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A-24

Como já se vê Portugal, desde o Brasil "Colonizadores colonizados"

por A-24, em 27.11.14
Via Ao sul do Capital

Em 1808, quando Dom João VI e sua Corte aportaram no Rio de Janeiro, o Brasil transformava-se na sede de todo o Império Ultra-Marino português. A vinda da Corte trouxe innúmeros benefícios para a ex-colônia que ganhou calçamento, teatros, escolas de arte, ampliação, reforma e construção de várias igrejas; faculdades e a aberturas dos portos. 
Nos dias atuais, chineses, brasileiros e angolanos protagonizaram as mais recentes e maiores aquisições de empresas portuguesas. Ficaram para trás os anos da invasão espanhola e, portanto, o receio em relação ao país vizinho. Hoje, a água, a eletricidade e os hospitais portugueses caíram nas mãos de chineses.
A China Three Gorges pagou 2,7 bilhões de euros (8,6 bilhões de reais) por 21,3% da elétrica EDP; o grupo Fosun, do mesmo país, assumiu o controle da Fidelidade, seguradora líder de mercado, pagando 1,01 bilhão de euros (3,2 bilhões de reais) e há um mês deu outro passo, ao desembolsar 480 milhões de euros (1,5 bilhão de reais) pela Espírito Santo Saúde, que administra cerca de 20 centros hospitalares no país.
A State Grid, outra estatal chinesa, comprou 25% da Red Eléctrica Nacional (por 387 milhões de euros, ou 1,2 bilhão de reais) —depois o grupo Fosun adquiriu outros 5%—, e a Beijing Enterprises Water Group, de Pequim, adquiriu por 95 milhões de euros (304 milhões de reais) a Veolia, empresa de abastecimento de água de Portugal. Em três anos, a China gastou 5,38 bilhões de euros (17,2 bilhões de reais) na aquisição de empresas portuguesas; em termos de volume, Portugal é o quarto país europeu com investimentos chineses, mas o primeiro em proporção à sua população.
O Brasil também colocou seu antigo colonizador no radar. A Camargo Corrêa comprou a Cimpor por mais de 5 bilhões de euros; dois anos antes de a operadora Oi usar a PT como moeda de troca para levantar fundos e adquirir a subsidiária brasileira da Telecom Italia, e assim se consolidar em seu país de origem.
Se os investidores chineses se concentraram em serviços básicos, os angolanos preferiram o mundo financeiro e os meios de comunicação. Em Portugal, se consolidaram com sucursais de seus próprios bancos (BIC, Atlântico, BAI, BANC e BNI), mas também entraram como acionistas de instituições locais. Uma parceria da filha do presidente de Angola, Isabel dos Santos, tem uma participação de 10% no BPI; e a Sonagol, petrolífera estatal africana, possui uma fatia de 20% do BCP, além disso controla a petrolífera portuguesa Galp. Dos Santos também tem uma elevada participação na operadora NOS, líder em TV por assinatura, e agora disputa a PT.
No setor de mídia, os fundos angolanos também são donos do grupo Controlinveste (Diario de Noticias, Jornal de Noticias, rádio TSF e o jornal de esportes O Jogo), e já manifestaram interesse pela estatal Rádio e Televisão de Portugal, caso seja privatizada.
Os angolanos, que desembarcam nos fins de semana em Lisboa para fechar as lojas de luxo da avenida Liberdade, os chineses, mais discretos, e os brasileiros são hoje os colonizadores da antiga metrópole. Portugal começa a ver a Espanha com menos receio do que antes, e os espanhóis olham os portugueses com menos arrogância, solidários diante de suas semelhantes dificuldades.

Pib per capita e o crescimento dos BRICS

por A-24, em 21.11.14
Instituto Ludwig Von Mises

O PIB é o número que os mercados financeiros e os analistas econômicos esperam com mais ansiedade do que qualquer outro. Trata-se daquela que é tida como a mais importante medida do sucesso de uma economia. O mercado de ações, o mercado de câmbio e o mercado de títulos dependem desse número, assim como presidentes e primeiros-ministros.
O PIB é a régua com a qual mensuramos as economias. 
O problema é que, por si só, ele é inútil.

Os problemas
Este ano, o PIB fez um importante aniversário: são 80 anos sendo o principal mensurador de sucesso econômico. A medição do PIB foi criada a pedido do então presidente americano Franklin Delano Roosevelt na década de 1930, quando ele decidiu que, como todo intervencionista, necessitava saber em mais detalhes o que estava ocorrendo com a economia americana para que pudesse intervir mais decididamente. 
O PIB é uma mera tentativa de somar todas as atividades que ocorrem dentro de um país para então colocar um número preciso no valor total da produção. Mas esse cálculo possui vários críticos e detratores. 
Por exemplo, o PIB não mensura trabalhos domésticos. Gastos governamentais — algo que destrói riqueza emvez de criar — estimulam os números do PIB. A mera reconstrução de estruturas destruídas por terremotos, furacões ou enchentes, algo que simplesmente leva o país de volta para o ponto em que ele estava antes do desastre, é tomado como parte do crescimento do PIB. O desperdício do dinheiro arrancado à força do setor produtivo da sociedade com o pagamento de inúteis operações e burocracias governamentais, algo que em nada contribui para o bem-estar da população, também contribui para o crescimento do PIB.
Ainda assim, o PIB vem sendo encarado como a melhor ferramenta disponível para mensurar como está indo a população de um país. Se o PIB sobe, a população está enriquecendo. Se o PIB cai, a população está empobrecendo.

O número que realmente importa

Mesmo desconsiderando os problemas listados acima, e aceitando — para o bem do debate — que o PIB é a melhor ferramenta de que dispomos para mensurar as economias, o fato é que, por si só, o PIB é um número inútil.
E é inútil simplesmente porque ele não leva em consideração as mudanças demográficas. O PIB desconsidera alterações na quantidade de pessoas que estão vivendo dentro de um determinado país. E o número de pessoas que vive dentro de um país — ou, mais ainda, a alteração do número de pessoas que vive dentro de um país — é o mais importante determinante do seu crescimento econômico.
Com efeito, o indicador que realmente importa é o PIB per capita. É ele quem indica se os indivíduos — em vez do "país", que é um conceito totalmente abstrato — estão enriquecendo ou empobrecendo. Se um país estiver vivenciando rápidas mudanças em seus níveis populacionais, um eventual aumento do PIB pode não ser tão bom quanto aparenta. 
Matematicamente, o PIB de um país representa o valor total de tudo aquilo que foi produzido por todos os seus habitantes. Sendo assim, se o número de habitantes de um país estiver crescendo, o número de pessoas trabalhando, produzindo e consumindo também irá crescer. Logo, o PIB terá naturalmente de crescer. 

É aí que surgem alguns detalhe que o PIB, por si só, não captura. Por exemplo, é possível que um rápido aumento populacional eleve o PIB total e, ainda assim, deixe a população geral mais pobre. Inversamente, uma diminuição na população pode reduzir o PIB total e, ainda assim, deixar as pessoas mais ricas.

Daí a importância do PIB per capita: ele mensura a evolução da riqueza de cada indivíduo do país, o que o torna um indicador mais acurado da real situação da economia de cada nação.

Tão logo você passa a considerar o PIB per capita — e o Banco Mundial fornece os números de todos os países desde a década de 1980 —, grande parte daquilo que você imaginava saber sobre a economia global se comprova incorreto. 

Por exemplo, o Japão — cuja demografia está estagnada — vem apresentando um desempenho bastante decente ao longo das últimas décadas. Já o Reino Unido, que vem apresentando PIBs auspiciosos, está bem pior do que os números indicam, e ainda não recuperou seus níveis de riqueza vigentes antes da crise financeira.
Durante muito tempo, os países desenvolvidos apresentavam comportamentos demográficos muito similares, de modo que apenas o PIB já era suficiente para indicar quem estava indo melhor e quem estava indo pior. Hoje, no entanto, as demografias desses países divergem dramaticamente. 
Japão, Alemanha e Itália possuem populações que estão ou encolhendo ou prestes a começar a encolher. Já Estados Unidos, Reino Unido e França têm populações em crescimento. À medida que essas divergências forem se tornando mais pronunciadas, os PIBs de cada um desses países se tornarão cada vez mais inúteis — e o PIB per capita será a única medida relevante.
O gráfico a seguir mostra a taxa de crescimento do PIB per capita, desde 2005, para Japão (cinza escuro), Reino Unido (cinza claro), Estados Unidos (laranja), China (azul), Brasil (roxo), e para o mundo (vermelho).


O Japão é o exemplo mais significativo porque é o país que apresenta as mais dramáticas tendências demográficas. Após chegar ao ápice de 128 milhões de pessoas alguns anos atrás, a população japonesa está hoje encolhendo, e rapidamente começará a encolher a um ritmo de um milhão de pessoas por ano.
Por isso, seu desempenho em termos de PIB per capita não é nada mau — ainda mais quando se considera todas as notícias de jornal dizendo que o PIB do país está estagnado há décadas.
Agora, vejamos a evolução do PIB per capita dos países dos BRICS. Brasil (vermelho), China (cinza escuro), Índia (cinza claro), Rússia (laranja), África do Sul (azul). 


A China cresce robustamente mesmo em termos per capita. A Índia também consegue se manter. É também possível entender o recente desânimo com o Brasil.
Agora, vejamos a evolução do PIB per capita dos cinco países economicamente mais livres do mundo de acordo com a Heritage Foundation: Hong Kong (vermelho), Cingapura (cinza escuro), Austrália (cinza claro), Nova Zelândia (laranja), Suíça (azul).



Austrália e Nova Zelândia são os países que apresentam os desempenhos mais estáveis e consistentes. Destaque também para a Suíça, que, mesmo já sendo um país extremamente rico, ainda consegue manter uma decente taxa de crescimento da riqueza per capita.
Por fim, vejamos agora um gráfico contendo países ricos e de comportamento demográfico divergentes: Estados Unidos (vermelho), Japão (cinza escuro), Alemanha (cinza claro)m Itália (laranja), França (azul), Reino Unido (roxo).



Ou seja, se analisarmos o crescimento do PIB per capita de cada país — em vez de olharmos apenas os tradicionais números do crescimento do PIB —, o desempenho do Japão está longe de ser o pior do G7. De acordo com os dados do Banco Mundial, essa dúbia honra cabe à Itália. O país está ainda pior do que os números do PIB indicam. A França também não faz inveja a ninguém.
Já a Alemanha apresentou um incrível fôlego até o ano passado.
O Reino Unido, por sua vez, vivencia uma situação interessante. Seus recém-divulgados números do PIB foram surpreendentemente fortes, e este ano o país apresenta uma das mais aceleradas economias do G-7. Segundo os números do PIB, em julho deste ano, o Reino Unido finalmente retornou aos níveis vigentes em 2008, antes da crise. 
Mas a situação em termos per capita é outra. A população do Reino Unido é uma das que mais cresce em toda a Europa, majoritariamente por causa de seus altos níveis de imigração. Atualmente, o país tem 2,7 milhões a mais de pessoas do que tinha há seis anos. Sendo assim, é compreensível que seu PIB tenha crescido, e também é compreensível que seu PIB per capita ainda esteja significativamente abaixo de onde estava em 2008. 
E, como mostra o gráfico, o crescimento do PIB per capita tem sido bem menos extasiante do que os números do PIB sugerem.

Conclusão

No mundo atual, países com economias similares estão em caminhos fragorosamente divergentes em termos demográficos. O Japão é o exemplo mais extremo, com sua população em rápido declínio. Em um futuro próximo, Alemanha, Itália e Espanha também estarão no mesmo barco. A Alemanha apresentou um ótimo desempenho nos últimos anos, mas sua população já chegou ao ápice e já se estima que, ao final desta década, entrará em declínio (a população da Alemanha cairá para 50 milhões até 2050, menor do que a Reino Unido).
Consequentemente, é de se esperar que o PIB da Alemanha comece a sofrer. A China se juntará a esses países no devido tempo. A Rússia também. E, assim como o Japão, o PIB, por si só, fará a situação parecer pior do que realmente é.
Outros países apresentarão uma situação oposta. O Reino Unido, como vimos, deverá apresentar bons números de PIB por causa de seu crescimento demográfico. O mesmo deverá ocorrer com a França. E com ainda mais intensidade com os EUA.
Por que isso é extremamente importante? Porque investidores estão olhando para um número grande e importante que, na realidade, não reflete o verdadeiro estado de uma economia. Minha sugestão: ignore os números do PIB e concentre-se no PIB per capita. Esse indicador diz com muito mais acurácia qual país está realmente indo bem.


Esquerda populista: o ‘marketing’ da opressão na América Latina

por A-24, em 16.11.14
O Diabo

O populismo sempre foi um instrumento político característico dos países da América do Sul – ou da América Latina, se quisermos incluir o caso da ditadura cubana e do conturbado percurso da Nicarágua. O discurso populista pretende exaltar as massas, servindo-se geralmente de um inimigo comum que “deve ser destruído”: como “inimigo do povo” durante a luta pelo poder, como “inimigo do Estado” depois da conquista do poder.
O inimigo, esse, varia conforme as necessidades do populista: podem ser “os burgueses”, podem ser os norte-americanos (os “gringos”), podem ser “os sabotadores”, pode ser qualquer coisa. Não importa que seja verdade ou mentira, o que interessa é que uma maioria de pessoas acredite que é verdade. Sim, uma maioria: porque os direitos democráticos da minoria não são algo que os populistas estejam interessados em proteger.


A partir do final dos anos 90, o populismo foi crescendo na América do Sul. As economias locais, tradicionalmente caóticas, estavam a recuperar devido ao preço elevado das matérias-primas, nomeadamente o petróleo. Este é o sonho do populista de esquerda: a possibilidade de poder usar dinheiro fácil de obter para pagar políticas que compram votos.
Diga-se que tal não é um fenómeno exclusivo da América Latina. Portugal, durante anos, foi governado por Executivos que usaram financiamento europeu e crédito barato para pagar infra-estruturas e políticas que davam votos. Pelo final deste ciclo, o Governo já pagava, com grande fanfarra e cobertura mediática, computadores portáteis aos alunos portugueses, grandes auto-estradas que hoje estão desertas, e ainda queria construir uma linha de TGV de duvidosa necessidade. Nenhuma destas medidas teve qualquer efeito benéfico na economia portuguesa. O populismo acabou por arruinar as contas nacionais.

As causas do desastre português serão as razões do desastre que se aproxima na América Latina?

República “Bolivariana” da Loucura
Ora olhemos então para a Venezuela, governada pelo regime criado por Hugo Chávez, intitulada, muito originalmente diga-se, de “República Bolivariana”. A mudança da designação, de forma a fazer apelo ao nome do famoso líder dos movimentos independentistas latino-americanos, foi um primeiro sinal de alerta: Hugo Chávez via-se como um Simón Bolívar do século XXI.
E esta é a parte menos louca do regime de Chávez, um indivíduo tão “democrático” que começou por tentar alcançar o poder através de um golpe de Estado (falhado) que procurava derrubar um governo legitimamente eleito. Falhada a via golpista, Chávez decidiu candidatar-se a eleições. Para ganhar, usou um discurso altamente agressivo visando virar os cidadãos mais pobres contra a classe média e abastada. Prometeu auroras douradas e ganhou.
O problema de se prometer auroras douradas é que, depois, é preciso cumprir. Mas para um populista isso não é problema: a realidade pode ser vergada à sua vontade. Sempre que algum desastre económico ou social atingiu a Venezuela (e sob o governo brutalmente incompetente de Chávez tal era uma ocorrência regular), a culpa caía sempre sobre algum inimigo fictício da “República Bolivariana”.
O ataque aos “inimigos” alcançou tais níveis de ridículo que Chávez chegou a afirmar que um sismo de grande escala no Haiti fora provocado pelos Estados Unidos, que tinham usado uma “arma de terramotos”. Quando faltava um bem de consumo nas lojas, a culpa era sempre dos “sabotadores burgueses” que impediam que os produtos chegassem ao mercado. Todas as semanas Chávez passava horas (ocasionalmente mais de seis horas, à maneira de Fidel) nos ecrãs da televisão estatal a arengar sobre os “inimigos” ficcionais. Tinha uma grande audiência, não pelo conteúdo ideológico das mensagens, mas porque era nestes programas que Chávez costumava anunciar a distribuição de novos subsídios pelos seus apoiantes.

O que nos aguarda para as Olimpíadas

por A-24, em 08.11.14
Instituto Ludwig Von Mises

Restaram apenas dois países interessados em sediar os jogos olímpicos de inverno de 2022: China e Cazaquistão. 
Sobraram apenas estes dois porque a Noruega desistiu da disputa após seus cidadãos pagadores de impostos se rebelarem e dizerem que não estão a fim de dar o dinheiro necessário para fazer dos jogos olímpicos um mero parque de diversões para os empresários corporativistas, políticos e burocratas mais ricos do mundo.
Em teoria, as Olimpíadas são uma organização privada. Na prática, trata-se de uma organização corporativista gerida por plutocratas cuja única missão é extrair dos pagadores de impostos do país-sede o máximo possível de receitas. Em todas as Olimpíadas, os vencedores são sempre os mesmos: as empreiteiras que fazem obras superfaturadas, os políticos que recebem propinas dessas empreiteiras, as redes de hotéis e a própria mídia. 
Um dos motivos de a Noruega ter se retirado é que seu governo pelo menos ainda é obrigado a prestar contas aos seus cidadãos pagadores de impostos, ao passo que os governos de Cazaquistão e China não são. A retirada da Noruega ocorre após as retiradas de Suécia, Polônia e Ucrânia.

Velhas quesílias

por A-24, em 29.10.14

O Brasil foi explorado tantos anos por Portugal agora continuará sendo pelo PT! Não é a toa que a sigla de Portugal é PT! #EuVoteiAecio45

— Luana Piovani (@LuanaPiovaniTV) October 26, 2014

Olá Luana,

Eu gosto muito do Brasil. Tive a felicidade de viver aí durante quase meio ano e fiz muitas amizades. Para além de que brasileiro é meio português, mesmo. Ou como diria um amigo meu brasileiro, brasileiro é português à solta. Agora, eu não sei que versão da história é que vocês dão aí no Brasil. Na versão da história que eu conheço, o Brasil era Portugal, pelo que dizer que o Brasil — que não existia — era explorado por Portugal, faz tanto sentido como dizer que o Alentejo é explorado por Portugal, ou que Minas Gerais é explorado pelo Brasil. Ou seja, não faz sentido nenhum. Quanto à historinha do ouro, a coisa é assim: se você tem um relógio, não pode dizer que o roubou a si mesma. O relógio é seu. Portanto, quando Portugal foi à Terra de Vera Cruz extrair ouro, e já agora deixar umas quantas coisas construídas (conta-se que os Romanos, tirando o facto de terem construído estradas, aquedutos, ordem pública, irrigação, saneamento, instituições jurídicas, não fizeram nada), foi, em boa verdade, ao seu território dispor dele, da mesma forma que quando você está em sua casa vai até à sua sala de jantar e arranja os castiçais como bem entende. Sim, é verdade, atacamos os índios nativos, mas você saberá pelos seus antepassados que Piovani não é apelido de índio nativo, é apelido de italiano colonizador. Portanto, você não se enquadra na categoria de índios nativos que se podem queixar de terem sido expoliados, até porque os seus antepassados eram colonizadores. Ainda assim, não vamos com isso dizer que os Piovanis exploraram o Brasil, ou vamos?

Assim sendo, aproveita essa cara laroca e continua a fazer novelas da Globo, que história não é seu forte. Um beijo, tá?

Adenda: existem rumores de que a conta será fake. Tal seria em prejuízo de Luana Piovani, mas não altera em nada o conteúdo da missiva, até porque muita gente partilha dos disparates implícitos no tweet.

Verdade implícita que ditou parcialmente o resultado das eleições brasileiras

por A-24, em 28.10.14

Acerca das presidenciais brasileiras

por A-24, em 28.10.14
Miguel Noronha

Depois do resultado do 1º turno, escrevia um conhecido meu a residir no Brasil: “Uma coisa eu sei, o Brasil não aguenta mais um governo do PT.“. Foi renhido. Mas apesar da boa prestação eleitoral Aécio Neves não conseguiu afastar a quadrilha do PT do Planalto. Para um país que no início do Século prometia tanto, as perspectivas são sombrias. Pelo menos caberá a Dilma e não a Aécio pagar o custo das suas políticas desastrosas.

Instituto Ludwig Von Mises

O "milagre brasileiro" morreu no berço. Na mais generosa das avaliações, o país é visto hoje como apenas mais um entre vários países em desenvolvimento; já na maioria das vezes, ele é visto lá no fim da fila.
A inflação de preços está hoje em quase 7% ao ano para aqueles bens e serviços cujos preços não são controlados pelo governo. E quando se considera apenas o setor de serviços, a inflação de preços está em 8,6% ao ano. Para piorar, as expectativas quanto à inflação futura estão se deteriorando.
O PT se gaba de ajudar os pobres com políticas assistencialistas, mas a mesma mão que dá é aquela que tira -- e a mão que tira é a mais pesada. O aumento do protecionismo, os pesados encargos sociais e trabalhistas que oneram a folha de pagamento das empresas, os altos impostos sobre o consumo, uma infraestrutura em frangalhos, e as inflexíveis leis trabalhistas representam geram custos que impedem o aumento dos salários e que fazem com que o padrão de vida dos brasileiros esteja muito aquém do seu potencial.
Ainda mais preocupante é o estrago que o PT pode fazer com as instituições e com o estado de direito ao longo dos próximos 48 meses. Um exemplo é o decreto de maio, assinado por Dilma, que cria os "conselhos populares", os quais criariam um modelo semelhante ao que já existe na Venezuela.

Dilma Rousseff reeleita presidente do Brasil

por A-24, em 27.10.14

Geografias eleitorais brasileiras

por A-24, em 22.10.14
Se o PT trocou o socialismo pelo assistencialismo, Lula e Dilma trocaram a base eleitoral nos estados mais avançados do Sul e Sudeste por esses «grotões» que são feudos equivalentes ao «coronelismo»

Faz doze anos que Lula foi eleito pela primeira vez Presidente do Brasil. Nessa altura, o que marcou a sua vitória foi a subida ao poder de uma esquerda de novo tipo que havia emergido na década de 1980 nos grandes estados industrializados do sul do país, com uma base operária e sindical de forte inspiração católica, da qual era exemplo máximo a carreira do próprio Lula, mais próxima porventura dos sindicatos da época de Getúlio Vargas do que dos comunistas e maoistas. Era uma experiência virtualmente inédita. O Partido dos Trabalhadores (PT) terá sido então o maior partido de esquerda do mundo a chegar ao poder por via eleitoral.
Todavia, nos doze anos seguidos em que tem estado no poder, o PT mal chegou a atingir 20% dos membros do Congresso da República (Senado e Câmara de Deputados) num sistema partidário caracterizado pela extrema pulverização regional e ideológica, bem como por um jogo de clientelas hoje já desconhecidas na Europa. E sendo assim, para conseguir formar governo e manter-se no poder, o novo presidente teve de fazer basicamente quatro coisas. Primeiro, montar uma maioria congressual à custa da useira e vezeira rede de favores, que o PT pretendeu a certa altura tornar ainda mais rígida através do famoso «mensalão» destinado a tornar sistemática a compra dos votos necessários para aprovar a legislação governamental. O preço que o PT tem vindo a pagar por isso não é só ético mas também político. Do ponto de vista eleitoral, tornou-se um partido como os outros ou pior.
Em segundo lugar, as intransigências mútuas entre um PT doutrinário e o partido de cariz social-democrata formado pelo anterior presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, o qual havia produzido as maiores inovações políticas do Brasil da época ao implantar a nova moeda (o «real») e ao fundar o PSDB, fizeram com que este ficasse de fora da aliança montada por Lula. Percebe-se que assim tenha acontecido mas é isso, precisamente, que está agora de novo em cima do tapete eleitoral com os dois novos protagonistas, Dilma pelo PT e Aécio pelo PSDB.
Em terceiro lugar, para grande surpresa das esquerdas, Lula fez sua a política de estabilização financeira do seu antecessor e foi nessa base que o Brasil pôde, graças ao disparo da globalização, crescer economicamente como há muito não sucedia. Desse passo, trocou o seu socialismo programático pela generalização dos programas assistencialistas que já vinham da presidência de FHC, como o «bolsa família», uma espécie de «rendimento mínimo» que atingirá hoje uns 50 milhões de beneficiários. É comparativamente pouco dinheiro para o novo gigante económico mas constitui uma fonte de votos sem fim, à qual se juntam os empregos públicos para tirar a população mais pobre da miséria em que vivia, sobretudo no Nordeste.
Ora, assim como o PT trocara o socialismo pelo assistencialismo, Lula e Dilma trocaram a base eleitoral que os levara ao poder nos estados mais avançados do Sul e Sudeste por esses «grotões» contra os quais o partido lutara até então e que constituíam feudos equivalentes ao «coronelismo». Basta ver o mapa da última eleição presidencial para se dar conta de que, virtualmente, todo o sul desenvolvido se virou contra Dilma, tendo esta passado a dominar, como herdeira dos coronéis de outrora, todo o norte do país graças ao «bolsa família» e ao emprego público.
Por último, ao sabor da globalização e da ascensão dos BRICs, Lula e o PT compensaram o seu conservadorismo financeiro e assistencial com uma política internacional cada vez mais alinhada pelos «emergentes», a qual serve hoje de bandeira para unir as esquerdas ideológicas do mundo inteiro. Assim acabou o Brasil por assumir a liderança da oposição histórica latino-americana aos «ianquis», salvando a sua face esquerdista em benefício da frente dos países que conduzem actualmente a nova guerra fria contra o «imperialismo». É o mundo às avessas e foi a ânsia de conservar o poder que fez o PT soçobrar perante a corrupção que criticava quando estava na oposição.
Adicionado à quebra do crescimento, foi isto que uma clara maioria dos brasileiros rejeitou na primeira volta das eleições. O maior exemplo é o estado de S. Paulo, onde o PT outrora se forjou e agora Dilma tem os piores resultados. A nova geografia eleitoral do Brasil faz, pois, do candidato do PSDB e da própria Marina, os anunciadores de um processo de modernização política e económica contra o estatismo assistencialista que constitui hoje a base de poder do PT. As suas candidaturas remetem assim para a vaga de protestos que marcou os últimos anos do regime do PT. Aécio poderá propiciar uma mudança e, simultaneamente, voltar a uma política internacional mais consentânea com a matriz sócio-cultural brasileira. A segunda volta da eleição presidencial será apertadíssima e constituirá, sem dúvida, um ponto de viragem para esse Brasil cujas forças mais modernas pretendem decididamente dar um passo político em frente.

Uma carta com 22 milhões de votos?

por A-24, em 16.10.14
Público


Foi há uma semana que Aécio Neves fintou as sondagens e surpreendeu ao passar, juntamente com Dilma Rousseff, à segunda volta das presidenciais no Brasil. Para trás ficou Marina Silva que, apesar de ter ficado em terceiro lugar, conseguiu um grande capital político, traduzido em 22.176.619 votos. E são estes votos no candidato derrotado a 5 de Outubro que determinarão quem será o candidato vencedor na segunda volta a 26 de Outubro.
Durante este fim-de-semana, duas cartas selaram o compromisso e o ritual político de transmissão de votos entre Marina e Aécio. Primeiro foi Aécio que, no sábado, deu a conhecer aos brasileiros uma "carta-compromisso", uma espécie de adenda ao seu programa de governo onde incluiu algumas das bandeiras da campanha de Marina e algumas das reivindicações dos ‘pessebistas’.
O candidato do PSDB garantiu que dará prioridade à demarcação das terras indígenas e que levará adiante a reforma agrária. E prometeu manter os programas sociais existentes. Só não cedeu na proposta, que o separava de Marina, de baixar a idade mínima de acusação penal no caso dos crimes mais graves.
Em troca, Marina escreveu uma carta este domingo onde declara: "Chegou o momento de apostar na alternância de poder […] Votarei em Aécio e o apoiarei". A candidata que concorreu pelo PSB sabe que o seu voto não são 22 milhões de votos; mas também sabe que muitos dos “seus” eleitores irão seguir o seu “conselho”.
E a prova disso é que, se na primeira volta Dilma conseguiu 41% dos votos e Aécio Neves 33,5%, a verdade é que as últimas sondagens já dão um empate técnico ou mesmo um avanço ao candidato tucano. Aécio passou ainda a contar com o apoio formal da viúva do ex-governador Eduardo Campos. E o caso do alegado financiamento da Petrobras a campanhas do PT é mais uma barreira que os petistas terão de transpor para ir “roubar” os votos de Marina.
Mas Aécio sabe que, mesmo havendo uma grande transmissão de votos, ainda terá um longo caminho a fazer até 26 de Outubro. A máquina da campanha dos petistas é demolidora e nenhuma estatística é deixada por explorar. Este fim-de-semana, a Presidente criticou a gestão de Aécio em Minas Gerais, recordando que, enquanto o Governo federal reduziu em 33% as mortes infantis, Minas Gerais reduziu apenas 19%. Nestas estatísticas em que tudo conta, Dilma Rousseff sabe que as suas estatísticas (e as que herdou de Lula) não a deixam ficar mal no plano económico. Num comício no domingo em São Paulo, fez questão de dizer que "hoje o Brasil tem a menor taxa de desemprego de sua história” e que "nós [o PT] valorizámos o salário mínimo em 70%".
Estão lançados os argumentos e “distribuídos” os votos de Marina. E a dúvida sobre quem irá para o Palácio do Planalto durará até 26 de Outubro. Uma coisa os brasileiros já aprenderam: a desconfiar das sondagens. Basta recordar que os resultados de Aécio na primeira volta ficaram sete pontos acima das sondagens que lhe eram mais favoráveis.