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A-24

A essência do capitão

por A-24, em 13.10.14
Os tempos mudaram e nota-se falta de líderes. Longe vai o tempo onde Veloso, João Pinto ou Oceano impunham respeito à equipa adversária, dentro ou fora de portas. Como verdadeiros líderes.

Ainda um factor importante (ou o futebol mudou)? 
O século XX futebolístico desenvolveu-se com a ideia que o capitão tinha de ser o jogador-símbolo da equipa, quem passa a mística, quem nasceu dentro do clube e o conhece como ninguém. Sejam eles guarda-Redes (Vítor Baía, Damas), defesas (Veloso, João Pinto, Jorge Costa, Beto), médios (Oceano, Coluna, Paulinho Santos) e avançados (Manuel Fernandes, Gomes, José Torres). Mas longe vão os tempos dos eternos capitães no futebol português. Osone-club man já estão em risco sério de extinção. Aquele jogador que manda no balneário, que todos ouvem com respeito e atenção. Hoje isso não passa de uma utopia em quase todos os clubes portugueses. Com a excepção de Briguel no Marítimo e Rui Patrício no Sporting já não existem os jogadores que passam uma vida inteira no mesmo clube como sucede com Totti, Xavi, Gerrard e Casillas por exemplo.

Mas o que é afinal ser um capitão? Nesta fase, em muitos clubes parece ser só o jogador que leva a braçadeira, o elemento que vai à frente na entrada das equipas em campo e quem vai escolher campo ou bola. 
No entanto um capitão é muito mais do que isto. Um capitão tem de ser um líder, dentro e fora do campo. O jogador que sai sem voz do jogo por gritar, reclamar, incentivar a sua equipa. O elemento que passa a sua experiência aos mais novos, que lhes passa a mística, a disciplina e os valores de cada clube. O jogador que une o balneário nos momentos mais difíceis e “mete” os egocêntricos em total comunhão com a equipa. O líder que dá o exemplo em campo.
Em Portugal neste capítulo temos 3 casos completamente distintos nos "grandes". Apenas oBenfica parece ter o jogador com “aquele” perfil para capitão. Ninguém põe em causa que Luisão é o patrão da equipa encarnada. É ele quem grita, quem dá a cara nos momentos difíceis e que passa a mística dos antepassados para os novatos. Que "empurra" a equipa. É preciso nascer com essa liderança e neste campo o emblema da Luz leva claramente vantagem sobre os seus adversários, algo que até acaba por desequilibrar a balança em determinados momentos. O FC Porto por exemplo, desde a saída de Bruno Alves, algo que mais tarde recuperou com o regresso de Lucho, com os resultados que se conhece (importante nos títulos de Vítor Pereira), que está algo descaracterizado neste campo, onde até sempre foi o mais forte. Helton neste momento não conta e esta época começou logo de uma maneira atribulada em relação ao novo dono da braçadeira. Lopetegui começou por dá-la a Quaresma e pouco tempo depois passou-a a Jackson. Situações algo discutíveis, o Mustang, como tem vindo a demonstrar não tem perfil para esse papel, e Jackson, apesar de ser uma presença mais forte, corre o risco de ser uma aposta a curto-prazo, já que tem fortes possibilidades de sair no final da época. Na teoria Maicon era o que encaixava mais nas características de capitão, apresenta um perfil semelhante ao de Luisão, mas continua sem assumir esse papel. Mas o caso do Sportingé o mais intrigante. Desde a saída de Beto, Pedro Barbosa e Sá Pinto que o clube leonino não tem um verdadeiro líder. João Moutinho foi capitão muito novo, Polga não tinha o perfil e Rui Patrício parece seguir o mesmo caminho. Este parece ser um dos grandes problemas desde o último Sporting campeão. A falta de um líder para responder às adversidades. Rui Patrício, apesar de ter crescido na Academia com os valores leoninos, não tem a liderança desejada por uma equipa tão jovem com a do Sporting, que precisa de uma força extra para ultrapassar alguns obstáculos.
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