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A-24

Especialistas dizem que só o retorno à família tradicional e à religião pode recompor as sociedades desfeitas

por A-24, em 04.09.11
Michel Garroté, especialista em geopolítica que abandonou o laicismo e o esquerdismo radical para se tornar católico, denunciou que por trás do feroz vandalismo que abalou a Inglaterra estavam as ideias do “Maio de 68”.

“Há quarenta e três anos Maio de 68 vem apodrecendo a sociedade; já é hora de denunciar o enorme cretinismo das ideias pseudo-pacifistas de 'Maio de 68'”, escreveu em Drzz.Info.

O especialista apontou também a responsabilidade moral da “Escola de Frankfurt”, socialista e freudiana, que forneceu a ideologia que está na origem da descomposição da sociedade.
Saques e depredações em Londres: consequência da destruição da família
Por sua vez, Melanie Phillips, do diário britânico Daily Mail, denunciou que a anarquia violenta que tomou conta de cidades inglesas não é senão o resultado muito previsível de três décadas de “experiências” de esquerda que reduziaram a frangalhos quase todos os valores fundamentais da sociedade.
A família pai-mãe bem casada, o mérito na educação, a punição dos criminosos, a identidade nacional, a repressão da droga foram jogados ao lixo pela “intelligentsia” de esquerda, disposta a levar adiante uma transformação revolucionária da sociedade.
Aqueles que resistiam a essa acção insidiosa eram acusados de serem “conservadores de direita” e de quererem voltar a uma era de ouro mítica superada.
Nós estamos a ver agora o resultado dessa política nas cenas horríveis e sem precedentes de violência dos baderneiros, nas casas e lojas a pegar fogo, na epidemia dos saques.

Casamento e família tradicional: esperança de restauração da sociedade
As causas do vandalismo não estão na pobreza, mas num desabamento moral. E o trabalhismo exacerbou essas causas.
Na verdade, prosseguiu Melanie Phillips, no centro de todos esses problemas está o estilhaçamento da família.
E os governos empenharam-se em destruir sistematicamente a família tradicional.
A família destruída foi premiada e encorajada pelo Estado Providência que subsidiou todas as formas anómalas de convivência.
Os absurdos antifamiliares foram piorados por um “multiculturalismo” segundo o qual achar que uma cultura é superior a outra – no caso a cultura inglesa sobre as culturas dos imigrantes africanos e asiáticos – seria ‘racismo’.
Abandonou-se assim o tecido social tradicional nacional e foi se instalando uma guerra primitiva de todos contra todos, em que os grupos mais agressivos destroem os mais pacíficos.
Segundo a jornalista, para a restauração do tecido social destruído “requer-se um retorno à transmissão enérgica da moral bíblica. Quando os responsáveis religiosos cessarem de falar baboseiras mais próprias de assistentes sociais de ideias moles e recomeçarem a defender os princípios morais que fundamentam a nossa civilização; quando os nossos dirigentes politicos decidirem opor-se à guerra cultural empreendida contra a nossa civilização em vez de aquiescerem passivamente com a sua destruição, então — e só então — poderemos começar a solucionar esta crise terrível”, concluiu Phillips no Daily Mail.

Angélico, Sónia Brazão e o estrume da comunicação social

por A-24, em 02.09.11

Não escrevi até hoje sobre estas duas pessoas. Em primeiro lugar porque não me apeteceu, em segundo porque outros se encarregaram de o fazer de forma incessante, até à exaustão, e em terceiro porque para além de considerar estes dois factos um "não assunto" tenho para mim que a dor e o luto das pessoas em causa e das famílias devem ser respeitados. Mas outros há que acham que a morte de um jovem (igual à morte de qualquer outro jovem em condições trágicas, e como sucedeu no mesmo acidente) e a desgraça de uma actriz (igual à desgraça de qualquer outra pessoa nas mesmas circunstancias) devem ser esquizofrénica e impiedosamente escrutinadas, e fizeram-no de uma forma asquerosa. A exploração da morte e da desgraça alheia atingiu durante uma ou duas semanas neste país o cúmulo do ridículo. E é fácil ver quem e que órgãos promoveram a estupidez de forma vil: é só fazer uma busca simples no Google.
O "famoso" News of the World - jornal britânico de Rupert Murdoch entretanto extinto e mundialmente conhecido por ser capaz de tudo por uma cacha, mas rigorosamente tudo, parece ter disseminado a sua forma de actuação e feito escola entre jornais e revistas portuguesas. Mas se muita imprensa já era e é lixo, outros se colocaram à porta da incineradora e com vontade de entrar. E trituram a própria moral se preciso for.
Acho que nem a morte de Amy Winehouse, uma estrela internacional, das maiores da última década, figura conhecida (nem sempre pelos melhores motivos, é certo) em qualquer canto mais recôndito deste planeta, foi explorada de forma tão cobarde, mesquinha, fútil, imbecil e profundamente deprimente. Um verdadeiro nojo. Lixo. Estrume comunicacional. Sem nível, inteligência ou sombra de discernimento entre o que é informação e o que não passa de excitação momentânea baseada em muitos números e pouco cérebro.
Muitos jornais deste país, no papel e nos seus sites foram atrás das revistas de WC e de sala de espera de consultório na forma de actuar. Publicações que continuam a vender porque, sejamos honestos, grande parte da população deste país gosta é de saber "quem comeu a não sei quantas, onde e a que horas", "a outra que pôs mamas", o híbrido que tem a mania que é vedeta em Nova Iorque, o casal que foi para as Caraíbas depois de aparecer 15 segundos nos Morangos com Açúcar (e nascem mais duas pseudovedetas) e a vida amorosa do drogadinho das novelas que anda a largar a coca e passa a vida num entra e sai da clinica como um esquilo ganzado. Aquilo a que muitos não limpam o rabo é a leitura diária, e única, de milhares de pessoas. Explica muita coisa. Muita mesmo.
E caíram, assim, todos de uma vez na sarjeta da informação. Quem quiser que enfie a carapuça. São escolhas.

(Alemanha) "o amigo espião"

por A-24, em 01.09.11


Tenho um conhecido, um quase-amigo, que é espião. Reparei de imediato nele. Na forma como numa simples small talk vai estrategicamente lançando perguntas, no modo como escuta as conversas. Avaliei-lhe o semblante, o olhar atento, vigiei-lhe o jeito. A curiosidade jornalística pode tornar-se num vício. Notou que o espiava. Até hoje não sei se fui eu que o desmascarou ou ele que me desmascarou a mim. Um dia contou-me tudo. Aqui, abre-se um mundo de conjecturas. Tudo? Eu não perguntei, ele respondeu. Há momentos que carecemos de contar, mas que não queremos que ninguém escute. Admitiu desconfiar das pessoas em geral, dos jornalistas em particular.
Fizemos um acordo tácito, falamos da amizade dos nossos filhos, da escola, das viagens (algumas). Não falamos de trabalho. Todos temos os nossos segredos. E sinceramente há coisas que não sei se quero saber.
Pensando nele não posso deixar de esboçar um sorriso ao passar os olhos por com um artigo da “Der Spiegel” intitulado “ Indiscretamente, discreto”. Nele se descreve o código de vestuário dos espiões da tenebrosa Stasi, a polícia secreta da ex-RDA. Como é que alguém se veste de forma não dar nas vistas? Para a Stasi a equação é simples: óculos escuros sempre – como se estes não fossem o requisito mais ingénuo em qualquer filme de espionagem – golas levantadas, bonés de pelo ou chapéus.
As imagens desta mascarada grotesca, que até teriam graça não fosse o facto dos disfarces serem usados para vigiar e silenciar de forma eficiente as sementes da dissidência na RDA – podem ser vistas numa exposição em Berlim. (link)

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