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A-24

O que nos aguarda para as Olimpíadas

por A-24, em 08.11.14
Instituto Ludwig Von Mises

Restaram apenas dois países interessados em sediar os jogos olímpicos de inverno de 2022: China e Cazaquistão. 
Sobraram apenas estes dois porque a Noruega desistiu da disputa após seus cidadãos pagadores de impostos se rebelarem e dizerem que não estão a fim de dar o dinheiro necessário para fazer dos jogos olímpicos um mero parque de diversões para os empresários corporativistas, políticos e burocratas mais ricos do mundo.
Em teoria, as Olimpíadas são uma organização privada. Na prática, trata-se de uma organização corporativista gerida por plutocratas cuja única missão é extrair dos pagadores de impostos do país-sede o máximo possível de receitas. Em todas as Olimpíadas, os vencedores são sempre os mesmos: as empreiteiras que fazem obras superfaturadas, os políticos que recebem propinas dessas empreiteiras, as redes de hotéis e a própria mídia. 
Um dos motivos de a Noruega ter se retirado é que seu governo pelo menos ainda é obrigado a prestar contas aos seus cidadãos pagadores de impostos, ao passo que os governos de Cazaquistão e China não são. A retirada da Noruega ocorre após as retiradas de Suécia, Polônia e Ucrânia.

Criminalização de sem-abrigo avança pela Europa

por A-24, em 28.07.14
Público

A penalização da mendicidade na Noruega é o derradeiro exemplo de uma tendência para aprovar leis, regulamentos ou medidas que dificultam a vida de quem dorme nas ruas da Europa. Ao mesmo tempo, há tentativas de integrar os sem-abrigo. Diversos países delinearam estratégias, como Portugal.

Com a crise a semear pobreza, há cada vez mais gente sem casa pela Europa. Alguns descobrem que as acções mais corriqueiras na rua podem resultar numa sanção penal. O último exemplo vem da Noruega. Este Verão os seus municípios voltam a poder banir a mendicidade.
A Federação Europeia de Organizações Nacionais Que Trabalham com Sem-abrigo (FEANTSA) tem manifestado "preocupação" pelo modo como, em diversos pontos da Europa, se tem optado por "medidas repressivas". Em 2012, aliou-se à Housing Rights Watch e à Fondation Abbé Pierre para produzir o primeiro relatório sobre "a criminalização dos sem-abrigo na Europa".
No Sul e no Norte, no Ocidente e no Oriente, regiões e municípios têm avançado com regulamentos e medidas que dificultam o dia-a-dia de quem sobrevive nas ruas, diz Freek Spinnewijn, director da FEANTSA, ao PÚBLICO. Proíbem actos como deitar-se, dormir, comer ou guardar pertences pessoais no espaço público, mendigar, distribuir comida ou recolher lixo dos contentores.
A tendência vem dos Estados Unidos, com tradição de "lei e ordem" baseada em políticas como a "tolerância zero". Antes os sem-abrigo não faziam parte da chamada "população perigosa". Esse lugar pertencia aos ciganos e, na Irlanda e no Reino Unido, aos travellers. Com o aumento de estrangeiros entre os sem-abrigo, alguns tornaram-se "vítimas" de leis e regulamentos que punem o suposto risco de crime.
A Freek Spinnewijn a Noruega parece um caso "interessante". Tem um Estado social forte e um conjunto de leis progressistas. Os noruegueses não serão tão afectados pela proibição de mendigar. A medida, anunciada com a promessa de mais apoio à reinserção de toxicodependentes e expansão da habitação social, recairá mais sobre os estrangeiros indocumentados, em particular sobre os de origem cigana saídos da Roménia, da Bulgária e da Hungria.

Escalada na Hungria
Nenhum lugar preocupa tanto Freek Spinnewijn como a Hungria. Desde meados dos anos 2000 que as autoridades locais criminalizam a chamada "mendicidade silenciosa". E já então era proibido mendigar na companhia de crianças ou de forma "agressiva". A partir de 2010, com a subida da extrema-direita ao poder, o país começou a escalada para a criminalização dos sem-abrigo.
Primeiro, o Parlamento húngaro aprovou a lei que permite atribuir funções específicas ao espaço público e proibir quaisquer outras. Depois, Budapeste interditou o uso do espaço público para morar. Volvidos uns meses, o Parlamento decidiu punir com 60 dias de prisão ou 530 euros de multa quem, durante seis meses, por duas vezes violasse qualquer proibição de dormir no espaço público. Mais um mês e estava a proibir dormir no espaço público em todo o país.
"A criminalização dos sem-abrigo pode ter o perigoso efeito secundário de forçar as pessoas a procurarem lugares mais escondidos, onde é mais difícil receber a ajuda — amiúde vital — de cidadãos preocupados ou o acompanhamento de técnicos que se deslocam ao terreno", sustentou Balint Misetics, professor no Colégio de Estudos Avançados em Teoria Social, no referido relatório.
"A Hungria choca mais porque não teve o cuidado de esconder o que está a fazer e fá-lo a um nível nacional", considera Freek Spinnewijn. "Noutros países europeus, isso tem estado a acontecer de uma forma mais subtil, por vezes quase invisível, e a um nível das regiões ou dos municípios."
Cory Potts, criminologista da FEANTSA, e Lucie Martin, socióloga da Diagénes, pegam no caso da Bélgica para mostrar como tudo pode começar com sanções administrativas e acabar em prisão. Veja-se o caso de Liège. De acordo com o regulamento aprovado em 2011, mendigar é permitido entre as 8h e as 17h de segunda a sexta e das 7h às 12h de domingo; não podem estar mais de quatro mendigos numa rua; não se pode mendigar em cruzamentos, nem em entradas de edifícios públicos, empresas, casas. Desde 2012, quem desrespeita as regras cai na alçada da polícia. Na primeira vez, um aviso; na segunda, uma intervenção do serviço social; na terceira, detenção.
Os sem-abrigo não desapareceram da cidade. Há zonas de tolerância. Cory Potts e Lucie Martin temem que essa tolerância esteja ameaçada. Proliferam os locais "semipúblicos", o que abre caminho a novas restrições. E a requalificação que se vai fazendo vai tornando os sítios mais "defensivos". Basta colocar barreiras nos bancos públicos para impedir as pessoas de se deitarem neles, por exemplo.

Punir comportamentos
Há exemplos anteriores à crise que começou nos EUA em 2008 e se estendeu à Europa. A Câmara de Barcelona é emblemática: em 2005, optou por punir comportamentos que considera anticívicos, como vomitar, urinar, defecar, cuspir, pintar graffiti, mendigar na rua, exercer a prostituição ou fazer venda ambulante, com multas que oscilam entre 120 e os três mil euros.
No ano passado, a Câmara de Madrid aprovou um modelo mais duro: punir com multa de 750 a três mil euros quem pedir esmola à porta de um centro comercial, acampe, faça malabarismos ou solicite serviços sexuais no espaço públicos, cuspa ou atire papéis para o chão, ofereça folhetos nos semáforos; perturbe os vizinhos, enquanto rega as plantas; alimente ou dê banho a cães na rua.
Em Itália, os exemplos multiplicam-se. Logo em 2008, a Câmara de Roma decidiu castigar com multas de 50 a 150 euros quem se pusesse a comer ou a beber, a cantar, a fazer barulho ou a dormir no centro histórico ou mesmo fora dele, se junto a monumentos. Também decretou que não se pode mendigar, nem vender flores ou outros pequenos objectos, a menos que se tenha licença.
Verona foi mais longe. A câmara resolveu passar multas de 25 a 500 euros a quem alimentar sem-abrigo. O presidente, Flavio Tosi, eleito pelo partido de extrema-direita anti-imigração Liga do Norte, diz que o objectivo é promover "a higiene" e "a imagem pública da cidade".
Tudo isto, na opinião de Freek Spinnewijn, reflecte ignorância e sensação de impotência. "Ser sem- abrigo não é uma escolha individual, é o resultado de uma série de desvantagens", sublinha. "Tornar a vida destas pessoas mais difícil não resolve o problema. As pessoas podem ficar menos visíveis, mas continuam lá."
Havia complacência, corrobora Sérgio Aires, presidente da Rede Europeia Anti-pobreza. Pensava-se os sem-abrigo como pessoas com problemas de saúde mental, dependência de bebidas alcoólicas ou drogas ilícitas. Essa ideia é mais redutora do que nunca. Muita gente tem perdido a casa com a crise.
Sérgio Aires lê nas leis, regulamentos e medidas que dificultam a vida dos sem-abrigo uma "intolerância para com os pobres" que lhe parece "estranha". As pessoas que estão a chegar às ruas são "mais parecidas com o cidadão comum". Muitas vezes tinham vidas integradas até perderem o emprego.
O fenómeno está na agenda europeia. Há meia dúzia de anos que a União instiga os Estados-membros a investirem na integração das pessoas sem-abrigo.
Diferentes países adoptaram estratégias para reduzir o número de pessoas a dormir nas ruas. Alguns optaram por abordagens mais baseadas na lógica "casa primeiro", como a Suécia, a Finlândia e a Dinamarca. Outros, apesar de considerarem isso importante, falam em aumentar a qualidade da rede de albergues e de serviços de apoio à habitação, como os Países Baixos, a França e Portugal.

Regras portuguesas
"Portugal não tem orçamento", comenta Freek Spinnewijn. Apesar disso, o país cabe no rol de exemplos positivos. "Tem uma estratégia nacional. Ainda está no papel, mas tê-la já é um princípio."
Segunda a Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas Sem Abrigo, aprovada em Portugal em 2009, ninguém deve permanecer na rua mais de 24 horas, a menos que seja essa a sua vontade. Existiriam centros de emergência — estruturas de resposta imediata, das quais se sairia, com um diagnóstico feito, para alojamento temporário ou permanente. Em lado algum foram criados.
A estratégia aponta para a organização local. Sempre que o número de sem-abrigo justifique, deve constituir-se um Núcleo de Planeamento, Intervenção a Sem-Abrigo e delinear-se um conjunto de respostas integradas. "Vai funcionando no Porto", afiança Sérgio Aires. Em Lisboa não tanto. Tenta-se agora reactivá-la. "Há muita coisa a acontecer e essa não é uma das prioridades." Congratula-se por não haver em Portugal a intolerância de outros países. Nem um clima rigoroso.
No ano passado, pelo menos 4420 pessoas viviam em jardins, estações de metro ou camionagem, paragens de autocarro, estacionamentos, passeios, viadutos, pontes e abrigos de emergência de Portugal. O número peca por defeito. Corresponde às pessoas acompanhadas no âmbito da Estratégia.
Os técnicos encontram resistência entre alguns sem-abrigo. Os albergues não permitem animais. Nem deixam entrar quem emite sinais de estar de consciência alterada. Têm rigorosos horários de entrada e saída. As pessoas têm de sair e de voltar cedo. São forçadas a passar o dia na rua. E, na maior parte das vezes, não têm privacidade no albergue. Mesmo assim os que existem não chegam para as encomendas. A Segurança Social recorre então a pensões, amiúde, de baixíssima qualidade.
"Aquelas pessoas querem viver numa casa, como as outras, mas precisam de algum apoio para isso", diz Freek Spinnewijn. Alargar o mercado social de arrendamento parece-lhe a melhor hipótese. "Em muitos países, o Estado e a Igreja e outras organizações têm inúmeras casas vazias."
Há uns meses, o diário britânico The Guardian fez as contas: na Europa existem umas 11 milhões de casas vazias e uns 4,1 milhões de sem-abrigo. Em Portugal a desproporção também é grande 4420 sem-abrigo e, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), 735 mil casas vazias.
O exemplo de Portugal pode ajudar a perceber o quão inalcançável pode ser uma casa. O preço das rendas permanece alto para quem recebe 179 euros de rendimento social de inserção ou 235 euros de pensão social, como já explicou ao PÚBLICO Henrique Pinto, director da Cais.
Sérgio Aires também faz a defesa das bolsas de habitação. Não a construção de bairros, modelo que criou não lugares por toda a Europa, mas a recuperação de casas situadas em ruas comuns, "com dignidade, a custos controlados". Na certeza de que tal não será solução para todos.

Quanto custa cada imigrante na Noruega?

por A-24, em 06.06.13
What is the price of diversity? Aside from all the violence, it’s $713,740.30 per immigrant.

The newspaper has previously revealed that Norway loses 4.1 million kroner ($713,740.30) for each non-western immigrant coming into the country and that immigration has cost 70 billion kroner ($12,185,810,000) in seven years. On Wednesday the newspaper determined that the government spends 2 million kroner ($348,110) per newly arrived non-Western immigrant they get to work or study.



And what is the Norwegian government getting for all its money?
Nevertheless, according to figures from Statistics Norway (SSB) fewer and fewer start work or studies. Only half of the participants who completed the program in 2010 are doing something useful after two years of training in Norwegian, social studies and other subjects.
Why should they bother when a generous welfare state awaits?
Including social benefits and course fees, the state has spent a total of 56 billion kroner ($9,747,080,000) on training of 56 000 immigrants from 2004 to 2010.
It would have been cheaper to pay them to go home.
This also means that the government has spent 23 billion kroner ($5,743,815,000 on 23 000 people that are not doing something useful.
For comparison, the Ministry of Education’s budget this year of 55 billion ($9,574,565,000) before loan transactions. This means that the government has spent as much on getting 33 000 non-western immigrants into work or studies within six years as the state’s total spending on day care, school, education and research for the entire population of the state budget for 2013.”
Diversity. It’s bloody expensive.
Fonte

Breivik - Um recluso de luxo

por A-24, em 10.11.12

Inspecções corporais quotidianas, café frio, censura da sua correspondência e algemas que magoam são algumas das queixas do assassino noruguês Anders Behring Breivik sobre a situação que vive na prisão de alta segurança onde cumpre uma pena de prisão de 21 anos, pela morte de 77 pessoas, no ano passado.
Um jornal norueguês publicou alguns extractos de uma carta de 27 páginas enviada por Breivik ao Ministério da Justiça através do seu advogado. “Duvido muito de que exista uma prisão pior na Noruega”, escreve o extremista de direita que matou 77 pessoas, a maioria das quais adolescentes do Partido Trabalhista norueguês, a 22 de Julho de 2011. 

Breivik está em isolamento quase total – pode sair durante uma hora por dia –, num regime de alta segurança na prisão de Ila, perto de Oslo. A sua cela tem três divisões, cada uma de oito metros quadrados: uma para dormir, outra que serve de escritório e outra para fazer exercício. Mas “são muito frias”, e ele tem de usar “três camadas de roupa”. Além disso, diz, o estabelecimento prisional em que foi colocado, uma instituição só para homens, “abriga alguns dos mais perigosos homens” da Noruega. 


Além da companhia não ser recomendável, o assassino condenado queixa-se de condições “que violam os direitos do Homem”. Lamenta-se de não receber manteiga suficiente para pôr no pão, de muitas vezes o café lhe chegar frio e de não poder conservar creme hidratante na sua cela – que, lamentavelmente, não tem nem decoração nem paisagem, relata o tablóideVerdens Gang, citado pela AFP. As algemas, que tem de usar quando é transferido de algum lugar da prisão para outro, “são muito afiadas e fazem-lhe feridas no pulso”. 


As autoridades norueguesas não fizeram qualquer comentário sobre esta carta de Anders Breivik, adianta a BBC.

Tribunal declara Breivik são e condena-o a 21 anos de prisão

por A-24, em 25.08.12
...Portanto, 77 mortos = 21 anos de cadeia (mesmo que continue a haver hipótese de ele continuar na prisão após esses período) ou seja menos de 4 meses de prisão por cada assassinato. Agora o contribuinte norueguês que continue a pagar a estadia deste genocida na prisão de luxo. Matar continua a compensar, especialmente na cada vez mais decadente Europa. Shame on you Europe!

Público - Breivik já reconhera responsabilidade dos actos que lhe foram atribuídos em julgamento, mas declarara-se não culpado das acusações de terrorismo e homicídio premeditado, com argumentos de que as suas acções foram “atrozes mas necessárias” para impedir a “islamização” da Noruega e um multiculturalismo no país que avalia como danoso. Insistira por isso que queria ser considerado mentalmente são.
A sentença foi declarada com decisão unânime dos cinco juízes e a pena máxima de 21 anos pode ser prolongada indefinidamente se, em data mais tarde, Breivik for ainda considerado um perigo para a sociedade. Breivik, de 33 anos, não pode requerer liberdade condicional antes de cumpridos pelo menos os dez anos da pena mínima.
Vestido de fato preto e camisa branca, Breivik fez a saudação de extrema-direita à entrada no tribunal e ouviu a leitura da sentença, feita pela juíza Wenche Elizabeth Artnzen, sempre a sorrir.

A 22 de Julho de 2011, Breivik matou 77 pessoas e deixou mais de 240 feridas num ataque que é considerado o mais brutal na Noruega desde a II Guerra Mundial: fez rebentar uma bomba construída com fertilizantes num edifício governamental, em que morreram oito pessoas, e horas depois lançou-se num tiroteio no campo de Verão da juventude trabalhista em Utoya, em que alvejou mortalmente outras 69 pessoas, na maior parte adolescentes, alguns com 14 anos.
A questão mais controversa ao longo do julgamento, que decorreu desde 16 de Abril a 22 de Junho, foi a do estado mental do arguido. Uma primeira peritagem psiquiátrica diagnosticou-o como “paranóico esquizofrénico”, mas a segunda avaliou-o como mentalmente são e, assim, criminalmente imputável.
Os procuradores pediam que o arguido fosse declarado inimputável e condenado a tratamento psiquiátrico por tempo indeterminado – o que Breivik contestou persistentemente e avisou que apresentaria recurso caso a sentença fosse pronunciada nesse sentido, considerando que um veredicto de inimputabilidade criminal desacreditava a sua ideologia racista e xenófoba. Sendo pouco provável que Breivik recorra da sentença agora pronunciada, os procuradores podem ainda fazê-lo, no prazo máximo de 14 dias.
O massacre provocado por Breivik abalou a Noruega, fazendo a população de cinco milhões questionar-se sobre a influência das ideologias de extrema-direita num país para onde é atraída uma cada vez maior imigração. Uma sondagem publicada hoje pelo diário Verdens Gang indicava que 72% dos noruegueses tinham a opinião de que Breivik estava “suficientemente são” para ser condenado numa pena de prisão.
Uns 54% consideravam por seu lado que as condições em que Breivik está detido – com três celas de 8 metros quadrados cada atribuídas (uma para dormir, outra para exercício físico e outra ainda de trabalho), além de um computador sem acesso à internet e televisor – são “demasiado clementes”. Breivik deverá cumprir aí a pena, em isolamento, na prisão de alta segurança de Ila, nos arredores de Oslo.

“Teria sido possível travar Breivik”

por A-24, em 23.08.12

PressEurope 
O ataque terrorista cometido em 22 de julho de 2011 pelo extremista de direita Anders Behring Breivik poderia ter sido evitado. A afirmação consta do relatório, entregue em 13 de agosto, pela comissão independente sobre o atentado de Oslo e a matança de Utøya, no decorrer da qual foram mortas 77 pessoas.
"A comissão sobre o 22 de julho: o atentado bombista poderia ter sido evitado. A polícia poderia ter chegado mais cedo a Utøya. Teriam sido poupadas muitas vidas", resume, na primeira página o AftenpostenSegundo este jornal, a comissão, presidida pela advogada Alexandra Bech Gjørv, concluiu que as autoridades não levaram a sério a possibilidade de um atentado bombista. No entanto, acrescenta o mesmo diário, teria sido possível impedir o ataque contra o complexo governamental, "aplicando as medidas de segurança existentes". Além disso, "realisticamente, a polícia teria podido intervir mais rapidamente" na ilha de Utøya, para onde Breivik se dirigiu logo depois de ter ativado o engenho explosivo que devastou o centro de Oslo e onde se encontravam reunidos jovens trabalhistas. Por último, os serviços de informação deveriam ter sido alertados para as ideias extremistas de Breivik e deveriam tê-lo detido. O relatório suscita vivas críticas na imprensa norueguesa:
Os lapsos que a comissão revelou são resultado da falta de cultura de liderança enraizada na política e na administração,
salienta o Bergens Tidende. Por seu turno, o tabloide Verdens Gang exige a demissão do primeiro-ministro social-democrata, Jens Stoltenberg:
Stoltenberg assume a responsabilidade pelas consequências do 22 de julho. Tem maioria no parlamento e, portanto, o poder de manter o cargo. Devia ter a dignidade de o abandonar.

A outra face da imigração para a Noruega (video)

por A-24, em 31.07.12
Uma reportagem espanhola, sobre os novos imigrantes ibéricos em Bergen, Noruega. Muito longe de ser um mar de rosas.

Noruega, o líder do desenvolvimento humano

por A-24, em 30.07.12
27.07.2012 | Por Cátia Mateus

É um país de excelência, onde o mérito e a qualidade determinam as contratações e fazem evoluir os profissionais. A Noruega é um destino cada vez mais aliciante para os portugueses que procuram oportunidades de carreira além-fronteiras.
Os engenheiros são mais beneficiados com oportunidades de emprego neste país que tem sido considerado pela ONU como líder mundial do desenvolvimento humano.
A Noruega tem atualmente cerca de cinco milhões de habitantes, mas estima-se que em 30 anos o número esteja já nos oito milhões de habitantes. A justificar este crescimento está não só uma sólida política de natalidade que incentiva os casais a terem filhos, mas também uma elevada taxa de imigração. São cada vez mais os estrangeiros que escolhem a Noruega para trabalhar. Oportunidades não faltam num país onde sector energético tem um peso notório na economia, mas onde faltam profissionais altamente qualificados em algumas áreas. A engenharia é a que gera maiores lacunas. Para suprir o seu défice de profissionais em áreas-chave, as empresas norueguesas recrutam cada vez mais nos seus parceiros europeus. Portugal é um fornecedor de eleição. Há empresas na Noruega onde o número de colaboradores portugueses já se equipara muito aos nativos do país.
Só a FMC Technologies, emprega na Noruega mais de 40 engenheiros portugueses. A empresa é das muitas que recorre aos serviços da rede Eures - em Portugal representada pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) - para recrutar engenheiros portugueses. Segundo o instituto, “as ações de recrutamento de profissionais portugueses para a Noruega foram iniciadas em 2007, chegando os primeiros portugueses ao território em 2008”. Os dados do IEFP apontam para uma colocação superior a 550 portugueses no país.
Tiago Nunes é um deles. O jovem engenheiro mecânico de 31 anos, foi dos primeiros a ser recrutado neste serviço da Eures. Chegou à Noruega em 2007 e garante que a experiência tem sido muito enriquecedora.Tiago integra os quadros da National Oiwell Varco como engenheiro de projeto. Sempre sonhou com uma carreira internacional e assegura que não podia ter encontrado melhor destino senão na terra das oportunidades. 
A Noruega é um país com boas hipóteses de emprego em múltiplas áreas, a começar pela engenharia. Mas Tiago garante que há também oportunidades na saúde, educação, restauração e em funções mais técnicas como canalizadores, soldadores, mecânicos de automóveis, camionistas, trabalhadores da indústria metalúrgica, cozinheiros, padeiros e até cabeleireiros. E se na área da engenharia basta saber falar inglês para conseguir boas oportunidades, “em sectores como a saúde e a educação é necessário dominar a língua norueguesa”, explica o engenheiro acrescentando que para quem aspira a cargos de chefia é também fundamental falar norueguês. Ainda assim, à parte da dificuldade linguística, Tiago Nunes esclarece que os portugueses são muito bem vistos na Noruega “basta ver pelo número de portugueses que todos os meses chegam ao país e pelo interesse crescente das empresas norueguesas em Portugal”. 
Um interesse que está prestes a conduzir Rodrigo Silva, outro engenheiro, ao território. Rodrigo é engenheiro mecânico e acaba de ser recrutado na última das missões de recrutamento para empresas daquele país, organizada pelo IEFP em Portugal. Concluiu a licenciatura em dezembro e desde janeiro que procurava emprego. Parte para a Noruega com a intenção de desenvolver a sua vida profissional e pessoal e, assegura, “conseguir a integração na sociedade norueguesa e fazer parte dessa nação”.
Esta necessidade de assegurar todas as condições de contrato ainda em Portugal é algo que para Tiago Nunes é muito importante. “Um português não deve viajar para a Noruega à procura de emprego sem ter algum em concreto ou um contrato com uma empresa. A vida na Noruega é bastante cara e sem emprego não é possível permanecer muitos dias”, alerta o jovem engenheiro há cinco anos no território.
E nesta missão de ligação às empresas locais, o papel da rede Eures pode mesmo ser vital. As oportunidades existem e o interesse das empresas nos profissionais portugueses também. Basta apenas fazer o mix entre a oferta e a procura e é isso que acontece nos Engeneering Mobility Days que por diversas vezes a rede, através do IEFP, já organizou em Portugal com elevada taxa de sucesso. “Para setembro está já prevista uma nova ação de aproximação aos empregadores de Stavanger e Oslo, prevendo-se uma nova ação de recrutamento em outubro”, explica o IEFP. A presença é obrigatória para os portugueses que tem este destino na sua lista de opções.

Energia lidera nas oportunidades

Com uma natureza a que ninguém fica indiferente, a Noruega atrai cada vez mais portugueses e outros cidadãos europeus que aqui escolhem desenvolver uma carreira à escala global. O país mantém o modelo social escandinavo baseado na saúde universal, no ensino superior subsidiado num regime abrangente de apoio social. Desde 2001 que a Noruega é classificada pela Organização das Nações Unidas como o melhor país do mundo em desenvolvimento humano, sendo em 2007 também avaliada como o país mais pacífico do mundo. Apesar de ter rejeitado a adesão à União Europeia em dois referendos, a Noruega mantém laços estreitos com a UE e com seus países membros.
A economia norueguesa é sobretudo fundamentada no sector da energia, onde residem também as maiores e melhores oportunidades de emprego. “A área do petróleo offshore e toda a logística, produtos e serviços necessários para explorar, produzir e transportar petróleo são geradores de uma quantidade enorme de empresas e empregos”, explica Tiago Nunes. A Noruega atrai um número elevado de empresas multinacionais nas áreas das energias renováveis, eletrónica, alimentar e farmacêutica que asseguram emprego a um número elevado de colaboradores nacionais e estrangeiros. Mas estas não são as únicas área as assegurar emprego no país.
Outros sectores como a construção têm também um futuro promissor no país que tem uma área muito grande e onde faltam algumas infra-estruturas que, mais cedo ou mais tarde, serão criadas. Tiago Nunes dá como exemplo o novo aeroporto de Oslo cuja construção se iniciará em breve e também as estradas que “não são aquilo a que estamos habituados em Portugal”, enfatiza.
Em matéria de habitação, o país também surpreende pela organização. “Nas zonas urbanas, a arquitetura das casas é muito harmoniosa, organizada e consistente por todo o país, incluindo os centros das cidades”, explica Tiago Nunes que acrescenta “os espaços para crianças, por exemplo, são os primeiros a serem construídos quando se inicia uma urbanização”. Há também um vasto leque de infraestruturas destinadas a práticas desportivas. 

A língua pode de facto ser o principal entrave para os profissionais portugueses. Ainda que o inglês seja suficiente para desenvolver a atividade profissional no país, é simpático até por uma questão de compreensão dos colegas e participação na sociedade, saber falar norueguês. Diz quem já passou pela experiência que a convivência e alguma determinação e curiosidade natural, facilitam a aprendizagem que, em si não é complicada. 

O grande conselho para quem pensa rumar a este país é que não o faça sem ter emprego assegurado antes de sair de Portugal. A vida na Noruega é bastante cara e sem emprego, garante Tiago Nunes “não é possível permanecer muitos dias”.

In Expresso

Sobre a falta de preparação norueguesa em casos de terrorismo

por A-24, em 29.07.11
A Noruega é um dos países mais ricos e mais desenvolvidos do Mundo. Contudo, a polícia de Oslo dispunha somente de um helicóptero para transportar os seus agentes, o qual estava inoperacional no dia dos ataques por ter a sua equipa de pilotagem em férias. Essa aeronave tem apenas 4 assentos, dois deles para os pilotos. Para aumentar a dimensão do ridículo na tragédia, o primeiro barco usado para levar os polícias até à ilha de Utoya começou a meter água e avariou. Perderam-se 20 minutos numa travessia que demora 1 minuto. A força policial chegou 40 minutos depois de ter sido chamada, hora e meia após o começo da matança.

(link)

O manifesto da supremacia cristã

por A-24, em 27.07.11
Perante a estupefacção geral, o advogado do terrorista que tentou intimidar a Noruega informa-nos que o seu cliente classificou os seus actos, a que chama execuções de marxistas culturais e traidores multiculturalistas,  como horríveis mas necessários. Talvez por considerar as barbaridades que cometeu uma lição tão necessária que só tardava, os relatos das testemunhas das atrocidades na ilha indiquem que estava  «jubilante e a gritar vitoriosamente» enquanto assassinava crianças e adolescentes. 
manifesto de 1516 páginas, que preparou durante anos e terminou pouco antes dos atentados, assim como o manifesto em vídeo, explica com muito detalhe por que razão considerou necessário matar crianças e adolescentes indiscriminadamente. Ambos são manifestos da supremacia cristã e da islamofobia, algo que é claro ao longo do (repugnante) texto mas também neste wordle de Jarret Brachman e na própria capa do manifesto da suposta declaração de independência.
Tal como foi treslido o post anterior que pretendia simplesmente mostrar o bias mediático e o respeitinho à religião dominante que é o fermento onde medram fanáticos (não necessariamente religiosos) como ABB. Ou seja, e como escrevi nos comentários, «Mas é óbvio que é um alucinado de extrema direita nacionalista. E que a motivação foi política. O meu ponto não é esse, o meu ponto é que se fosse de facto um atentado com motivações políticas mas perpetrado por um muçulmano era imediatamente rotulado de terrorismo islâmico. 
No entanto, nem mesmo atentados com motivações religiosas, como o assassínio de médicos ou ataques a clínicas que façam abortos, nos EUA, são designados por terrorismo cristão».
Este bias mediático, que transforma alucinados como o Bin Laden e quejandos em estereotipos dos muçulmanos mas representa até os actos terroristas com motivação claramente religiosa dos fanáticos cristãos como actos tresloucados sem nada a ver com religião, tem como consequência, como quem se tenha dado ao trabalho de estudar um bocadinho do Old South nos USA poderá dizer, que os mais mediaticamente impressionáveis e mais psicologicamente assim inclinados, depois de tanta lavagem cerebral de que os «niggers» são maus e os brancos bons, embora com umas ovelhas ronhosas, considerem que é necessário punir os traidores «nigger lovers».  E este atentado foi exactamente isso: uma punição, considerada necessária, dos «nigger lovers» noruegueses.
Não me parece que ABB seja particularmente devoto, mas sim muito enamorado de uma concepção romântica do cristianismo, muito impregnada de efabulações de cavalheirismo, em todas as acepções da palavra como nos explica no texto, e absolutamente convicto da supremacia cristã, em particular da católica, que considera menos politicamente correcta e devidamente conservadora. Aliás,  diria que essa convicção supremacista é quase universal entre os cristãos como ilustram as reacções dos que se ofenderam com o termo «terrorismo cristão», algo que ululam inexistente, mesmo impossível, «ao passo que...», o terrorismo islâmico é o pão nosso de cada dia.
Não admiram estas convicções, quando tantos escribas aproveitaram habilmente o 11 de Setembro, a «guerra» dos cartoons e afins, para frisar a «superioridade» do cristianismo/catolicismo em relação ao islamismo, enfatizando o suposto estoicismo cristão/católico aos muitos «ataques», aos crentes, à fé e aos símbolos cristãos, constantemente perpretrados em todo o Mundo - e devidamente carpidos com pompa, circunstância e fanfarras. E, do lado da direita e extrema-direita europeias, para explicar que a incapacidade de resistir a um Islão que, segundo o livro de Ratzinger Without Roots: The West, Relativism, Christianity, Islam, declarou e conduz uma guerra ao Ocidente, é ditada pelas ideologias de esquerda, pela sua defesa da laicidade e do multiculturalismo subjacente, que impedem os europeus de assumirem e afirmarem a superioridade do cristianismo.
Ou seja, durante quase 10 anos, toda a vida adulta de Anders Behring Breivik, foram explorados os medos da actualidade europeia e passada a mensagem de que os valores que defendemos deixaram a Europa incapaz de responder à ameaça islâmica, resposta essa  que deveria passar simplesmente por mostrar que o cristianismo é melhor que o islamismo. Por outras palavras, durante 10 anos fomos bombardeados directa e indirectamente com propaganda da supremacia cristã. Agora, eu que há 8 anos ando a avisar que isto era inevitável acontecer, não posso deixar de ficar estupefacta  com a estupefacção alheia.