Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A-24

O "Clube 27" ganhou mais um membro

por A-24, em 12.02.12
Vinte e sete anos. Muitos dos grandes mitos musicais do século passado morreram com esta idade. Amy Winehouse, uma cantora cujo enorme talento acompanhava uma vida de excessos, é mais um membro deste "Clube 27".

Eis alguns dos músicos que, tal como Amy, morreram aos 27 anos, no auge do talento musical:

Brian Jones: Foi expulso dos Rolling Stones por Mick Jagger e Keith Richards. Era viciado em drogas e tinha problemas com a justiça. O guitarrista britânico foi descoberto morto na piscina na madrugada de 2 para 3 de Julho de 1969. As investigações à sua morte concluíram ter-se tratado de uma morte acidental, sob a influência das drogas e do álcool.

Jimi Hendrix: O guitarrista afro-americano terá morrido sufocado no próprio vómito depois de ter ingerido um cocktail fatal de soporíferos e vinho tinto no dia 18 de Setembro de 1970 num hotel londrino, embora as circunstâncias da sua morte nunca tivessem sido completamente explicadas. Foi o ponto final de uma carreira efémera mas que deixou uma marca histórica na música universal.

Janis Joplin: Quando gravava o álbum “Pearl” - o seu sobrenome - a cantora americana foi encontrada morta num quarto de hotel no dia 4 de Outubro de 1970. Causa de morte: uma overdose de heroína. Esta cantora americana, uma fervorosa activista contra o racismo e contra o conservadorismo, morreu escassos 15 dias depois de Hendrix.

Jim Morrison: O vocalista dos The Doors morreu no dia 3 de Julho de 1971 em Paris, onde estava exilado depois de ter sido condenado nos EUA por “exibicionismo”. De acordo com a polícia, Jim Morrison morreu em consequência de uma crise cardíaca. Outras fontes alegam, porém, que a causa da morte se deve a uma “overdose”. A sua campa continua a ser uma das mais visitadas do cemitério parisiense de Père-Lachaise.

Kurt Cobain: o guitarrista e vocalista dos Nirvana suicidou-se com um tiro no dia 5 de Abril de 1994 na sua casa de Seattle. Cobain foi um dos músicos que ajudou a apresentar ao mundo o estilo grunge, personificando o mal de vivre adolescente que marcou a década de 1990. Casado com a cantora Courtney Love, Cobain - que também sofria de problemas de dependência das drogas - nunca reagiu bem à fama mundial desencadeada com o álbum “Nevermind”.

Sobre Whitney Houston

por A-24, em 12.02.12
A notícia da morte de Whitney Houston (9 de Agosto, Newark, New Jersey) foi avançada pelo seu agente, Kristen Foster, à agência de notícias norte-americana Associated Press.
Nas redes sociais, as reacções de celebridades à morte da cantora não tardaram. “Tenho o coração partido e estou em lágrimas depois da morte chocante da minha amiga, a incomparável senhora Whitney Houston”. Escreveu no Twitter a cantora Mariah Carey
Houston, que tinha tinha 48 anos, alcançou fama planetária no final dos anos 80 e início da década de 90 sobretudo por causa do filme “O Guarda-Costas” (1992), onde interpretou o papel de uma estrela do mundo da música e contracenou com Kevin Costner. A banda sonora do filme, cuja interpretação também esteve a seu cargo, foi distinguida com um Grammy, prémio que recebeu várias vezes. A canção "I Will Always Love You", original de Dolly Parton, tornou-se no single com maior sucesso de vendas na história do rock. Foi uma das divas da indústria da música com vendas de discos a bater recordes e inúmeros concertos esgotados.
Whitney Houston foi ainda a primeira artista a colocar sete “singles” consecutivos no topo das vendas, segundo a imprensa especializada. Entre as suas canções mais conhecidas figuram “How Will I Know”, "I'm Every Woman" e “Saving all My Love for You”.
Para além da música e do estrelato alcançado com "O Guarda-Costas", Houston participou nos filmes "Waiting to Exhale" (1995), "The Preacher's Wife" (1996) e "Sparkle" (2012), longa-metragem inspirada na história das Supremes e remake do filme com o mesmo nome de 1976. Em "Sparkle", com estreia agendada para Agosto deste ano, Houston interpreta Emma/Effie, uma das três irmãs adolescentes do bairro de Harlem, Nova Iorque, que decidiram formar uma banda no final dos anos 50.
O primeiro disco da carreira, "Whitney Houston" (1985), vendeu 25 milhões de cópias. No total, Whitney Houston lançou sete álbuns e três bandas sonoras para filmes, registos que venderam mais de 200 milhões de cópias. Ganhou seis Grammys, 30 Billboard Awards, 22 American Music Awards e dois Emmys. Até 2010, somava 415 prémios de música, o que, segundo o livro dos recordes do Guiness, a transformam na artista mais premiada de sempre.

Nos últimos anos, a carreira de Whitney Houston foi marcada por actuações erráticas e a sua vida pessoal passou a ser notícia por causa de um casamento tumultuoso com o cantor Bobby Brown e também por causa da dependência do álcool e das drogas (confessou consumo de cocaína e marijuana). “O meu maior inimigo sou eu. Sou ao mesmo tempo o meu melhor amigo ou o meu pior inimigo”, disse em 2002 numa entrevista polémica à cadeia de televisão ABC, ao lado do marido Brown.
Em 2010, cancelou uma parte da sua tournée europeia e foi hospitalizada por causa de uma infecção respiratória. A sua última aparição pública aconteceu na quinta-feira à noite, altura em que entrou numa discoteca de Hollywood “desorientada”, segundo a cadeia de televisão ABC.
A origem familiar de Houston potenciou a ligação à música: era filha da cantora gospel Cissy Houston, prima da diva pop dos anos 60 e Dionne Warwick e afilhada da chamada da rainha da soul Aretha Franklin. Quando era pequena, cantou na igreja baptista e desde então não mais parou de surpreender com a sua voz potente a talhada para as notas altas. No início da carreira, chegou a fazer coro para Chaka Khan, Jermaine Jackson e outros músicos ao mesmo tempo que geria uma carreira como modelo. Por essa altura, Clive Davis, produtor e fundador de editoras como a Arista Records ou a J Records, assistiu a um concerto e ficou impressionado. “A primeira vez que a vi senti um enorme impacto”, lembrou ao programa "Good Morning America". Em 1983, assinou um contrato com a Arista por 20 anos
Whitney Houston influenciou gerações de artistas, onde se contam nomes como Christina Aguilera ou Mariah Carey.
A notícia da morte de Whitney Houston acontece na véspera da noite onde serão entregues os Grammy Awards, os prémios americanos da indústria da música, agendados para a noite de domingo, no Staples Center de Los Angeles. Os organizadores daqueles que são considerados os óscares da música disseram à CNN que a cerimónia vai manter-se, mas deverá ser totalmente modificada para prestar homenagem à cantora.Discografia

- "Whitney Houston" (1985)

- "Whitney" (1987)

- "I'm Your Baby Tonight" (1990)

- "My Love Is Your Love" (1998)

- "Just Whitney" (2002)

- "One Wish: The Holiday Album" (2003)

- "I Look to You" (2009)

Ao 18.º dia o faraó caiu

por A-24, em 11.02.12

A fúria de quinta-feira, dia em que Mubarak falou aos egípcios para dizer que não ia abandonar o seu cargo, apesar de anunciar uma série de cedências, foi substituída por uma explosão de alegria em todo o Egipto.
Nas ruas do Cairo, Alexandria, Suez e de muitas outras cidades egípcias já estavam milhões de pessoas que depois das orações começaram a desfilar, voltando a gritar “Vai-te! Vai-te!”. 
Milhares juntaram-se à frente do Palácio Presidencial, mais milhares à porta do edifício da televisão estatal. Os militares que protegiam ambas as instalações mantiveram as suas posições, sem hostilizar os manifestantes. Há mesmo notícias de confraternização e gestos de solidariedade para com aqueles que gritavam “Nem Mubarak, nem Suleiman!”.
No país circulava a notícia de que Mubarak e a família tinham abandonado a capital e viajado para Sharm el-Sheikh, a estância turística do Mar Vermelho. Muitos pressentem “um bom sinal”. Pouco depois a televisão estatal anuncia para breve um “comunicado importante e urgente” da presidência egípcia. 
E o comunicado surge ao cair da noite no Cairo: “Em nome de Deus, o misericordioso, cidadãos, durante as difíceis circunstâncias que o Egipto atravessa, o Presidente Hosni Mubarak decidiu deixar o cargo de Presidente e encarregou o Conselho Supremo das Forças Armadas de administrar o país. Que Deus ajude toda a gente”, afirmou o vice-presidente, Omar Suleiman, na curta declaração transmitida na televisão estatal.
O país explode de alegria. Na praça Tahrir, filmada em directo pelas televisões, o barulho da vitória é ensurdecedor. “No Cairo, os condutores estão a buzinar, há disparos de tiros para o ar”, contou o correspondente da BBC Jon Leyne na capital egípcia. Havia pessoas aos saltos: “Temos um ex-Presidente!”, gritam. “Conseguimos!”.
“Este é o melhor dia da minha vida”, reage o opositor Mohamed ElBaradei. “O país foi libertado depois de décadas de repressão”. Agora, o Nobel da Paz espera uma “bonita” transição de poder. 
Por seu lado, a Irmandade Muçulmana saúda o “grande povo do Egipto e o seu combate”. Issam el-Aryan, porta-voz da maior força da oposição, banida mas tolerada no regime de Mubarak, disse que a Irmandade “celebra o momento e segue o caminho”.
“Consenso nacional” – é este o apelo de Amr Moussa, secretário-geral da Liga Árabe e ex-ministro egípcio dos Negócios Estrangeiros, face à “mudança histórica” trazida com a renúncia do Presidente Hosni Mubarak. Moussa surgiu nesta revolução como uma das figuras que poderá assegurar a liderança de um eventual governo de transição e não descartou a possibilidade de ser candidato à presidência.
Em comunicado, o Exército diz que vai anunciar medidas para uma fase de transição após a queda do Presidente demissionário. Depois de “saudar os mártires” que morreram na revolução, os militares garantem não se vão substituir à “legitimidade desejada pelo povo”. 
O Conselho Superior das Forças Armadas declara, no comunicado, que o Exército vai “definir os passos que vão ser seguidos”, sublinhando ao mesmo tempo que não há outro caminho em frente para além do legítimo “a que as pessoas aspiram”.
“O comunicado militar é óptimo”, escreve no Twitter Wael Ghonim, o executivo da Google que se tornou uma figura-chave dos protestos. “Confio no nosso Exército.
O ministro da Defesa saúda a multidão em frente ao palácio presidencial no Cairo. Mohamed Hussein Tantawi é, segundo fonte militar, o chefe do Conselho Superior das Forças Armadas, a quem Mubarak passou o poder. De Suleiman e de outras figuras do Partido Nacional Democrático não há sinal. 
Mubarak partiu, mas durante a noite eram muitos os analistas que faziam a mesma pergunta: e os militares, também vão largar o poder que controlam há quase 60 anos? 
Na rua, a festa continuou. 

Xeque-mate à corrupção

por A-24, em 10.02.12
"Para onde vai o dinheiro sujo das alfândegas?", é a pergunta na primeira página do Gândul, que, adianta, "um em cada quatro polícias de alfândega é investigado por corrupção". Uma atividade que regista diariamente uma média de cinco mil euros em cada posto alfandegário. Depois da intervenção levada a cabo no início de fevereiro na alfândega de Vama Siret, a Direção Nacional Anticorrupção deteve e enviou para Bucareste de helicóptero nada menos que 140 agentes de postos alfandegários existentes na fronteira com a Hungria, tendo encerrado dois, refere o diário. Perante a gravidade da situação, o Gândul questiona se não seria preferível "importar funcionários aduaneiros devidamente remunerados. E políticos também", e põe em causa, tal como o ministro do Interior, os sindicatos dos agentes. O governo "mexe nos peões", mas deixa de lado as "peças" (o peixe graúdo da administração das alfândegas), as "rainhas" (os políticos que utilizam o dinheiro sujo a financiar os seus partidos) e o "rei", reage o sindicato Pro Lex, em comunicado, citado pelo EUobserver.com. O Pro Lex afirma igualmente que "a Roménia não está preparada para a mudança. A imprensa não quer revelar o nome das peças mais importantes desta partida de xadrez".

Global impact of colonization

por A-24, em 10.02.12

European overseas expansion led to the contact between the Old and New Worlds producing the Columbian Exchange, named after Columbus. It involved the transfer of goods unique to one hemisphere to another. Europeans brought cattle, horses, and sheep to the New World, and from the New World Europeans received tobacco, potatoes and maize. Other items becoming important in global trade were the sugarcane and cotton crops of the Americas, and the gold and silver brought from the Americas not only to Europe but elsewhere in the Old World.
The new trans-oceanic links and their domination by the European powers led to the Age of Imperialism, where European colonial powers came to control most of the planet. The European appetite for trade, commodities, empire and slaves greatly affected many other areas of the world. Spain participated in the destruction of aggressive empires in America, only to substitute for its own and forcibly replaced the original religions. The pattern of territorial aggression was repeated by other European empires, most notably the Dutch, Russian, French and British. Christianity replaced older "pagan" rituals, as were new languages, political and sexual cultures, and in some areas like North America, Australia, New Zealand and Argentina, the indigenous peoples were abused and driven off most of their lands, being reduced to small, dependent minorities.
Similarly, in coastal Africa, local states supplied the appetite of European slave traders, changing the complexion of coastal African states and fundamentally altering the nature of African slavery, causing impacts on societies and economies deep inland. (See Atlantic slave trade).
Aboriginal Peoples were living in North America at this time and still do today. There were many conflicts between Europeans and Natives. The Europeans had many advantages over the Natives. They gave them diseases that they had not been exposed to before and this wiped out 50–90% of their population. (See Population history of American indigenous peoples.)
Since being introduced by Portuguese in the 16th century, maize and manioc have replaced traditional African crops as the continent's most important staple food crops. Alfred W. Crosby speculated that increased production of maize, manioc, and other American crops "enabled the slave traders drew many, perhaps most, of their cargoes from the rain forest areas, precisely those areas where American crops enabled heavier settlement than before."
During the 16th century Chinese economy the Ming Dynasty was stimulated by trade with the Portuguese, Spanish, and Dutch. China became involved in a new global trade of goods, plants, animals, and food crops known as the Columbian Exchange. Trade with European powers and the Japanese brought in massive amounts of silver, which then replaced copper and paper banknotes as the common medium of exchange in China. During the last decades of the Ming the flow of silver into China was greatly diminished, thereby undermining state revenues and indeed the entire Ming economy. This damage to the economy was compounded by the effects on agriculture of the incipient Little Ice Age, natural calamities, crop failure, and sudden epidemics. The ensuing breakdown of authority and people's livelihoods allowed rebel leaders such as Li Zicheng to challenge Ming authority.

New crops that had come to Asia from the Americas via the Spanish colonizers in the 16th century contributed to the Asia's population growth. Although the bulk of imports to China were silver, the Chinese also purchased New World crops from the Spanish Empire. This included sweet potatoes, maize, and peanuts, foods that could be cultivated in lands where traditional Chinese staple crops—wheat, millet, and rice—could not grow, hence facilitating a rise in the population of China. In the Song Dynasty (960–1279), rice had become the major staple crop of the poor; after sweet potatoes were introduced to China around 1560, it gradually became the traditional food of the lower classes.
The arrival of the Portuguese to Japan in 1543 initiated the Nanban trade period, with the Japanese adopting several technologies and cultural practices, like the arquebus, European-style cuirasses, European ships, Christianity, decorative art, and language. After the Chinese had banned direct trade by Chinese merchants with Japan, the Portuguese filled this commercial vacuum as intermediaries between China and Japan. The Portuguese bought Chinese silk and sold it to the Japanese in return for Japanese-mined silver; since silver was more highly valued in China, the Portuguese could then use Japanese silver to buy even larger stocks of Chinese silk.[126] However, by 1573—after the Spanish established a trading base in Manila—the Portuguese intermediary trade was trumped by the prime source of incoming silver to China from the Spanish Americas.
Italian Jesuit Matteo Ricci (1552–1610), was the first European allowed into the Forbidden City, taught the Chinese how to construct and play the spinet, translated Chinese texts into Latin and vice versa, and worked closely with his Chinese associate Xu Guangqi (1562–1633) on mathematical work.
[edit]Economic impact in Europe
Main articles: Commercial Revolution, Renaissance, Renaissance in the Low Countries, and Great Divergence
World map from Johannes Kepler's Rudolphine Tables (1627), incorporating many of the new discoveries.
As a wider variety of global luxury commodities entered the European markets by sea, previous European markets for luxury goods stagnated. The Atlantic trade largely supplanted pre-existing Italian and German trading powers which had relied on their Baltic, Russian and Islamic trade links. The new commodities also caused social change, as sugar, spices, silks and chinawares entered the luxury markets of Europe.
The European economic center shifted from the Mediterranean to Western Europe. The city of Antwerp, part of the Duchy of Brabant, became "the center of the entire international economy,[128] and the richest city in Europe at this time.[129] Centered in Antwerp first and then in Amsterdam, "Dutch Golden Age" was tightly linked to the Age of Discovery. Francesco Guicciardini, a Venetian envoy, stated that hundreds of ships would pass Antwerp in a day, and 2,000 carts entered the city each week. Portuguese ships laden with pepper and cinnamon would unload their cargo. With many foreign merchants resident in the city and governed by an oligarchy of banker-aristocrats forbidden to engage in trade, the economy of Antwerp was foreigner-controlled, which made the city very international, with merchants and traders from Venice, Ragusa, Spain and Portugal and a policy of toleration, which attracted a large orthodox Jewish community. The city experienced three booms during its golden age, the first based on the pepper market, a second launched by American silver coming from Seville (ending with the bankruptcy of Spain in 1557), and a third boom, after the Treaty of Cateau-Cambresis, in 1559, based on the textiles industry.
Despite initial hostilities, by 1549 the Portuguese were sending annual trade missions to Shangchuan Island in China. In 1557 they managed to convince the Ming court to agree on a legal port treaty that would establish Macau as an official Portuguese trade colony. The Portuguese friar Gaspar da Cruz (c. 1520 February 5, 1570) wrote the first complete book on China and the Ming Dynasty that was published in Europe; it included information on its geography, provinces, royalty, official class, bureaucracy, shipping, architecture, farming, craftsmanship, merchant affairs, clothing, religious and social customs, music and instruments, writing, education, and justice.


Delftware depicting Chinese scenes, 18th century. Musee Ernest Cognacq
From China the major exports were silk and porcelain, adapted to meet European tastes. The Chinese export porcelains were held in such great esteem in Europe that, in English, china became a commonly–used synonym for porcelain. Kraak porcelain (believed to be named after the Portuguese carracks in which it was transported) was among the first Chinese ware to arrive in Europe in mass quantities. Only the richest could afford these early imports, and Kraak often featured in Dutch still life paintings. Soon the Dutch East India Company established a lively trade with the East, having imported 6 million porcelain items from China to Europe between the years 1602 to 1682. The Chinese workmanship impressed many. Between 1575 and 1587 Medici porcelain from Florence was the first successful attempt to imitate Chinese porcelain. Although Dutch potters did not immediately imitate Chinese porcelain, they began to do it when the supply to Europe was interrupted, after the death of Wanli Emperor in 1620. Kraak, mainly the blue and white porcelain, was imitated all over the world by potters in Arita, Japan and Persia— where Dutch merchants turned when the fall of the Ming Dynasty rendered Chinese originals unavailable —and ultimately in Delftware. Dutch and later English Delftware inspired by Chinese designs persisted from about 1630 to the mid-18th century alongside European patterns.

Jan Davidsz. de Heem, detail of silverware from "A Richly Laid Table with Parrots", c. 1650
Antonio de Morga (1559–1636), a Spanish official in Manila, listed an extensive inventory of goods that were traded by Ming China at the turn of the 16th to 17th century, noting there were "rarities which, did I refer to them all, I would never finish, nor have sufficient paper for it".[136] After noting the variety of silk goods traded to Europeans, Ebrey writes of the considerable size of commercial transactions: In one case a galleon to the Spanish territories in the New World carried over 50,000 pairs of silk stockings. In return China imported mostly silver from Peruvian and Mexican mines, transported via Manila. Chinese merchants were active in these trading ventures, and many emigrated to such places as the Philippines and Borneo to take advantage of the new commercial opportunities.
The increase in wealth experienced by Spain coincided with a major inflationary cycle both within Spain and Europe, known as price revolution. Spain had amassed large quantities of gold and silver from the New World. In the 1520s large scale extraction of silver from Mexico's Guanajuato began. With the opening of the silver mines in Zacatecas and Bolivia's Potosí in 1546 large shipments of silver became the fabled source of wealth. During the 16th century, Spain held the equivalent of US$1.5 trillion (1990 terms) in gold and silver from New Spain. Being the most powerful European monarch at a time full of war and religious conflicts, Philip II squandered wealth in arts and wars across Europe. "I learnt a proverb here", said a French traveler in 1603: "Everything is dear in Spain except silver".[138] The spent silver, suddenly spread throughout a previously cash starved Europe, caused widespread inflation.[139] The inflation was worsened by a growing population but a static production level, low salaries and a rising cost of living. Increasingly Spain became dependent on the revenues flowing in from the mercantile empire in the Americas, leading to Spain's first bankruptcy in 1557 due to rising military costs.[140] Phillip II of Spain, defaulted on their debt several times, had to declare four state bankruptcies in 1557, 1560, 1575 and 1596, becoming the first sovereign nation in history to declare bankruptcy. The increase in prices as a result of currency circulation fueled the growth of the commercial middle class in Europe, the bourgeoisie, which came to influence the politics and culture of many countries.
Source

E a terra das oportunidades é... a Escandinávia

por A-24, em 10.02.12
Toda a gente sabe que as economias mais liberais, como os Estados Unidos e a Inglaterra, são onde o Estado é um empecilho menor ao sucesso económico de cada um, certo? Não há um estado pesado que corta as pernas ao empreendedorismo, certo? O sucesso calha aos mais aptos, certo? Numa economia mais liberal, só nós somos culpados se não tivermos êxito, certo?
Errado.
Há vários estudos, e aqui abaixo fica mais um, que mostram o contrário. É nos países escandinavos - aqueles com cargas fiscais acima dos 50% - que o sucesso económico de uma pessoa menos depende do sucesso económico dos pais. Ou seja, é onde o sucesso depende mais de cada um, do que aquilo que herdou.
E é fácil imaginar porquê. O estado social garante a todas as crianças uma verdadeira igualdade de oportunidades, especialmente em termos de educação.


Por cada 1% a mais que uns pais americanos ganham, os filhos vão ganhar mais 0,5%. Por cada 1% a mais que uns pais dinamarqueses ganham, os filhos vão ganhar apenas mais 0,15%.
(Mais precisamente, o que aparece na figura é derivada parcial d log(rendimento)/d log(rendimento pais))
link

Como sobreviver num mundo com 9 mil milhões?

por A-24, em 06.02.12
Em 2050 a população mundial vai atingir novo marco. Seremos nove mil milhões à procura de alimentos, água, habitação e energia. Com conflitos, migrações e o efeito das alterações climáticas para gerir. Soluções, procuram-se.

Gente, gente, gente
O contador não pára. Em Portugal a população está a envelhecer, mas olha-se para lá do país e da Europa e a ideia deixa de ser um número: tudo indica que 2011 é o ano em que chegamos aos sete mil milhões de pessoas. Um artigo no diário britânico Guardiandizia que a comemoração seria a 31 de Outubro, com o nascimento de uma criança no estado de Uttar Pradesh, um dos mais populosos da Índia, com cerca de 194 milhões de habitantes.A escalada continuará pelo menos até 2050, quando, segundo as previsões demográficas, formos nove mil milhões. As Nações Unidas estão a fazer um levantamento extenso das populações dos países para apurar melhor os números de hoje e corrigir previsões. Mas é esta rapidez que assusta."Se os níveis de fertilidade e de mortalidade que temos hoje não se alterarem, a população mundial vai adicionar mil milhões de pessoas em tempos muito pequenos", disse ao PÚBLICO Hania Zlotnik, Directora da Divisão de População das Nações Unidas.Herdámos este boom do século XX. Em cem anos a população passou dos 1,6 para os 6,1 mil milhões. "O aumento não ocorreu porque as pessoas começaram a reproduzir-se mais; em vez disso (...) deixaram finalmente de morrer como moscas", escreveu o especialista em política económica e demografia Nicholas Eberstadt num artigo na revista Foreign Affairs, onde alertava para as consequências económicas do envelhecimento das populações.No século passado a saúde melhorou, a esperança média de vida passou de 30 para 65 anos e o progresso económico ascendeu no Ocidente. 
Em contrapartida, a fertilidade diminuiu muito na Europa e em países como o Japão - para níveis em que a população não está a ser reposta. O fenómeno atinge a China devido às políticas de natalidade.Se a Ásia continua a ter os países com maior população (a China e a Índia estão em primeiro e segundo lugares com mais de mil milhões de pessoas cada), a fertilidade está agora na África subsariana. O continente, onde hoje vivem mil milhões de pessoas, vai duplicar o número até 2050.Mas a Terra é capaz de ter tanta gente? "A História da humanidade mostra que já fomos muito poucos, mas fomos sempre capazes de gerir as pessoas que tivemos", observou ao PÚBLICO Jorge Malheiros, especialista em migrações do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa. 
"O número perfeito [de pessoas] tem que ver com o modelo da sociedade."Depois de 2050, as previsões dizem que pode haver uma quebra na população mundial, ou pelo menos uma estagnação. Prevê-se que vá acontecer nos países emergentes o que aconteceu no mundo ocidental: um desenvolvimento económico acompanhado de uma diminuição de fertilidade. Até lá precisamos de espaço.Cidades e migraçõesUm relatório de Janeiro da Instituição dos Engenheiros Mecânicos intitulado População: Um Planeta, Demasiadas Pessoas?, que abordava as problemáticas deste assunto, alertava para a questão da urbanização. Metade da população mundial vive em cidades, em 2050 será 75 por cento. Se isso é evidente em metrópoles como São Paulo, Pequim ou Nova Iorque, não se pode esquecer África. Em 1950 só Alexandria e o Cairo tinham mais de um milhão de pessoas, no futuro 80 cidades do continente africano vão estar nesta situação."A urbanização é uma resposta ao desenvolvimento económico", afirmou a especialista das Nações Unidas Hania Zlotnik. "Os países mais urbanizados tendem a ser os que estão melhor, um exemplo importante é a China." Segundo Zlotnik, o modelo de desenvolvimento económico que a humanidade inventou passa pela urbanização e não pela manutenção das pessoas no mundo rural.Do ponto de vista ecológico traz vantagens. "Tudo se torna mais eficiente, se as pessoas estiverem agrupadas - é mais fácil fornecer o saneamento, a água, a electricidade", afirmou ao PÚBLICO John Bongaarts, vice-presidente do Conselho Populacional em Nova Iorque, que ajudou a produzir o relatório. Por outro lado, áreas com alta concentração de pessoas permitem deixar espaço livre. Algo que "é fundamental para garantir que alguns ecossistemas sobrevivem e desempenham funções importantes", comentou ao PÚBLICO Francisco Ferreira, especialista em energia e dirigente da associação ambientalista Quercus.Mas Boongarts advertiu para um dos maiores problemas destes grandes agrupamentos urbanos, em que as pessoa migram à procura de um estilo de vida melhor: 

"Muito do crescimento urbano na África subsariana está a ser feito em bairros da lata. As pessoas vivem miseravelmente, a mortalidade é alta, não há acesso a infra-estruturas, serviços, etc." Parte da solução é melhorar a habitação destes bairros, mas os governos, segundo o especialista, muitas vezes não podem suportar essa despesa.Há a questão da alimentação, um dos maiores problemas que se avizinham: "As pessoas que estão nas cidades também comem, e muitas vezes comem mais produtos que são ecologicamente mais caros de cultivar."África, o último campo agrícolaA proporção é conhecida, há comida para todos, mas um sétimo da população mundial está subnutrida, uma grande percentagem em África, e o outro sétimo come a mais. Em cima deste problema há o crescimento populacional e o desenvolvimento económico que muda os hábitos alimentares.O Banco Mundial prevê que a necessidade de cereais aumente 50 por cento entre 2000 e 2050 e a necessidade de carne aumente 85 por cento durante este período. 
Para alimentar todos os animais do sector pecuário já em 2030, será preciso cultivar a mesma área agrícola que alimentava a população humana em 1970."A resposta para os países ricos é sim, eles têm que consumir menos", defendeu Hania Zlotnik. "As dietas são uma coisa fundamental que provavelmente tem que mudar, não só para salvar o planeta, mas porque sabemos que dietas muito ricas em comida animal são más para a saúde das pessoas."Esta pressão já se fez sentir nas crises alimentares nos últimos anos, como a crise do arroz em 2008. 
No futuro, prevê-se um aumento no valor dos alimentos, que poderá tornar rentáveis espaços para a agricultura que até agora eram marginais, mas vai dificultar a vida às populações pobres, que gastam a maioria do seu rendimento em alimentação.O espaço arável na maioria da Terra está preenchido. A revolução verde permitiu, através dos fertilizantes, pesticidas e das sementes, duplicar várias vezes o rendimento das colheitas, mas esse aumento tem limites.África, contudo, ainda não teve a sua revolução verde. "O desafio é que as mudanças nas técnicas de agricultura em África sejam suficientemente céleres e possam ter em conta a rapidez com que a população está a aumentar e talvez, se tivermos sorte, possam produzir comida para o resto do mundo", explicou Zlotnik. A especialista também referiu a importância da construção de infra-estruturas, acessos, locais de armazenamento dos produtos agrícolas para diminuir a perda de estrago, que ainda é enorme nos países africanos, e, por outro lado, a abrir a possibilidade de os agricultores competirem nos mercados nacionais e internacionais. 
Foram estas limitações que suscitaram crises alimentares como a da Etiópia em 2003.Maria José Roxo, geógrafa e especialista em desertificação da Universidade Nova de Lisboa, argumentou, por seu lado, que um desenvolvimento agrícola tem de ter em conta os recursos naturais. "Não se pode importar modelos, nem se pode fazer o exagero que se fez nos países desenvolvidos", observou a investigadora ao PÚBLICO. "A agricultura tem que ser muito mais adaptada às condições naturais, sustentável", defendeu.Onde está a água?Um dos maiores problemas que esta investigadora detecta actualmente é a degradação dos solos devido à má utilização, ao abuso excessivo de fertilizantes, que pode tornar uma terra estéril e poluir lençóis de água. "Se não tiver solos, não tenho água; quanto mais contaminação de solos tiver no planeta, menos água potável vai existir", admitiu.As cidades podem ajudar a combater a falta de água. Quando a escassez ou as oscilações entre precipitação e períodos secos são cada vez mais demarcadas, o armazenamento de águas pluviais nas casas pode combater esta falta. "Muita da água de chuva que cai não é aproveitada, por isso ainda é possível ser-se muito mais eficiente com o seu uso. É preciso armazenar esta água e aproveitá-la", explicou John Bongaarts.Novo paradigma energético
O bom aproveitamento dos recursos pode ser a diferença entre a morte e a sobrevivência. Há alimentos que se estragam, água que não é aproveitada e energia mal gasta. De todas as questões, a da energia é a que não está tão directamente relacionada com o aumento demográfico. "Os países que estão a aumentar a população mais rapidamente não são os que estão a consumir mais. Se continuarem pobres e subdesenvolvidos, vão continuar a consumir pouca energia per capita. Não é o que se quer, mas é a realidade", adiantou Zlotnik.Francisco Ferreira concorda - o problema é o mundo desenvolvido. Com ou sem aumento de população, o certo é que os combustíveis fósseis são finitos e estão a acelerar de dia para dia as alterações climáticas. Segundo o ambientalista, é preciso mudar o paradigma da energia."É preciso apostar na eficiência energética e na redução de consumo, de modo a que continue a haver energia para todos, suportando a mobilidade, electricidade", disse Francisco Ferreira. Isto é importante que aconteça nos países desenvolvidos, de modo a diminuírem o consumo per capita. Por outro lado, é preciso "disciplinar o aumento de consumo de energia dos países emergentes, de forma a não seguirem este caminho".O ambientalista assegura que a nível tecnológico é ainda possível optimizar muito os recursos; depois é necessário passar gradualmente dos combustíveis fósseis para os combustíveis verdes. 
Para isso deverá melhorar-se a interconectividade entre regiões e países, de modo a fazer coincidir a produção de energia com o gasto. O relatório aponta para a aposta na energia nuclear. Francisco Ferreira acredita que se consegue "perspectivar à escala mundial um fornecimento de energia sem nuclear". Mas acrescenta que não será possível acabar com o nuclear de um dia para o outro.Gerir um clima imprevisívelSobre todos estes factores cai um aspecto imprevisível: as alterações climáticas. Na agricultura, um futuro em que a variabilidade do clima é ainda maior vai obrigar os agricultores a estarem preparados. Isso não será possível sem ajuda. "Os agricultores sempre tiveram que lidar com estas oscilações e no mundo desenvolvido eles fazem-no porque têm instituições que os ajudam", comentou Hania Zlotnik, acrescentando que estas instituições têm que ser "expandidas para os locais onde não existem neste momento".As cidades também vão estar sob pressão. 
Fenómenos como o ciclone Katrina, que em 2005 fustigou Nova Orleães, nos Estados Unidos, ou a precipitação que devastou a serra junto do Rio de Janeiro, no Brasil, no mês passado, não vão acabar.Parte deste problema é que as pessoas são atraídas para as zonas litorais, onde existe um risco acrescido, mas que são mais interessantes do ponto de vista social. "É preciso que as pessoas pensem sobre estes riscos e isso não é muito comum", adiantou Maria José Roxo, explicando que a resolução do problema passa pelo ordenamento do território e por uma cartografia das zonas de risco.Mesmo que as catástrofes não aumentem, com mais densidade populacional o mais certo é haver mais mortes, considerou Zlotnik. "A forma como as pessoas e os governos funcionam é que esperam até as coisas estarem realmente más para se mexerem." Público

Laureus - O dia em que Djokovic derrotou Messi

por A-24, em 04.02.12

O tenista sérvio Novak Djokovic foi designado como o melhor desportista de 2011, recebendo o prémio Laureus, numa corrida em que bateu, entre outros, o futebolista argentino Lionel Messi.
“Foi uma luta exigente, considerando a grandeza dos nomeados. Todos fizeram uma temporada extraordinária em 2011. Não posso pedir mais”, disse Djokovic, que em 2011 venceu três Grand Slam (Austrália, Wimbledon e Open dos EUA) e destronou Rafael Nadal como número um mundial.

Djokovic recebeu o prémio nesta segunda-feira em Londres, uma semana depois de conquistar o Open da Austrália.
O melhor tenista da actualidade entrou em 2012 cheio de confiança e nem sequer pensa em optar pela aposta em Roland Garros ou nos Jogos Olímpicos. “Por que não os dois?”, questionou Djokovic, que nunca venceu o Grand Slam francês.
Se vencer em Paris, o sérvio junta-se à elite dos tenistas (Roger Federer, Rafael Nadal, Andre Agassi, Don Budge, Fred Perry, Rod Laver e Roy Emerson) que já venceram os quatro principais torneios de ténis.
A gala dos prémios Laureus, no entanto, não pertenceu exclusivamente a Djokovic. É certo que Messi perdeu, mas a sua equipa não saiu de mãos a abanar: o Barcelona foi designado como a melhor equipa de 2011, depois de uma temporada em que venceu a Liga Espanhola, a Liga dos Campeões e o Mundial de clubes.
“O segredo desta equipa é o coração, os sentimentos. Temos a cor do sangue, como os nossos pais e os nossos avós”, disse Sandro Rosell, presidente do clube catalão, que subiu ao palco para receber o galardão.
Entre os outros distinguidos em 2011 estiveram a fundista queniana Vivian Cheruiyot, que foi eleita a melhor desportista feminina, depois de uma temporada em que foi campeã mundial dos 5000 e 10.000 metros.
O golfe da Irlanda do Norte também esteve bem representado nestes prémios, com o jovem Rory McIlroy (vencedor do Open dos EUA aos 22 anos) a receber o prémio revelação e o veterano Darren Clarke a ser distinguido pelo melhor regresso, após o triunfo no Open Britânico.
Numa cerimónia em que estiveram presentes os treinadores Alex Ferguson e André Villas-Boas, o antigo futebolista Bobby Charlton recebeu o prémio carreira e o corredor Oscar Pistorius foi o escolhido como o melhor atleta com deficiência física.
Criados em 1999, os prémios Laureus distinguem anualmente os melhores desportistas. Os nomeados para cada categoria são seleccionados pelos votos de um painel editores e jornalistas, cabendo depois a eleição final, por voto secreto, aos membros (47 antigos desportistas) da academia Laureus.
Público


Laureus 2011

Desportista masculino do ano Novak Djokovic (Ténis/Sévia)
Desportista feminina do ano Vivian Cheruiyot (Atletismo/Quénia)
Equipa do ano Barcelona (Futebol/Espanha)
Desportista revelação Rory McIlroy (Golfe/Irlanda do Norte)
Desportista regressado Darren Clarke (Golfe/Irlando do Norte)
Desportista paralímpico Oscar Pistorius (Atletismo/África do Sul)
Desportista de acção Kelly Slater (Surf/Estados Unidos)
Prémio carreira Bobby Charlton (Futebol/Inglaterra)
Prémio desporto para o bem Raí (Futebol/Brasil)

Maxime: O melhor cabaret de todos os tempos

por A-24, em 02.02.12
Hoje há festa de encerramento no Royal Maxime, em Lisboa. Depois disso, não se sabe se o cabaret fundado no final dos anos 40 voltará a abrir as portas. Manuel João Vieira procura já um novo espaço que possa assumir o papel da sala lisboeta de destino incerto, um sítio onde a música conviva saudavelmente com o striptease.

A primeira vez que cruzou aquela porta de esquina na Praça da Alegria foi levado por um grupo de amigos. Tinha 18 anos, chegara há pouco tempo a Lisboa e tudo era um deslumbramento. O Royal Maxime, cabaret de luxo, era um deleite para os seus olhos pouco experimentados. Duas orquestras lado a lado, ballets que se sucediam no palco num corrupio emprestado pelas melhores salas parisienses, um espectáculo de cor e animação que desconhecia haver na capital, as funcionárias vestidas impecavelmente, uma vida nocturna tão excitante e fascinante que quase se diria proibida. Em 1958, António Calvário da Paz já começara a cantar, mas estava muito longe de atrever a imaginar-se naquele mesmo palco, rodeado de um público ajoelhado aos seus pés. Mas não tardaria a voltar a entrar no Maxime, passados dois anos, como um artista subitamente idolatrado de Valença do Minho a Sagres. Entraria, então, pela porta grande, graças ao sucesso de Regresso, o tema com que tinha acabado de conquistar, no Porto, o Festival da Canção Portuguesa.


"Um ambiente fabuloso, de cabaret de selecção. Não era cabaret rasca, era ao mais alto nível. As empregadas que circulavam por aqui eram gente que se arranjava muitíssimo bem, não é como muitas vezes acontece agora, em que as pessoas vêm para estes sítios da mesma maneira com que vão de manhã fazer as compras à praça." Retrato por António Calvário, resgatando as primeiras memórias de um Maxime de que hoje apenas restam estas imagens que formamos a partir dos relatos alheios. A casa que hoje fecha as portas - quem sabe se para sempre - rivalizava na altura com o Casino do Estoril ao nível das atracções, entre ballets e stripteases internacionais, cantores de primeira água, ilusionistas e um sem-fim de gente que passava pelo palco numa só noite, das dez às seis da manhã. Eram noites de uma Lisboa boémia que dançava, bebia um copo e via um espectáculo. António Calvário não tem dúvidas: "Era o melhor cabaret de Lisboa de todos os tempos." Ali cantaram todos os grandes nomes da canção portuguesa. Calvário, mas também Simone de Oliveira e Tony de Matos, e o cantor chegou inclusivamente a ver Julio Iglesias no início de carreira, ainda só metade do sedutor que depois se fez. Ali se estreou também Raul Solnado.


A descrição contrasta agudamente com o cenário que Gimba e Manuel João Vieira, dois músicos dos Irmãos Catita, ali foram descobrir em meados dos anos 90. Passadas três ou quatro décadas sobre os tempos áureos do Cabaret Royal Maxime, sobre a altura em que ali fora recebido o príncipe Juan Carlos de Espanha, a mesma sala de vibrante animação transformara-se num moribundo chamariz para uns quantos endinheirados, uma casa de alterne, onde antes se encontrava um dos palcos mais cobiçados da cidade. O templo máximo do entretenimento cosmopolita, imaginado como espelho do Moulin Rouge ou do Folies Bergères, tinha dado lugar a um paraíso da decadência. Mas uma decadência "inofensiva", concordam os dois músicos que por ali tocaram algumas vezes, sobretudo depois do encerramento do vizinho Ritz Club - outro mítico cabaret da noite lisboeta do tempo do Estado Novo -, em 2000. O Ritz, de resto, assumira em parte a herança do Johnny Guitar, e o Maxime prolongaria parte do seu legado até à presente semana. Na altura, tinha "um ambiente normal lisboeta, com um pouco de alterne, um pouco de striptease, um pouco de canção, comia-se até às tantas, e era um bocado caro, porque nestes ambientes as bebidas são sempre mais caras", lembra Manuel João Vieira.


Quando começou a frequentar o Maxime, Manuel João encontrou lá o mesmo cenário que descobrira antes no Ritz, numa miraculosa cápsula temporal que conservava resquícios vários do entretenimento das décadas anteriores. "O Ritz continuava com aqueles números antigos, que vinham desde os anos 50, de cantoras, travestis, um autêntico circo felliniano. Depois isso foi acabando, tornou-se um sítio mais para ouvir música, e por essa altura de vez em quando vinha ao Maxime. Achava piada a estes ambientes que estavam a desaparecer. Gostava daquele tipo de espectáculo de cabaret, que é uma coisa de que os putos hoje em dia não fazem a menor ideia. Nessa altura, o Maxime era sobretudo uma casa onde havia muitas raparigas sentadas a desfrutar de bebidas adocicadas e uns senhores a divertirem-se."Gimba lembra-se que graças a essas actuações dos Irmãos Catita, Manuel João Vieira reconheceu na sala "um potencial bestial". Gimba e Tita - da produtora independente Banana Royale, responsável por parte da programação e produção do Maxime nos últimos anos, sobretudo a ligada à recuperação de nomes do passado e que eram a cara do espaço - começaram então a frequentar o Maxime enquanto clientes: "Saíamos à noite, os sítios começaram a ficar todos iguais e íamos até ao Maxime." Nessas noites de sábado, "à hora de ponta, duas e meia da manhã", recorda Gimba, "aquilo não tinha mais de quatro clientes, só que esses quatro clientes bebiam garrafas de 60 contos". "Uma vez houve um que acabara de comprar uma garrafa de Moët & Chandon por 60 contos e veio oferecê-la à nossa mesa, comprando depois outra para beber com as meninas". Mas nesse contacto mais próximo com a casa, não foi apenas o bafo do álcool que lhes chegou ao nariz. "Percebemos que aquilo estava a morrer", diz Gimba.


O Maxime acabou por fechar e ser colocado "um pequeno, bastante pequeno até" anúncio de jornal que dizia simplesmente: "Cede-se exploração de Maxime." Manuel João e o seu padrasto, Bo Backstrom, avançaram então para a tentativa de revitalização do espaço no início de 2006. E, quando lhe pegaram, quiseram preservar alguns dos artistas que por ali tocavam habitualmente. Um deles, Carlos Cruz, era conhecido por homem-banda e animava os serões com a sua bateria e aparelhagem Midi, pondo toda a gente a dançar. Através do cantor romântico italiano Sandro Core, que já participara em espectáculos dos Irmãos Catita, sabiam que havia toda "uma espécie de submundo das variedades" em aflição, porque a sua subsistência estava em perigo: os cantores José Portugal e José Nobre, ou a stripper Michelle, conhecida por as suas curvas estarem demasiado à vista, de tal forma transbordavam já para fora da roupa antes sequer de o espectáculo se iniciar.

O amor é livre


Sandro Core, velho conhecido de todos os casinos portugueses, e que ali cantou pela primeira vez em 1972 integrado num espectáculo de ballet inglês que andava em digressão pelo mundo, viaja facilmente no tempo a qualquer sugestão dos anos dourados do Maxime. "Era considerada uma das melhores salas de espectáculos da Europa - orquestras, ballets, stripteases, atracções, era tudo do melhor que havia", diz de olhos perdidos nas cortinas vermelhas que ainda hoje balizam o palco. E por recordar bem o que eram aquelas noites de boémia, tem uma explicação bem prosaica para justificar a decadência deste e de outros espaços semelhantes. "Esta coisa das mulheres a alternar já não interessa mais a ninguém. O amor é livre, não é como antigamente. Agora as mulheres é que escolhem o homem, não é sequer preciso o homem andar à procura delas. Os homens vinham a estas casas à procura das mulheres. Hoje há mulheres em todo o lado. Por isso é que estas casas decaíram e já não existem."

Depois de Manuel João e Bo Backstrom assumirem a gerência e de a Banana avançar com algumas das ideias de programação, o Maxime rapidamente ganhou um espaço no roteiro da noite lisboeta, tendo sido a casa que relançou a carreira de José Cid no já histórico concerto em Abril de 2006 e por onde passaram os actores dos Sopranos (Michael Imperioli e John Ventimiglia) armados de ambições musicais. Foi igualmente ali que os Deolinda começaram a rodar as canções que agora todo o país sabe de cor. Mas foi mantendo, tanto quanto pôde, os artistas residentes do antigo Maxime, "do tempo do engenheiro" Vítor Azevedo. Entre eles estavam José Portugal, Sandro Core, a stripper Gretty Star e Carlos Cruz, hoje a trabalhar no Casino Algarve de Portimão. "Os artistas eram muito engraçados, mas o novo público não estava muito para aí virado, lamentavelmente. O público contemporâneo é estúpido", ri-se Gimba, "porque só sai de casa para ver o que já conhece." Aos poucos, os nomes do antigamente foram caindo dos cartazes do Maxime. Mas havia um sentido de missão em apresentar concertos de António Calvário - que sempre esgotou o Maxime, de 1960 a 2007 - e outros clássicos da música portuguesa, mesmo quando era quase incomportável financeiramente, por fazer parte da imagem da casa.Febre de sábado à noite

Até Manuel João Vieira foi evitando ser uma presença regular. "A partir de determinada altura tentei não vir aqui muitas vezes, porque estar a beber à borla é uma coisa perigosa; portanto, vim aqui sobretudo no contexto de alguns concertos que queria ver e dos próprios concertos que fazia, de maneira que a memória que tenho é a do palco e das pessoas à volta." Um palco que, na sua opinião, continua a ser o melhor de Lisboa, e que, pela cor branca, foi utilizado na série Paraíso Filmes para recriar o famoso número de dança de John Travolta em Febre de Sábado à Noite.

Depois dos seus tempos de glória, de uma lenta transformação com fado e folclores a horas próprias e meninas a despirem-se a horas impróprias, nos últimos cinco anos o Maxime recuperou um lugar destacado na noite de Lisboa. Mas agora, o néon da entrada, um M vermelho incrustado numa espécie de insígnia azul, ameaça apagar-se para sempre.

Pág. 2/2