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A-24

Deflação à vista – «Japanização» da Europa?

por A-24, em 13.11.14
Paul Krugman compara a crise actual europeia àquela que atingiu o Japão entre 1990 e 2012 e acusa os países da zona euro de nada terem aprendido com a experiência que lançou os nipónicos numa grave crise de deflação, a partir do fim da década de 90. 


Afirma que, com as actuais políticas de austeridade, «o Ocidente mergulhou num marasmo semelhante ao do Japão, mas pior», pergunta «por que é que o Ocidente, com todos os seus reputados economistas (...) chega a uma situação caótica, ainda pior do que a que o Japão viveu» e acrescenta: «O banco central japonês nunca fez nada tão aberrante como o banco central europeu que aumentou as taxas em 2011, contribuindo para lançar a Europa na recessão». 

Paul Krugman nada optimista, portanto, acerca do perigo deflacionista que espreita em várias esquinas deste velho continente.

Da liberdade de expressão sexual do Japão

por A-24, em 17.07.14
Via Observador


Megumi Igarashi não era particularmente conhecida, mas a sua detenção chegou aos principais jornais japoneses - e levantou o debate sobre a perceção da sexualidade feminina naquele país.
Uma artista japonesa foi detida por difusão de conteúdos obscenos depois de, alegadamente, ter enviado um e-mail a 30 pessoas com imagens digitais que permitiam a quem as tivesse imprimir em 3D um modelo da sua vagina. As pessoas a quem Rokudenashiko, o pseudónimo da artista, enviou as imagens tinham apoiado uma campanha de crowdfunding que tinha como objetivo a criação de um caiaque com a forma da sua vagina – batizado como “pussy boat”.


(´-`).。oO(まんこ画像ならいくらでもどうぞだよ〜pic.twitter.com/47WZDBqFHT


— ろくでなし子 (@6d745) March 18, 2014

A artista, cujo nome real é Megumi Igarashi, foi detida com a acusação de violar uma lei japonesa que proíbe a difusão de conteúdos obscenos. “Não creio que isto seja obsceno”, terá dito Igarashi no momento da detenção, em Tóquio. Rokudenashiko, que tem 42 anos e se intitula uma “artista da vagina”, diz que o objetivo da sua arte é quebrar tabus sobre a genitália feminina na sociedade japonesa, tipicamente conservadora, na qual até a palavra ‘vagina’ é encarada com vergonha.
A lei que regula a difusão de obscenidades é a responsável pelo facto de ser proibido, nos meios de comunicação nipónicos, a reprodução de imagens de genitais humanos. Segundo explica Rokudenashiko no vídeo, terá sido esta proibição que a levou a fazer um primeiro molde dos seus órgãos genitais e, depois, a usá-lo como modelo da sua arte, entretanto replicada em múltiplos objetos: capas para iPhone, réplicas de campos de golfe, campos de batalhas, de Fukushima, colares e bonecos de super-heróis, entre outros.


(´-`).。oO(俺さん@ore004 塗装のガンダまん完成したよー\(^o^)/pic.twitter.com/PB7vvzeOnE


— ろくでなし子 (@6d745) June 21, 2014



@udbyotchan_23 ジオラまんはこちらになります。よろしくお願いいたします(*^◯^*) pic.twitter.com/Etw7akOx0V


— ろくでなし子 (@6d745) April 22, 2014

As diferentes peças que Igarashi produziu
Caso seja considerada culpada, Igarashi pode enfrentar uma pena de até dois anos de prisão ou uma multa de 2,5 milhões de ienes (cerca de 18 mil euros). Quando foi detida, relata a feminista Minori Kitahara, a artista viu a polícia apreender-lhe 20 obras de arte. “O Japão ainda é uma sociedade onde aqueles que tentam expressar a sexualidade feminina são reprimidos, enquanto a sexualidade masculina é excessivamente tolerada”, disse a ativista.
A detenção da artista foi largamente noticiada pelos meios de comunicação japoneses e gerou um debate sobre as leis de obscenidade do país. Segundo o correspondente da BBC no Japão, Mariko Oi, “as opiniões dividem-se” e um dos debates em curso é se os dados enviados por Igarashi podem ser considerados obscenos por si só ou se apenas depois de serem impressos é que se tornam passíveis de violar a lei. Por outro lado, debate-se porque é que as imagens vaginais são consideradas ofensivas enquanto as de pénis não o são. “Existem, por exemplo, festivais anuais no Japão”, lembra Mariko Oi, nos quais se utiliza “um gigantesco falo de madeira” e “doces em forma de pénis”.
Recentemente, o Japão tornou-se o último país da OCDE a proibir a posse de pornografia infantil de imagens reais, continuando, contudo, a permitir tal material em manga, o estilo tipicamente nipónico de desenhos animados. Na altura, a decisão foi muito contestada e, agora, está a ser novamente levantada,considerando alguns comentadores que a detenção de Igarashi é uma “hipocrisia” quando comparada com a manutenção de pornografia infantil animada.

Palavras certas

por A-24, em 06.02.13

Rui Carmo - De forma pública a China prolongou no primeiro dia de 2013 a posse de algumas boas milhas no disputado Mar da China do Sul .
A resposta da vizinhança não se fez esperar. O Vietname comprou à Rússia os caças Sukhoi Su-30 e uma frota de submarinos capazes de disparar mísseis eficazes. Mais a Sul, As Filipinas optaram por reforçar a cooperação militar com o Japão (através da compra de uma dúzia de navios-patrulha) e com os EUA.
Um pouco mais a Oriente, a situação promete animação. Por seu lado, o Japão decidiu aumentar a despesa militar como resposta às pretensões da China sobre algumas ilhas.
Felizmente que não se passa nada. Ou seja mantém-se o silêncio dos inocentes, normalmente indignados e pacifistas. A razão é simples: o comportamento beligerante duvidoso não partiu da Reino Unido, Eua, França ou Israel.

Dos quatro aos quarenta

por A-24, em 27.01.13

Os EUA declararam recentemente a sua intenção de reduzir efectivos na base das Lages, uma indicação clara de que o seu interesse militar no Atlântico se está a desvanecer. Isto acontece, enquanto reforça a sua presença no Médio Oriente e, especialmente, no Pacífico.
Não é só o centro de interesse militar, mas também comercial e económico do Mundo que passou do Atlântico para o Pacífico. Cada vez mais o comércio mundial se centra na Ásia e menos na Europa. Em 2002 existiam 3 portos europeus e 1 americano entre os 10 maiores do Mundo. Hoje existe apenas 1 porto europeu nesse top10: Roterdão, em 10º lugar. Nos EUA, os portos com mais trâfego localizam-se na costa do Pacífico e não no Atlântico. A Europa, que foi o centro económico, político e comercial do Mundo durante vários séculos passou agora para a periferia de um mundo cada vez mais centrado na Ásia e no Pacífico. As evoluções demográfica e económica recentes só tenderão a reforçar este efeito.
As implicações para Portugal deste movimento são dramáticas. Portugal que, apesar de sempre ter estado na periferia da Europa, beneficiava da sua plataforma Atlântica para estar no centro do Mundo, deixou de o poder fazer. A emergência económica e comercial das potências asiáticas arrumou com Portugal para a periferia mundial. Portugal é hoje um país periférico num continente também em vias de se tornar periférico .
Infelizmente Portugal está muito longe de se ter preparado para esta situação. Embora a desmaterialização da economia trazida pelas novas tecnologias possa ajudar a suavizar este efeito de periferia, será necessário capital para aproveitar os benefícios dessa nova tecnologia. Como irá então um país pequeno, periférico, sem grandes recursos naturais, atrair capital que lhe permita sobreviver na periferia do Mundo? Da mesma forma que o fizeram a Coreia do Sul ou Singapura no passado: baixando drasticamente os custos de contexto e a carga fiscal, e digo drasticamente porque não bastará que esses custos sejam os mesmos que os de outros países, terão que ser muito mais baixos do que os países do centro para compensar a situação periférica do país. Isso implicará cortar bastante as despesas do Estado, muito para além do que qualquer estudo do FMI recomendará. Quatro mil milhões será pouco. Provavelmente o corte necessário estará mais próximo dos quarenta.
Carlos Guimarães Pinto

A política monetária do Japão e a força do iene

por A-24, em 15.11.12

Ludwig Von Mises
 
Se o Japão entrasse em uma crise e não mais fosse capaz de importar petróleo (o país não produz uma gota) por não estar conseguindo exportar seus bens, ele simplesmente iria abrir o cofre -- mais especificamente, iria vender os títulos americanos e utilizar os dólares para continuar importando.  Vejamos: se houver uma enorme despejo de títulos de uma nação no mercado (o que, consequentemente, leva a um despejo da moeda desta nação no mercado) e um correspondente aumento na demanda pela moeda da nação que está despejando estes títulos, qual moeda você preferiria ter?
Ano após ano, sempre digo aos meus leitores assinantes que o iene é uma boa alternativa ao dólar americano.  Ano após ano, sou perguntado por que defendo o iene.  Sempre recebo esta pergunta de assinantes que ainda não compraram iene e seguem tentando buscar conforto para esta atitude.  Este artigo é a minha mais recente tentativa de explicar minha posição.
Quantos ienes um dólar comprava em janeiro de 1985?  Aproximadamente 250.  O dólar era forte.  Quantos ienes um dólar comprava em janeiro de 2002?  Aproximadamente 135.  O dólar ainda era forte, mas já se notava uma tendência de queda.  Quantos ienes um dólar compra hoje?  Menos de 80.

A Europa está como o Japão em 1860

por A-24, em 07.08.12
Dividida em potentados locais sobre os quais não tem poderes suficientes, levada pouco a sério no resto do mundo, a UE faz lembrar o Japão de 1860, antes da sua modernização, garante um jornalista sueco. Mas erigir-se em verdadeira potência política pode revelar-se contraproducente.
Ola Wong
Shogun Tokugawa
Nos anos 1860, entre os cronistas encartados do New York Tribune incluía-se um certo Karl Marx. Este escreveu que o Japão era "o último país verdadeiramente feudal, com toda a irracionalidade e a repartição [de poderes] próprias". Hoje, a União Europeia faz lembrar esse Japão de outrora, com Angela Merkel no papel do shogun.
Na época, o Japão era um mosaico de províncias feudais dirigidas por senhores locais, os daimyos, subordinados ao comandante supremo das forças armadas, o shogun. A administração do shogunato chamava-se bakufu. Havia um imperador na cidade de Quioto, mas os seus poderes eram ainda mais limitados do que os do atual presidente da UE, Herman Van Rompuy.
Os daimyos governavam os seus domínios como bem lhes apetecia, tinham moeda própria, sistema tributário próprio e exército próprio. Ignoravam frequentemente os decretos do bakufu (Bruxelas) e, quando o bakufu enviava inspetores, os daimyos (os gregos) enganavam-nos. A província de Satsuma chegou mesmo a montar aldeias fictícias, pondo os seus samurais a desempenhar o papel de camponeses. A elite japonesa passava muito tempo em Edo (Tóquio/Bruxelas), onde todo o produto das suas receitas fiscais era tragado pelas despesas de representação. Karl Marx traduzia assim o desdém da época pelo Japão: um país atrasado, cuja organização política era demasiado fragmentada para lhe permitir resolver os seus problemas.
A frustração da impotência
Mas, alguns anos mais tarde, o Japão passou a ser um dos países mais centralizados do mundo. Os japoneses esmagaram os russos – um feito não realizável por qualquer um – durante a guerra de 1905 e criaram empresas como a Mitsubishi. Que aconteceu? A resposta a uma crise, que assumiu a forma de uma globalização. O comodoro norte-americano Perry e as suas canhoneiras obrigaram o Japão a abrir-se ao comércio com o Ocidente [em 1854].
Hoje, é a Europa que está em crise. Os países do Sul não souberam adaptar as suas economias a um mundo no qual é preciso ter em conta a China industrializada. E encontram-se prisioneiros de uma moeda que lhes permitiu contrair empréstimos baratos mas que também fez aumentar o custo das suas mercadorias. A única coisa que parece ter hipóteses de salvar o euro é uma união política. Os think-tanks e os burocratas de Bruxelas sentem uma frustração semelhante à do Japão de outrora, que ninguém levava a sério. A frustração da impotência.
A situação requer uma versão europeia da restauração de Meiji: centralizar as atribuições e retirar aos Estados-Membros os poderes de decisão em matéria económica. Um cenário possível seria um reforço considerável dos poderes oficiais de Bruxelas (o imperador), enquanto um grupo de tecnocratas e políticos mexiam os cordelinhos nos bastidores. Uma democracia de fachada.
Um fator de paz? 
Bruxelas deveria em seguida disciplinar as províncias que ainda têm à volta do pescoço um nó corrediço do euro. A UE vende o projeto europeu como um projeto pacificador, desenvolvendo –erradamente – uma fixação no último cataclismo, até ao presente, no nosso caso a II Guerra Mundial. Acontece que alguns outros conflitos nasceram de movimentos de protesto locais contra decretos do poder central. É o caso da Guerra dos Trinta Anos [1618-1648].
A elite japonesa era animada por um sentimento nacional e tinha a mesma casa imperial há mais de 1.000 anos. Mas, apesar disso, foi preciso uma guerra civil, uma guerra e a introdução de um sistema escolar nacionalista, para o povo japonês se tornar verdadeiramente japonês (essa era terminou com o bombardeamento de Hiroshima). Entre nós, é preciso recuar até ao Império Romano para encontrarmos uma Europa unida.
Em resumo: a crise do euro impõe um Estado europeu, mas este tem poucas hipóteses de sobreviver. E também não será necessariamente um fator de paz. Antes pelo contrário.
Press Europe

Hiroxima, o sacrifício do Japão contra a URSS

por A-24, em 07.08.12
Quando os americanos lançaram a bomba sobre Hiroxima, o Pacífico estava a dois dias de ficar sob controlo russo. Hiroxima morreu em nome da lei imperial, a lei da guerra. / Raquel Varela


A de 8 de Agosto de 1945, fez este ano 50 anos, o Diário de Lisboa transcreve as declarações do capitão William Parsons, da Esquadra norte-americana que seguia na super-fortaleza que lançou a bomba atómica: «Tudo o que se passou», disse, «foi tremendo e encorajador. Depois de ter sido largado o produto, ainda sentimos o choque que nos fez abalar. Os homens que se encontravam comigo exclamaram: ‘Meu Deus!’ Hiroxima estava transformada numa montanha de fumo. A centena de metros do terreno, o fumo era como que um imenso cogumelo cobrindo a cidade. Durante minutos, observámos os sinais de incêndios.»
O «produto» a que se refere o capitão norte-americano era a mais poderosa bomba usada até aí, lançada sobre uma cidade inteira, Hiroxima.

O império norte-americano

Os Russos estavam prestes a entrar na guerra contra o Japão. Os EUA, agora que a Alemanha estava derrotada, queriam ganhar a guerra ao Japão para dominarem o Pacífico. Mandar a bomba era um aviso a todos os outros impérios de que os EUA tinham agora a superioridade nuclear. A lei da guerra foi a devastação de Hiroxima, no dia 6 de Agosto e, três dias depois, de Nagasaqui. O Japão rendeu-se, claro, mas rendeu-se às mãos e sob controlo norte-americano.

Em Ialta, em Fevereiro de 1945, acordou-se que a URSS entraria em guerra contra o Japão três meses depois da rendição alemã. Esta deu-se a 8 de Maio de 1945, pelo que os Russos iriam entrar, e de facto entraram em guerra contra o Japão a 8 de Agosto de 1945. Mas os EUA, ao lançarem a bomba sobre Hiroxima a 6 de Agosto e sobre Nagasaqui a 9 de Agosto obrigaram à rendição incondicional do Japão. No dia 15 de Agosto, o imperador japonês anuncia aos súbditos a rendição, que é assinada, na baía de Tóquio, a 2 de Setembro de 1945, a bordo do navio norte-americano Missouri. Assim, e ao contrário do que aconteceu na Alemanha, os EUA não tiveram que dividir o território japonês com os russos.

No mesmo dia em que se anuncia um espantoso avanço das tropas russas sobre os japoneses, uma nova bomba atómica é lançada sobre Nagasaqui. O avanço russo esbarrava com a estratégia norte-americana de domínio no Pacífico. «Os aviadores anunciam que os resultados do ataque foram excelentes», lê-se no Diário de Lisboa: «Pela segunda vez foi empregada a bomba atómica ao meio-dia de 9 de Agosto num ataque a Nagasaqui. Os aviadores informam que os resultados foram excelentes.»

Um relato japonês descreveu Nagasaqui após o bombardeamento como «um cemitério sem uma única lápide de pé». O Japão, através da Suíça e da Suécia, informou, no dia 10 de Agosto, que se rendia. Para cima de 200 000 vidas pereceram sob as duas bombas atómicas, 90 % destas eram de civis. Não se sabe quantos morreram ou ficaram deformados e/ou doentes pelos efeitos da radiação nos anos seguintes.

Truman, presidente dos EUA, no dia 10 de Agosto fala ao povo americano sobre «os problemas da guerra e da paz». Depois de insistir que lançou a bomba atómica sobre o Japão para impedir uma terceira guerra mundial – um fantasma que não passava disso mesmo, com a Alemanha rendida e o Japão derrotado –, afirmou: «Não podemos nunca permitir que qualquer agressor, no futuro, seja suficientemente esperto para nos dividir, ou bastante forte para nos derrotar (…).»


Caixa: Físicos contra a bomba

O Exército dos EUA escolheu a base de Alamogordo, no estado do Novo México, para plataforma experimental do seu programa nuclear. São cerca de 3000 os trabalhadores que constroem a bomba atómica, a partir de 1943. Os trabalhadores estavam sujeitos a medidas de segurança extremas: não podiam escrever, só telefonar; tinham de manter o seu paradeiro em segredo e, de cada vez que se deslocavam a Santa Fé, a cidade mais próxima, eram vigiados por membros dos serviços secretos. A base estava sob a direcção do general Grovess e do físico Robert Oppenheimer. Muitos dos físicos que pertenceram ao projecto liderado por Oppenheimer fizeram-no em nome de impedir a Alemanha de Hitler de desenvolver semelhante bomba. Dois deles, assim que reconhecem que esse perigo não existe mais, em 1944, retiram-se do projecto: John Rotblat e Edward Condon. Em Junho de 1945, já depois da rendição alemã, um grupo de cientistas liderado por James Franck pede ao governo norte-americano que a bomba não seja usada no Japão, mas sim numa ilha deserta. Alguns membros do Governo e oficiais japoneses eram convidados para assistir à deflagração da bomba e assim evitava-se, pensavam estes físicos, a calamidade de Hiroxima e Nagasaqui. O relatório Franck foi encaminhado para o presidente Truman, que rejeitou a proposta.

Em 1947 o físico Patrick Blackett – prémio Nobel da Física em 1948 – escreveu em As Consequências Militares e Políticas da Energia Atómica: «Chegámos à conclusão de que a utilização das bombas atómicas contra o Japão não foi de facto, o último acto militar da Segunda Guerra Mundial, mas o primeiro acto da guerra diplomática que começava contra a Rússia.»

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Acidente nuclear de Fukushima foi causado pelo homem

por A-24, em 05.07.12
O acidente da central nuclear de Fukushima foi "causado pelo homem" e não só pelo tsunami de 11 de março de 2011, conclui uma comissão de inquérito mandatada pelo Parlamento japonês no seu relatório final sobre a catástrofe.
"É claro que este acidente foi um desastre causado pelo homem. O Governo, autoridades reguladoras e a Tokyo Electric Power Company falharam no seu dever de proteger a vida das pessoas e a sociedade", refere o documento hoje divulgado.
De acordo com os resultados da investigação levada a cabo pela comissão mandatada pelo Parlamento japonês, "a central nuclear de Fukushima Daiichi encontrava-se numa situação vulnerável a 11 de março [de 2011], sem garantias de que pudesse resistir a sismos e a tsunamis".
"Apesar de terem tido uma série de oportunidades para adotar medidas, as agências reguladoras e a TEPCO adiaram decisões deliberadamente, não agiram ou tomaram decisões que eram convenientes para si próprios", acrescenta o relatório sobre a catástrofe.

Crise nuclear de Fukushima elevada ao nível de Tchernobil

por A-24, em 12.04.11
A Agência japonesa de segurança nuclear elevou hoje para o nível 7, o máximo, o acidente nuclear da central de Fukushima 1, na escala de eventos nucleares e radiológicos, colocando-o no mesmo patamar da catástrofe de Tchernobil.
Desde 18 de Março que as autoridades nipónicas consideravam o acidente de Fukushima como sendo de nível 5, na escala INES (International Nuclear and Radiological Event Scale) - que só reflecte as emissões para a atmosfera e não para o mar -, o mesmo do acidente em Three Mile Island, nos Estados Unidos, em 1979.

A Agência de Segurança Nuclear decidiu aumentar o nível para 7 – o mesmo do acidente na central de Tchernobil, na Ucrânia, em 1986 – baseada numa estimativa de que já foram lançados para a atmosfera materiais radioactivos que excedem os critérios para o nível 7. Ainda assim, a agência garante que esta contaminação em Fukushima é menor do que a de Tchernobil, nomeadamente cerca de dez por cento, avança hoje a agência de notícias japonesa Kyodo.

Mais precisamente, aquela agência informou que os reactores 1, 2 e 3 da central de Fukushima 1 libertaram para a atmosfera entre 370 mil e 630 mil terabecquerels de materiais radioactivos, nomeadamente de iodo-131 e césio 137.

Segundo explicou esta manhã ao PÚBLICO José Marques, investigador do Instituto Tecnológico e Nuclear, em Sacavém, e professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, este aumento para o nível 7 não quer dizer que a situação na central se agravou. "A radiação já foi libertada. O que aconteceu foi que as autoridades japonesas deixaram de avaliar as emissões de cada reactor em separado e decidiram juntar as emissões dos reactores 1, 2 e 3. Esse acumular de radioactividade é que justifica o nível 7". Na sua opinião, esta "reavaliação é realista".

De acordo com Kenkichi Hirose, conselheiro na comissão governamental para a segurança nuclear, "as estimativas sugerem que a quantidade de materiais radioactivos libertados para a atmosfera subiu a pique a 15 e 16 de Março, depois de problemas detectados no reactor 2", explicou citou a agência Kyodo. "Desde então, a quantidade de radioactividade tem vindo, gradualmente, a subir. Mas acreditamos que o nível actual de emissões é significativamente baixo". Esta comissão estima que esteja a ser libertado 1 terabecquerel por hora.

"Mesmo antes desta decisão já consideravamos que o acidente era muito sério. Nesse sentido, não haverá grandes alterações à forma como estamos a lidar com a situação", explicou um responsável da agência de segurança nuclear, citado pela agência Reuters.



Autoridades japonesas lembram que Tchernobil foi diferente



O porta-voz do Governo, Yukio Edano, pediu desculpas "aos moradores da zona de Fukushima, ao povo do Japão e à comunidade internacional" por causa deste acidente nuclear, originado depois do sismo e tsunami de 11 de Março. 

Também a operadora da central, a Tepco (Tokyo Electric Power Company), pediu desculpas por não ter conseguido estancar a fuga de radiação. A empresa admitiu mesmo a possibilidade de o total de emissões de substâncias radioactivas poder, eventualmente, ultrapassar as emissões do acidente de Tchernobil, segundo a Kyodo.

Ainda assim, as autoridades japonesas lembram que Fukushima é muito diferente de Tchernobil. Segundo Hidehiko Nishiyama, porta-voz da agência de segurança nuclear, em Fukushima ninguém morreu por causa da exposição à radiação e acrescentou que os próprios reactores não explodiram como aconteceu em Tchernobil. "Mesmo que alguma radioactividade continue a escapar dos reactores e dos seus vasos de contenção, eles não ficaram totalmente destruídos e estão a funcionar", salientou.



Recuperação dos reactores de Fukushima será "extremamente lenta"



A crise nuclear na central de Fukushima, com seis reactores, começou a 11 de Março, há mais de um mês. "Hoje, a situação é melhor do que, por exemplo, há duas semanas", comentou José Marques, referindo um "período mais calmo" no complexo. Apesar disso, a "recuperação será extremamente lenta".

"Os funcionários vão continuar a arrefecer os núcleos [dos reactores]. Quando, e se, conseguirem pôr a funcionar bombas de circulação de água mais potentes, a situação poderá ser resolvida no espaço de dias", acrescentou. O problema é "que não podemos saber o que ficou danificado" na central. Além disso, os trabalhos têm vindo a ser interrompidos pelas fortes réplicas do sismo de 11 de Março.Hoje, o Japão foi abalado por um sismo de magnitude 6,0 às 14h07 (06h07, hora portuguesa), com epicentro a pouco mais de dez quilómetros de profundidade, segundo o Serviço Geológico norte-americano (USGS, sigla em inglês). A central nuclear de Fukushima foi evacuada, por precaução. “Não detectámos nada de anormal na alimentação eléctrica exterior da central”, garantiu um porta-voz da Tepco.

Desde 11 de Março foram sentidas mais de 400 réplicas com magnitude 5 e superior na região Nordeste do Japão.

Economia da China confirmada como a segunda maior do planeta

por A-24, em 14.02.11
O PIB do Japão, em termos nominais, ascendeu aos 5474,2 mil milhões de dólares (4055 mil milhões de euros, ao câmbio actual), segundo as estatísticas publicadas em Tóquio, em que o Governo nipónico salientou também que o PIB da China atingiu o equivalente a 5878,6 mil milhões de dólares.
Com estes resultados, a economia chinesa ultrapassou a do seu vizinho em 2010, em termos puramente monetários, e tornou-se na segunda maior do planeta, atrás da dos Estados Unidos. O segundo lugar era ocupado pela economia japonesa desde 1968, lembra a agência Lusa. A posição exacta da China no ranking da dimensão económica depende do critério adoptado. 
A utilização do PIB como medida da economia tem sido crescentemente questionada, mas continua a prevalecer. Por exemplo, considerando o PIB em paridades de poder de compra, a dimensão da economia da China fica já bastante acima da do Japão, o qual ultrapassou há muito.
Outro aspecto que não costuma ser tido em conta é o da substancial subavaliação da moeda chinesa, de que se queixam muito os EUA, que se for substancialmente corrigida poderá dar um novo empurrão que aproxime substancialmente a dimensão da economia chinesa da americana, quando expressa em dólares.O PIB chinês aumentou 10,3 por cento em 2010, enquanto o do Japão subiu 3,9 por cento em termos nominais (antes de considerados os efeitos da inflação a ajustamentos sazonais). Duramente atingida pela recessão económica mundial em 2008 e 2009, a economia do Japão recuperou em 2010, mas não o suficiente para o arquipélago conservar a sua segunda posição à frente da China, que regista há anos taxas de crescimento anuais próximas ou superiores a dez por cento.Enquanto no ano passado o Japão ainda foi afectado pela queda de preços, a China viveu um boom industrial sem precedentes, na sequência também de políticas que após a crise financeira mundial visaram fazer aumentar o consumo interno.Analistas citados no site do diário espanhol El País consideram que se o actual ritmo de crescimento chinês se mantiver, o país terá a maior economia do planeta dentro de uma década.