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A-24

10 anos sem ver a luz do dia - Seita islâmica na Rússia

por A-24, em 09.08.12
A polícia russa encontrou uma seita islâmica com cerca de 60 pessoas, das quais pelo menos 15 são crianças, a viver num bunker subterrâneo na República do Tartaristão, no centro da Rússia, sem luz nem condições de higiene. Algumas nunca tinham visto a luz do dia.
Segundo a agência de notícias France Press (AFP), o grupo vivia há mais de dez anos no local, uma antiga casa transformada em mesquita clandestina na capital Kazan (a cerca de 800 quilómetros a Leste de Moscovo), preparada pelo líder espiritual da seita, Faizrajman Satarov, de 85 anos. Depois de se ter auto-proclamado profeta, em 1964, Satarov impôs aos restantes membros da seita uma vida de reclusos, proibindo-os de sair do refúgio excepto em casos de emergência.

Segundo o porta-voz do ministério do Interior do Tartaristão, uma república russa de maioria muçulmana, as crianças “não tinham contacto com o mundo exterior, não foram à escola, não foram ao médico, o que constitui a pior das violações dos direitos das crianças”.
Aquele porta-voz, citado pela AFP, afirma que estavam no local 15 menores, mas num comunicado oficial citado por agências russas, as autoridades dizem que estavam no bunker 19 crianças, a maioria com menos de seis anos, e três bebés. Por sua vez, a imprensa local noticia que os membros da seita revelaram a existência de 27 crianças, que ficaram sob custódia da polícia.
O refúgio, construído em forma de labirinto, tinha pequenas células com dois por três metros, “onde as crianças viviam em condições insalubres” sem calor, luz ou ventilação, disse o representante do ministério do Interior. Todas as crianças foram já hospitalizadas.
A descoberta macabra foi feita a 1 de Agosto mas só agora foi tornada pública. A polícia “tropeçou” neste caso quando investigava o atentado contra um mufti (um académico islâmico a quem é reconhecida a capacidade de interpretar a lei islâmica, a charia) do Tartaristão, em meados de Julho. 
Durante a investigação, a polícia descobriu que debaixo da casa de Faizrajman Satarov havia uma cave, onde morava aquele grupo de pessoas, informou um inspector da polícia, Raniss Bajitov, num vídeo divulgado no site do Ministério do Interior.
Outro vídeo disponível na página do Ministério do Interior mostra homens barbudos e mulheres com véu gritando contra as forças de segurança enquanto levavam as crianças, que foram examinados no hospital. Segundo uma pediatra citada pela Associated Press, estavam “nutridas mas sujas”.
De acordo com a informação revelada pelo ministério, Satarov adquiriu a casa para onde "todos os membros da seita se mudaram progressivamente para morar permanentemente" em 1996. Não se sabe como é que o grupo conseguiu viver ali durante mais de dez anos sem levantar suspeitas. 
Parecer: Não tardará, aparecerão por aí alguns democratas, contestando a ação da polícia, acusando-os de não respeitarem as diferenças culturais nem a liberdade religiosa.