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A-24

Faz parte da natureza do Hamas.

por A-24, em 28.11.14
Rui Carmo via Insurgente

Do lado da União Europeia, será a altura para deixar de apoiar o terrorismo. Esse papel continuará a ser desempenhado pelo Qatar e por eméritos doadores públicos e privados. Em Maio último, o Qatar ofereceu cinco milhões de dólares ao governo islamista do Hamas. A solidariedade pretendeu apoiar os esforços de reconciliação com a Fatah (com os brilhantes resultados que se conhecem), partido que lidera a Autoridade Palestiniana na Cisjordânia. De acordo com Ismail Raduan, Ministro das Doações e Assuntos Religiosos do Hamas, a oferta do governo do país do Golfo Pérsico pretendeu apoiar a “reconciliação comunitária” e está destinada a apoiar as famílias que perderam os seus entes queridos nas quase eternas lutas armadas que opõem a Fatah e o Hamas.
Em Março deste ano, no seguimento da ilegalização da Irmandade Muçulmana, um tribunal egípcio baniu toda e qualquer actividade do Hamas no país e confiscou todos os seus bens. O Hamas é acusado de interferir nos assuntos internos egípcios e, na altura, alguns dos seus líderes tinham Cairo como base. As autoridades egípcias acreditam que a organização terrorista do Hamas que governa a Faixa de Gaza, desempenha um papel importante noaumento da violência vivida na Península do Sinai.
Desde Julho que o exército do Egipto destruíu mais de 100 túneis que ligam Gaza ao Egipto e que servem para contrabandear alimentos, materiais de construção mas também armas e terroristas. A lua-de-mel entre o Hamas e o Egiptou acabou de forma abrupta quando os militares removeram o Presidente Morsi e acabaram com o governo da Irmandade Muçulmana. Hoje o Hamas que é visto como é um apoiante dos atentados terroristas, um risco acrescido para as forças de segurança e civis, procura defender-se das acusações como um ataque à causa palestiniana e um favor a Israel.

Ninguém deu por isto, e porquê?

por A-24, em 04.11.14
Lura do grilo

Ontem, deram 48 horas aos fachas de Gaza para retirarem e, em seguida, mesmo sem qualquer provocação directa, demoliram um valente conjunto de habitações para construir um muro de protecção. A notícia não apareceu na televisão!!
E não apareceu porquê? Jornalistas distraídos? Mais compreensão com o facto de Israel ter que defender a sua população de ataques indiscriminados visando civis e especialmente a crianças? Um arrependimento pelas mentiras e facciosismo que exibem?
Não apareceu pois foi o governo egípcio que, perdendo a paciência pelas inúmeras mortes e emboscadas causadas pelas víboras do Hamas, decidiu colocar um fim às consequências de ter por vizinhos esta mole de bestas humanas.

O que é a "Primavera Árabe"?

por A-24, em 10.09.13
 João Vaz

Os ditadores são maus, alguns são mesmo muito maus. Mas, o certo, é que com os ditadores seculares Ben Ali, Assad (pai e filho), Saddam Hussein, Mubarak os cristãos sempre puderam viver em sossego e até conseguiam ascender socialmente, ao ponto de chegarem a cargos ministeriais. Agora, que a democracia anda no ar e a primavera árabe foi tão elogiada, é o que se vê. Para os cristãos, a democracia trouxe a bomba e o exílio. Quase podemos pensar que alguns democratas querem um Médio Oriente e um norte de África livre de cristãos. Mas isto, claro, são teorias da conspiração, porque em democracia há sempre lugar para todos. Pelo menos é isso que nos dizem sempre.

No Egito só uma certeza: quem se lixa é o cristão

por A-24, em 03.09.13
LEONÍDIO PAULO FERREIRADN 2013-08-19

Igrejas queimadas, lojas atacadas, casas cercadas por multidões, uma menina morta a tiro no Cairo quando ia para a catequese. A vida nestes dias é de terror para os coptas, a comunidade cristã árabe a que pertence um em cada dez egípcios.Acusados de apoiar a repressão militar contra os Irmãos Muçulmanos, os coptas têm sido alvo da vingança dos partidários do ex-presidente Morsi, derrubado em julho. Uma ira cheia de fanatismo religioso que se acentuou na semana passada, quando os generais mandaram dispersar os manifestantes que exigiam a libertação de Morsi, causando mais de 600 mortes. 

A liderança dos Irmãos Muçulmanos condena as agressões, mas a rapidez dos ataques às igrejas desde Alexandria a Assuão deixa no ar suspeitas de ação coordenada. E abundam os apelos à retaliação contra os coptas, que apesar de serem oito milhões se sentem abandonados.
É certo que o papa Tawadros III surgiu ao lado do general Sissi a apoiar o derrube de Morsi, o primeiro presidente eleito da história do Egito. Mas também o imã da Universidade de Al--Azhar pôs o seu selo nesse golpe que visou travar a apropriação total do mais populoso dos países árabes pela poderosa confraria fundada há um século.
Não é de hoje a perseguição aos coptas. Nem mesmo a proteção da ditadura militar evitou que no Ano Novo de 2011 um atentado tenha feito dezenas de mortos numa igreja de Alexandria. Faltavam poucas semanas para Mubarak ceder à Primavera Árabe. Já depois disso, os mesmos militares que são agora acusados de apoiar dispersaram a tiro um protesto contra a demolição de uma igreja em Maspero, matando mais de 20 coptas.
Não se percebe para onde vai o Egito. Há quem saúde na rua os soldados por terem metido os islamitas na ordem, há quem considere - como o Nobel Baradei - que os generais passaram a linha vermelha e há quem prometa cobrar todo o sangue derramado. De fora, os sauditas aplaudem Sissi, os turcos condenam o massacre, americanos e europeus não sabem como reagir depois de terem evitado chamar golpe ao golpe de julho.
Mas é certo o destino dos coptas, cuja liturgia inclui palavras que vêm dos tempos dos faraós e que foram cristianizados por São Marcos, 600 anos antes da vinda do islão. Vão continuar a emigrar em massa. E cada vez menos darão figuras de topo ao Egito, como um tal de Butros Ghali.
É a repetição do êxodo dos cristãos iraquianos, hoje meros 500 mil. O pós--Saddam tem sido violento, com massacres até em missas, como o de 2010 na Igreja de Nossa Senhora do Socorro, "Sayiada an Nayá" em árabe. E imita-se também a fuga que já começou dos cristãos sírios, presos entre apoiar um cruel Bashar que os protege e uma rebelião onde a Al-Qaeda brilha.
Em tempos, foi o cristão sírio Michael Aflak a idealizar o panarabismo. Essa unidade, sem fronteiras ou religiões, nunca passou de quimera. E um destes dias, o que unirá o mundo árabe será o vazio de cristãos.


O porquê de mais um massacre no Egito

por A-24, em 14.08.13
Mohamed Morsi, o Presidente eleito após a deposição de Hosni Mubarak, foi afastado pelos militares no passado dia 3 de julho. Desde então, milhares de apoiantes - maioritariamente adeptos da Irmandade Muçulmana, de que Morsi era dirigente - não mais abandonaram as ruas do Cairo, denunciando o golpe militar e exigindo a restituição no cargo de Mohamed Morsi, que permanece detido em sítio desconhecido.


Os manifestantes pró-Morsi concentraram-se, em permanência, com tendas montadas, em duas praças do Cairo. Uma mais pequena, junto à Universidade do Cairo, em Giza; a mais aparatosa, junto à mesquita Rabaa al-Adawiya, na área de Nasr City.

Indiferentes às ordens de dispersão do Governo, as duas vigílias eram o sintoma visível da grande divisão política no Egito: de um lado, a Irmandade Muçulmana, vencedora de todas as eleições pós-Mubarak; do outro, a oposição, sobretudo setores laicos e revolucionários.
Esperar ou dispersar? 
A situação tinha duas soluções possíveis: a dispersão das manifestações pela força, com consequências previsivelmente sangrentas; ou esperar que as manifestações se eternizassem e fossem vencidas pelo cansaço.
A 31 de julho, o Governo interino, empossado após o golpe militar, decretou que as duas manifestações eram uma "ameaça à segurança nacional" e anunciou que tinha começado a tomar "todas as medidas necessárias" para resolver a situação.
O General Abdel Fattah el Sisi, simultaneamente chefe das Forças Armadas e ministro da Defesa, afirmou que estava mandatado para combater "terroristas". A dispersão pela força passou a ser uma questão de tempo.
Expresso

Mais uma razão para que o multiculturalismo não possa funcionar

por A-24, em 10.02.13
O YouTube será temporariamente proibido no Egipto. O Tribunal Administrativo do Cairo deliberou que o site deve ser castigado e impossibilitado de chegar aos egípcios durante um mês, por manter em linha um vídeo de produção norte-americana considerado anti-islâmico e a razão de violentos motins registados em Setembro no Norte de África e no Médio Oriente.
site de partilha de vídeos é propriedade da Google, que fez saber, através de um porta-voz, que ainda não recebeu qualquer notificação da justiça egípcia. Não é certo quando a proibição começará a ter efeito, uma vez que este tipo de decisões tem de passar pelo primeiro-ministro ou o ministro da Informação. Neste domingo à tarde, o YouTube continua acessível no Egipto.
A Google pode recorrer da decisão do colectivo de juízes presidido por Hassouna Tawfiq, que disse, segundo o Washington Post, que a sentença se estende a todos os sites que ajudaram a propagar o vídeo. O que inclui, em potência, o Facebook e o Twitter, redes sociais que tiveram um papel central nos movimentos revolucionários na região e, em particular, no Egipto. Público

Justiça ao modo islâmico

por A-24, em 27.01.13
Um total de 21 cidadãos egípcios foram condenados à morte por um tribunal do Egito, pelos incidentes no jogo de futebol entre o Al Masry e o Al Ahly – equipa então treinada pelo português Manuel José, que foi agredido e ficou retido no balneário -, realizado em fevereiro de 2012 em Port Said, e que originaram 74 mortos.
Homicídio, porte de armas e destruição da propriedade pública eram as acusações que pendiam sobre os arguidos, no julgamento realizado, de forma extraordinária, na Academia de Polícia local (devidamente apetrechada e adaptada), por um tribunal especial, presidido por Sobhi Abdelmeguid, que mal conseguiu ditar a sentença, tantos foram os gritos de júbilo na sala, relata a agência Efe.
Após a invasão de campo, a 1 de fevereiro de 2012, adeptos das duas equipas envolveram-se em confrontos, também com a polícia presente, que originaram 74 mortos e 254 feridos. Uma tragédia que levou à suspensão da Liga do Egito, que será reatada no próximo dia 2 de fevereiro.
Na altura, houve alegações que os adeptos que invadiram o campo pertenciam ao Al-Masry e que o arremesso de tochas, petardos e atos de violência haviam sido perpetrados por apoiantes do antigo presidente egípcio, Hosni Mubarak , entretanto deposto.
A sentença foi recebida com alegria pelos familiares das 74 vítimas da tragédia. Já as famílias dos agora condenados com a pena de morte tentaram invadir a prisão onde os restantes 50 arguidos estão preventivamente detidos, em Port Said. 
Os desacatos junto ao estabelecimento prisional já originaram a morte de um guarda, atingido a tiro. Os restantes 50 arguidos vão conhecer a sentença a 9 de março. 
Adeptos do Al Ahly festejaram a sentença nas ruas de Port Said, e também no Cairo, junto da sede do principal rival do clube na cidade, o Zamalek.

Opinião sobre o Egito e a primavera árabe

por A-24, em 12.07.12

No Egipto, o presidente Mohammed Morsi promulgou um decreto que restabelece o Parlamento dissolvido pelo Supremo Tribunal Administrativo antes das eleições presidenciais. É um desafio à Junta militar, que concentrou em si os principais poderes executivos na véspera das eleições, e um claro sinal de que a Irmandade Islâmica não vai tolerar durante muito mais tempo a tutela das Forças Armadas. Como os generais também chamaram a si a escolha dos nomes para a comissão que vai redigir o novo texto constitucional, verdadeira chave da revolução, o mínimo que se pode dizer é que os islamistas escolheram a via do confronto institucional.
A grande questão agora é saber como vai reagir a Junta, que reuniu de urgência para responder a Morsi. É pouco provável, no entanto, que a resposta seja a violência em larga escala ou mesmo um golpe de Estado. A Irmandade Islâmica tem a maioria do seu lado, como se viu nas duas eleições já realizadas, e o exército aceitou a situação ao reconhecer a vitória de Morsi nas presidenciais. Se quisesse afogar a Primavera local em sangue, já o teria feito há muito tempo. Além disso, o anúncio de uma próxima visita oficial de Hillary Clinton ao Cairo, seguida por outra do presidente egípcio a Washington, significa o reconhecimento do novo status quo por Barack Obama. Um reconhecimento que de certeza não escapou à tropa.
Graças a Alá, o Egipto não é a Síria. A democracia egípcia tem provavelmente mais a temer dos islamistas do que dos militares. 

in Cachimbo de Magritte

Egito: Irmandade Muçulmana reclama vitória nas presidenciais

por A-24, em 18.06.12

A oposição não fez ainda qualquer comentário.  A Irmandade Muçulmana reivindicou a vitória depois de apuradas 11 mil assembleias de votos.

A Irmandade Muçulmana reivindicou hoje a vitória do seu candidato, Mohammed Morsi, na segunda volta das primeiras eleições presidenciais no Egito desde a queda de Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011.
"O doutor Mohammed Morsi é o primeiro presidente da república egípcio eleito pelo povo", diz uma mensagem da conta oficial da rede social Twitter do Partido Liberdade e Justiça, o braço político da Irmandade Muçulmana.
O partido fez o anúncio depois de apurados os dados de cerca de 11 mil das 13 mil assembleias de voto colocadas em todo o país, não havendo, até ao momento, qualquer informação ou comentário por parte da oposição.

Ao 18.º dia o faraó caiu

por A-24, em 11.02.12

A fúria de quinta-feira, dia em que Mubarak falou aos egípcios para dizer que não ia abandonar o seu cargo, apesar de anunciar uma série de cedências, foi substituída por uma explosão de alegria em todo o Egipto.
Nas ruas do Cairo, Alexandria, Suez e de muitas outras cidades egípcias já estavam milhões de pessoas que depois das orações começaram a desfilar, voltando a gritar “Vai-te! Vai-te!”. 
Milhares juntaram-se à frente do Palácio Presidencial, mais milhares à porta do edifício da televisão estatal. Os militares que protegiam ambas as instalações mantiveram as suas posições, sem hostilizar os manifestantes. Há mesmo notícias de confraternização e gestos de solidariedade para com aqueles que gritavam “Nem Mubarak, nem Suleiman!”.
No país circulava a notícia de que Mubarak e a família tinham abandonado a capital e viajado para Sharm el-Sheikh, a estância turística do Mar Vermelho. Muitos pressentem “um bom sinal”. Pouco depois a televisão estatal anuncia para breve um “comunicado importante e urgente” da presidência egípcia. 
E o comunicado surge ao cair da noite no Cairo: “Em nome de Deus, o misericordioso, cidadãos, durante as difíceis circunstâncias que o Egipto atravessa, o Presidente Hosni Mubarak decidiu deixar o cargo de Presidente e encarregou o Conselho Supremo das Forças Armadas de administrar o país. Que Deus ajude toda a gente”, afirmou o vice-presidente, Omar Suleiman, na curta declaração transmitida na televisão estatal.
O país explode de alegria. Na praça Tahrir, filmada em directo pelas televisões, o barulho da vitória é ensurdecedor. “No Cairo, os condutores estão a buzinar, há disparos de tiros para o ar”, contou o correspondente da BBC Jon Leyne na capital egípcia. Havia pessoas aos saltos: “Temos um ex-Presidente!”, gritam. “Conseguimos!”.
“Este é o melhor dia da minha vida”, reage o opositor Mohamed ElBaradei. “O país foi libertado depois de décadas de repressão”. Agora, o Nobel da Paz espera uma “bonita” transição de poder. 
Por seu lado, a Irmandade Muçulmana saúda o “grande povo do Egipto e o seu combate”. Issam el-Aryan, porta-voz da maior força da oposição, banida mas tolerada no regime de Mubarak, disse que a Irmandade “celebra o momento e segue o caminho”.
“Consenso nacional” – é este o apelo de Amr Moussa, secretário-geral da Liga Árabe e ex-ministro egípcio dos Negócios Estrangeiros, face à “mudança histórica” trazida com a renúncia do Presidente Hosni Mubarak. Moussa surgiu nesta revolução como uma das figuras que poderá assegurar a liderança de um eventual governo de transição e não descartou a possibilidade de ser candidato à presidência.
Em comunicado, o Exército diz que vai anunciar medidas para uma fase de transição após a queda do Presidente demissionário. Depois de “saudar os mártires” que morreram na revolução, os militares garantem não se vão substituir à “legitimidade desejada pelo povo”. 
O Conselho Superior das Forças Armadas declara, no comunicado, que o Exército vai “definir os passos que vão ser seguidos”, sublinhando ao mesmo tempo que não há outro caminho em frente para além do legítimo “a que as pessoas aspiram”.
“O comunicado militar é óptimo”, escreve no Twitter Wael Ghonim, o executivo da Google que se tornou uma figura-chave dos protestos. “Confio no nosso Exército.
O ministro da Defesa saúda a multidão em frente ao palácio presidencial no Cairo. Mohamed Hussein Tantawi é, segundo fonte militar, o chefe do Conselho Superior das Forças Armadas, a quem Mubarak passou o poder. De Suleiman e de outras figuras do Partido Nacional Democrático não há sinal. 
Mubarak partiu, mas durante a noite eram muitos os analistas que faziam a mesma pergunta: e os militares, também vão largar o poder que controlam há quase 60 anos? 
Na rua, a festa continuou.