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A-24

Portugueses na luta pela Crimeia

por A-24, em 12.06.14



Via Da Russia


Gomes Freire de Andrade
Nos últimos meses, muito se tem falado da Crimeia, península da Ucrânia que foi recentemente anexada à força pela Rússia. Moscovo baseou os seus direitos no facto de ter conquistado esse território à Turquia há mais de 200 anos e ele ter sido ilegalmente entre à Ucrânia pelo líder comunista Nikita Khruschov em 1954.
É verdade que o Império Russo sacrificou milhares de homens para conquistar a Crimeia e a parte meridional da Ucrânia, pois permitiu-lhe ganhar posições nas costas do Mar Negro.
Como era costume nessa altura, nas campanhas contra os turcos participavam militares estrangeiros, principalmente oficiais de alta competência. Por exemplo, nas campanhas realizadas entre 1788 e 1791, participaram dois ilustres militares portugueses que se cobriram de glória: Gomes Freire de Andrade e Manuel Inácio Pamplona Côrte-Real.
Sob o comando do Marechal de Campo e Príncipe Potemkin, o sargento-mor Gomes Freire de Andrade distinguiu-se nas batalhas nas planícies do Danúbio, na Crimeia e no cerco de Otchakov, no sul da Ucrânia. Pela sua valorosa atuação, Catarina II, imperatriz da Rússia, promoveu-o a tenente-coronel em 1790 e a coronel do Regime de Minas em 1791, concedendo-lhe ainda a Ordem de S. Jorge e uma espada de honra.
A 28 de abril de 1789, Francisco José de Horta Machado, embaixador de Portugal em São Petersburgo, escrevia para a corte portuguesa: “Gomes Freire de Andrade entrou no número dos que receberam a Ordem Militar de S. Jorge das mãos da imperatriz. Com que trará de aqui por diante no seu vestido um sinal de ter sido bravo... Quando agradeci ao Marechal Príncipe Potemkin a boa conta que devia ter dado do meu compatriota, e que lhe tinha conseguido esta distinção, respondeu-me: Monsieur Freire serviu perfeitamente bem”.
A 24 de setembro do ano seguinte, o militar português volta a ser premiado pela sua bravura em combate. Francisco Xavier de Noronha Torresão, encarregado da correspondência da Legação de Portugal em S. Petersburgo, comunicava para Lisboa: “O Comendador Gomes Freire de Andrade recebeu ontem uma espada de ouro, com a inscrição: “Pelo Seu Valor”, que Sua Majestade Imperial lhe mandou dar pelo Príncipe de Nassau. Faz gosto ouvir os elogios que não só os chefes, mas os seus companheiros, fazem da bravura, do zelo e da atividade do Comendador Gomes Freire Andrade”.


Manuel Inácio Martins Pamplona Côrte-Real 
Manuel Inácio Martins Pamplona Côrte-Real entrou ao serviço da Rússia em agosto de 1784, sendo nomeado tenente do Batalhão de Granadeiros de Kiev. Em abril de 1790, quando já tinha sido promovido a primeiro major, foi enviado para a Flotilha a Remos do Negro, onde participou nos combates contra os turcos, nomeadamente em operações nas margens do Danúbio e na conquista de Ismail, que os turcos tinham transformado numa fortaleza inexpugnável.
“Ele comportou-se como um oficial bravo, valoroso, inteligente e laborioso”, escreveu o general Iossip Ribas na certidão passada ao oficial português.
Outro conhecido general russo, Alexandre Suvorov, destacou também a bravura do primeiro major Pamplona na tomada de Ismail, tendo sido por isso condecorado com a Ordem de São Vladimir (4º grau com fita).

Mais tarde, este militar português foi agraciado com o título de conde de Subserra e foi ministro de D. João VI.

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