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A-24

Aliança impossível de EUA com a Rússia no combate ao “Estado Islâmico”

por A-24, em 03.10.14
José Milhazes

Não obstante os terroristas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante terem também ameaçado a Rússia e o próprio Presidente Putin, este não se apressa a juntar à coligação internacional que luta contra o ISIS, pois parece recear que o objectivo dos Estados Unidos e seus aliados seja derrubar o regime sírio de Bashar Assad à sombra do combate aos jihadistas.
Numa conversa telefónica com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o Presidente russo defende que, nas operações contra o ISIS na Síria se “deve respeitar o Direito Internacional” e os bombardeamentos aéreos nesse país só deverão realizar-se com o “consentimento do governo sírio”.

Tendo em contra que Washington e os seus aliados deram ouvidos a Putin quando este evitou a invasão da Síria a troco da entrega das armas químicas por Damasco à comunidade internacional, poder-se-ia pensar que também desta vez será possível chegar a um acordo, mas tal não deverá acontecer. Isto porque, ao espezinhar o Direito Internacional na Ucrânia com a anexação da Crimeia e o apoio aos separatistas do leste do país, o Kremlin perdeu o direito de dar lições de moral aos outros, se é que já não tinha perdido esse direito quando da guerra na Chechénia ou da invasão da Geórgia.
E, pelos vistos, os EUA e os seus aliados irão resolver os problemas da Síria e do ISIS à sua maneira, enquanto que a Rússia irá continuar a sua política no país vizinho, embora com mais êxito. O conflito entre Kiev e os separatistas pró-russos está a caminho do congelamento, o que permitirá a consolidação dos poderes nas regiões separatistas e a criação de uma situação como a que existe na Transdnistria em relação à Moldávia. Isto se Putin não avançar ainda para a conquista de corredores para ligar a Rússia à Transdnístria e à Crimeia.
Nesta situação, é difícil esperar uma coordenação de acções entre a Rússia e a NATO face a qualquer problema mundial, a não ser que a Terra seja invadida por extraterrestres. E mesmo assim...

Aliança impossível de EUA com a Rússia no combate ao Estado Islâmico

por A-24, em 28.09.14
José Milhazes


É difícil esperar qualquer coordenação de acções entre a Rússia e a NATO face a um problema mundial, a não ser que a Terra seja invadida por extraterrestres. E mesmo assim...
Não obstante os terroristas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante terem também ameaçado a Rússia e o próprio Presidente Putin, este não se apressa a juntar-se à coligação internacional que luta contra o ISIS, pois parece recear que o objectivo dos Estados Unidos e seus aliados seja derrubar o regime sírio de Bashar Assad à sombra do combate aos jihadistas.
Numa conversa telefónica com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o Presidente russo defende que, nas operações contra o ISIS na Síria, se “deve respeitar o Direito Internacional” e os bombardeamentos aéreos nesse país só deverão realizar-se com “o consentimento do governo sírio”.
Tendo em conta que Washington e os seus aliados deram ouvidos a Putin quando este evitou a invasão da Síria a troco da entrega das armas químicas por Damasco à comunidade internacional, poder-se-ia pensar que também desta vez será possível chegar a um acordo, mas tal não deverá acontecer. Isto porque, ao espezinhar o Direito Internacional na Ucrânia com a anexação da Crimeia e o apoio aos separatistas do leste do país, o Kremlin perdeu o direito de dar lições de moral aos outros, se é que já não tinha perdido esse direito quando da guerra na Tchechénia ou da invasão da Geórgia.
E, pelos vistos, os EUA e os seus aliados irão resolver os problemas da Síria e do ISIS à sua maneira, enquanto a Rússia irá continuar a sua política no país vizinho, embora com mais êxito. O conflito entre Kiev e os separatistas pró-russos está a caminho do congelamento, o que permitirá a consolidação dos poderes nas regiões separatistas e a criação de uma situação como a que existe na Transdnistria em relação à Moldávia. Isto se Putin não avançar ainda para a conquista de corredores para ligar a Rússia à Transdnístria e à Crimeia.
Face a esta situação é difícil esperar uma coordenação de acções entre a Rússia e a NATO face a qualquer problema mundial, a não ser que a Terra seja invadida por extraterrestres. E mesmo assim…

Putin e a Independência da Escócia

por A-24, em 18.09.14
via Estado Sentido

Os movimentos falsamente separatistas ou de anexação que se têm vindo a desenovolver nos limites da Europa convencional ou para além da sua matriz política, instigados e levados a cabo pela Rússia, na Geórgia, na Ucrânia, com uma nítida expressão na Crimeia em tempos mais recentes, embora desligados dos pressupostos nacionais europeus, podem ser reconduzidos aos mesmos. O referendo escocês, respeitante à sua independência, intensificou reinvindicações antigas e certamente fará eclodir novas solicitações de autonomia. Ambrose Evans-Pritchard releva, de um modo abrangente, quais os candidatos à fragmentação da Europa. Uma interpretação excêntrica e ousada destes eventos de dispersão, obriga os decisores da União Europeia a ter de pensar uma lógica inversa na (de) construção europeia. A haver expressão democrática e positiva no sentido da independência nacional de um conjunto de povos residentes na União Europeia, o Tratado da União Europeia torna-se parcialmente obsoleto ou conceptualmente irrelevante. As forças centrifugas e de concentração política que se acham firmadas na constituição europeia, estão a ser ultrapassadas pela realidade. Embora seja impensável uma intervenção britânica para proteger os direitos dos cidadãos que residem na Escócia, Putin lança no seio da Europa ocidental o perfume dos seus argumentos e da sua acção. De um modo pensado ou não, a verdade é que a analogia entre um cenário e outro, poderá ser resgatada para plantar divisões nas hostes da centralidade da União Europeia. Existem muitos modos de levar a guerra ao inimigo, e a Rússia não hesitará em partilhar os seus métodos com as partes interessadas. Numa lógica ainda mais ultrajante, imaginemos o apoio que a grande Rússia poderia emprestar aos diferentes movimentos nacionais que se encontram espalhados pelo mainland da Europa ocidental. Eu sei que talvez seja uma extrapolação exagerada, a roçar os limites da racionalidade teutónica, mas todas as possibilidades devem ser colocadas em cima da mesa. De Berlim a Londres, da Catalunha ao reino dos Algarves.

A secessão de um país depende do tamanho do seu território?

por A-24, em 11.09.14
Instituto Ludwig Von Mises

De acordo com os números do World Bank Development Indicators (Indicadores de Desenvolvimento do Banco Mundial), dentre as 45 nações soberanas da Europa, os países pequenos são quase duas vezes mais ricos que os países grandes. A diferença da riqueza per capita entre os 10 maiores e os 10 menores é de 84% quando se considera toda a Europa, ou 79% quando se considera somente a Europa Ocidental.


Trata-se de uma diferença abismal. Para colocar um pouco de perspectiva, uma diferença de riqueza de 79% é a diferença entre a Rússia e a Dinamarca. Isso é impressionante quando se considera as similaridades históricas e culturais dentro da própria Europa Ocidental.

Mesmo entre as nações de mesmo idioma, as diferenças são gritantes: a Alemanha é mais pobre, em termos per capita, do que as pequenas nações que também falam alemão (Suíça, Áustria, Luxemburgo e Liechtenstein); a França é mais pobre, em termos per capita, do que as pequenas nações que falam francês (Bélgica, Andorra, Luxemburgo, Suíça novamente, e, é claro, Mônaco). Até mesmo a Irlanda, que foi durante séculos devastada pelos ingleses belicistas, é hoje mais rica do que seus senhores do Reino Unido, que possui um território 15 vezes maior.

Vladimir Putin Trolls West: 'If I Want, I will Take Kiev in Two Weeks

por A-24, em 07.09.14
Via Breitbart

Russia President Vladimir Putin told outgoing European Commission President Jose Manual Barroso he could take Kiev, Ukraine in two weeks if he wanted to, according to a report in Italian newspaper La Repubblica. This latest threat surfaces just days after Putin allegedly told Russian youths that Kazakhstan never earned its independence.

According to La Repubblica, Barroso asked Putin about Russian troops in Ukraine. Barroso told the EU that Putin said, “If I want, I will take Kiev in two weeks.” Repubblica’s Alberto D’Argenio said Putin is telling the West not to make him angry with threats of new sanctions against Russia.
Tensions between the West and Russia continue to rise, as more information reveals Russian soldiers in east Ukraine with the separatists. British Prime Minister David Cameron and German Chancellor Angela Merkel once again repeated threats of tough sanctions against Russia if the Kremlin did not stop violating Ukraine’s sovereignty.
But Putin is not just eyeing Ukraine. Putin is an ex-KGB agent and once said the fall of the Soviet Union was the greatest geopolitical disaster of the 20th century. While Ukraine is the crown jewel of the old Soviet, Putin applies pressure on other ex-Soviet states. Kazakhstan is now worried Putin will target them after he told a pro-Kremlin youth group the country is artificial.
"Kazakhs never had any statehood; he [Kazakhstan’s President Nursultan Nazarbayev] has created it," he said.
Nazarbayev immediately fired back with his own threats.
"Kazakhstan has a right to withdraw from the Eurasian Economic Union," he said on television. "Kazakhstan will not be part of organisations that pose a threat to our independence."
"Our independence is our dearest treasure, which our grandfathers fought for," he continued. "First of all, we will never surrender it to someone, and secondly, we will do our best to protect it."
Nazarbayez signed the Eurasian Economic Union along with Belarus on May 29. Unlike other ex-Soviet states, Kazakhstan does not rely on Russia for gas and energy needs. It is its own star in the energy world, and the deal was signed in Astana, which is known for energy production.
Kazakhstan was the last Soviet state to leave the Soviet Union. The Kazakhs declared independence on December 16, 1991, and finalized their independence on December 25, 1991. Nazarbayev has been Kazakhstan’s only president for the past two decades.
Putin has a history of not acknowledging the independence of ex-Soviet states. In 2008, the same year he invaded Georgia, Putin told President George Bush that Ukraine is not a state.

Putin não pretende dominar só o sudeste, mas sim toda a Ucrânia

por A-24, em 05.09.14
José Milhazes

Chegar com os tanques a Kiev em duas semanas poderá ser muito improvável, mas para Putin não é utópico chegar um dia à capital ucraniana. Talvez lá para o Outono ou Inverno...

Escreve a imprensa europeia que Vladimir Putin, Presidente da Rússia, teria dito a José Manuel Durão Barroso, que “o problema consiste em que se eu quiser tomar Kiev, farei isso em duas semanas”.
Tendo em conta a situação nas forças armadas ucranianas e o poder de mobilização russa, essa declaração não deverá estar muito longe da verdade, mas a táctica de Moscovo parece ser mais “elaborada” e “fina”, ou seja, chegar a Kiev mas através dos próprios ucranianos.
As conversações de Minsk estão a ser um fracasso devido às contradições entre os separatistas pró-russos (chamar-lhes-ia mais precisamente agentes russos) e os representantes do governo de Kiev.
Os separatistas prometem fazer “o máximo de esforços para a manutenção da paz, para a conservação do espaço económico, cultural e político único e de todo o espaço da civilização russo-ucraniana”, mas impõem numerosas condições. Além da manutenção da língua russa (condição que pode e dever ser discutida), os líderes separatistas querem um estatuto especial para as suas forças armadas, o poder de nomear procuradores e juízes e (atenção!!) exigem também “uma forma especial de actividade económica externa tendo em conta a integração com a Rússia e a União Alfandegária”.
Isto é, os separatistas querem garantir que, no futuro, querem ter uma palavra decisiva a dizer caso Kiev ouse, por exemplo, se aproximar da União Europeia ou da NATO.
Por isso, Vladimir Putin apoia o diálogo entre os separatistas e Kiev e até contribui, com a intervenção militar na Ucrânia, para reforçar as suas posições nas conversações de Minsk. Nos últimos dias, os separatistas lançaram uma forte contra-ofensiva com apoio de armamentos e militares russos. Claro que Moscovo desmente que militares seus estejam a ser enviados para combater na Ucrânia, assim como desmentiu que tivessem sido enviadas tropas russas para a Crimeia. Mas os mortos e feridos, que já se contam com centenas, vão regressando aos cemitérios e hospitais russos.
A União Europeia, ou alguns dos seus membros, parece ainda não ter entendido que o principal objectivo da agressão da Rússia contra a Ucrânia não é apenas confirmar a anexação da Crimeia e afirmar-se no sudeste desse país, mas sim submetê-lo todo à sua política. O Kremlin deposita esperanças na agudização da guerra para destruir completamente a economia ucraniana, afundar o país numa gravíssima crise social que leve os cidadãos ucranianos a renderem-se às evidências, levando-os a derrubarem a “junta fascista” em Kiev e a optarem por um regime fiel a Moscovo.
Por isso, chegar a Kiev com os tanques em duas semanas poderá ser muito improvável, mas para Putin não é utópico chegar um dia à capital ucraniana. Talvez lá para o Outono ou Inverno…

Azov, o batalhão neonazi que vai defender Mariupol

por A-24, em 03.09.14
O conflito na Ucrânia é muitas vezes descrito como uma "guerra híbrida", em que a vertente militar se mistura com muitas outras componentes, como os ataques cibernéticos e a propaganda através das redes sociais.


Enquanto na Ucrânia os separatistas pró-russos são vistos como terroristas, no Leste do país e na Rússia agita-se o fantasma do nazismo – para uma grande parte da opinião pública, o Governo de Kiev é composto por nazis que têm como principal objectivo matar ou subjugar os habitantes russófonos das províncias de Donetsk e Lugansk.
Como é comum neste tipo de generalizações, a estratégia funciona melhor se houver algum fundo de verdade: nem o primeiro-ministro nem o Presidente da Ucrânia são conhecidos por alguma vez terem defendido ideias nazis, mas nem todos os grupos que se opõem à influência russa podem ser vistos no Ocidente como defensores da liberdade e dos direitos humanos.
É aqui que entram alguns dos mais ferozes batalhões de voluntários ucranianos, que lutam ao lado do Exército oficial de Kiev – batalhões como o de Azov, que tem na sua bandeira um símbolo usado por divisões das SS nazis e que se prepara para liderar a defesa da importante cidade portuária de Mariupol na ofensiva que os separatistas deverão lançar nos próximos dias.

O Batalhão de Azov é um dos grupos de voluntários que lutam contra os separatistas no Leste da Ucrânia 

No dia 11 de Agosto, o correspondente em Moscovo do jornal britânico The Telegraph, Tom Parfitt, falou com alguns dos homens do Batalhão de Azov, que estavam nessa altura estacionados na pequena cidade de Urzuf, cerca de 40 quilómetros a Oeste de Mariupol.
Tal como dezenas de outros destes grupos de voluntários, o Batalhão de Azov serve para colmatar as lacunas do Exército da Ucrânia – muitos deles estiveram na Praça da Independência em Kiev, durante os protestos contra o antigo Presidente ucraniano Viktor Ianukovich e foram depois lutar contra os separatistas pró-russos para manterem a unidade do território da Ucrânia.
O Batalhão de Azov é conhecido por ser um dos mais ferozes. O seu fundador e comandante é Andri Biletski, também líder da formação ultranacionalista Assembleia Nacional Social. A sua ideologia ficou patente num comentário citado pelo jornal britânico: "A missão histórica da nossa nação neste momento crucial é liderar as raças brancas do mundo numa cruzada final pela sua sobrevivência. Uma cruzada contra os sub-humanos liderados por semitas."
Por enquanto, o músculo do Batalhão de Azov satisfaz os seus ideais neonazis e a luta pela integridade territorial da Ucrânia, mas o discurso dos seus líderes aponta para uma coexistência nada pacífica com a União Europeia depois do fim do conflito no Leste do país.
Num texto publicado no site da Assembleia Nacional Social (liderada pelo comandante do Batalhão de Azov), e citado pela AFP, fala-se em "erradicar perigosos vírus", numa referência que se pode ajustar a muitos dos líderes ocidentais que apoiam actualmente o Governo de Kiev: "Infelizmente, entre o povo ucraniano de hoje há muitos 'russos' (pela sua mentalidade, não pelo seu sangue), 'judeus', 'americanos', 'europeus' (da União Europeia liberal-democrata), 'árabes', 'chineses' e por aí em diante, mas não há muitos especificamente ucranianos."

Quem se lixa é a McDonald’s

por A-24, em 25.08.14
José Milhazes


Na Rússia, a política de sanções é para continuar e Vladimir Putin não pretende fazer figura de fraco, mesmo que para isso tenham de ser os cidadãos russos a pagar a factura.

Até ao início das sanções decretadas contra a Rússia pelo Ocidente devido à intervenção militar de Moscovo na Ucrânia, a cadeia de restaurantes McDonald’s era um exemplo de higiene, organização do trabalho e por aí adiante A empresa crescia a bom ritmo, possuindo 435 restaurantes e mantendo cerca de 3000 postos de trabalho nas mais diferentes regiões da Rússia.
Porém, agora que o Kremlin necessita de responder ao Ocidente, as autoridades sanitárias russas, a Rospotrebnadzor, mandaram encerrar três dos mais conhecidos restaurantes dessa cadeia no centro de Moscovo e realizaram inspeções em dezenas de outros por todo o país.

“Durante a inspeção foram descobertas numerosas violações das exigências da legislação sanitária”, lê-se num comunicado publicado pela Rospotrebnadzor, um dos organismos estatais russos mais corruptos e “politizados”. No campo alimentar, nada entra ou se vende na Rússia se os funcionários desse organismo não receberem “a sua parte”. No campo político, ele entrou em acção quando foi preciso proibir a entrada de águas minerais da Geórgia, ou os vinhos da Moldávia. Ou seja, a Rospotrebnadzor funciona como uma espécie de cacete político contra os países que ousem dizer “não” ao Kremlin. Como não podia deixar de ser, os produtos agrícolas ucranianos têm sido das principais vítimas da “defesa da saúde do consumidor russo”.
Quem irá ganhar com o encerramento dos restaurantes da famosa cadeia? Para já, as numerosas barracas de rua que vendem frangos assados, shaurmas ou sandes em condições de higiene muito pouco adequadas, mas que a Rospotrebnadzor teima em não ver.
Em 1990, tive oportunidade de ver a abertura do primeiro restaurante dessa cadeia em Moscovo. Não consegui entrar, porque a fila de clientes dava a volta à enorme Praça Pushkin. Nesse dia, foram servidas 31 mil refeições e esse acontecimento foi visto por muitos como um sinal da abertura da então URSS ao mundo. O McDonald’s tornou-se um símbolo de como podia ser normalmente servido o consumidor, uma alternativa aos refeitórios públicos soviéticos que não primavam pela higiene ou pelo bom ambiente.
Certamente que serão muitos os que irão ficar radiantes com mais esta medida contra o “imperialismo norte-americano”, mas ela tem um alcance bem maior, não só puramente alimentar, mas também político. A política de sanções é para continuar e Vladimir Putin não pretende fazer figura de fraco, mesmo que para isso tenham de ser os cidadãos russos a pagar a factura.

P.S. As autoridades russas já se deram conta que foram longe demais nas sanções contra os produtos alimentares europeus e norte-americanos e decidiram fazer marcha atrás, visto que há produtos proibidos que a Rússia não produz e são essenciais. Entre eles estão o leite e produtos lácteos sem lactose, sementes de batata e de grão.

Putin com dois pesos e duas medidas

por A-24, em 08.08.14
Da Russia

Fora da Rússia, os russos têm direito a tudo, mas, no seu próprio país, têm direito a cada vez menos, principalmente no que diz respeito a direitos políticos.
Bastou que um grupo de pessoas tenha pedido autorização das autoridades para uma manifestação a favor de maior autonomia, sublinho, nada de independência, mas apenas autonomia, da Sibéria, para que o Kremlin lançasse um forte ataque com vista a silenciar essa iniciativa.
Os organizadores da manifestação, a realizar a 17 de Agosto em Novossibirsk, a principal cidade da Sibéria, pediram autorização para uma reunião de até 350 pessoas a fim de, segundo se lê num comunicado dos organizadores, “realizar o seu direito constitucional aos próprios órgãos do poder, mais independentes do centro, e pôr fim à situação idiota quando todas as decisões são tomadas pelo governo em Moscovo, onde não temos representantes”.
Todavia, os organizadores do evento sublinham defender a “criação de uma República Siberiana Autónoma no seio da Federação da Rússia”.
Porém, a Procuradoria-geral da Rússia ordenou o bloqueamento nas redes sociais de qualquer informação sobre essa iniciativa, ordem que foi cumprida de imediato pelo Facebook e Vkontakte.
Além disso, o Comité de Controlo das Comunicações da Rússia “recomendou” a 14 órgãos de informação do país a não publicitarem “actos ilegais”, Na véspera, o jornal electrónico Slon.ru retirou da sua página uma entrevista com Artiom Loskutin, pintor de Novossibirsk e um dos organizadores da marcha.
Segundo a nova lei recentemente assinada pelo Presidente Putin, os “apelos ao separatismo” são castigados com penas que vão de trabalho obrigatório até 480 horas de trabalho ou até seis anos de prisão.
Porém, os separatistas pró-russos na Crimeia e no leste da Ucrânia mereceram e merecem todo o apoio do Kemlin.
Ao ocupar a Crimeia e ingerir-se abertamente no leste da Ucrânia, Putin abriu uma caixa de Pandora extremamente perigosa para a Rússia.
“Disse várias vezes que a guerra com a Ucrânia conduzirá a tendências centrífugas e ao aumento do separatismo na Rússia. O bumerangue volta sempre”, previne Boris Nemtsov, um dos líderes da oposição russa.

Uma clara política de dois pesos e duas medidas que põe e causa a integridade territorial do país. Caso a Rússia enfraqueça política, económica e militarmente, o Kremlin deve ter presente que o país tem litígios territoriais com praticamente todos os vizinhos.

Portugueses na luta pela Crimeia

por A-24, em 12.06.14



Via Da Russia


Gomes Freire de Andrade
Nos últimos meses, muito se tem falado da Crimeia, península da Ucrânia que foi recentemente anexada à força pela Rússia. Moscovo baseou os seus direitos no facto de ter conquistado esse território à Turquia há mais de 200 anos e ele ter sido ilegalmente entre à Ucrânia pelo líder comunista Nikita Khruschov em 1954.
É verdade que o Império Russo sacrificou milhares de homens para conquistar a Crimeia e a parte meridional da Ucrânia, pois permitiu-lhe ganhar posições nas costas do Mar Negro.
Como era costume nessa altura, nas campanhas contra os turcos participavam militares estrangeiros, principalmente oficiais de alta competência. Por exemplo, nas campanhas realizadas entre 1788 e 1791, participaram dois ilustres militares portugueses que se cobriram de glória: Gomes Freire de Andrade e Manuel Inácio Pamplona Côrte-Real.
Sob o comando do Marechal de Campo e Príncipe Potemkin, o sargento-mor Gomes Freire de Andrade distinguiu-se nas batalhas nas planícies do Danúbio, na Crimeia e no cerco de Otchakov, no sul da Ucrânia. Pela sua valorosa atuação, Catarina II, imperatriz da Rússia, promoveu-o a tenente-coronel em 1790 e a coronel do Regime de Minas em 1791, concedendo-lhe ainda a Ordem de S. Jorge e uma espada de honra.
A 28 de abril de 1789, Francisco José de Horta Machado, embaixador de Portugal em São Petersburgo, escrevia para a corte portuguesa: “Gomes Freire de Andrade entrou no número dos que receberam a Ordem Militar de S. Jorge das mãos da imperatriz. Com que trará de aqui por diante no seu vestido um sinal de ter sido bravo... Quando agradeci ao Marechal Príncipe Potemkin a boa conta que devia ter dado do meu compatriota, e que lhe tinha conseguido esta distinção, respondeu-me: Monsieur Freire serviu perfeitamente bem”.
A 24 de setembro do ano seguinte, o militar português volta a ser premiado pela sua bravura em combate. Francisco Xavier de Noronha Torresão, encarregado da correspondência da Legação de Portugal em S. Petersburgo, comunicava para Lisboa: “O Comendador Gomes Freire de Andrade recebeu ontem uma espada de ouro, com a inscrição: “Pelo Seu Valor”, que Sua Majestade Imperial lhe mandou dar pelo Príncipe de Nassau. Faz gosto ouvir os elogios que não só os chefes, mas os seus companheiros, fazem da bravura, do zelo e da atividade do Comendador Gomes Freire Andrade”.


Manuel Inácio Martins Pamplona Côrte-Real 
Manuel Inácio Martins Pamplona Côrte-Real entrou ao serviço da Rússia em agosto de 1784, sendo nomeado tenente do Batalhão de Granadeiros de Kiev. Em abril de 1790, quando já tinha sido promovido a primeiro major, foi enviado para a Flotilha a Remos do Negro, onde participou nos combates contra os turcos, nomeadamente em operações nas margens do Danúbio e na conquista de Ismail, que os turcos tinham transformado numa fortaleza inexpugnável.
“Ele comportou-se como um oficial bravo, valoroso, inteligente e laborioso”, escreveu o general Iossip Ribas na certidão passada ao oficial português.
Outro conhecido general russo, Alexandre Suvorov, destacou também a bravura do primeiro major Pamplona na tomada de Ismail, tendo sido por isso condecorado com a Ordem de São Vladimir (4º grau com fita).

Mais tarde, este militar português foi agraciado com o título de conde de Subserra e foi ministro de D. João VI.