Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A-24

O Brasil e a guerra cambial - ganhando e, por isso mesmo, perdendo

por A-24, em 23.02.13
Inst. Ludwig Von Mises

O fato difícil de aceitar é que a competitividade da mão-de-obra e da indústria brasileira continua ruim, e isso não pode ser corrigido por meras manipulações cambiais. O que os mercantilistas parecem ainda não ter entendido -- não obstante já tenham tido dois séculos para isso -- é que uma taxa de câmbio depreciada pode beneficiar os exportadores apenastemporariamente, pois uma desvalorização da moeda necessariamente significa que os preços domésticos subirão mais acentuadamente ao longo do tempo. E dado que os produtores domésticos terão de arcar com o aumento em seus custos de produção, todas as supostas bênçãos trazidas pela depreciação cambial rapidamente desaparecem. Portanto, aos olhos dos mercantilistas e do governo, o Brasil está perdendo, ainda que esteja momentaneamente vencendo a guerra cambial.

Já aos olhos dos economistas pró-livre mercado, o Brasil está perdendo, independentemente de qual seja a perspectiva adotada: temos uma moeda que vale 20% menos do que valia há um ano e meio, a inflação de preços acumulada em 12 meses está acima dos 6%, e quase nada foi feito em termos de melhorar nossa competitividade no mercado internacional. A boa notícia para os exportadores é que a China parece estar conseguindo evitar seu ciclo econômico mais uma vez, adiando sua recessão. Temores de um "pouso forçado" da economia chinesa parecem ter se arrefecido por ora, e o crescimento econômico está reaparecendo a um ritmo mais rápido.

posters maoistas

por A-24, em 22.02.13
Há uns tempos, tivemos por cá uma riquíssima colecção de cartazes da 2ª Guerra. A Arte da Guerra, na Fundação Berardo. Mais recentemente, num outro registo, as fabulosas Vanguardas Russas, na Fundação D. Luís, em Cascais. Agora, os posters do maoismo, na Fundação Oriente, uma grandiosa exposição (até 27 de Outubro). Dois livros publicados em França, nas edições Les Echappés, complementam-se: um, da autoria de Romain Ducoulombier, mostra os cartazes do comunismo (Vive les Soviets. Un siècle d’affiches communistes); nos antípodas, Mort aux Bolchos. Un siècle d’affiches anticommunistes, de Nicolas Lebourg. Com as devidas desculpas ao amigo que me falou destes livros, confesso que acho os cartazes franceses algo pálidos e desengraçados. Para quem quiser colorido e criatividade, nada como uma selecção dos tempos da Guerra Fria: Posters of the Cold War.
Malomil














Holofernes

por A-24, em 21.02.13

de Ana Cássia Rebelo

Noite dentro, enquanto a chuva mansa tamborila nas vidraças, Judite rebola na cama, resfolegando como se fosse um animal. Uma égua ou uma vaca. De lábios túmidos. Cabelos emaranhados. A pele recamada de bagas de suor. Parece uma planta orvalhada. Uma deusa ignota, imperfeita. Espera Judite que a escuridão do quarto tome a forma do corpo de um homem.

Pensa Judite: quando a escuridão e o vazio se condensarem em corpo de homem, por fim, amainarei. A chuva continuará, mansa, a bater nas vidraças. Com calma, olharei para os ciprestes que lá fora permanecerão hirtos. Olharei para o homem deitado ao meu lado. Será grande como sempre o imaginei. Cabelo comprido. Barba negra como a escuridão que lhe deu corpo. Olhos de lobo, de lince, de leão, de cão esfaimado. Um bafo quente, nebuloso, sair-lhe-á de dentro. Será como um animal feroz sem açaime ou jaula.

Judite continua a pensar: tirarei a camisa que me cobre o corpo e deixarei que o animal-homem-escuridão me tome. Este é o meu corpo. Tomai-o em nome de Deus. Ele tomar-me-á como os bichos. Saciado, descansará, então, sobre os lençóis ainda mornos. Dormitará com um sorriso de anjo boçal no rosto. Em silêncio, pegarei no machado que se esconde por baixo da cama. Ergue-lo-ei. Com um golpe, com um único golpe, cortar-lhe-ei a cabeça. Ele abrirá os olhos segundos antes do cutelo o penetrar. Um grito mudo perder-se-á pelo quarto. Baterá nas vidraças fechadas como moscas cegas. Haverá sangue derramado pela cama. Um líquido viscoso, denso, quase preto. Quando a sua cabeça rolar para o chão adormecerei. Ao lado do corpo decepado. Antes, porém, direi o seu nome: Holofernes.

(e o Joaquim, que hoje cheira a limão, vem mostrar-me as mãos. Depois trata  do coração do meu cristo.)

Beppe Grillo, um cometa eurofóbico

por A-24, em 20.02.13

A poucos dias das eleições de 24 e 25 de fevereiro, a comunicação social italiana ignora o êxito do movimento fundado pelo ex-humorista, populista assumido. Porém, a acreditar nas sondagens, Beppe Grillo e Silvio Berlusconi podem fazer nascer uma inédita coligação eurofóbica.
Entrevistado há uns dias numa emissão de televisão muito apreciada, Mario Monti, o chefe de Governo demissionário, reconheceu que não sabe utilizar o Twitter, que não sabe o que são As Cinquenta Sombras de Grey, evita cuidadosamente dar a sua opinião sobre os PACs e aflora o Festival da Canção de São Remo.
Na mesma altura, Beppe Grillo, antigo humorista e fundador do Movimento 5 Estrelas (M5S) falava à multidão em Marghera, perto de Veneza. À sua frente, pessoas normais enumeravam os problemas e as angústias da vida de todos os dias. O trabalho, as creches, a maternidade, as dificuldades dos patrões das PME. Enfiados nos seus casacos, ali estavam ao frio, montes de gente, à tardinha, depois de almoço, a ouvir Beppe Grillo e a tomar o lugar uns dos outros em cima do estrado.
Porém, no dia seguinte, nem La Repubblica nem o Corriere della Seradedicaram uma linha que fosse a Beppe Grillo. Como se não existisse. Mas a reação será brutal. [Os dois diários com maior tiragem em Itália a dedicaram depois uns artigos à subida do candidato nas sondagens.]
Passa-se qualquer coisa em Itália. Este Movimento é benéfico ou nefasto? Podemos discutir isso. Mas trata-se de um fenómeno de primeiro plano. O Movimento 5 Estrelas recolhe 17% nas sondagens, um número que muito poucos partidos foram capazes de ultrapassar em Itália.
"Vamos abrir o parlamento como abrimos uma lata de atum", proclama ele. E a multidão inflama-se. "Acabou a época da representação, já não acreditamos mais. Vamos arruinar a banca. E se não for hoje, será para o ano. Mas é apenas uma questão de tempo. E, aliás, bem o podíamos fazer já hoje." Beppe Grillo não para. "Populistas? Sim, digam-lhes que somos populistas" e a multidão marca o ritmo em voz alta: "Po-pu-lis-tas!"

Tratado como um pequeno ditador

O "Tsunami Tour" faz lembrar uma política à antiga, mas também aquela que foi adotada por um certo Barack Obama – que sabe utilizar o Twitter (e de que maneira!!!) e que certamente conhece As Cinquenta Sombras de Grey, se é que ainda não o leu. Porque é evidente que, se uma pessoa não vier à rua, não existe, não é credível.
Nas suas reuniões, Beppe Grillo fala muitas vezes das equipas de televisão estrangeiras que o acompanham. De todo o mundo. Dinamarquesas ou canadianas. Porque o jornalismo não se resume a análises e a interpretações, também conta uma história e faz um relato. Se um estrangeiro abrir La Repubblica ou o Corriere della Sera não vai perceber nada do que se passou nesta campanha eleitoral. Será incapaz de ficar com uma ideia sobre o estado de espírito dos italianos e sobre as duas perguntas que atormentam o país: quem vai votar no Movimento 5 Estrelas e quem fica a tremer só de pensar nisso?
A comunicação social dita "de referência" trata Beppe Grillo como se este fosse um pequeno ditador. Só se fala no Movimento 5 Estrelas quando alguém se rebela contra o chefe de fila ou quando há qualquer coisa para dizer sobre o "guru" Gianroberto Casaleggio, cofundador do Movimento de Beppe Grillo. Como se toda esta gente, todos estes italianos que enfrentam o frio para se concentrarem na rua um dia por semana fossem cidadãos de segunda categoria, lobotomizados. Temos o direito de perguntar como é que um humorista consegue ter um êxito destes. Chega a ser um dever de informação. Seja o que for, não se pode ignorar.

Um lugar no governo?

Quanto ao resto, basta passar os olhos pelas sondagens. Publicado dia 6 de fevereiro, o último inquérito do instituto de sondagens SWG (Studi e Proiezioni Elettorali) sobre as eleições para o Senado dá à coligação de centro-esquerda 34,4% (o Partido Democrata fica nos 29,6%) e à coligação de Monti, 11,5%. Teoricamente, Monti e os seus apoiantes podem mesmo não ultrapassar a barreira dos 10%. O centro-esquerda e Monti não ultrapassam portanto a barreira dos 45%.
Os mesmos números são obtidos se juntarmos os 28,7% do centro-direita (o Povo da Liberdade fica nos 19%) e os 17,5% de Beppe Grillo (que recolhe 18% dos votos na Câmara dos Deputados). Se só olharmos para os números, o duo Berlusconi-Grillo (46,2%), por muito hipotético e dificilmente imaginável que seja, concentra hoje mais intenções de voto no país do que a dupla Bersani-Monti (45,8%), a única de que os jornais falam.
Dito de outra forma, para se compreenderem bem as coisas, no caso muito pouco provável de Beppe Grillo e Silvio Berlusconi forjarem uma aliança, será difícil ao chefe de Estado não oferecer a um destes dois homens a responsabilidade de formar governo.

Uma Itália dividida ao meio

Números inquietantes? Cenários fantasistas? A verdade é que estes números são reais. E mais do que os números, há os cérebros, os corações, as pessoas, as famílias. Há duas Itálias. Uma que podemos resumidamente considerar europeia, ou seja, responsável, credível, mas que vacila e se perde em questiúnculas e debates inúteis, e uma outra difícil de identificar porque Beppe Grillo e Silvio Berlusconi são diferentes, mesmo tendo alguns pontos em comum.
Os italianos que tencionam votar em Bersani ou em Monti são em mesmo número que os que tencionam votar em Beppe Grillo ou em Berlusconi. E estamos a dezassete dias das eleições! É esta a realidade dos factos. Vejamos melhor. Há qualquer coisa que se passa em Itália. Uma coisa grave. Intensa. E que nada tem que ver com o cãozito de Mario Monti. Previnam as estrelas do Twitter. E até mesmo os dirigentes políticos, que ainda podem restabelecer a vantagem.

Metade dos britânicos quer sair da União Europeia

por A-24, em 19.02.13
Só um em cada três britânicos votaria pela manutenção do Reino Unido na União Europeia, revela hoje uma sondagem publicada pelo "Financial Times".
Segundo os dados, se o referendo sobre a permanência do país à União Europeia anunciado pelo primeiro-ministro David Cameron para 2017 se realizasse amanhã, 50% dos britânicos votariam pela saída, 33% a favor e 17% não sabem ou não votariam.
O jornal comenta que estes resultados revelam que o sentimento anti-Bruxelas está a aumentar no país.
Quando David Cameron anunciou a realização do referendo, no final de janeiro - uma ideia apoiada por 50% dos eleitores - disse que seria capaz de convencer o eleitorado dos méritos da decisão de ficar, se fosse renegociada a relação do Reino Unido com a União Europeia.
UE não é prioridade
Mas dos que pretendem a saída, apenas 12% disseram que em caso de renegociação do estatuto mudariam de opinião, ao passo que 41% mantiveram que não mudariam o seu ponto de vista.
A sondagem revela que, mesmo preocupados com a situação económica do Reino Unido, apenas 31% dos britânicos pensam que ela ficaria mais fraca fora da UE; 34% acham que o seu país não beneficia de todo com a adesão.
A UE, revela a sondagem, é apenas a 14ª prioridade (em 15) para os britânicos. A saúde, educação e o crescimento económico são as três primeiras preocupações.
A sondagem foi realizada pela Harris Interactive, abrangendo 2114 adultos, entre 29 de Janeiro e 6 de Fevereiro, logo após o discurso de David Cameron.

Rezemos por Jardim Gonçalves e os seus 167 mil euros

por A-24, em 19.02.13
Henrique Monteiro

Não sou pessoa para fazer piadas fáceis com o que os outros ganham e menos ainda com as convicções religiosas de cada um. Mas um homem, católico ao ponto de ser do Opus Dei, mostrar-se incapaz de abdicar de parte de uma reforma de 167 mil euros quando o banco que fundou está em extremas dificuldades, só pode ter um significado: precisa que rezem por ele.
Esse homem, o Eng.º Jardim Gonçalves, não foi o único (longe disso) causador da atual desgraça do BCP. Mas só pode olhar cada pequeno acionista do banco, olhos nos olhos, sem sentir vergonha, se não tiver vergonha! Pessoalmente, não sou parte interessada, embora por razões várias detenha (há muitos anos) 500 euros de ações do banco, que valem agora cerca de 63 euros. Imagino aqueles que investiram não 500, mas 5000 ou 50 mil, ou mais. Não falo dos grandes acionistas a quem Jardim Gonçalves poderá ter dado muito dinheiro a ganhar (e talvez por isso se sinta no direito de ganhar uma reforma pornográfica); falo dos milhares de pequenos acionistas que perderam o que tinham.
Pode ser que Jardim Gonçalves siga a máxima bíblica de dar a quem precisa no anonimato ("não saiba a tua mão direita o que faz a esquerda"). Mas eu não creio. A perceção que dele se vai tendo, à medida que se vai sabendo do processo (ontem o BCP e o seu atual presidente, Nuno Amado, perderam em tribunal a possibilidade de lhe cortar a pensão) é a de um homem arrogante, inflexível e de um auto convencimento incrível. Um daqueles que dificilmente se salva. É bom que rezem por ele. 

The Fate of Blacks in Nazi Germany

por A-24, em 19.02.13


DURING THE THIRD REICH, GERMANY HAD A SMALL BLACK COMMUNITY, YET RELATIVELY LITTLE IS KNOWN ABOUT THEIR LIFE IN THE NAZI ERA. DEUTSCHE WELLE TAKES A LOOK AT SURVIVAL STRATEGIES UNDER HITLER’S OPPRESSIVE REGIME.

Deutsche Welle | 10.01.2010

Between 20,000 – 25,000 blacks lived in Nazi Germany under Hitler’s rule. When asked about blacks in the Third Reich, Germans are most likely to talk about the Afrika Schau. In his book, “Hitler’s Black Victims,” American University researcher, Dr. Clarence Lusane writes that the Africa Schau was a traveling show that began in 1936. The show’s owners were Juliette Tipner, whose mother was from Liberia and her white husband, Adolph Hillerkus. The aim of their spectacle was to showcase African culture in Germany.
In 1940, the Afrika Schau was taken over by the SS and Joseph Goebbels who “were hoping that it would become useful not only for propaganda and ideological purposes but also as a way to gather all the blacks in the country under one tent,” writes Lusane. For blacks who joined the Afrika Schau, it became a means of survival in Nazi Germany.
Duke University historian, Dr. Tina Campt, whose research deals with the African Diaspora in Germany said that “it was possible that blacks who were involved in it used it for purposes that were not the intention of those who organized it. So if the Afrika Schau dehumanized people, there were ways that blacks involved in it could use it as an opportunity to make money, as a site to connect to other black people,” she told Deutsche Welle.
However, the show was unsuccessful and was shut down in 1941. Also, it could not gather all the blacks in the country under one tent possibly because it only accepted dark-skinned blacks who appealed to the stereotype of what was considered African.
The caption states: "The result! A loss of racial pride."

The fate of the “Rhineland Bastards”

Most of the light-skinned blacks living in Germany during the Third Reich were of mixed blood, and a good number of them were the children of French-African occupation soldiers and German women in the Rhineland. The existence of these children is and remains common knowledge because they were mentioned in Hitler’s book “Mein Kampf” (“My Struggle”). In Nazi Germany, the derogatory term, Rheinlandbastard (Rhineland Bastard), was used to describe them.
Deutsche Welle spoke to leading German historian Prof. Reiner Pommerin to find out what happened to these children. “I published a book in the 70s, which told the reader about the sterilization of mixed blood children. These were children who had been fathered by occupation forces – mostly French occupation forces,” he said. His book, “Sterilisierung der Rheinlandbastarde. Das Schicksal einer farbigen deutschen Minderheit 1918 – 1937″ (“Sterilization of the Rhineland Bastards: the fate of a colored German minority 1918 – 1937″) publicized the sterilization of the Black minority in Nazi Germany.
Prior to the publication of the book in 1979, this information was unknown to the public. The sterilization of biracial children was carried out secretly because it went against 1938 Nazi laws and procedures. The exact numbers remain unknown, but it is estimated that 400 children of mixed blood were sterilized – most without their knowledge, Pommerin said.

Today, the fate of the “Rhineland Bastards” still remains largely unknown. The lack of public knowledge regarding their fate may have to do with the “lack of public interest in minorities,” said Pommerin. Campt attributes it to the secrecy behind the sterilization program and the nature of the Afrika Schau. “It has to do with the status of the Afrika Schau as a spectacle. So that was set up as a visual spectacle that was supposed to get people to notice something as a display. In that way, it was really publicized in order to get people to think about,” she said.

Recognition of the black experience in Nazi Germany

According to Campt, the major difference between the experience of blacks and that of other groups in the Third Reich is the lack of a systematic Nazi extermination plan. Moreover, because of the small number of blacks living in Germany, few people are ready to recognize that there was even a population whose experience can be discussed.
Furthermore, there is little or no support in Germany for researchers working in this area. Unlike in the United States where research on minorities is well-funded due to the legacy of the Civil Rights Movement, “black German scholars who have been doing this work for years don’t necessarily get the recognition on the basis of qualifications, on the basis of whether or not they are working within a certain kind of academic scholarly structure for the study of minority cultures,” Campt said.
All the same, it should be noted that even though the publication of Pommerin’s book on the sterilization of the “Rhineland Bastards” did not generate much public interest at the time, it received some attention from a German politician. The member of the Social Democratic Party asked if he could obtain the names of the victims, so that they could be compensated.
Pommerin told Deutsche Welle that “(the politician) wanted to hand over 3,000 German marks ($2,190). I knew where they were living, but I didn’t want to bother these people because I could tell that this was more a political interest. And I could see the TV cameras standing in front of the house in the village and money is handed over. And all of a sudden the sensation is great in the village – here is someone who had been sterilized.”

Author: Chiponda Chimbelu
Editor: Rob Mudge
Source

Ratzinger e a necessidade de religião

por A-24, em 18.02.13
Henrique Raposo

Um dos pontos fundamentais dos textos seculares de Ratzinger tem sido a defesa do Direito Natural. Como é óbvio, a fé de Ratzinger alimenta um Direito Natural de estirpe católica. Mas, bem vistas as coisas, o Papa demissionário nem sequer precisaria de Deus para justificar a presença do Direito Natural na vida coletiva dos homens. Bastar-lhe-ia olhar para o primeiro tijolo do seu ADN político: o contacto com a Alemanha nazi. Nas primeiras páginas da autobiografia, A Minha Vida, podemos ver como o jovem Joseph Ratzinger viveu sob o jugo do nazismo, um regime que assentava a sua força na recusa do Direito Natural, na negação de qualquer critério ético acima do Poder. O fundamento da Alemanha nazi era a ideologia do Führer, um totem de bigodinho, um ídolo pagão. Daí o termo "totalitarismo pagão", muito usado por pensadores cristãos daquele tempo. Por outras palavras, naquele sistema totalitário o Poder era sinónimo de Verdade - a antítese do Direito Natural . O jovem Ratzinger percebeu logo ali que o historicismo só podia (e só pode) acabar mal. Os critérios morais não podem ficar na mão exclusiva do homem. 


Para selarmos esta crítica ao historicismo que recusa qualquer ética transcendente, convém registar que uma kantiana como Susan Neiman acaba por dizer o mesmo que Ratzinger: "quanto mais responsabilidade pelo mal era deixada aos seres humanos, menos importância a espécie parecia dar-lhe" . Os totalitarismos do século XX nasceram desta total autonomia moral do homem em relação a qualquer moral transcendente. No fundo, a imanência é uma treta.

Sugestão literária: Gulag: Uma história

por A-24, em 18.02.13
Uma obra essencial na área da História do século XX, o relato mais avalizado e abrangente deste mal soviético alguma vez publicado por um escritor ocidental. Prémio Pulitzer de 2004 na categoria de não-ficção.
O Gulag - o vasto conjunto de campos de concentração soviéticos - foi um sistema de repressão e castigo cujo mal racionalizado e cuja desumanidade institucionalizada só foram igualados pelo Holocausto.

Imediatamente reconhecido como uma obra essencial na área da História do século XX, Gulag : Uma história é uma contribuição indelével para a complexa, permanente e necessária busca da verdade.

Gulag: uma história é o relato das origens e desenvolvimento dos campos de concentração soviéticos, de Lenine a Gorbachev. Baseado em arquivos, entrevistas e novas pesquisas, este livro explica o papel que estes campos tiveram nos sistemas político e económico soviéticos e por que razão permaneceram apagados na memória da antiga união Soviética e do Ocidente. O sistema de campos de concentração soviéticos – Gulag – foi criado em 1918 após a revolução russa. Em 1929, Estaline expandiu este sistema com o objectivo de usar o trabalho forçado para acelerar a industrialização soviética. O Gulag acabou por tornar-se um país dentro de um país, com leis, costumes, literatura, folclore, gíria e moral próprios. Traduzido em mais de doze línguas, Gulag: uma história ganhou o Prémio Pulitzer de 2004 na categoria de não-ficção e o Duff-Cooper Prize britânico. Foi um dos finalistas nomeados para o National Book Award, o National Book Critics Circle Award, o LA Times Books Award e o Samuel Johnson Prize.
"O relato mais avalizado e abrangente deste mal soviético alguma vez publicado por um escritor ocidental coloca o Gulag no seu terrível lugar de direito."

Newsweek

Prémio Pulitzer 2004

Competitividade

por A-24, em 17.02.13
Inst. Ludwig Von Mises
 
O fato difícil de aceitar é que a competitividade da mão-de-obra e da indústria brasileira continua ruim, e isso não pode ser corrigido por meras manipulações cambiais. O que os mercantilistas parecem ainda não ter entendido -- não obstante já tenham tido dois séculos para isso -- é que uma taxa de câmbio depreciada pode beneficiar os exportadores apenastemporariamente, pois uma desvalorização da moeda necessariamente significa que os preços domésticos subirão mais acentuadamente ao longo do tempo. E dado que os produtores domésticos terão de arcar com o aumento em seus custos de produção, todas as supostas bênçãos trazidas pela depreciação cambial rapidamente desaparecem. Portanto, aos olhos dos mercantilistas e do governo, o Brasil está perdendo, ainda que esteja momentaneamente vencendo a guerra cambial.

Já aos olhos dos economistas pró-livre mercado, o Brasil está perdendo, independentemente de qual seja a perspectiva adotada: temos uma moeda que vale 20% menos do que valia há um ano e meio, a inflação de preços acumulada em 12 meses está acima dos 6%, e quase nada foi feito em termos de melhorar nossa competitividade no mercado internacional. A boa notícia para os exportadores é que a China parece estar conseguindo evitar seu ciclo econômico mais uma vez, adiando sua recessão. Temores de um "pouso forçado" da economia chinesa parecem ter se arrefecido por ora, e o crescimento econômico está reaparecendo a um ritmo mais rápido.