a “Broadway” de Budapeste, onde se concentra a maioria dos teatros da cidade), ou nos “romkocsma” [literalmente “bares nas ruínas”, estabelecimentos de venda de bebidas instalados em prédios devolutos, como os utilizados pelos “ocupas”] e conversava-se do que se tinha visto ou lido. A televisão transmitia programas culturais e todos os campos políticos estavam representados nos debates.

Esperança e ilusão desapareceram

Defendiam-se causas e acreditava-se em si mesmo e no futuro. Viena e Berlim talvez fossem mais sofisticadas, mais ricas, mas Budapeste iria sê-lo um dia. Tudo avançava devagar, os programas de urbanização, a modernização das infraestruturas, tudo estava atrasado. Isso tinha um certo encanto, na época; seguia-se na direção certa, Budapeste ia tornar-se uma metrópole multicolorida, vibrante, próspera, tolerante, em suma, uma grande cidade como as outras.
Dois ou três anos depois, tudo isso desapareceu: a esperança, o encanto, a ilusão. A política do Fidesz tornou-se omnipresente na vida da população. Uma política que entravou tudo o que era inovador, livre, inconformista e crítico. Fez morrer o teatro alternativo, cortando os subsídios há três anos. Pelo terceiro ano consecutivo, nenhum filme foi produzido na Hungria e, pela primeira vez, não se realizou a Semana do Cinema Húngaro – quem acreditaria nisso?
À frente do teatro público, estão lacaios de Viktor Orbán. São os únicos que tomam decisões, que definem o que se entende por “cultura”. Amadores extremistas, assumiram o controlo.
A cultura será apenas uma causa entre outras, mas sou jornalista cultural e a situação afeta-me profundamente. O meu trabalho tornou-se impossível. Deixou de haver secção cultural nas estações do serviço público de televisão. Milhares de jornalistas da televisão foram postos na rua, devido à desativação dos programas culturais. Apenas os fiéis do partido podem moderar os programas políticos. Quanto aos noticiários, são mera propaganda: só há uma verdade.

Tudo deve ser pautado pelo nacionalismo

Na Hungria, tudo deve ser pautado pelo nacionalismo: pensamento, teatro, arte, e até mesmo o ar que respiramos, se possível. Em nome da nova ordem, desintegra-se a escola e a universidade. Passando por cima de uma promessa de campanha, o Fidesz quer introduzir propinas – quem for isento é obrigado a assinar um contrato em que se compromete a não sair do país nos três a seis anos após a formatura. Quando um estudante protesta, a polícia invade-lhe a casa.
Percorro a imprensa uma vez por semana. Revelam-se as coisas mais incríveis, como o projeto da “Margem romana”, a única secção do Danúbio que permanecia intocada em Budapeste, com as margens orladas de choupos. Querem agora construir aí uma barragem, para proteger as casas de fim de semana – ilegais – dos novos-ricos, mas não se protegem os blocos de apartamentos que todos os anos sofrem inundações. O presidente da Câmara apoia o projeto. Outros autarcas viabilizam iniciativas semelhantes noutros lugares. Nas cidades pequenas e no campo, o dinheiro público é usado para alcatroar os caminhos até à porta das suas garagens.
Aprovada na semana passada no parlamento, a mais recente revisão constitucional mostra para que lado sopra o vento. Muitos artigos que haviam sido retirados por serem inconstitucionais reaparecem agora na Constituição. Entre eles, a criminalização dos sem-abrigo ou a regulamentação das críticas a figuras públicas. Além disso, o Tribunal Constitucional deixa de poder controlar a Constituição – ou é-lhe permitido fazê-lo apenas parcialmente.

Lei do silêncio protege o poder

A lei do silêncio nunca protege senão o poder, os opressores e nunca os oprimidos. Isso sente-se na Hungria, a cada esquina. Caras deprimidas nos transportes públicos, lojas e restaurantes desertos. Tudo é punido ou"" penalizado, a ordem deve prevalecer, e os cofres do Estado enchem-se à conta disso; hoje, existem mais controladores de trânsito do que carros nas ruas. Temos o direito de chamar publicamente “animais” aos ciganos e osjornalistas que utilizem esse tipo de palavreado não têm de pedir desculpa, porque muitos húngaros supostamente esclarecidos gostam de o ouvir.
Antes de decidir vir-me embora, sentia que o país andava à deriva e ninguém mexia um dedo para parar este processo. Como revelam sondagens recentes, este declínio vai prosseguir. Quarenta por cento dos húngaros voltariam a votar no egocêntrico Orbán e no seu partido, mesmo sabendo que o rei vai nu.
Mas num país onde tanta gente anda nua, ninguém pode acusar o ministro presidente – especialmente quando se tiram benefícios pessoais da situação. Ou quando se está cilindrado, com medo de perder o lugar e os meios de sobrevivência, se se disser o que se pensa.
Quem troca de país muda de alma, diz o provérbio. Mas eu sou húngara, e nunca vou deixar de o ser.
Press Europe

A crítica certa, por João Vaz

por A-24, em 02.04.13
 in A Corte na Aldeia

A greve de fome do PNR
O presidente e o secretário-geral do PNR prosseguem a sua greve de fome, olimpicamente ignorados pela comunicação social. Esta, sobretudo as televisões, está mais ocupada a dar voz a comentadores e aldrabões que destruíram o país e, agora, aparecem como opinadores isentos e impolutos.

O regresso do Zé
O Zé que faz falta. O Zé Sócrates volta como comentador. Não faz grande diferença. É apenas mais um proxeneta a juntar a tantos outros proxenetas que comentam e se abotoam às custas da RTP -leia-se contribuinte.

Em Chipre realiza-se o sonho do esquerdalho
Com os ricos a pagarem a crise. Quem diria que a UE iria pôr em prática o velho slogan da UDP...

Paulo Bento, demite-te!
A selecção parece um circo, (des)orientada pelo palhaço Bento. Hoje, em Telavive, esteve à beira de se repetir a maior humilhação do futebol nacional em termos de selecções, ocorrida na caminhada para o mundial de Espanha em 1982. Nessa altura Portugal foi goleado por quatro a um em Israel. Hoje esteve a perder por três a um e só a incapacidade da selecção hebraica impediu males maiores. O futebol jogado é uma desgraça, a equipa envergonha Portugal. Depois deste humilhante empate com a selecção judaica segue-se a visita ao Azerbaijão onde, provavelmente, se prolongará o circo sem que o palhaço-mor se demita.

Os mestres
Cinquenta e tal anos depois do Grande Salto em Frente e mais de setenta após as fomes da Ucrânia ainda há bastardos que chamam mestre a Estaline e Mao. Veja-se o site Bandeira Vermelha, dos trastes do MRPP e aí se encontra uma biblioteca digital com algumas "obras" dos mestres homicidas citados. É assim, o carácter desta gente.


Coisas que vou lendo: história da primeira república portuguesa

Coordenada por Fernando Rosas e Maria Fernanda Rollo, editada pela Tinta da China, a minha edição é a segunda, de 2011. A primeira república vista pela equipa esquerdalhista da Universidade Nova. Come-se, com as necessárias cautelas.

Outra sugestão: Joana Vasconcelos, o expoente máximo da arte lusita
Enfim, depois do tubarão no aquário, do cavalo pendurado do tecto, da cama desfeita, dos caramelos espalhados pelo chão e outras abominações já nada nos espanta. Mas parece que anda tudo excitado com a grande artista portuguesa, desde o sr. Silva e esposa a outras altas individualidades. De resto, tanta gente, de Paris à Coreia não pode estar enganada. Joana Vasconcelos deve ser uma grande artista e criadora - ainda por cima dá emprego a algumas pessoas. Eu é que não tenho capacidade para compreender a complexidade ontológica e a beleza inquieta destas sublimes criações.

Hasta siempre democracia!

por A-24, em 02.04.13
Elisabete Coutinho

A esquerda internacional enche a boca com as glórias da suposta «divisão igualitária de fortuna» que aconteceu na Venezuela chavista e odes ao morto que mal conhecem. Não sei que Venezuela visitaram. Ou melhor, visitaram a Venezuela como visitaram a Rússia comunista, a Cuba castrista e a China maoista: pelos manuais da propaganda quase alucinogénica que ainda circulam, a tentar vender aos ainda crentes no Estado intervencionista que o de cada um devia passar a ser de todos e que os paraísos terrenos são estes poços fundos do reconhecimento do esforço pessoal, onde o de muitos se converte em quase nada.
A Venezuela onde passei um mês, mais do que uma crise económica, sofre uma profunda crise social. Há petróleo a rodos, a cerveja é quase dada, a comida local abunda, há uma atividade comercial próspera, há centros comerciais onde avidamente se gastam os dólares levantados do cartão de crédito, como se a América fosse a miragem de todas as liberdades e glórias do bem-estar, e o dólar o colírio para todas as dores políticas.

A Venezuela que vi não tem conforto, não conhece o bem-estar, esqueceu a tranquilidade, sabe que o dia pode acabar com um tiro a entrar pela janela do carro ou com um familiar raptado numa estação de gasolina, e reclama, reclama, reclama, sonhando com saltar as fronteiras rumo a qualquer lado longe dali, com a cor política a dividir famílias e a matar amizades num povo tradicionalmente ameno de caráter.
Hugo Chavez minou a juventude venezuelana com a mesma arrogância que sempre o caracterizou; a educação oscila entre a verdade propagandista e a impossibilidade de uma discussão saudável e divergente com esta segunda geração nascida no chavismo, que se esquece que essa América sonhada admite que eu pense branco, e tu penses vermelho, e continuemos a sentar-nos à frente de uma pizza. Pintam-se de americanos com gorros de beisebol, com t-shirts dos Yankees, sonham com Blackberries e MacDonald’s, mas copiam o Grande Líder na forma como se expressam.

O venezuelano divide-se entre o trabalhador, sofrido, esforçado, esse que sobe os Andes com o gado ou a venda, o que está nas listas negras do chavismo e impedido de prestar qualquer serviço ao Estado, e o ressabiado social, a quem disseram que podia matar e roubar para se vingar das desigualdades do passado, e a quem a justiça vai fechando os olhos, e a política e o exército vão dando cargos. O mesmo que veste de vermelho as praças porque se sentiu protegido desde o início por este regime que agora ganha contornos de divino, e alimenta a crendice e a “santería” que se faz ver em encruzilhadas, nas atrozes estradas andinas, nas montanhas místicas onde supostamente guerreiros índios encarnaram santos que os fizeram liquidar o ocupador europeu.

O ocupador europeu, esse grande inimigo, sendo que todos querem ser mais brancos, mais europeus, mais ocidentalizados e menos venezuelanos, como se o tribalismo, os traços índios e até a própria identidade cultural venezuelana fossem uma vergonha. E Chavez representa a profunda vergonha que há nessa história que, gostem ou não, é a de um país feito de mestiçagem e escravatura. Contudo, estampa-se esse misticismo interesseiro nas notas que servem de moeda, onde apenas está permitido o imaginário do regime, composto por uma mistura de santos populares, heróis chavistas e o reencarnado Bolívar, agora menos europeu, mais escuro, mais revoltado e mais corrupto. Contraditório? É preciso visitar a Venezuela atual para perceber o significado de contradição, que ali é elevado a um ponto desconcertante.

Irónico país, o de Chavez, onde campos férteis e parques industriais nos remetem aos planos quinquenais soviéticos, onde as estradas se entopem durante horas de camiões que freneticamente nos fazem ver o consumo elevado ao extremo de tudo e mais alguma coisa, mas onde a sociedade tem feridas profundas que dificilmente se poderão curar. Como europeia, chocou-me profundamente aqueles momentos em que, no rádio e na televisão, esta voz autoritária e insolente se fazia ouvir e, mesmo para aqueles que a desligavam, se impunha em altifalantes pelas ruas.

A Venezuela não tem alternativa política. É um país condenado ao messianismo, ao endeusamento do ditador, que aumentará as fileiras de santos populares a quem se rogam mil pedidos, como o Che cubano passou de assassino impiedoso a San Ernesto de la Higuera. Com a sua morte precoce, Chavez cumpriu a sua missão: passou à história, a uma história que o vai dourar com a aura do grande líder progressista e justo, tão longe daquilo que foi realmente. Outro virá, a continuação de Deus, deste Deus implacável que ensombrará a Venezuela num destino pintado de vermelho por muitos anos e que começa a manifestar-se na mão ainda mais pesada e corrupta do presidente Maduro, fiel discípulo da escola castrista.

Para a oposição, resta o aprendiz de Messias cuja cor política ninguém conhece realmente. Radonski sofre de uma puerilidade política assustadora. Desconhece as manobras diplomáticas a nível internacional que lhe poderiam ter dado o fortalecimento estrutural de que necessitaria para repor a democracia. É pouco mais que um presidente da Junta de Freguesia na postura política – com todo o respeito por este cargo -, que um bolchevique desarmado na coragem e que um cossaco ébrio na agudez intelectual com que responde ao regime. Mas não se pode esperar muito mais: Radonski é um homem que renegou a sua própria religião, origem e cultura para se converter à última hora ao catolicismo, a fim de ser aceite por um país maioritariamente cristão, e que hasteia a bandeira dos avós mortos no Holocausto quando lhe convém. Um homem que muda de religião como quem muda de camisa não tem espinha dorsal.

Radonski defende o regresso dos privilégios dos outros, de uma classe social que é a sua e que se pavoneava pelas ruas de Caracas nos anos 60 e 70, a Paris da América Latina, fechando os olhos aos morros que se enchiam de uma classe trabalhadora que não acumulava os dólares que custavam uma vida digna. Os avós dos criminosos de hoje, portanto, sem que isso seja desculpa, embora tenha sido o leit motiv hasteado por Chavez para financiar com o petróleo toda uma classe social que vive de subsídios, privilégios e o direito a serem eternas vítimas protegidas pelo paternalismo estatal. A mesma para quem Chavez será sempre o representante de Cristo na terra, venha quem vier.

Só que o aprendiz de Messias, Radonski, é igualmente falso nas suas afirmações, incoerente e até medricas. Glorificou o suposto regresso do inimigo que já sabia morto. Porque consta-se – até na Venezuela – que as prisões cubanas são fétidas e não têm televisão. Radonski age de forma mais sub-reptícia ainda que o Grande Líder, que vociferava insultos contra quem o contrariava, e não permite nas suas redes sociais que se opine de forma diferente da sua. Experimentem levantar-lhe uma questão de fundo que seja essencial a um futuro governante e não obterão mais resposta do que ver a vossa pergunta apagada. Porque Radonski quer ser o Messias desta Venezuela em chamas, faz-se cobrir das bendições de um povo cada vez menos educado e mais dado à superstição, gosta que lhe elogiem o charme, a beleza, e uma suposta coragem que só tem quando o terreno é seguro e firme. É isto que tem na manga enquanto estratégia política. Nada de propostas sólidas nem de chamar a atenção do mundo para a perigosidade social e política de um país que, inevitavelmente, incomoda os gigantes progressistas ali ao lado, e que a Europa olha com exotismo e curiosidade, como quem vê um programa de TV sobre uma sociedade tribal exótica ao domingo à noite.

Porque o comunismo é e sempre será um problema dos outros, até que constatamos na terra deles que os outros afinal têm voz, olhos, medos, ambições, filhos e angústias como nós. Enquanto ex-militante do PCP, partido e ideologia que no final da adolescência percebi ser o caminho mais longo para o progresso, fica o meu testemunho, quase em forma de mea culpa para quem assim o quiser entender. Nunca me senti tão longe daquela que foi um dia a minha ideologia adolescente como quando vivi na pele e nos olhos das pessoas este tenebroso monstro chamado comunismo.

Na Coreia do Norte, 25 de Abril também é feriado e um clube de futebol

por A-24, em 01.04.13
Países em que o dia 25 de Abril é feriado nacional: Portugal, Itália, Austrália, Nova Zelândia, Ilhas Feroé, Suazilândia e Coreia do Norte. No país da dinastia Kim, assinala a fundação do exército revolucionário por Kim Il-sung contra os japoneses. Esta é a versão oficial, pelo menos. Mas 25 de Abril na República Popular e Democrática da Coreia é também o nome de um clube de futebol, por sinal o maior do país e aquele que mais títulos terá conquistado, a acreditar na pouca informação disponível. O futebol norte-coreano, tal como o país, é um mistério.


Segundo o RSSSF, um site na Internet que recolhe dados estatísticos de vários campeonatos em todo o mundo, o Clube Desportivo 25 de Abril, que é a equipa do Exército norte-coreano, já foi campeão do país por 13 vezes entre 1985 e 2011. Tentar descobrir quem é o actual campeão não é uma tarefa fácil, a não ser que se saiba coreano. Não é uma Liga que seja propriamente acompanhada pela imprensa internacional e a única fonte de informação para o exterior é a agência noticiosa norte-coreana, que fala mais da presença de Kim Jong-un do que dos jogos em si.
Não há qualquer registo da participação de clubes norte-coreanos nas várias competições organizadas pela Confederação Asiática. E é difícil tentar perceber como é o calendário da Liga norte-coreana. A referência mais recente fala de uma I Liga que vai na segunda jornada e que inclui 14 equipas, mas sem referir os nomes.
Há, no entanto, uma janela inesperada para o futebol norte-coreano. Um utilizador do YouTube identificado como valdas199 disponibilizou vídeos de jogos do campeonato norte-coreano, embora com data difícil de precisar. Há vídeos com mais de 80 minutos (jogos quase na íntegra) e resumos alargados com dez a 30 minutos, um deles presenciado por Kim Jong-un, cujo gosto pelo desporto está bem documentado - assistiu recentemente a um jogo de basquetebol ao lado de Dennis Rodman, antigo rei dos ressaltos da NBA.
A face mais visível do futebol norte-coreano são mesmo as suas selecções, sendo a equipa feminina sénior a nona melhor do mundo, segundo o ranking da FIFA. É sobejamente conhecida a história da selecção masculina norte-coreana que participou no Mundial de 1996, em Inglaterra, em que derrotou a poderosa Itália e que chegou a estar em vantagem por 3-0 frente a Portugal, antes de perder por 5-3. Em 2010, a Coreia do Norte voltou a estar no torneio (onde voltou a defrontar a selecção portuguesa), mas voltou a casa com três derrotas em três jogos. O seu mais mediático jogador é o avançado Jong-Tae Se, o "Wayne Rooney da Ásia", nascido no Japão e que já andou pelo futebol alemão, actuando agora pelo Suwon Bluewings, da Coreia do Sul. Mas que nunca jogou na Liga norte-coreana.

Bitcoin - O que são e como funcionam

por A-24, em 01.04.13

O valor de cada bitcoin ronda actualmente os 90 dólares, ou 70 euros. Há um ano, cada uma valia pouco menos de cinco dólares. Nesta quinta-feira, pela primeira vez, o valor do total de todas estas moedas virtuais em circulação ultrapassou os mil milhões de dólares.
A ideia de dinheiro virtual não é nova. É assim que funcionam muitos sistemas que permitem comprar créditos com dinheiro real e depois usar esses créditos para comprar bens ou serviços. Há jogos no Facebook que permitem comprar dinheiro virtual, por exemplo. A inovação das bitcoins, que foram lançadas em 2009, é que não há uma entidade central responsável pela moeda – nem sequer uma empresa.
O sistema assenta em redes peer-to-peer (em que os computadores estão ligados directamente uns aos outros, de forma descentralizada). O valor do dinheiro (ou seja, o preço por que pode ser comprado com divisas convencionais, como o euro e o dólar) é guardado em ficheiros que existem na própria rede, tal como acontece com os proprietários dos fundos e o historial de transacções. As emissões de moeda são feitas periodicamente, de forma automática e pré-programada, sem intervenção humana.
A moeda já foi usada em mercados online de drogas e armas, mas também há serviços legais que aceitam este tipo de pagamento. O reputado serviço de alojamento de blogues Wordpress é um deles. No mês passado, o site Reedit, popular sobretudo nos EUA e onde os utilizadores agregam e discutem conteúdos que encontram online, passou a aceitar bitcoins para as suas funcionalidades pagas. Nos Estados Unidos, pelo menos, há um ou outro café que aceitam bitcoins e, no Canadá, houve quem pusesse uma casa à venda por 405 mil dólares canadianos ou, em alternativa, 5750 bitcoins.
As bitcoins podem ser compradas e vendidas em sites criados para o efeito, cujo funcionamento não difere muito dos sistemas de investimento nas bolsas. O utilizador coloca ordens de compra ou de venda, definindo o preço porque está disposto a vender ou comprar, e espera que o sistema execute a ordem.

Há sempre um risco
A comparação entre o valor actual e o valor de há um ano dá pistas sobre a valorização das bitcoins. Mas não conta toda a história: os valores tendem a oscilar muito e comprar Bitcoins pode ser um investimento arriscado. Além disso, já houve tentativas de fraudes informáticas para obter bitcoins.
Nos últimos dias, as bitcoins suscitaram uma avalanche de atenção mediática, com vários órgãos de comunicação a notarem o valor elevado que a divisa atingiu. Alguns argumentam que a crise da zona euro e a perda de confiança no sistema bancário, particularmente após o anúncio da taxa sobre os depósitos em Chipre, estão a atrair pessoas para a moeda virtual.
Já em Abril do ano passado, a agência Reuters tinha entrevistado um comerciante grego que dizia não recorrer a bancos e que, em vez disso, usava bitcoins. O fenómeno tende a gerar um ciclo: quanto mais os media falam das bitcoins, mais interesse suscitam na moeda e mais potenciais utilizadores surgem, o que acaba por despertar a atenção de mais órgãos de comunicação e de mais serviços disponíveis para aceitar esta forma de pagamento.
Em 2011, num artigo sobre o assunto, o prémio Nobel da Economia Paul Krugman argumentou que o sistema das bitcoins, bem como a sua valorização, fomentavam a angariação destas moedas e não promoviam o gasto. Se os preços estivessem a ser medidos em bitcoins, notou, a economia estaria em deflação.

Ganhar moedas
A distribuição de novas moedas pela rede é um processo muito complexo. O sistema “gera” moedas a cada dez minutos, mas estas têm de ser “descobertas” e, em teoria, qualquer pessoa se pode ligar à rede e tentar fazê-lo.
Posto de forma simplificada, o processo de “descoberta” implica ter um software específico a solucionar uma espécie de problemas matemáticos complicados. Ao primeiro computador a encontrar a solução, é atribuída uma recompensa em bitcoins. A dificuldade dos problemas é ajustada em função da capacidade da rede para “descobrir” moedas, de forma a assegurar que a introdução de moedas no sistema se vai mantendo constante.
Este modo de funcionamento faz com que seja preciso investir recursos para obter moedas e que quem invista mais recursos seja quem as consegue obter com mais frequência. Resolver os problemas implica o uso de um poder de processamento que não está disponível nos computadores normalmente usados no quotidiano. Significa ainda um gasto considerável de electricidade e uma determinada quantidade de tempo, que depende da capacidade técnica.
Os vários “mineiros” de bitcoins (é o termo que designa os nós da rede que tentam resolver os problemas matemáticos) investem assim recursos (tempo, processamento, electricidade) na competição por um bem escasso. O funcionamento é mais semelhante ao das minas de metais preciosos do que ao de emissão de moeda por um banco central.
O sistema está desenhado para que o valor das recompensas atribuídas diminua para metade a cada quatro anos. Além disso, a “emissão” parará quando estiverem em circulação 21 milhões de bitcoins, o que, se a rede se mantiver em funcionamento, acontecerá em 2140.
O processo foi inventado por alguém sob o pseudónimo Satoshi Nakamoto. Em Novembro de 2008, Nakamoto publicou num fórum online um documento com a estrutura típica de um artigo científico em que descrevia o processo. O sistema começou a funcionar em Janeiro do ano seguinte. Algures em 2010, Nakamoto afastou-se do processo e deixou a criação seguir o seu rumo.
Público

1995

por A-24, em 01.04.13
Quando o PS assumiu o poder em 1995, o destino do país ficou selado. Demorou mais de uma década mas as consequências acabaram por se fazer sentir.

95 é o ano da mudança pelas seguintes razões:
- até a meio da década de 90, a economia Portuguesa estava em crescimento. A partir daqui estagnou. Isto não foi culpa directa do Partido Socialista, claro está mas antes uma consequência do fim da deslocalização e IDE Europeu para Portugal, o qual parou com a abertura dos mercados asiático e do leste Europeu;
- até aos anos 90, Portugal, apesar de fortemente esquerdista, estava sob pressão para ser responsável com a sua política fiscal, devido à pressão do FMI e da adesão às Comunidades Europeias. Depois da plena adesão, foi o que foi... ;
- até aos anos 90, o Bloco Socialista representava um ideal ao qual a esquerda internacional aspirava. Com o colapso do muro de Berlim e da URSS, a esquerda perdeu a sua ideologia e viu-se forçada a adoptar soluções mais populistas e eleitoralistas, o que deu origem à 3ª via e à política da bugiganga que levou os sucessivos governos a gastarem para consumo e em falsos investimentos como as auto-estradas e sistema de saúde;
- até aos anos 90, Portugal tinha a sua própria moeda mas foi nos anos 90 que aderimos ao sistemo monetário Europeu e ao que viria a ser o €uro. Depois disso foi o descalabro total nomeadamente com Portugal fazendo uso da reputação do marco alemão - da qual o euro gozava - para se endividar nos mercados internacionais.

Psicolaranja

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