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A-24

"Vamos discutir as causas da pobreza!"

por A-24, em 02.11.14
Instituto Ludwig Von Mises

Um dos passatempos favoritos de sociólogos e demais intelectuais da área social é discutir justamente um dos assuntos menos controversos de toda a área sociológica: as causas da pobreza.
Por que a discussão é inócua? Simples: porque a pobreza é a condição natural do ser humano. 
Há muito pouco de complicado ou de interessante na pobreza. A pobreza sempre foi a norma; a pobreza sempre foi a condição natural e permanente do homem ao longo da história do mundo. 
As causas da pobreza são bem simples e diretas. Em qualquer lugar em que não haja empreendedorismo, respeito à propriedade privada, segurança jurídica, acumulação de capital e investimento, a pobreza será a condição predominante. Isole um grupo de pessoas em uma ilha, peça para que elas não tenham nenhuma livre iniciativa, proíba a propriedade de bens escassos, e você verá que a pobreza será a condição geral e permanente dessas pessoas.
Em termos gerais, indivíduos em particular ou nações inteiras em geral são pobres por uma ou mais das seguintes razões: (1) eles não podem ou não sabem produzir muitos bens ou serviços que sejam muito apreciados por outros; (2) eles podem e sabem produzir bens ou serviços apreciados por outros, mas são impedidos de fazer isso; ou (3) eles voluntariamente optam por ser pobres.
O que é realmente desafiador é discutir as causas da riqueza; discutir o que realmente eleva as pessoas de sua condição natural (a pobreza) para a opulência e a fartura. 
O verdadeiro mistério é entender por que realmente existe alguma riqueza no mundo. Como é que uma pequena fatia da população humana (em sua maioria no Ocidente), por apenas um curto período da história humana (principalmente nos séculos XIX, XX e XXI), conseguiu escapar do mesmo destino de seus predecessores?

A ascensão

O sistema pré-capitalista de produção era restritivo. Sua base histórica era a conquista militar. Os reis vitoriosos cediam a terra conquistada aos seus paladinos. Esses aristocratas eram lordes no sentido literal da palavra, uma vez que eles não dependiam de satisfazer consumidores; seu êxito não dependia de consumidores consumindo ou se abstendo de consumir seus produtos no mercado.
Por outro lado, eles próprios eram os principais clientes das indústrias de processamento, as quais, sob o sistema de guildas, eram organizadas em um esquema corporativista (as corporações de ofício). Tal esquema se opunha fervorosamente a qualquer tipo de inovação. Ele proibia qualquer variação e divergência dos métodos tradicionais de produção. Era extremamente limitado o número de pessoas para quem havia empregos até mesmo na agricultura ou nas artes e trabalhos manuais. 
Sob essas condições, vários homens, para utilizar as palavras de Malthus, descobriram que "não há vagas para eles no lauto banquete da natureza", e que ela, a natureza, "o ordena a dar o fora".[1] Porém, alguns destes proscritos ainda assim conseguiram sobreviver e ter filhos. Com isso, fizeram com que o número de desamparados crescesse desesperadoramente. 

Mas então surgiu o capitalismo.

A feição característica do capitalismo que o distinguiu dos métodos pré-capitalistas de produção era o seu novo princípio de distribuição e comercialização de mercadorias. Surgiram as fábricas e começou-se a produzir bens baratos para a multidão. Todas as fábricas primitivas foram concebidas para servir às massas, a mesma camada social que trabalhava nas fábricas. 
Elas serviam às massas tanto de forma direta quanto indireta: de forma direta quando lhes supriam produtos diretamente, e de forma indireta quando exportavam seus produtos, o que possibilitava que bens e matérias-primas estrangeiros pudessem ser importados. Este princípio de distribuição e comercialização de mercadorias foi a característica inconfundível do capitalismo primitivo, assim como é do capitalismo moderno.
O capitalismo, em conjunto com a criatividade tecnológica, foi o que livrou o Ocidente do fantasma da armadilha malthusiana. Antes da Revolução Industrial, as populações crescentes pressionavam inexoravelmente os meios de subsistência. Porém, quando as fábricas de Manchester, na Inglaterra, começaram a atrair um volume maciço de pobres que estavam ociosos no meio rural, e quando elas passaram a importar trigo barato, Malthus se tornou um profeta desacreditado em sua própria Grã-Bretanha.
Como acabou ocorrendo, toda a criatividade e inventividade que o capitalismo desencadeou se refletiu nas estatísticas de natalidade: pessoas de classe média que não mais necessitavam gerar famílias grandes para ter filhos que trabalhasse e ajudassem no sustento começaram a limitar a quantidade de filhos.
Essa combinação entre famílias menores e uma aplicação mais engenhosa da ciência à agricultura acabou com o problema da inanição no Ocidente. A partir daí, a pobreza deixou de ser predominante e passou a ficar restrita a um número cada vez menor de pessoas.

Riqueza e pobreza

A diferença entre o Robinson Crusoé pobre e o Robinson Crusoé rico é aparentemente simples, porém essencial: o rico dispõe de bens de capital. E para ter esses bens de capital, ele teve de poupar e investir. 
Bens de capital são fatores de produção — no mundo atual, ferramentas, maquinários, computadores, equipamentos de construção, tratores, escavadeiras, britadeiras, serras elétricas, edificações, fábricas, meios de transporte e de comunicação, minas, fazendas agrícolas, armazéns, escritórios etc. — que auxiliam os seres humanos em suas tarefas e, consequentemente, tornam o trabalho humano mais produtivo.
Os bens de capital do Robinson Crusoé rico (por exemplo, uma rede e uma vara de pescar, construídas com bens que ele demorou, digamos, 5 dias para produzir) foram obtidos porque ele poupou (absteve-se do consumo) e, por meio de seu trabalho, transformou os recursos que ele não havia consumido em bens de capital. Estes bens de capital permitiram ao Robinson Crusoé rico produzir bens de consumo (pescar peixes e colher frutas) e com isso seguir vivendo cada vez melhor.
Já o Robinson Crusoé pobre, por sua vez, não dispõe de bens de capital. Todo o seu trabalho é feito à mão. Consequentemente, ele é menos produtivo e, por produzir menos e ter menos bens à sua disposição, ele é mais pobre e seu padrão de vida é mais baixo.
O Robinson Crusoé rico é mais produtivo. E, por ser mais produtivo, não apenas ele pode descansar mais, como também pode poupar mais, o que irá lhe permitir acumular ainda mais bens de capital e consequentemente aumentar ainda mais a sua produtividade no futuro. 
Já o Robinson Crusoé pobre consome tudo o que produz. Ele não tem outra opção. Como ele não é produtivo, ele não pode se dar ao luxo de descansar e poupar. Essa ausência de poupança compromete suas chances de aumentar seu padrão de vida no futuro.
O mesmo raciocínio pode ser aplicado para se diferenciar uma nação rica de uma nação pobre.
Que diferença há entre EUA e Índia? Será que a população indiana é mais pobre porque trabalha menos? Não. Na Índia, trabalha-se até mais do que nos EUA. Será que um indiano — ou um egípcio ou um mexicano ou um haitiano — possui menos conhecimento tecnológico que um americano ou um suíço? Não, o conhecimento está hoje disperso pelo mundo e tende a ser o mesmo. Com efeito, os técnicos indianos são reconhecidos como uns dos melhores do mundo. Então, por que há pessoas desnutridas e morrendo de inanição em Calcutá mas não em Zurique ou em San Francisco?
A diferença entre uma nação rica e uma nação pobre pode ser explicada exclusivamente por um único fator: a nação rica possui uma quantia muito maior de bens de capital do que uma nação pobre. 
Ao passo que na Índia um agricultor cultiva sua terra com duas vacas e um arado, nos EUA, um agricultor utiliza um trator e um computador. E, com esses bens de capital, ele é múltiplas vezes mais produtivo do que seu congênere indiano. O americano seria o Robinson Crusoé rico, que possui uma rede e uma vara de pescar; o indiano seria o Robinson Crusoé pobre, que utiliza as próprias mãos para colher alimentos.
Quando um indivíduo tem de utilizar apenas o trabalho de suas mãos, e o produto que ele produz é utilizado imediatamente para seu consumo final, ele é pobre. Quando este mesmo indivíduo passa a utilizar bens de capital, como tratores, computadores e vários tipos de máquinas — os quais só puderam ser construídos graças à poupança e ao subsequente investimento de outras pessoas —, ele pode multiplicar acentuadamente sua produtividade e, consequentemente, ser muito mais rico.
Quanto maior a estrutura de produção — isto é, quanto maior o número de etapas intermediárias utilizadas para a produção de um bem —, mais produtivo tende a ser o processo de produção. Por exemplo, se o bem de consumo a ser produzido é o milho, você tem de preparar e cultivar a terra. Você pode fazer tal tarefa com um arado ou com um trator. O trator moderno é um bem de capital cuja produção exige um conjunto de etapas muito mais numeroso, complexo e prolongado do que o número de etapas necessário para a produção de um arado. Consequentemente, para arar a terra, um trator moderno é muito mais produtivo do que um arado. Portanto, o processo de produção do milho será mais produtivo caso você utilize um trator (cuja produção demandou um processo de várias etapas) em vez de um arado (cujo processo de produção é extremamente mais simples).
Isto explica por que um trabalhador nos EUA ganha um salário muito maior do que um trabalhador na Índia executando a mesma função. O primeiro possui à sua disposição bens de capital em maior quantidade e de maior qualidade do que o segundo. Logo, o primeiro produz muito mais do que o segundo em um mesmo período de tempo. Quem produz mais pode ganhar salários maiores.

Essa é a característica que diferencia um país rico de um país pobre.

As causas da riqueza

A única maneira de se favorecer as classes trabalhadoras e os mais pobres, portanto, é dotando-lhes de bens de capital, os quais são produzidos graças à poupança e ao investimento de capitalistas. 
O que é um capitalista? Capitalista é todo indivíduo que poupa (que consome menos do que poderia) e que, ao abrir mão de seu consumo, permite que recursos escassos sejam utilizados para a criação de bens de capital.
Consequentemente, se um determinado país pobre quer enriquecer, ele deve criar um ambiente empreendedorial e institucional que garanta a segurança da poupança e dos investimentos. A primeira medida que ele tem de tomar é criar um ambiente propício ao empreendedorismo e à livre iniciativa.
A única maneira de se sair da pobreza é fomentando a poupança, permitindo o livre investimento da poupança em bens de capital, e estabelecendo um sistema de respeito à propriedade privada que favoreça a criatividade empresarial e a livre iniciativa. O que gera riqueza para um país é poupança, acumulação de capital, divisão do trabalho, capacidade intelectual da população (se a população for inepta, a mão-de-obra terá de ser importada), respeito à propriedade privada, baixa tributação, segurança institucional, segurança jurídica, desregulamentação econômica, moeda forte, ausência de inflação, empreendedorismo da população, leis confiáveis e estáveis, arcabouço jurídico sensato e independente etc.
Em suma, é necessário haver um ambiente que permita que os capitalistas tenham liberdade e segurança para investir e desfrutar os frutos de seus investimentos (o lucro).
Um país que persegue os capitalistas, que tolhe a livre iniciativa, que não assegura a propriedade privada, que tributa os lucros gerados pelos investimentos, e que cria burocracias e regulamentações sobre vários setores do mercado é um país condenado à pobreza. 
Já um país que fomenta a poupança, que respeita a propriedade privada, que fornece segurança jurídica e institucional, e que permite a liberdade empreendedorial e a acumulação de bens de capital é um país que sairá da pobreza e em poucas gerações poderá chegar à vanguarda do desenvolvimento econômico.
A real solução para a pobreza não está em um sistema de redistribuição de renda comandado pelo governo. A solução está no aumento da produção. O padrão de vida de um país é determinado pela abundância de bens e serviços. 
Quanto maior a quantidade de bens e serviços ofertados, e quanto maior a diversidade dessa oferta, maior será o padrão de vida da população. Quanto maior a oferta de alimentos, quanto maior a variedade de restaurantes e de supermercados, de serviços de saúde e de educação, de bens como vestuário, materiais de construção, eletroeletrônicos e livros, de pontos comerciais, de shoppings, de cinemas etc., maior tende a ser a qualidade de vida da população.
E só é possível aumentar essa produção se houver investimentos em bens de capital, em maquinários e ferramentas mais eficientes. O empreendedor da livre iniciativa, que faz investimentos capitalistas, é o verdadeiro herói da guerra à pobreza.

Conclusão

A pobreza é uma indústria e, em uma democracia, é sempre possível lucrar politicamente em cima dela. A exigência de que o governo "tome medidas" para acabar com a pobreza serve apenas para alimentar o crescimento de uma burocracia que suga para si própria grande parte dos frutos da renda nacional. Todo e qualquer ministério, programa ou secretaria criado pelo governo tem, em última instância, o objetivo de reduzir a pobreza.
A promessa de eliminação da pobreza tendo o estado como agente solucionador é apenas um discurso puramente ideológico: não há nenhum mecanismo prático para lograr esse feito, a não ser a utilização daqueles meios que já foram criados pela própria expansão do capitalismo. Ou seja: a ação direta do governo servirá apenas para acrescentar mais um elemento parasitário ao arranjo econômico, aumentando os custos de uma burocracia cada vez mais paralisante, intrusa e contraproducente.
Em uma economia de mercado, acabar com a pobreza é algo quase que inevitável. Bastaria que o governo permitisse a progressiva acumulação de capital por parte dos empreendedores capitalistas. O resultado seria de tal grandeza que até o trabalho mais mal remunerado geraria renda mais do que suficiente para a subsistência.
Mas, infelizmente, esse é um debate que a maioria dos intelectuais, por motivos ideológicos, se recusa a fazer.

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Autores:

Jesús Huerta de Soto, professor de economia da Universidade Rey Juan Carlos, em Madri, é o principal economista austríaco da Espanha. Autor, tradutor, editor e professor, ele também é um dos mais ativos embaixadores do capitalismo libertário ao redor do mundo. Ele é o autor de A Escola Austríaca: Mercado e Criatividade Empresarial, Socialismo, cálculo econômico e função empresarial e da monumental obra Moeda, Crédito Bancário e Ciclos Econômicos.

Walter Williams, professor honorário de economia da George Mason University e autor de sete livros. Suas colunas semanais são publicadas em mais de 140 jornais americanos.

Ludwig von Mises, líder da Escola Austríaca de pensamento econômico, um prodigioso originador na teoria econômica e um autor prolífico. Os escritos e palestras de Mises abarcavam teoria econômica, história, epistemologia, governo e filosofia política. Suas contribuições à teoria econômica incluem elucidações importantes sobre a teoria quantitativa de moeda, a teoria dos ciclos econômicos, a integração da teoria monetária à teoria econômica geral, e uma demonstração de que o socialismo necessariamente é insustentável, pois é incapaz de resolver o problema do cálculo econômico. Mises foi o primeiro estudioso a reconhecer que a economia faz parte de uma ciência maior dentro da ação humana, uma ciência que Mises chamou de "praxeologia".

OCDE: É preciso continuar a reduzir funcionários públicos

por A-24, em 02.11.14
Diário Digital

De acordo o relatório «OECD Economic Survey» hoje divulgado, a Organização considera que Portugal deve “continuar a melhorar a eficiência do setor público continuando a reduzir o número de funcionários públicos”.
Para a OCDE, esta será também uma forma de continuar a reduzir o peso da despesa com salários da administração pública.
Por outro lado, o relatório refere que apesar de o emprego público ter caído cerca de 8% desde 2012, ainda há “excesso de funcionários em áreas específicas, como as forças de segurança e a educação.
“Com mais de 450 polícias por 100 mil habitantes, a polícia portuguesa é a segunda maior força na Europa”, em termos relativos, lê-se no documento.
Já na educação, a OCDE considera que as turmas são “pequenas” e defende por isso que “a qualidade dos professores é mais importante no processo de aprendizagem do que o tamanho das turmas”.

De barco ou comboio, Portugal quer exportar mais

por A-24, em 28.10.14
De barco ou comboio, Portugal quer exportar maisPor cada comboio de mercadorias podiam retirar-se 34 camiões das estradas, diz um administrador do grupo Mota-Engil numa análise sobre as trocas comerciais entre Portugal e Espanha.
Nas cargas de curta distância Portugal tem margem de progressão e pode ainda melhorar, sobretudo nos portos de Leixões (na imagem), Aveiro e de Lisboa / Rui Duarte Silva
As ligações de Portugal ao exterior são eficientes e favorecem a economia exportadora? Apesar da ferrovia apresentar vários estrangulamentos que podem comprometer a competitividade da economia, as vias marítimas funcionam. O balanço é favorável.
Estas são algumas linhas de conclusão do primeiro painel sobre as ligações de Portugal ao exterior das V Jornadas Empresariais da Fundação AEP/ Serralves, que decorrem esta quinta-feira na Fundação de Serralves. Durante a sessão, Luís Marques, administrador do Grupo Rangel, detetou fragilidades dos portos nacionais na receção de navios e no limite à capacidade, mas destacou a centralidade de Sines - que coloca Portugal nas rotas de tráficos internacionais - e a capacidade dos restantes portos como vantagens competitivas de Portugal.
Nas cargas de curta distância Portugal tem margem de progressão e pode ainda melhorar, sobretudo nos portos de Leixões, Aveiro e de Lisboa. O porto de Lisboa sofre de alguns constrangimentos nos seus acessos.
Nas ligações ferroviárias, Miguel Lisboa, administrador da Takargo, do grupo Mota-Engil, identificou constrangimentos vários que retiram atração a este modo de transporte. Em Portugal não se pode falar numa rede ferroviária, mas num conjunto de linhas sem coerência interna. A generalidade das ligações ferroviárias encontram-se saturadas com velocidades médias reduzidas e manutenções deficientes e, no caso da zona sul, a situação ainda é mais grave por não ser possível o transporte de mercadorias.
Miguel Lisboa verifica que a margem de progressão do transporte ferroviário se encontra sobretudo no mercado ibérico e admite que neste espaço geográfico a ferrovia pode retirar tráfego ao transporte rodoviário. Além-Pirinéus torna-se mais difícil ser competitivo. porque como verificou o administrador da Takargo o transporte rodoviário, ao reforçar a capacidade, ganha em preço e reduz o custo logístico.

Dificuldades além-Pirinéus
Avaliando a troca de mercadorias entre Portugal e Espanha, Miguel Lisboa verificou que o transporte ferroviário representa apenas 4% dos 23 milhões de toneladas que circulam entre os dois países e que por cada comboio de mercadorias podiam-se retirar 34 camiões das estradas.
Se a ferrovia ganhasse 10% de quota ao transporte rodoviário duplicaria 12 vezes as 40 mil toneladas por ano de transporte entre Portugal e Espanha. É portanto na ferrovia que se detetam os maiores constrangimentos e é isso que impede a eficiência das empresas usando este meio de transporte.
Além-Pirinéus, é possível, também, a ligação dos corredores portugueses às linhas europeias, mas aí o transporte ferroviário terá grandes dificuldades em impor-se ao transporte rodoviário ou transporte marítimo.
O administrador da Takarga deixou ainda um aviso sobre as concorrências do mercado nacional, dizendo que com um operador público como a CP Carga, que tem 90% do mercado e apresenta resultados operacionais negativos de 110 milhões de euros, é impossível haver um mercado liberalizado, saudável e competitivo.
Estas jornadas abriram com uma aula de geopolítica de 40 minutos do professor Jaime Nogueira Pinto, que identificou os riscos iminentes no mundo atual citando a ameaça do Estado Islâmico e a indefinição da fronteiro russo-ucraniana.
Nos dois casos referiu que os serviços secretos ocidentais revelaram negligência e as elites ocidentais europeias arrogância e pouca proatividade. Segundo Jaime Nogueira Pinto, a linha da NATO na Europa deverá recuar para a fronteira da Polónia e dos estados bálticos em vez de chegar à Rússia, como acontece neste momento.
Jaime Nogueira Pinto finalizou apontando como "deveras importante" o acordo comercial celebrado entre a China e a Rússia para o fornecimento de gás, assinado em março de 2014, e que envolve a construção de um gasoduto no valor 50 mil milhões de dólares, por entender que é um sinal de aproximação política e que pode ter outro significado para além da sua dimensão comercial. Expresso

Revista Fortune desmente mito das «grandes riquezas» do Vaticano

por A-24, em 10.10.14
Via Mais Lusitânia

A revista norte-americana Fortune, especializada em temas económicos, desmentiu o mito das «grandes riquezas» do Vaticano, e informou que se a Santa Sé fosse uma corporação, nem sequer chegaria perto das 500 mais ricas da sua famosa lista Fortune 500.

No seu artigo intitulado «This pope means business» («Este Papa leva a sério»), a Fortune indicou que «frequentemente é assumido que o Vaticano é rico, mas se fosse uma companhia, não chegaria nem perto da lista Fortune 500».
A Fortune assinalou que o orçamento operacional do Vaticano é de apenas 700 milhões de dólares, e «em 2013 registou um pequeno superávit global de 11,5 milhões de dólares».
A revista estadunidense assinalou, além disso, que a maioria dos activos mais valiosos do Vaticano, «alguns dos maiores tesouros de arte do mundo, estão praticamente sem avaliação e não estão à venda».
«A Igreja Católica é altamente descentralizada financeiramente. Em termos de dinheiro, o Vaticano basicamente está por conta. Essa é uma importante razão pela qual as suas finanças são muito mais frágeis e a sua situação económica é muito mais modesta que a sua imagem de luxuosa riqueza».
O Vaticano, indicou a revista económica, não tem acesso ao dinheiro nem das dioceses nem das ordens religiosas.
Explicou que «cada diocese», em termos económicos, «é uma corporação separada, com os seus próprios investimentos e orçamentos, incluindo as arquidioceses metropolitanas».
A Fortune assinalou que as dioceses de todo o mundo «mandam quantidades importantes de dinheiro para o Vaticano todos os anos, mas a maior parte deste dinheiro é destinada ao trabalho missionário ou às doações de caridade do Papa».
O Vaticano, indicou, «paga salários relativamente baixos, mas oferece benefícios generosos de saúde e aposentadoria».
«Os cardeais e bispos das congregações e dos conselhos muitas vezes não recebem mais de 46 mil dólares por ano».
«Os empregados leigos do Vaticano têm emprego vitalício, e praticamente ninguém se aposenta antes da idade», assinalou.

Samsung é a maior empregadora no mundo das tecnologias

por A-24, em 08.10.14
A sul coreana Samsung, em 2013, empregou mais gente que a Apple, a Microsoft e a Google juntas.
Parece que para a Samsung tudo tem de ser em grande. É a marca que mais dispositivos móveis, entre smartphones, tablets e smartwatches, lança anualmente, só este ano já lançou 46 smartphones e 27 tablets, é uma das empresas que mais investe em publicidade e, obviamente, que tudo isto requer capital humano em grande número. Ao todo, só a Samsung Electronics emprega mais de 275 000 pessoas, cinco vezes mais que a Google.
O site Ars Technica revelou, através de uma análise aos relatórios anuais da Samsung, que em 2013 a empresa possuía 275 133 funcionários apenas na Samsung Electronics.

Quando comparada com as outras grandes empresas, nomeadamente a Apple, a Google, Microsoft e Sony, a Samsung empregou mais pessoas durante o período em causa do que a Apple, a Google, Microsoft no seu conjunto. No caso da Sony, que ocupa o segundo lugar deste ranking, tendo elas uma estrutura de negócio bastante próxima, com um leque mais alargado de ofertas, o número de funcionários não atinge nem metade dos números da sul coreana.

Dos 275 133 funcionários da Samsung Electronics, 40 506 são engenheiros de software. Este número por si só já é surpreendente, mas quando comparado com o número de engenheiros de software da Google, torna-se ainda mais, já que a empresa de Mountain View em 2013 contou com 18 593 empregados na área.
Na produção, ou seja, nas diversas fábricas, a empresa emprega cerca de 159 000 pessoas, sendo a Coreia do Sul com a maior fatia de empregados (33,5%), seguida da China com 21% e 20% na Ásia. Nos Estados Unidos, a Samsung Electronics apenas emprega 3,9% de todo este universo.
Mas porque atinge a Samsung um número tão elevado de funcionários face à concorrência?
Na verdade, estamos perante uma das maiores empresas a nível mundial que não se limita a uma só área de actuação. A Samsung não apresenta apenas soluções de software. Apresenta produtos, desde TVs, a câmaras, smartphones e muito mais, com o seu próprio software, daí ser capaz, e ter a necessidade, de deter um número tão elevado de capital humano.

2014 Global Wealth Report

por A-24, em 05.10.14
Israel has been ranked 11th in the 2014 Global Wealth Report, composed by multinational financial services company Allianz. The report, which reviews the average financial assets per capita, in euros, across the world’s 20 leading economies, was released over the weekend.
The Munich-based Allianz is an insurance and asset management giant, servicing over 83 million customers in more than 70 countries. The company’s assets are estimated at $46 billion.

Switzerland topped the Global Wealth Report with net average financial assets per capita amounting to 146,540 euros ($185,873). The United States ranked second, with 119,570 euros ($151,664), and Belgium ranked third with 78,300 euros ($99,316) in net financial assets per capita.
The Netherlands ranked fourth, followed by Japan, Sweden, Taiwan, Canada, Singapore and Britain, which rounded up the top 10.
The report pegged the average financial assets per capita in Israel at 55,840 euros ($70,828), awarding it the 11th place — above Austria (12), Denmark (13), Italy (14) France (15) and Germany, which was ranked 16th.
A ranking of the gross average of financial assets per household pegged Israel at the 16th place out of 20, above Italy, Germany, Austria and Finland.
Here too, Switzerland topped the ranking, followed by the U.S., the Netherlands, Denmark, Sweden, Australia, Canada, Belgium, Singapore and Britain in the top 10.

Bem-vindos a Portugal

por A-24, em 24.09.14
Via Dinheiro Vivo


Sempre que se fala de economias ricas e de (re)industrialização recuo aos anos da escola primária.
No final dos anos 70, apresentavam-nos um país onde a agricultura, a indústria e os serviços tinham, mais coisa menos coisa, o mesmo peso na economia. Ou seja, o setor primário ainda pesava mais de 30% e o setor terciário ainda só pesava cerca de 30%.
Estes dados só tinham, naquela sala de aula, um objetivo: mostrar como Portugal, em comparação com outros países muito mais desenvolvidos, ainda tinha muita gente a trabalhar no campo e nas fábricas e quase ninguém nos serviços, nos bancos ou no comércio.
Por outras palavras, apresentavam-nos, a nós miúdos da escola primária, um triste fado, um país do passado, onde o peso da agricultura e da indústria mais não era do que um sinal de atraso, mas também um desafio, o da terciarização como única via para o desenvolvimento.
Hoje, 30 e tal anos depois, o vaticínio (infelizmente) confirma-se. Em 2010, a população empregada no setor primário já era inferior a 11%, era de mais de 60% no setor terciário e de apenas 27% no setor secundário.
Mas a desindustrialização e a supremacia dos serviços em relação à indústria surgia, há 30 anos, associada a uma evolução da economia portuguesa para níveis de desenvolvimento superiores, uma teoria que, verifica-se agora, não podia estar mais errada.
A crise económica pôs a nu as fragilidades do modelo de crescimento português, aliás, a atual crise económica foi o detonador do debate sobre a necessidade de reindustrializar o país, de devolver à indústria o papel de motor da economia e de gerador de emprego.
A política industrial voltou ao topo da agenda na Europa e agora, também em Portugal, o Governo aparece empenhado em ressuscitar das profundezas a indústria nacional.
Mas falar é fácil. Nos últimos 20 anos, com a adesão de Portugal à moeda única, o peso da indústria no PIB esfumou-se e só na última década perderam-se mais de 100 mil empregos. Uma situação que, no atual contexto, de descapitalização das empresas e de escassez de empresários, só tende a piorar. Esta é a verdadeira reforma que Portugal precisa. E um país não se reindustrializa em meia dúzia de anos.

20 pensamentos diferentes entre a classe média e os ricos

por A-24, em 17.09.14
Por Warren Buffett

Este artigo foi baseado no livro “best seller” americano “HOW RICH PEOPLE THINK”, de Steve Siebold. O autor passou mais de 30 anos pesquisando os hábitos dos ricos e comparando com a forma de pensar da classe média. Ele percebeu que existe um abismo na forma de pensar e na maneira como as classes educam seus filhos.


Abaixo 20 maneiras como a classe média pensa diferente dos ricos:

1- A classe média acha deselegante falar sobre dinheiro, os ricos acham importante falar sobre dinheiro.

2- A classe média foca em economizar, os ricos focam em ganhar.

3- A classe média acredita que educação formal e certificações é o caminho da riqueza, os ricos acreditam que conhecimentos específicos e atitudes é o caminho da riqueza.

4- A classe média gasta mais do que tem para parecer rica, os ricos gastam menos do que tem para continuarem ricos.

5- A classe média acha que começar um negócio é arriscado, os ricos acreditam que ter um emprego é arriscado.

6- A classe média fica esperando que alguém que lhe dê uma oportunidade, os ricos acreditam em criar suas próprias oportunidades.

7- A classe média muda toda hora de objetivo, os ricos possuem objetivos claros com datas definidas.

8- A classe média trabalha por dinheiro, fazem o mínimo possível e odeiam o que fazem, os ricos trabalham por satisfação, dão o seu melhor e se divertem com o que fazem.

9- A classe média acredita que é necessário ter dinheiro para ganhar dinheiro, os ricos acreditam que você pode usar o dinheiro de terceiros para ficar rico.

10- A classe média pensa em maneiras de ficar rica da noite pro dia, os ricos sabem queficar rico é um processo.

11- A classe média acredita que os ricos tiveram sorte ou alguma vantagem que eles não tiveram, os ricos sabem que sua vantagem foi trabalhar duro.

12- A classe média adora ficar na zona de conforto, os ricos buscam conforto na zona de desconforto.

13- A classe média tem medo de arriscar seu dinheiro e jogam para não perder, os ricos tomam riscos calculados e jogam para ganhar.

14- A classe média acredita que os ricos amam dinheiro, os ricos acreditam que a classe média ama muito mais, pois tem medo de arriscar e investir.

15- A classe média acredita que o dinheiro muda as pessoas, os ricos acreditam que o dinheiro só revela quem as pessoas já são.

16- A classe média acredita que dinheiro os deixará feliz, os ricos sabem que dinheiro não traz felicidade, somente dá liberdade de escolhas que favorecem a felicidade.

17- A classe média acha que tem que escolher entre ter uma boa família e ser rico, os ricos sabem que você pode ter os dois.

18- A classe media acha que para ganhar dinheiro você tem que sacrificar sua saúde, os ricos sabem que saúde é uma consequência de seus hábitos, mas que dinheiro pode salvar sua vida.

19- A classe média acredita que dinheiro é a origem de todos os males e que favorece corrupção, os ricos acreditam que a falta de dinheiro é a origem de todos os males e que favorece corrupção.

20- A classe média sonha em ter dinheiro suficiente para se aposentar, os ricos sonham em ter dinheiro o suficiente para mudar o mundo.

O ranking da competitividade e as prioridades para o país

por A-24, em 12.09.14
Via Insurgente


Saiu o relatório do Fórum Económico Mundial sobre a competitividade das economias. Estes relatórios têm que ser analisados sempre com algum cuidado e ponderação, tendo sempre em mente que a melhor medida da competitividade de um país é dada pelo mercado, sob a forma de investimento directo externo e dinâmica da economia.

Dito isto, ficamos a saber que Portugal subiu 15 lugares, o que são boas notícias para o país. Esta é a primeira subida desde 2005 e coloca o país no 36º lugar do ranking Mundial (Portugal está para a competitividade económica como a Arménia para o futebol). Mas o mais interessante é observar as áreas em que Portugal está pior e melhor, porque é aqui que se entendem quais devem, e não devem, ser as prioridades para o futuro. Vejamos primeiro onde estamos melhor:


Portugal tem a infraestrutura (2º em “qualidade das estradas”), os cuidados de saúde (11º em mortalidade infantil) e os níveis de educação necessários (8º em disponibilidade de cientistas e engenheiros e 8º nos níveis de participação no ensino secundário) para ser competitivo. Baixaram também nos últimos anos as barreiras para lançar negócio (5º em número de dias para começar um negócio e 10º em número de processos necessários para iniciar um negócio).

Olhemos agora para onde o país está pior:


A imagem é clara: o que mais prejudica a economia do país é a carga fiscal (131º os efeitos da política fiscal nos incentivos ao trabalho e 129º nos incentivos da carga fiscal ao investimento), o estado das finanças públicas (138º em dívida pública e 107º em défice público), na flexibilidade do mercado de trabalho (113º em legislação de contratação e despedimento e 108º em custos de despedir) e nos custos de cumprir a lei (108º em facilidade de cumprir com legislação e 111º na eficiência da justiça para resolver disputas. Ou seja, para ser competitivo, o país precisa de baixar a carga fiscal sem aumentar o défice (ou seja, precisa de cortar despesa), necessita tornar o mercado laboral mais flexível e melhorar o sistema de justiça. Nada que não se ande a dizer há muito, muito tempo por aqui.

Lição de Economia

por A-24, em 01.08.14
(...) Empregos podem ser um sinal de saúde de uma economia, assim como um alto nível de energia pode ser um indicativo de um corpo saudável. Mas assim como substâncias nocivas podem artificialmente dar ao viciado aquele impulso energético que nada tem a ver com saúde, empregos artificialmente criados e mantidos apenas exacerbam os problemas. 

Você pode dar a alguém um "emprego" de cavar um buraco num dia e tapá-lo no dia seguinte — ou talvez o equivalente a isso, porém executado em uma escrivaninha. Mas isso não trará benefício nenhum a ninguém. Da mesma maneira, seria possível reduzir o desemprego a zero por meio de uma regressão compulsória na tecnologia: poderíamos abolir completamente o uso de caminhões e trens, e obrigar toda a carga a ser transportada de carro. Isso criaria milhões de novos empregos. Ou poderíamos também abolir o uso do carro e criar ainda mais empregos, pois agora as pessoas só poderiam transportar carga nas costas.

Em cada um desses casos, o número de empregos criados iria superar com ampla margem o número de empregos perdidos na indústria de caminhões e na automotiva. Mas fica a pergunta: essa criação de empregos por acaso nos deixou mais ricos? Por acaso aumentou o nosso bem-estar? A resposta é óbvia. Essa criação de empregos, na prática, gerou uma redução no padrão de vida de todas as pessoas.

Um exemplo
Um país de economia fechada pode ter — e certamente terá — um desemprego menor do que um país de economia aberta. No entanto, a questão é: será que tais empregos estão realmente gerando valor e riqueza para esse país de economia fechada?
Vamos a um exemplo prático. Suponha que uma economia tenha várias pessoas empregadas na indústria automotiva, desde as linhas de montagem até as cadeias de distribuição e de peças de reposição. Isso é bom para a economia como um todo? Depende.
Se a indústria automotiva deste país está sujeita à concorrência de carros estrangeiros, os quais podem ser livremente comprados pelos cidadãos deste país, sem tarifas de importação, então essa indústria automotiva é eficiente, e os empregos que ela consegue manter certamente são de alta produtividade e geram um produto de alta qualidade. Afinal, se mesmo com a concorrência de carros estrangeiros a população nacional ainda assim segue comprando os carros fabricados nacionalmente, então é porque o produto é bom, a indústria é eficiente e os produtos fabricados por seus trabalhadores satisfaz os consumidores locais.
Porém, e se essa indústria automotiva emprega muita gente simplesmente porque ela é protegida por altas tarifas de importação, as quais impedem os consumidores nacionais de terem acesso barato aos carros estrangeiros? 
Nesse caso, há uma grande chance de os empregos mantidos por essa indústria serem artificiais e ineficientes, pois ela agora está operando em um ambiente semelhante a uma "reserva de mercado". No mínimo, esses empregos não existiriam na quantidade que existem atualmente caso a aquisição de automóveis importados fosse mais fácil.
No primeiro exemplo, os trabalhadores da indústria automotiva de fato estão criando um produto valoroso para a sociedade, e isso é nitidamente demonstrado pela preferência voluntária dos consumidores. Dado que eles têm a opção de comprar carros importados baratos, mas ainda assim optam por comprar maciçamente os carros nacionais, então isso é um sinal de que o produto é satisfatório aos preços a que estão sendo vendidos, o que significa que os trabalhadores dessa indústria estão sendo eficientes em criar um produto de valor para a sociedade.
Já no segundo exemplo, os trabalhadores da indústria automotiva estão operando dentro de um mercado protegido pelo estado. Isso é uma receita certa para a ineficiência. Devido às altas tarifas de importação, que praticamente proíbem a compra de carros importados, os carros nacionais poderão ser de pior qualidade e vendidos a preços mais altos — e ainda assim serão comprados, pois a população não tem muita escolha.
Consequentemente, ao ter de desembolsar valores mais altos para adquirir esses carros, a população terá um renda disponível menor para adquirir outros bens de consumo.
Os trabalhadores dessa indústria automotiva terão salários acima dos de mercado, ao passo que o restante da população ficará com um poder aquisitivo menor do que teria caso pudesse comprar carros mais baratos do exterior.
O exemplo acima abordou apenas um setor da economia. Se você expandir esse raciocínio para todos os outros setores — eletroeletrônicos, utensílios domésticos, produtos tecnológicos, vestuário, siderurgia etc. —, começará a ter uma noção de como o seu poder de compra pode ser afetado apenas para garantir que estes setores tenham mais emprego do que o normal.
O raciocínio econômico só é completo quando ele é capaz de contemplar não apenas o que está ocorrendo com um determinado grupo (desempregados e indústrias), mas sim o que está ocorrendo com todos os grupos da sociedade. E não apenas no curto prazo, mas também no longo prazo.

Baixo desemprego, por si só, não quer dizer nada
Por tudo isso, um país ter uma baixa taxa de desemprego não quer dizer nada. O que tem de ser olhado é o quão produtivo são esses empregos e se eles realmente estão produzindo aquilo que o consumidor quer. Você ter um canteiro de obras repleto de peões que fazem o mesmo serviço que apenas um homem com uma máquina seria capaz de fazer não é um exemplo de economia pujante ou rica, mas sim de desperdício de recursos. Você terá uma baixa taxa de desemprego, mas não estará criando riqueza de forma eficiente.
Consequentemente, o objetivo de se alcançar uma baixa taxa de desemprego não que deve ser apenas a criação de empregos per se; o objetivo tem de ser a criação de empregos produtivos e economicamente viáveis. 
Empregos só são valiosos quando as pessoas trabalham com o intuito de fornecer bens e serviços que são genuinamente valorizados e demandados pelos consumidores. Se não há uma real demanda pelos produtos fabricados, ou se a demanda é artificialmente criada por barreiras à importação ou por outras regulações governamentais, tais empregos representam um grande desperdício de recursos escassos.
Ao contrário do que alegou Keynes, se todos os desempregados atuais fossem compulsoriamente empregados na construção de pirâmides, isso não traria benefício nenhum para a sociedade. No entanto, seria ótimo para as empresas que ganhassem os contratos do governo para fornecer os tijolos e o cimento. E seria péssimo para os reais empreendedores, que agora teriam de lidar com preços mais altos para o tijolo, para o cimento e para a mão-de-obra, o que poderia inviabilizar vários outros empreendimentos mais demandados pelos consumidores. 

Conclusão
A única maneira de criar e manter empregos que não produzem realmente aquilo que o consumidor quer é utilizando o governo.
Seja por meio de subsídios diretos, seja por meio de regulações que criam um cartel e proíbem a concorrência, seja por meio de tarifas de importação que criam um reserva de mercado — apenas o governo pode manter operante empresas que produzem algo que não é genuinamente demandado pelo consumidor. 
E, ao fazer isso, empregos são gerados. E eles podem custar muito caro.