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A-24

Tomada de decisão

por A-24, em 07.10.14


Golo de Messi no PSG 3 Barça 2

Basta muitas vezes um jogador ser rápido, forte e/ou tecnicamente evoluído para nos despertar o nosso fascínio. Porque x corre como ninguém e ultrapassa qualquer adversário em velocidade; porque y ganha as bolas com a sua presença e poderio físicos, um terror para os defesas contrários; porque z faz fintas num espaço de dois centímetros quadrados e não há quem lhe roube a redondinha. Contudo, tais atributos (importantes, naturalmente), a não ser que combinados com uma boa capacidade de tomada de decisão, acabam por se revelar manifestamente insuficientes no futebol (especialmente o profissional, mais ainda a alto nível).
Um exemplo gritante foi o de Hulk, que quando chegou ao FC Porto revelava exasperantes lacunas ao nível da tomada de decisão e, após trabalhar com o Prof. Jesualdo, tornou-se o jogador mais determinante dos dragões dos últimos anos, pois não só mantivera a velocidade, força e técnica que o caracterizavam e lhe vaticinavam grande potencial, como adquirira uma inteligência ao nível do que fazer com a bola; uma diferença abismal relativamente à altura da sua chegada.
Porém, tal problema não está presente apenas nos escalões profissionais e, como é de pequenino que se torce o pepino, o erro começa logo nos escalões de formação. Aí dá-se inúmeras vezes preferência aos mais “fortes” em detrimento dos mais “cerebrais”, no entanto, uma vez chegados ao escalão sénior, os atributos físicos que os distinguiam dos demais da sua idade deixam de fazer tanta diferença e a maioria dos supostos atletas “fortes” acabam por não fazer carreira significativa. A exemplo disso, basta atentar em muitos dos jogadores que passaram pelos escalões de formação da Selecção e lá fizeram furor, chegando depois ao futebol sénior para nada fazerem.
Quaresma é talvez um dos melhores exemplos do futebol actual. Em dez tentativas, acerta uma ou duas; e acerta-as não em função de uma boa tomada de decisão, mas devido à sua qualidade técnica. Claro que tendemos a ficar fascinados quando realmente faz algo e tem a oportunidade de nos maravilhar com os seus pés de Harry Potter, todavia, esse par (se tanto) de ocasiões em que toma decisões acertadas não compensam, nem pouco mais ou menos, todos os outros momentos em que pode ter prejudicado a equipa — para além de não respeitar os colegas, nomeadamente o lateral que joga na sua banda. Tal facto foi por demais evidente na segunda mão dos quartos-de-final da Liga Europa em Sevilha, na época passada: o Mustang marcou perto do final um grande golo, mas antes disso já havia frustrado dezenas de jogadas em iniciativas (quase sempre individuais) sem qualquer sentido.
Ressalve-se um dado crucial: uma decisão correcta não é necessariamente uma decisão que resulta em golo, mas sim uma que aumentará as hipóteses de a equipa se dar um passo mais na direcção do sucesso e, quiçá igualmente importante relevar, que evita que a equipa dê um passo atrás nesse caminho. Exemplo de tomada de decisão perfeita é o golo de Messi contra o PSG na segunda jornada da Liga dos Campeões. Visão de Mercado

Gastos salariais na Liga Espanhola (2014/2015)

por A-24, em 22.09.14

Quem é Jorge Mendes?

por A-24, em 14.09.14
The Guardian

Jorge Mendes: the football agent who just won transfer deadline day
He made a fortune by bringing Angel Di Maria to Man Utd andDiego Costa to Chelsea. So the most powerful man in football must be super talented, right?


Name: Jorge Mendes.

Age: 48.

Appearance: Portuguese nightclub owner, which is exactly what he used to be.

How fascinating. What is he now? The most powerful man in football, it could be argued. Probably by him.

Why? Because he is unquestionably the world's top football agent, and he has just had another stonking transfer window.

I arguably don't know what that means. Players can only move between football clubs during two periods of the year – a short one in midseason, and a long one in the summer. This is the time when football agents make most of their money, and Mendes has just brokered four of the seven biggest deals worldwide.

Crikey. Crikey indeed. Between them, James Rodriguez, Angel Di Maria, Diego Costa and Eliaquim Mangala were sold for £195m, with Mendes taking a cut of each.

He must be a very talented man. What do we know about him?Very little. He was born in Lisbon, wanted to be a footballer himself but didn't make it, met the goalkeeper Nuno in a bar, ended up negotiating Nuno's transfer to Deportivo La Coruña, and somewhere along the line learned to speak English, French, Italian and Spanish. Gradually, his company Gestifute built up contacts around the world and a client base that includes many of the best Portuguese and South American players and managers.

Right. So the moral of the story is: forget your talent, just hang around in bars as much as possible. I'm not sure that is the moral. Indeed the rival football agency Formation alleges that a certain amount of skulduggery was involved.

I see. Manchester United fans would certainly call Mendes talented, however, and some other things. Not only did he sell them the great Ronaldo for £12m, he also convinced the club to pay around £42m for the much less great Nani, Anderson and Bébé.

So some of his clients are rubbish too? Oh yes. If you look at Gestifute's weirdly cheap and dreadful website, you'll find the likes of Pizzi and Cícero mixing it with Ronaldo and Falcao. They also get short biographies that sound like introductions from a drunk Alan Partridge.

Got any examples? Oh yes …

Don't say: (About Diego Costa) "The ball is an allied, thus he fondles it, treats it well and never otherwise."

Definitely don't say: (About Custódio) "Ants are small but tireless in their work; they are not noticed much, are not exuberant, but are terribly practical and effective. Custódio is not an ant, but the work he gets through on the pitch can be likened to these small social insects."

O que é que a Alemanha tem?

por A-24, em 11.09.14
Miguel Sousa Tavares

Não é só no futebol que no fim ganham os alemães. É no futebol, no atletismo, no automobilismo, no andebol, na equitação, no ski. É no desporto, na música, na literatura, na arquitectura, na construção de carros, de electrodomésticos, de máquinas industriais, etc, etc. Podemos gostar ou não, podemos até desdenhar, mas a verdade é esta: no fim, ganham os alemães. E ganham, porquê? Porque trabalham mais, porque se focam nos objectivos, porque valorizam os resultados. Se alguém quiser entender por que razão a Alemanha está farta dos países do sul da Europa, ponha-se na pele de um alemão. E compare a selecção alemã, campeã do mundo, com, por exemplo, a portuguesa.



A selecção alemã que foi ao Brasil não tinha vedetas nem pequenas, nem médias, nem grandes. Não se davam ares de vedetas, nem fora nem dentro do campo. Umas vezes, esmagaram e fascinaram com o seu futebol de carrossel demolidor, outras vezes - como na final - correram, lutaram, sofreram, sangraram e, no fim, ganharam. Nenhum jogador quis dar nas vistas por outra razão que não fosse jogar futebol. Ali não havia ninguém com tatuagens, com penteados ridículos, com figurinos tipo Raúl Meireles, com brincos nas orelhas, com pose de deuses inacessíveis de auscultadores enfiados nos ouvidos, fingindo-se alheios a tudo o que os rodeava, como se fossem superiores à gente comum. Não, os alemães passaram pelo Brasil confraternizando, querendo ver e saber, curiosos e contentes por ali estarem - tão diferentes dos nossos heróis do mar, fechados para o mundo em hotéis-fortaleza, onde só entravam cabeleireiros, tatuadores e agentes. Os alemães não passaram as conferências de imprensa a debitar lugares comuns e frases feitas sem conteúdo, próprias de quem jamais foi visto com um livro, uma revista ou um jornal na mão e passa os tempos livres a debitar selfies e banalidades nas redes sociais, imaginando-se o contra do mundo. Os alemães mandaram ao Brasil uma verdadeira embaixada, para servir o futebol e honrar o seu país, enquanto nós mandámos um grupo de homens mimados e convencidos, comandados por dirigentes que não lhes souberam exigir que estivessem, em todos os aspectos, à altura da responsabilidade. Mas, como em tudo o resto que fazem, os alemães também mandaram um grupo de jogadores que se portaram como verdadeiros profissionais, que trabalharam e treinaram no duro, enquanto que nós mandámos uma excursão de rapazes que se convenceram que os penteados e as tatuagens, por si só, conseguem ganhar jogos ou então ficar na fotografia que parece bastar-lhes. Não é por acaso que o campeonato alemão tem estádios cheios e que o público dá por bem empregue o seu tempo e o seu dinheiro, enquanto que o principal do nosso campeonato é jogado em estádios vazios e vivido sobretudo nos programas televisivos dos dias seguintes, a discutir se foi bola na mão ou mão na bola ou se a entrada de uma equipa em campo 2 minutos e 45 segundos depois da hora marcada condicionou ou não decisivamente o resultado de outro jogo. Nós discutimos, eles jogam. Nós tatuamos, eles treinam. Nós penteamos, eles correm. Nós somos recebidos e pré-condecorados pelo Presidente antes de começar, eles são apoiados na bancada pela chanceler quando chegam à final. Nós somos heróis antes de partir, eles são vencedores depois de ganharem. Não é por acaso que, desde que me lembro e tanto quanto me lembro, só dois jogadores portugueses (Paulo Sousa e Petit) jogaram no campeonato alemão e só um jogador alemão jogou no campeonato português (Enke).
Não perguntem o que é que os alemães têm. É toda uma sociedade fundada no trabalho, no mérito, na responsabilidade, nos resultados. Goste-se ou não, isto não tem nada a ver com o fado. É outra cultura, é outra coisa.

Obviamente, demitam-no! Miguel Sousa Tavares

por A-24, em 09.09.14



Mundial: Alemanha tetra-campeã do Mundo

por A-24, em 13.07.14

Visão de Mercado


A Alemanha conquistou a 20ª edição do Campeonato do Mundo, a 1ª de um país europeu em solo americano (acabou a maldição). Mario Götze marcou o golo decisivo do encontro, no prolongamento, após jogava individual de Schurrle e terminou com o sonho dos argentinos. Esta geração da Alemanha já merecia este triunfo, e pelo campeonato realizado até foi justo que sejam coroados vencedores, contudo, ao contrário do que muitos previam, a "Mannschaft" não foi superior e até benefíciou do desperdício da Argentina (que apesar de não ter tido muito volume ofensivo, teve mais oportunidades de golo). Götze acabou por oferecer o 4º título Mundial à Alemanha (o 1º troféu no século XXI), numa final mais táctica do que espectacular. A nível individual, os candidatos alemães à Bola de Ouro, Muller e Kroos, estiveram muito aquém, enquanto do lado argentino, Mascherano merecia muito mais. Messi também só apareceu na primeira parte e não conseguiu resolver na final, continuando na sombra de Maradona. 

O primeiro aviso nesta final surgiu por Messi, numa grande arrancada (Hummels ficou para trás), mas o craque argentino não encontrou nenhum companheiro em boa posição na área. Os sul-americanos entraram melhor no jogo e, aos 21 minutos, Higuain desperdiçou a melhor ocasião de toda a partida. Kroos fez um mau atraso, contudo, o avançado argentino rematou ao lado, quando se encontrava isolado. Dez minutos depois, o mesmo Higuain acertou com a baliza, após cruzamento de Lavezzi, mas estava em posição irregular. Até ao intervalo, destaque para mais uma jogada perigosa de Messi (Neuer defendeu e Boateng aliviou) e para um cabeceamento de Howedes ao poste. A segunda parte começou com o desperdício de Messi. O capitão argentino, em boa posição para marcar, rematou perto do poste de Neuer. A Alemanha conseguiu criar mais jogadas de perigo neste segundo tempo, mas Romero e a defesa argentina anularam sempre esse perigo. Do outro lado, foi novamente Messi a rematar com perigo (ao lado). No início do prolongamento, Schurrle colocou os reflexos de Romero à prova, enquanto Palacio falhou o 0-1 de forma escandalosa frente a Neuer (excelente passe de Rojo). Aos 113 minutos surgiu o lance mais importante do encontro. Schurrle avançou pelo lado esquerdo do ataque e cruzou milimetricamente para Götze. O pequeno alemão dominou de peito e rematou certeiro com o pé esquerdo, para o único golo da partida.

Messi - Ainda não foi desta que saiu da "sombra de Maradona", e verdade seja dita que pouco fez por isso. Hoje, fez uma 1ª parte de bom nível, mas, e apesar de no momento com bola continuar a ser de longe o jogador mais perigoso do Mundo, foi perdendo preponderância com o decorrer da partida e, à semelhança do que aconteceu no resto da competição, esteve longe de "carregar a equipa às costas" como se esperava.

"Portugueses" - Marcos Rojo (Sporting) e Enzo Pérez (Benfica) foram titulares na final do Maracanã, colocando pela 1ª vez o nome de clubes portugueses nesta fase da prova. O lateral-esquerdo esteve em bom nível na defesa e ainda assistiu Palacio para um falhanço incrível do argentino, enquanto Enzo, mais discreto que na meia final, contribuiu para a boa primeira parte da Albiceleste. 

Argentina - Uma final com muitos "SE'S". Se Higuaín tem feito o 1-0 (não se pode falhar um lance destes), se Palacio não tem voltado a desperdiçar no prolongamento (tinha feito o mesmo com a Holanda), se Aguero não estivesse apenas a 60%, se Di Maria (um dos 3 jogadores mais importantes) tem jogado, se a equipa tivesse mais frescura física (no prolongamento notou-se a diferença no tempo de descanso), se isto ou aquilo. Mas para a história vai ficar mais uma derrota da Albiceleste numa final frente à Alemanha. A equipa esteve tacticamente perfeita, não concedeu muitas oportunidades aos germânicos e soube explorar as transições rápidas (obrigaram a Alemanha a muitos passes errados no meio campo), mas foi ineficaz na hora do remate. Mascherano fez uma super-exibição, com inúmeras recuperações de bola e desarmes perfeitos (tacticamente irrepreensível), Garayesteve assertivo no eixo da defesa, Biglia foi importante no meio campo, enquantoHiguain falhou quando a equipa mais precisou (desperdiçou um golo de forma incrível).Sabella voltou a errar nas substituições, precipitando-se nas saídas de Lavezzi (ao intervalo) e de Enzo Pérez (Biglia já estava em dificuldades). 

Alemanha - Esta geração do futebol alemão já merecia a conquista de um título. Depois do falhanço em 2006 (apesar do excelente futebol), 2008 e 2010 (perante a Espanha) e de 2012 (frente a super-Mario Balotelli), os germânicos quebraram finalmente a malapata (chegavam sempre longe, mas falhavam nos momentos decisivos). A Alemanha chegou à 4ª conquista Mundial (igualou a Itália) e ao 1º troféu desde o Euro 1996, apoiado pelo bom futebol ao longo da competição. Apesar da final ter corrido de feição à "Mannschaft" (muito desperdício argentino), pode-se considerar justa esta conquista. Schweinsteiger foi enorme no meio campo, nunca virou a cara à luta (muito massacrado) e esteve sempre pronto a receber a bola (criou muitas linhas de passe), Neuer voltou a ser gigante na baliza, Lahm ofereceu grande profundidade no flanco direito, enquanto Schurrle(preponderante) e Götze (decisivo) entraram bem na partida. Kroos esteve mal, com várias decisões erradas e menos forte no passe, Ozil esteve muito apagado e Hummelsteve algumas dificuldades na defesa (Boateng até esteve melhor).

Mundial: Holanda prolonga depressão brasileira

por A-24, em 12.07.14
Público - Não foi a humilhação do jogo anterior, mas o que se pretendia que fosse uma pequena rendenção da selecção do Brasil perante o seu público também acabou em derrota. Neste sábado, em Brasilília, a Holanda garantiu o terceiro lugar do Mundial 2014, ao derrotar a formação orientada por Luiz Felipe Scolari por 3-0.

Depois do desastre do jogo com a Alemanha, que terminou num desaire por impensáveis 7-1, Scolari mexeu muito na equipa, tirando, entre outros, o muito contestado Fred, fazendo entrar Jô para o lugar de ponta-de-lança, para além de poder voltar a contar com o capitão Thiago Silva, castigado no jogo anterior.

Mas foi a Holanda a entrar a toda a velocidade e os primeiros minutos de jogo sugeriram que se podia chegar a nova humilhação brasileira. Logo ao segundo minuto, Arjen Robben é derrubado à entrada da área por Thiago Silva e árbitro argelino Djamel Haimoudi tem um duplo erro de julgamento. Assinala penálti apesar da falta ter sido feita fora da área e mostra amarelo ao central brasileiro quando este devia ter sido expulso.
Quem não falhou foi Robin van Persie que, um minuto depois, colocou a equipa de Van Gaal na frente do marcador, fechando esta sua participação no Mundial com quatro golos.
Aos 17', mais um erro da equipa de arbitragem faz com que a Holanda faça o segundo. Guzmán está ligeiramente fora-de-jogo quando recebe a bola, mas a jogada continua, com o holandês a meter a bola na área. David Luiz faz um corte defeituoso e a bola vai parar a Daley Blind, que faz sem dificuldade o 2-0 para a Holanda.
O jogo que indiciava muitos golos acabou por ter apenas mais um, de novo para a Holanda, por Wijnaldum já em tempo de compensação. E Van Gaal ainda teve margem de manobra e tempo para utilizar Michael Vorm, terceiro guarda-redes da "laranja".
A Holanda, finalista vencida há quatro anos, fica em terceiro do Mundial pela primeira vez, enquanto o Brasil repete o quarto posto alcançado em 1974, melhorando a sua prestação no Mundial da África do Sul em 2010, em que foi eliminado pelos holandeses nos quartos-de-final.

Visão de Mercado

O Brasil acabou o seu Mundial na 4ª posição, depois de duas humilhações em menos de uma semana. Depois da Alemanha, seguiu-se outra selecção europeia a mostrar organização e qualidade perante a apatia e desorganização táctica brasileira. Louis Van Gaal termina assim a sua ligação à "Laranja Mecânica" de forma brilhante, com um 3º lugar (depois das 3 finais perdidas, este é o melhor resultado da Holanda) e 0 derrotas na competição (5 vitórias e 2 empates). O Brasil esteve melhor que na partida anterior, algo que não evitou nova humilhação e mais 2 recordes negativos: organizador de um Mundial com mais golos sofridos (14) e mais golos sofridos pela "Canarinha" num Mundial (o recorde era de 11, em 1938). David Luiz voltou a ficar mal na fotografia, enquanto Robben e Kuyt estiveram em destaque pelos holandeses. Já o árbitro, foi o protagonista do encontro.

A partida voltou a começar mal para o Brasil, com Thiago Silva a derrubar Robben à entrada da área (mesmo no limite). O árbitro considerou grande penalidade, mas incrivelmente deixou o vermelho no bolso. Van Persie converteu a grande penalidade e colocou a Holanda na frente. Pouco tempo depois, David Luiz alivia um cruzamento para a marca de grande penalidade, onde aparece Blind para fazer o 0-2 (1º golo do esquerdino pela "Laranja Mecânica"). O Brasil tentou reagir e forçou, mas para além de dois lances de bola parada, nunca conseguiu incomodar verdadeiramente Cillessen. No segundo tempo, Ramires ficou perto do 1-2, nunca remate perto do poste, mas a Holanda tinha o jogo controlado. Ainda surgiram alguns contra-ataques perigosos por parte dos holandeses, e foi numa jogada rápida que Wijnaldum fez o 0-3. Robben desmarcou Janmaat que cruzou para o remate certeiro do médio centro.

Holanda - O 3.º lugar sabe a pouco e está longe de ser o que os holandeses pretendiam. Mas observando esta selecção, e como tínhamos indicado nos prognósticos (nem acreditávamos que passassem a fase de grupos), acabar a competição sem sofrer derrotas durante os 90 minutos é extraordinário (já na qualificação tinham esmagado a concorrência). E o mérito é todo de Van Gaal, que pegou numa formação que, apesar de ter uma individualidade muito acima da média (Robben) está longe de ser uma potência, e por pouco não chegou ao sonho. O futuro treinador do Man Utd juntou à organização e mestria táctica, uma capacidade fora do normal de potenciar elementos que neste contexto conseguiram quase ultrapassar-se e realizaram um grande Mundial. Kuyt, ex-avançado centro, foi um dos melhores laterais do Mundial; Vlaar e Stefan de Vrij exibiram-se como poucos centrais nesta competição, Blind foi eficaz em todas as posições, e no geral praticamente todos os elementos cumpriram e deram mais do que provavelmente sabem. Quanto ao jogo com o Brasil, acabou por correr de feição à "Laranja Mecânica". Aos 17' já vencia por 2-0 e depois bastou ter alguma organização defensiva para controlar este Brasil, e basicamente acabou por ser um espelho do que foi a Holanda neste Mundial: organização e um super-Robben na frente. O extremo do Bayern (incrível a quantidade de faltas que sofreu) voltou a realizar uma grande exibição, esteve no lance do 1-0 que decidiu o jogo, fartou-se de correr (parece sempre que vai em 3ª e os adversários em 1º), desequilibrou e é claramente um dos grandes nomes do Brasil 2014.

A vitória da Argentina na imprensa sul-americana

por A-24, em 10.07.14














Argentina afastou a Holanda nas grandes penalidades e estará na final do Maracanã.

por A-24, em 10.07.14
Como se não bastasse terem falhado a presença na final do Mundial que organizaram, os brasileiros ainda vão ter de conviver com o facto de os vizinhos e rivais argentinos, eles sim, irem disputar o jogo de domingo, no Maracanã. A Argentina desafiará a Alemanha após ter ultrapassado a Holanda, num encontro que teve de ser desempatado através de grandes penalidades. Aí, Louis van Gaal não pôde contar com Tim Krul, o guarda-redes que saltou do banco de suplentes frente à Costa Rica, com o único objectivo de travar os penáltis. Jasper Cillessen, em quem o técnico tinha depositado toda a confiança na véspera, não defendeu qualquer remate dos argentinos e a Holanda voltou a saborear a frustração num Mundial. A Argentina mantém vivo o sonho de obter um terceiro título de campeã mundial, mas a Alemanha já mostrou que não facilita perante ninguém.

Depois da epopeia de futebol e loucura que foi a meia-final entre Brasil e Alemanha, o adversário da Mannschaft na final do Maracanã emergiu de um jogo que serviu para devolver a tranquilidade aos corações ainda agitados da véspera. Holanda e Argentina tiraram duas horas de vida ao planeta sem darem nada em troca: o tempo regulamentar e o prolongamento foram um deserto de golos, jogadas emocionantes ou defesas espectaculares. Estiveram em campo duas equipas burocráticas, sem pingo de ousadia. Nos penáltis, sem o milagreiro Tim Krul, a Holanda fraquejou. Se o corpulento Krul tinha conseguido fazer bullying com os costa-riquenhos, o delgado Cillessen não teve argumentos para os argentinos. O derradeiro penálti, de Maxi Rodríguez, teve requintes de maldade: o guarda-redes adivinhou a direcção do remate, tocou na bola, mas esta ia com tanta força que não conseguiu segurá-la.

Tendo assistido ao desastre do Brasil, em Belo Horizonte, as duas equipas entraram em campo determinadas a não sofrerem um vexame semelhante. Donde resultou que durante largos períodos de tempo assistiu-se no Itaquerão a algo parecido com um “jogo do sisudo”: argentinos e holandeses olhavam-se fixamente nos olhos, à espera de um sinal de fraqueza do adversário do qual pudessem tirar partido. Uma postura naturalmente calculista, tendo em conta que estava em causa um lugar na final do Campeonato do Mundo. E que ficou reflectida no posicionamento das duas equipas em campo, nomeadamente na solidão dos seus avançados. Com as equipas mais concentradas em salvaguardar a própria baliza, tanto Higuaín como Van Persie nunca tiveram apoio suficiente. No fim do tempo regulamentar o número de remates enquadrados com a baliza era escandaloso, tendo em conta os nomes presentes em campo: zero para a Holanda e dois para a Argentina. Um livre de Messi que Cillessen defendeu (15’) e um corte providencial de Mascherano, quando Robben surgia em excelente posição (90’+1’) foi o melhor que se viu.


O prolongamento nada trouxe de novo: o calculismo atingia níveis ainda mais extremos, com o pensamento de ambas as equipas centrado nas grandes penalidades. Ainda assim, era a Argentina a equipa que parecia disposta a arriscar mais. E só não evitou os penáltis porque Palacio, isolado, cabeceou de forma frouxa para as mãos do guarda-redes holandês (115’).

Van Gaal tinha um grande problema para as grandes penalidades, porque já tendo usado as três substituições não podia colocar Krul em campo. Cillessen tentou o seu melhor, mas para os argentinos era como se não estivesse ninguém na baliza: Messi, Garay, “Kun” Agüero e Maxi Rodríguez converteram com sucesso os respectivos penáltis. Já Romero, guardião pouco seguro e alvo de críticas, brilhou ao travar os remates de Vlaar e Sneijder. Trinta e seis anos depois de terem levado a melhor sobre a Holanda, na final do Mundial 1978, os argentinos voltaram a cantar vitória.

Visão de Mercado

A Argentina assegurou presença na final do Brasil 2014, depois de derrotar a Holanda nas grandes penalidades. Romero foi o herói da Albiceleste e ofereceu a 5ª final ao país de Maradona. Durante os 120 minutos, assistiu-se a uma partida bastante táctica, sem muitos rasgos dos artistas e com ligeira superioridade da Argentina. Ambos os conjuntos tiveram medo de perder, não se repetindo assim o vendaval da noite anterior (este jogo também ficou na história, pelo 1º nulo numa meia final). A Holanda perde assim nova oportunidade de chegar à final, sendo certo que a geração de Robben não vai fazer melhor que as gerações de Cruijff, Van Basten ou Bergkamp (nem com Van Gaal a Holanda conseguiu vencer um Mundial). Kuyt (muito bom tacticamente) e Vlaar (limpou tudo) estiveram em destaque na Laranja Mecânica, enquanto Mascherano encheu o campo do lado argentino (homem do jogo, a par de Romero). Messi fez um jogo pobre, mas está mais perto do sonho, numa Argentina muito forte a defender e com qualidade táctica (ainda não sofreram golos na fase a eliminar e concederam poucas oportunidades para tal). No domingo, teremos um Alemanha-Argentina, pela 3ª vez na história das finais do Campeonato do Mundo.

Durante a primeira parte não houve qualquer oportunidade clara de golo, com a bola a circular mais sobre o meio campo e longe das balizas. Messi ainda testou Cillessen de livre, mas o guarda-redes holandês mostrou-se atento. Na segunda parte, mais do mesmo, num duelo bastante táctico. A melhor oportunidade para os sul-americanos surgiu a 15 minutos do fim, com um remate de Higuain às malhas laterais, enquanto a Holanda, mesmo em cima dos 90 minutos, perdeu a oportunidade de chegar à vitória. Robben permitiu o corte de Mascherano, no único lance de perigo da "Laranja Mecânica" em todo o jogo. No prolongamento, a Holanda entrou melhor, mas coube a Palácio desperdiçar a melhor ocasião nesta fase (o argentino cabeceou para as mãos de Cillessen, quando estava em posição privilegiada). Nas grandes penalidades, Romero levou a melhor sobre Vlaar e Sneijder, enquanto os argentinos não desperdiçaram qualquer oportunidade.

Holanda - A Geração de Cruijff falhou nos anos 70, as de Van Basten e Bergkamp nos anos 80 e 90, respectivamente (nem à final conseguiram chegar), e pelos vistos ainda não vai ser a de Robben, Sneijder e Van Persie a dar o 1º título Mundial aos holandeses. A Laranja Mecânica esteve perto do sonho, apesar de não ter repetido a final de 2010, mas nem com uma abordagem diferente conseguiu vencer o Mundial. Van Gaal montou uma equipa mais forte tacticamente, que não se expõe tanto defensivamente (que era sempre o problema apontado aos holandeses) e acima de tudo pragmática, mas nem assim. Quanto ao jogo, foi o esperado, a Laranja Mecânica com os seus 5 defesas, em vários momentos do jogo até aplicava um 6-3-1, foi sempre muito coesa, nunca se expôs, tentou como é habitual procurar um erro do adversário, mas defrontou uma Argentina muito compacta que tacticamente também esteve quase perfeita, não dando espaços para as transições.Robben, apesar de ter estado no único lance de perigo, foi anulado. Van Persie não teve jogo e o volume ofensivo dos holandeses foi quase nulo. A nível individual Vlaar fez uma super-exibição, incrível o que evoluiu neste Mundial, fortíssimo nos duelos individuais e até nas dobras, Kuyt voltou a ser um lateral competente, e no processo defensivo estiveram quase todos bem (Blind e de Vrij também cumpriram). O problema foi que do meio campo para a frente ninguém conseguiu fazer a diferença. E o que foi feito não foi suficiente para chegar à final (até podia ter acontecido nos penaltis, mas uma equipa que está 2 jogos consecutivos sem marcar não merecia estar no Maracanã).

Argentina - Não foi brilhante, como ainda não foi neste Mundial, mas já está na final (o que já não acontecia há 24 anos) e de certa maneira com a competência defensiva (3º jogo seguido sem sofrer golos) e táctica que demonstrou (não permitiu às individualidades da Holanda, principalmente Robben, ter espaço), acaba por, para já, calar os críticos (contra a Alemanha o tipo de obstáculo é completamente diferente, mas isso é outra história). É certo que a postura de Sabella contribui para um jogo enfadonho e que podia ter um desfecho diferente na lotaria, mesmo as substituições (tirou Enzo e Higuain, quando eram dos que estavam mais em jogo) foram pouco conseguidas, mas verdade seja dita que a única selecção a ter algum volume ofensivo, e que criou mais oportunidades para a marcar, foi a Albiceleste. A nível individual, houve um claro 8 e 80. O 8 foi Messi (muito longe do jogo, inexplicavelmente a decidir mal em quase todas as situações e até algo tímido, na final vai ter de demonstrar que merece estar no patamar de Maradona) e o 80Mascherano (incrível o que jogou, as bolas que recuperou, as dobras que fez, a maneira como encheu o campo com bola e sem bola, e mesmo a sua capacidade de liderança). Nota ainda para as boas exibições de Biglia (a Argentina melhorou muito desde que o médio da Lazio entrou no 11), Enzo (dos mais dinâmicos da Albiceleste, com várias acções individuais de bom nível), Romero (absolutamente decisivo nos penaltis com duas boas defesas) e de todo o sector defensivo (Demichelis e Garay quase perfeitos, Rojo não deu espaço a Robben, e Zabaleta, principalmente na 1ª parte, foi dos elementos mais em jogo).

Capas dos jornais brasileiros após humilhação histórica

por A-24, em 09.07.14